Notas iniciais
Genteeem! Desculpa o atraso da postagem, tava estudando muito e a falta da internet colaborou pra isso, mas espero que o capítulo tenha valido a espera pra vocês :3 (Akira ♥) Obs: Dono é um título honorífico japonês antigo e raramente utilizado atualmente. Significa mestre/lorde. O locutor se apropria desse termo quando quer elevar o respeito ao interlocutor.

Iwako

Não sei como estou conseguindo conter o riso, o rosto da Aohono-san foi hilário, dela e dos seus amigos. Parecia que ela queria cavar um buraco a qualquer momento e se enterrar viva.

Nesse momento eu já havia saído da Escola Secundária Seikan. Nunca tinha ido numa escola, então era, definitivamente, coisa nova para mim. Por sorte consegui encontrar a enfermaria com facilidade; realmente as coisas ficam bem mais fáceis quando ninguém consegue te ver, infelizmente esse tipo de truque não funciona com youkais, com certeza seria muito útil se funcionasse.

Eu estava andando pela rua do colégio que era a mesma rua do restaurante, talvez duzentos metros de distância, nada demais. Eu caminhava calmamente, apreciando meus pensamentos de hoje mais cedo, a Michi e seus amigos… Parece que aquela garota se importa mesmo com eles… Não é, Chibi-chan?!

Deixei um sorriso escapar do meu rosto, o que seria muito constrangedor se alguém estivesse olhando pra mim, mas a rua estava praticamente vazia, talvez por ser uma rua de colégio sem muitos pontos comerciais próximos, a não ser pelo restaurante do Hiyato, mas não era popular o suficiente para arrastar metade de Kyoto para lá, além do mais, não era um horário muito favorável a movimento, prefiro assim.

Mais uma vez permiti que minha mente voltasse aos amigos de Aohono Michi, ficava pensando, como deve ser ter amigos assim… Ela se importa com eles e pude sentir que eles também se importam com ela, ela disse que não queria que eu ficasse indo ao colégio, disse que queria apenas continuar sendo quem era pelo menos lá… Não entendo, aposto que se ela não tivesse… amigos. É isso, Aohono-san não quer que nada interfira na vida dela com seus amigos. Me pergunto o que há de tão bom em ter amigos, nunca tive e estou bem dessa forma, quer dizer... Podia considerar Sora-chan minha amiga?! Sempre a vi mais como uma irmã mais velha, apesar de que tínhamos exatamente a mesma idade… Daisuke-kamisama sempre fora como um pai pra mim, talvez. Kentaro Ishida e Yumi Ishida, apesar de gostar muito dos dois, e ter uma dívida com eles, não chega a ser uma amizade, afinal de contas raramente os visito e quase nunca sinto vontade de vê-los, mas… Será que isso é amizade?

Meus passos foram diminuindo gradativamente até que eu finalmente parasse, senti que meu rosto assumiu uma expressão séria, não sabia se era uma súbita sensação de estar sendo observado, ou porque deixei meus pensamentos chegarem à um ponto frágil e extremamente desagradável. De fato eu não tenho amigo algum.

Por sorte, minha mente não teve tempo o suficiente para avaliar a veracidade da minha afirmação, pois do outro lado da rua percebia que tinha um homem me observando. Passei a encará-lo demoradamente e ele não hesitou em retribuir; por fim ele se retirou para um beco dando a entender que queria que o seguisse, apesar de ser um estranho me levando para um local ermo, não via uma forma que ele pudesse atentar contra mim.

Não demorou muito até que finalmente alcançássemos a ruela, ele seguiu na frente e eu poucos metros atrás, o homem finalmente parou e se virou para mim. Vestia um casaco bege de lona, uma calça preta de flanela, umas sandálias comuns e uma camisa branca simples. Sua aparência era de um idoso e seu corpo era bem franzino, ao se aproximar de mim percebi que sua aparência era tradicionalmente nipônica, todos esses aspectos o faziam completamente desinteressante e comum, não era o tipo de homem que se destacava na multidão. Ele olhou para trás de mim o que foi um tanto engraçado, pois seus olhos eram tão puxados que pareciam estar fechados.

