A Prova De Um Amor Verdadeiro

13 Uma bela surpresa e uma declaração


Notas iniciais
Voltei gente!!! Aqui estou eu, ás 06:16 da manhã, postando esse capítulo. Eu prometi pra mim mesma que não iria dormir até terminar, então, terminei! Espero que apreciem meu esforço, e divirtam-se :)

As coisas estavam tensas no castelo. Já fazia duas semanas desde que papai nos castigou e toda noite parece como se os meus braços vão cair do peso que eu levanto o dia inteiro. Rebeca anda exausta também; não é porque ela está na cozinha que as coisas são fáceis. Ela tem ainda mais trabalho que eu, mas também tem que aguentar a cozinheira chefe reclamar que ela não faz nada direito. E depois vem Lian. Ele anda muito calado ultimamente, pensativo. Estou preocupada com ele.

Mas uma coisa boa veio nesse meio tempo: Nenhuma palavra do idiota real Antony. É incomum, mas não indesejável.

Só que também não soube nada de Dylan. Seu pai está sempre no escritório com papai, e ultimamente evito passar por lá; ou seja, quando não estou ocupada carregando feno, escovando ou dando comida para os cavalos.

Eu estava voltando para o castelo quando o som de cascos batendo no chão me alertou pra alguém vindo na estrada. Eu suspirei, mais cavalos pra escovar. Comecei a voltar para os estábulos, xingando mentalmente a pessoa que havia chegado, assim como meu pai por me fazer trabalhar.

É claro que minhas maldições internas pararam quando vi quem havia chegado.

Mas retornaram cem vezes pior quando lembrei do meu estado.

Dylan estava ali.

Dylan estava ali.

Dylan estava ali!

Senti meu coração parar. Não sabia o que fazer. Foi então que ele sorriu e eu acordei.

– Olá – Disse ele sorrindo e eu me senti derretendo ao som de sua voz.

– Oi – Respondi, então lembrei das minhas tarefas. – Vamos por aqui, por favor. – Eu disse me aproximando e peguei as rédeas do cavalo. Dylan levantou uma sobrancelha mas me seguiu. Chegamos a um espaço vago e eu comecei a tirar as rédeas e a sela, enquanto fazia isso verifiquei discretamente se o cavalo estava ferido em algum lugar, quando vi que não estava, sorri. É claro que Dylan cuidaria de seu cavalo. Quando peguei a escova, Dylan resolveu falar.

– Por que está fazendo isso? – Perguntou ele confuso. No lugar dele eu também estaria.

– Estou de castigo. Aparentemente expressar minhas opiniões faz de mim uma irracional. – Respondi amargamente. Tanto para o apoio dos pais...

– Como assim? – Dylan franziu a testa e eu conti um sorriso, ele era adorável.

– Papai e eu tivemos uma discussão. Lian e Rebeca tomaram o meu lado e como resultado ficamos de castigo. Lian está limpando o outro estábulo e Rebeca está ajudando na cozinha. – Respondi enquanto cuidadosamente escovava o peito do cavalo.

– Como é o nome dele? – Perguntei e Dylan se assustou com a pergunta repentina.

– Ah? É Níger. – Respondeu ele sorrindo suavemente.

– Você que escolheu? – Perguntei, enquanto terminava de escovar a crina de Níger.

– Sim. Papai o encontrou machucado, com sede e fome. Como ele não tinha dono, cuidamos dele e eu o nomeei, pois Níger é um país semidesértico e ele estava morrendo de sede quando papai o encontrou. – Dylan explicou. – Achei o nome apropriado. – Ele deu de ombros. Foi então que Lian entrou.

– Dóris, você... – Lian parou quando percebeu que eu não estava sozinha. – Olá Dylan.

– Oi Lian. – Dylan sorriu.

– O que foi Lian? – Perguntei preocupada, mas meu irmão sorriu cansado.

– Só vim ver se já tinha terminado. – Respondeu ele se encostando no batente da porta.

– Sim. – Eu disse, enquanto colocava aveia para Níger comer e verificava a água. – Terminei.

– Ótimo, vamos então. – Disse Lian.

Quando entramos no castelo, Beca veio em nossa direção.

– Terminou mais cedo? – Perguntei e ela balançou a cabeça.

– É mais como a minha carcereira me liberou mais cedo. – Ela deu um suspiro cansado. – Oh, olá Dylan.

– Olá Rebeca. – Dylan a olhou criticamente. – Você parece cansada.

– Você não faz ideia. – Respondeu ela.

– O que vocês estão fazendo aqui? – Mamãe estava no topo da escada, nos olhando criticamente.

– Já terminamos nossos deveres. – Respondeu Lian com voz reservada.

– Estávamos apenas conversando, majestade. – Dylan se adiantou e sorriu encantadoramente. – Seus filhos me contaram de suas novas funções. E o motivo.