— De fato parece que estamos sozinhos — ele disse com tom gentil.

— Quem é você?

— Alguém já disse que o senhor, Iwako-dono, é um rapaz muito deselegante? — ele sorriu puxando um pequeno cachimbo do bolso interno do casaco.

— Sim, mas não costuma ser de forma tão polida. — Assistia enquanto ele levava o pito do cachimbo até os lábios. — Como sabe meu nome?

— Depende — disse distraído enquanto tentava acender o fumo com um fósforo.

— De quê? — tentei não denotar impaciência, mas isso era quase impossível no meu caso.

— Da resposta que quer ouvir, é claro. — Percebi um sorriso singelo em seu rosto quando viu que o fumo finalmente estava aceso.

A resposta dele me deixou tenso e senti minha mandíbula enrijecer.

— Ora, não precisa disso, Iwako-dono… — Ele soltou a fumaça no ar, essa por sua vez tinha um cheiro muito bom de canela e maçã, um cheiro tão bom que quase me fazia duvidar do fato de ser um fumo. — Digamos que eu ouvi muito falar sobre você e sua história, de uma forma ou de outra, me interessou imensamente...

Minha his… Você é o informante do Hiyato! — disse de imediato sem pensar muito.

— Muito bem! — Ele bateu palmas de forma irônica. — Acho que o senhor não é tão desprovido de raciocínio, afinal… Muito prazer, meu nome para o senhor é Miyazono.

A apresentação do sujeito foi tão dinâmica que nem ao menos tive tempo de sentir raiva pelo insulto indireto.

— Para mim? — indaguei e ele sorriu puxando mais uma vez a fumaça do cachimbo. — E para os outros, como se chama?

— Receio que não possa dar essa informação e mesmo que pudesse, não sei se seria capaz de dizer todos os pseudônimos. De qualquer forma, estou ficando sem tempo, vim te dar uma informação e vou garantir que isso aconteça. — Ele olhou por trás de mim novamente com seus olhos exageradamente apertados. — É sobre a invasão no templo.

Meu coração acelerou no mesmo momento e então pude perceber o quão estúpido eu poderia estar parecendo, talvez se comparado a uma criança que acabara de receber um presente de natal, mas não sabia se era a bicicleta que havia pedido ou se eram meias. Parece uma comparação estúpida, mas eu me sinto exatamente da mesma forma, a grosso modo, é claro, afinal de contas não posso resumir meus problemas a meias e bicicletas.

— Escute com atenção. — Os olhos dele focaram nos meus, só dessa proximidade pude perceber que eram de um verde esmeralda que assumia um tom quase celestial. — Não sei quem exatamente atacou o templo, estou trabalhando nisso ainda, mas… Segundo minhas fontes, apenas um daiyoukai ou uma divindade com certo nível de respeito tem o poder para causar o estrago que causou no templo do mestre Daisuke.

A forma solene com a qual pronunciou o nome do Daisuke-kamisama quase me fez respeitá-lo. Pensei a respeito dos daiyoukais, era uma ideia válida, afinal eles são youkais com enorme poder, muitas vezes sendo capazes de interferir de forma significativa na vida mundana e divina, mas:

— Achei que os daiyoukais mais influentes estivessem reclusos — disse desacreditando.

— E estão… — Ele deu mais uma espiada rápida atrás de mim direto para a rua, me perguntava mentalmente o porquê dele estar tão nervoso, mas fora isso, seu comentário me fez erguer uma sobrancelha. — Os daiyoukais mais influentes não parecem ter mostrado qualquer tipo de atividade adversa desde um pouco antes do ataque até os dias de hoje, apenas o que sobra é uma divindade respeitada, ou ao menos poderosa, mas quanto a isso eu não sei se posso descobrir, não é tão fácil assim se meter na vida de deuses, afinal cada um tem suas peculiaridades.

— Nossa — provoquei, para tentar persuadi-lo a falar um pouco mais —, que tipo de informante se recusa a vasculhar a vida de um “alvo” apenas porque ele é peculiar? — Dei de ombros.

Miyazono, ao invés de ficar intrigado com a minha provocação e soltar as informações que eu queria, apenas se calou num silêncio agonizante e me encarou com olhos afiados. Esse sim é um cara com quem eu não quero lutar…

— Iwako-dono, temo que deva portar-se de forma mais cuidadosa.

Bingo. Realmente havia alguma pista com relação aos deuses que ele acintosamente deixou passar. Vamos ver até aonde essa história vai…

— Não, Miyazono-san. Temo que o senhor deva reportar a mensagem por completo. — Encostei-me no muro ao meu lado e fingi leve indiferença. Ao notar que Miyazono havia se calado, continuei: — Ou acha que é o único informante que temos? — blefei. A verdade é que, naquele momento, ele era, de fato, o único.

Dito aquilo, a pose do Miyazono passou de tensa e reclusa para uma mais relaxada, e um sorriso de deboche surgiu em seus lábios.

— Iwako-dono, não seja tão ingênuo. — Ingênuo?! Quem esse cara pensa que é?! — Nenhum informante te dirá nada sobre deus algum. Não se for um youkai

Mantive minha pose e gesticulei com a minha mão para que prosseguisse.

— Nenhum youkai tem mais permissão para aproximar-se dos deuses com a tensão existente entre eles.

Demorei alguns segundos para processar aquela nova informação. Algo grande estava acontecendo no Reikai, pude notar desde a Feira Shokuhin, com guardas e vigias em maior número do que o usual, mas… Não sabia que a situação estava tão crítica.

— Te darei algum crédito se souber me responder… — eu o desafiei mais uma vez, e pela feição que ele fez, entendi que tinha aceitado. —… Por que o atrito entre youkais e deuses cresceu tanto?

Mais um sorriso debochado do Miyazono e mais uma resposta debochada:

— Ora, Iwako-dono, não ficou sabendo do desaparecimento de mais uma relíquia?

Aquilo foi um choque para mim. Naquele instante, senti calafrios descerem pelas minhas costas pela primeira vez em muito tempo.

— Qual foi a relíquia desaparecida?

— Ninguém sabe. — Miyazono deu de ombros. — Depois do incidente com a Kasai no Hana, os deuses estão sendo muito mais cuidadosos quanto às reliquias. E até dizem que… — Ele se limitou a parar a frase ali. Cheguei mais perto para poder ouvi-lo, mas ele apenas sorriu ardilosamente para mim. Aquilo me irritou, mas deixei o orgulho de lado só naquele instante para escutá-lo. —… As Relíquias serão tomadas dos youkais.

E mais uma bomba. Não precisava ser nenhum gênio para saber que as Relíquias Sagradas, presentes dos deuses que possuíam um poder absurdo dados para selar um pacto de paz com os youkais, eram o que mantinha o Reikai pacífico por milênios. Se elas forem tomadas…

— Isso é tudo? — foi só o que eu pude dizer.

Como resposta, ele assentiu com a cabeça. Ouvi algumas vozes no início do beco, na rua por onde entramos.

— Certo, meu tempo acabou, diga ao Hitori que esteve comigo e explique a situação por mim, tenho afazeres agora, mas assim que descobrir mais alguma coisa, o senhor será o primeiro a saber. — Miyazono agora tinha um tom de voz apesar de educado, muito afobado, como se precisasse sair dali o quanto antes.

— Percebo… Obrigado — respondi e ele sorriu assentindo com a cabeça, ele apagou o fumo do cachimbo e o devolveu ao casaco.