– Sim, inventarem todas aquelas calúnias sobre o príncipe Antony, um jovem tão encantador... – Mamãe suspirou e eu reprimi um grito de indignação. Encantador? Onde? Quando?

– Mas vou deixar vocês então. Seja bem-vindo novamente Dylan. – Mamãe sorriu e se afastou. Sem nunca olhar pra nós. Senti minha garganta apertar.

– O que ela disse é mentira. – Lian nos defendeu quando Dylan se virou pra nós com uma sobrancelha levantada.

– Tudo o que dissemos de Antony é verdade, mas nossos pais estão tão cegos que não acreditam em nós. – Disse Rebeca.

– Me contem tudo. – Ordenou Dylan. Quando Lian começou a abrir a boca para falar, eu o parei.

– Não podemos falar aqui. E estamos sujos, pelo menos Lian e eu estamos. Vamos tomar banho e nos encontramos mais tarde. – Sugeri.

– Nos encontramos na biblioteca depois do jantar. – Disse Rebeca e os outros assentiram.

– Me ignore, eu sou uma linha-

Eu dei graças de entrar em baixo da água morna. Só então eu percebi o quão exausta eu estava. Tudo o que eu queria era dormir, mas sabia que teria que conversar com Dylan. O que me fez lembrar do presente que ele me deu antes de partir a última vez.

O livro que ainda estava no embrulho.

Suspirei, eu não havia aberto, pois então seria definitivo. Queria adiar tanto tempo quanto fosse possível. Não queria perder a última coisa que ele havia deixado.

Mas agora ele voltou, sabe-se lá por quanto tempo.

Me sequei e me vesti com calma. O jantar ainda iria demorar, então eu podia pensar.

Eu não podia falar do segundo bilhete. Da ameaça. Dylan com certeza iria querer fazer algo, Lian nem se fala. Eu suspirei, estou fazendo muito isso ultimamente.

– Você está pronta? – Perguntou Beca, colocando a cabeça pra dentro do quarto e olhando pra mim.

– Sim. – Respondi e levantei. Descemos em silencio, cada uma com seus próprios pensamentos. Na sala de jantar, todos estavam em silencio. Eu procurei os olhos de Lian, mas meu irmão apenas balançou a cabeça um pouco, como se dissesse: Depois.

Eu estava tensa. Tudo o que eu queria era correr pra biblioteca, então quando o jantar acabou respirei um pouco mais aliviada. Mamãe foi pra o quarto dela e papai e seu conselheiro Marcos, voltaram para o escritório.

– Vamos então? – Perguntou Dylan, quebrando o silencio.

– Vamos. – Eu disse e ele sorriu um pouco. A viagem até a biblioteca foi rápida, como ela fica no corredor principal, assim como a sala de jantar. Ao entrarmos, senti o cheiro de todos aqueles livros, e me acalmei um pouco.

– O que aconteceu enquanto eu estava fora? – Perguntou Dylan quando nos fizemos confortáveis e Lian começou a narrativa. Durante a história fomos nos revezando pra contar, e até o final, Dylan estava indignado.

– Então, este príncipe narcisista quer conquistar Dóris apenas para mostrar que ele pode? – Perguntou ele e nós assentimos.

– E nosso pai quer concordar porque é para o bem da economia de Costa Luna. – Terminei e Dylan respirou fundo.

– Vou tentar ver como posso ajudar. – Disse ele e nós sorrimos.

– Obrigada. – Eu disse.

– Bem, eu vou dormir, já está tarde. – Disse Rebeca, depois de alguns minutos. – Boa noite.

– Eu também vou. – Lian disse e acenou enquanto se afastava. Com isso apenas Dylan e eu ficamos.

– Senti sua falta. – Falei e ele sorriu.

– Eu também senti a sua. – Respondeu ele, e eu senti meu rosto esquentar.

– Tenho algo pra você. – Disse ele, pegando uma pequena caixa de seu bolso e me entregando. Dentro dela havia uma delicada pulseira de prata, incrustada com pequenas pedras que mudavam de cor conforme a luz das lâmpadas refletia nelas.

– É linda. – Eu consegui dizer. Olhei pra cima, e percebi que ele olhava atentamente pra mim.

– Essa pulseira foi da minha mãe. Eu quero que você fique com ela agora. – Disse ele e eu senti meus olhos se arregalarem.

– Mas Dylan... Por quê?

– Quando eu te conheci, sabia que era diferente, e depois de nosso primeiro beijo... Eu sabia que você era a única pra mim. – Disse ele, se ajoelhando na minha frente. – Eu sei que não podemos ficar juntos agora, mas essa pulseira é a minha prova de amor pra você Dóris. A prova de que eu escolho você e sempre vou escolher você.

Senti minha garganta apertar, e lhe dei um sorriso aguado. Simplesmente não sabia o que dizer. Então fiz a única coisa que podia, o puxei para um beijo.

– Eu te amo, Dylan Torres.

– E eu te amo, Dóris Black.

Notas finais
Comentários me fazem feliz :)