Ele foi o primeiro a sair quando nos despedimos, passou por mim e logo em seguida pude ver seu corpo se transformando; agora era a forma de uma mulher próxima aos trinta anos de idade, cabelos negros e corte reto, usava oculos e uma camisa de botões com uma saia, mais uma pessoa totalmente desinteressante, agora entendia sua intenção.

— Só mais uma coisa… — Miyazono agora tinha uma voz doce e feminina. Mesmo vendo vários demônios com a capacidade de se transmutar assim, continuava sendo algo fantástico — Não permita que Aohono Michi fique vulnerável, não importa o que aconteça.

Eu não disse nada, mas mesmo que quisesse de fato dizer alguma coisa, ele — ou ela — já teria sumido da minha vista. Caminhei para fora do beco e segui pela rua, no passeio paralelo ao colégio da Michi. Felizmente, dessa vez não conseguia pensar nos assuntos de mais cedo, as informações que acabara de receber tinham mexido de fato com a minha cabeça.

Tardei um pouco a perceber que não fazia ideia de quem se tratava esse tal “Hitori” que ele havia mencionado, quando parei de caminhar percebi que já estava na porta do restaurante, levantei a cabeça para olhar o letreiro: “猫が伸ばさ” Neko ga Nobasa, “Gato Espichado”, acho que não poderia esperar nada menos vindo do Hiyato.

Empurrei a porta de correr e tirei os sapatos guardando-os em um armário que ficava bem no vão da entrada. Subi o batente e pousei meus olhos sobre um Hiyato sonolento sobre a mesa, parecia que mesmo em sua forma humana, certos hábitos felinos dificilmente o deixavam.

Cheguei, gato! — Não foi um grito, mas eu falei com um tom firme, fato que o fez acordar quase que num salto.

— Você é cruel, Iwako-kun. — Ele bocejava tentando levantar-se da mesa, como se fosse a tarefa mais difícil do mundo, mas não parecia estar chateado. — Você chegou cedo, pensei que fosse demorar mais com a Aohono-san.

— Não, pra falar a verdade ela me dispensou bem rápido. — Sorri sem querer ao lembrar do apelido “Chibi”.

— O que é esse sorriso no seu rosto, Iwako-kun? — Hiyato me fitava maliciosamente.

— Nada que seja da sua conta, bichano… — tentei encerrar a conversa me dirigindo ao balcão. — Me ajude com os pratos, logo logo vamos ter que abrir.

— Iwako-kun, pare de ser tão evasivo! — ele me perseguiu, ainda com olhar maldoso. — Sou seu amigo afinal de contas, não é?

Estava pegando os pratos da pia no momento em que ele concluiu a frase, não foi intencional mas eu congelei no mesmo instante e me pus a encarar o resto da louça de forma fria. Não tinha forma alguma de considerar o Hiyato meu amigo, ele age dessa forma, mas não conheço nada de sua vida, nada da sua história e sempre que ele chega perto de dizer algo, repentinamente muda de assunto, ele é um completo nada no que diz respeito a conhecimento, não posso dizer que alguém que não conheço é meu amigo, posso?! Além do mais, sempre tenho a estranha sensação de que ele apenas brinca com as outras pessoas, penso se não é o mesmo que faz comigo.

— Iwako-kun?! — Ele me olhou um tanto curioso.

— Não é nada, fiquei pensativo por um instante, mas já estou melhor.

— Não sei não, você está esquisito. — Hiyato sentou no balcão onde a pia dos pratos estava conectada. — Aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu sim… — disse mais uma vez evasivo e direto. — Encontrei seu informante hoje depois que saí da Seikan.

— Encontrou?! — Hiyato parecia ligeiramente entusiasmado. — O que ele disse?

— Disse que ninguém poderia ter feito o ataque a não ser um daiyoukai ou um kami-sama — expliquei, enquanto lavava concentrado a louça.

— Faz sentido, imagino que seja pelo poder do ataque e a destruição causada por ele, não é?

Confirmei com a cabeça.

— Existe mais uma coisa: ele disse para contar tudo isso a um tal de “Hitori”, conhece alguém com esse nome? — Ergui os olhos para encará-lo.

Hiyato meneou a cabeça em afirmação, dessa vez com um sorriso tranquilo no rosto.

— Sou eu mesmo. — Ele ainda estava sobre o balcão e me olhava com divertimento.

Você?! — demonstrei mais surpresa do que gostaria — O que isso quer dizer?

Que é o meu nome. Acho que não deixa muitas interpretações — Ele riu.

— Mas, youkais não tem dois nomes, temos apenas o nome que nos é dado, sem sobrenome. Você é um youkai deveria saber disso.

— E eu sei… — ele hesitou momentaneamente — Mas eu tenho, meu nome é Hiyato Hitori.

— Quer dizer que “Hiyato” é sobrenome?

Ele afirmou com a cabeça, o que me fez ficar pensativo.

— Bem… Eu sou um nekomata, você sabe disso, certo?! — Não era uma pergunta séria, estava mais para retórica, mas eu afirmei mesmo assim. — Deve saber também que antes de ser um youkai eu era um gato doméstico, certo?! — consenti mais uma vez — Bem, meu mestre, ou dono se preferir, chamava-se Hiyato Seiji. Como era “parte da família” ele me deu o mesmo sobrenome dele. Originalmente, meu primeiro nome é Hitori.

Ele concluiu, mas mesmo assim eu continuei pensativo enquanto terminava de lavar o último prato.

— Não é estranho não saber meu nome, poucas pessoas o sabem.

Balancei a cabeça positivamente e me retirei para a porta.

— Iwako...?

— Vou mudar a placa para “aberto”. — Não sabia como reagir ao que o Hiyato acabara de me contar.

— Só isso que tem a me dizer? — ele parecia decepcionado — Quer dizer, eu acabei de te falar uma parte da minha vida que quase ninguém sabe e você apenas diz que “vai mudar a placa da loja”?

Certo, eu me sinto um idiota, pouco tempo atrás estava me perguntando se o Hiyato era mesmo meu amigo por nunca me falar da vida dele e ser um verdadeiro nada relacionado a conhecimento pessoal, mas ele agora acaba de dizer coisas relacionadas a laços afetivos de setecentos anos atrás e eu não fiz completamente nada.

— Você leu minha mente? — disse de súbito.

O quê?! — A expressão do Hiyato foi tão confusa que eu me senti completamente estúpido em ter perguntado aquilo.

Nada — disse quase que pra mim mesmo. — Não foi intencional, só não sabia o que dizer.

Hiyato sorriu e caminhou até mim depois de descer do balcão.

— Certo. — Ele me deu um soco de leve no braço, um pouco abaixo do bíceps já que era a parte que alcançava sem fazer esforço — Vamos abrir essa loja, brutamonte.

Ei! Não me chame assim! — protestei, mas ele apenas terminou de caminhar até a porta enquanto sorria.

Hiyato Hitori virou a placa do lado de fora da loja para aberto e pude perceber que alguns clientes já estavam esperando por isso.

— Boa tarde, Toru! — Um homem de cabelos castanhos adentrou o restaurante com o que parecia ser sua namorada. — Espero que prepare com carinho uma refeição para minha Hiyomi-chan.

A garota corou e eu apenas fiquei assistindo a cena sem entender muita coisa. Toru é o nome pelo qual os humanos chamam o Hiyato, um nome muito comum para mundanos. Eu realmente não gosto dele, mas acho que faz parte da estratégia dos bakemonoyoukais metamorfos —, já que tendem a ser totalmente ignoráveis. De fato Hiyato e Miyazono optavam por se transformar em pessoas totalmente desinteressantes.

Uau! — O homem me fitou estarrecido. — Você é muito alto!

— Eu sei — tentei não parecer tão frio.

— Está trabalhando para o Toru-san?

— Pode se dizer que sim. — Olhei para o Hiyato e em seguida voltei a olhar o rapaz deveras animado.

— Que bom! — Sorriu amigavelmente. — Será um prazer ter você aqui.

— De fato será! — Hiyato se enfiou entre mim e o homem — Mas, por quê não me ajuda a fazer um lámen especial para o casal aqui, Iwako-kun?

Não tive tempo de responder pois o rapaz se apressou.

— Iwako? — Coçou a cabeça — Esse é seu nome ou sobrenome?

Nom… — Ia responder mas o Hiyato me interrompeu.

— Sobrenome!

O que está fazendo, seu gato estúpido?

— Ah, entendi! — O rapaz sorriu e logo em seguida fez uma reverência. — Me chamo Satoru Eri, essa é minha namorada Fusaba Hiyomi-chan, é um prazer conhecê-lo!

A garota também fez uma reverência breve.

Por que os humanos fazem isso? Permaneci parado enquanto o Hiyato tomava as rédeas da situação.

— O nome dele é Iwako Kame! — Ele sorriu amigável enquanto eu tinha a vontade de arrancar seu pescoço com as mãos — Desculpe os maus modos do meus serviçal! Apesar de tudo, é um bom rapaz.

Seu o quê?! Hiyato, não importa quantos anos você tenha, eu definitivamente vou te matar.

— Não se preocupe com isso, Toru-san, eu gostei dele.

O rapaz se dirigiu para a mesa com sua namorada enquanto esperava pela refeição, ambos pareciam muito apaixonados um pelo outro, de qualquer forma, isso não significava muita coisa para mim. Arrastei “Toru” pelo braço até a cozinha e acho que ele já esperava pela minha reação.

O que diabos, você pensa que está fazendo? — sussurrei, mas ao mesmo tempo não era capaz de conter minha indignação — Que droga de nome é “Kame”?

Hiyato tentava abafar o riso.

Iwako-kun, você é um cara que chama muita a atenção, além de que não sabe se comportar como um humano, o que torna seu “disfarce” ainda mais complicado. Você não se curvou quando estava se apresentando, na verdade, você nem mesmo se apresentou, além do mais, todo o humano que se preza, tem um sobrenome… Iwako é um nome muito estranho para um humano, quando se torna um sobrenome, as pessoas não tem tanto direito de contestar. — Hiyato suspirou e eu quase ia protestar mais uma vez por ele dizer que meu nome é estranho, mas não deu tempo — Você não vai falar, certo? Tenho que te ensinar a agir como um humano, se você sair por aí falando com seres humanos seria uma catástrofe total, a começar pelo seu jeito de falar que é completamente ultrapassado… — Ele me encarou por alguns segundos — Tudo bem, acho que já ficamos tempo demais aqui, posso ajudar com a sua “humanidade”, mais tarde. Agora, vamos fazer lámen!

Algumas horas se passaram e depois daquele casal muitas pessoas vieram, não sabia como o Hiyato conseguia lidar com tantos clientes ao longo do dia, mas foi ainda pior quando os alunos da Seikan começaram a chegar, não sei por que, no entanto só conseguia pensar na Michi chegando pela porta da frente, na intenção de me trucidar e isso me divertia. Servíamos lámen atrás de lámen e yakisoba atrás de yakisoba, fora outros pratos que não eram tão conhecidos no restaurante, mas de qualquer forma saíam.

Estava entregando um prato de sopa de miso a um garoto da Seikan quando vi a porta de entrada ser arrastada pro lado com certa agressividade, ergui os olhos e então notei uma nanica de cabelos alaranjados caminhando pesadamente em minha direção. Minha diversão acabara de chegar. Um sorriso malicioso se formou no canto da minha boca.

Iwako-san! — Aohono Michi rosnou.

Notas finais
É isso aí gente, espero que tenha valido a demora, juro que quando estiver livre do colégio vai ser mais tranquilo para postar os capítulos. Akira :3