A Prova De Um Amor Verdadeiro
11 O Bilhete
Notas iniciais
Eu não consegui dormir muito bem. O motivo você já pode adivinhar: O- Idiota- Real- Quero- Que- Me- Idolatrem príncipe Antony. É claro que nem em meus sonhos eu posso ter paz, e não, eu não estou sendo dramática. Duvido que vocês também não iriam querer sonhar com os olhos amendoados perfeitos, ou os lábios sorridentes que pertencem a Dylan Torres.
Esperei deitada na cama até o dia clarear totalmente, então levantei e fui direto para o banheiro; um banho era a única coisa que iria me relaxar. Quando voltei ao meu quarto meia hora depois, encontrei uma criada colocando um vaso com rosas vermelhas na mesa de cabeceira, assim como um bilhete.
– O que é isso? – Perguntei, fazendo-a pular e se virar pra mim com os olhos arregalados.
– Sinto muito majestade, mas eu bati e como ninguém atendeu, resolvi entrar. – Explicou ela. – Sei que não deveria ter feito isso.
– Sim, não deveria. – Falei e ela baixou a cabeça arrependida. – Espero que isso não se repita.
– Não vai, majestade. – Disse ela rapidamente. Eu assenti, então olhei para as flores.
– De quem são? – Perguntei temendo a resposta.
– O príncipe Antony foi quem mandou, majestade. – Respondeu ela e eu quase rosnei.
– Por favor, tire isso do meu quarto. Eu não me importo onde você coloca isso, mas por favor, tire da minha frente! – Eu pedi com toda a calma que pude, mas até o final da frase eu estava quase rosnando de raiva. A criada, que nunca tinha me visto daquele jeito, praticamente correu pra fazer o que eu pedi. Quando ela saiu, eu fechei meus olhos e respirei fundo. Não podia perder a paciência daquele jeito, tinha que controlar meu temperamento, mas como? Se tudo o que alguém tinha que fazer era mencionar o nome daquele idiota pomposo pra eu ficar com raiva? Eu balancei minha cabeça pra me livrar desses pensamentos e olhei pra mesa de cabeceira, onde a nota tinha permanecido. Respirando fundo, fui até ela e peguei com certa relutância.
Para minha futura esposa
Não pense que esqueci o que aconteceu durante minha ultima visita.
Gostou das rosas?
Espero que goste de vermelho, pois essa é a cor do sangue do teu irmão,que eu vou ter grande prazer em derramar.
Estarei te visitando na próxima semana, e espero poder falar com você dessa vez.
Espero ser bem recebido.
Antony
Senti meu sangue gelar ao ler o que estava escrito. O bilhete, que mais parecia uma missiva, me deixou alerta e apavorada. Antony ameaçou a vida de Lian, e conhecendo ele não era apenas uma ameaça, era uma promessa. Nesse momento houve uma batida na minha porta, me fazendo pular e correr pra esconder o bilhete maldito.
– Dóris? – Chamou Rebeca abrindo a porta.
– Sim? – Perguntei olhando pra ela e esperando que ela não desconfiasse de nada.
– Não está pronta ainda? – Ela me olhou e eu balancei a cabeça. Ainda estava de roupão do banho, então corri para o guarda-roupa. Peguei um vestido simples e me vesti; fui então escovar o cabelo e pelo espelho percebi o olhar de minha irmã, estava me avaliando, sabia que algo não estava certo, mas não sabia se falava ou não.
– Vamos? – Perguntei, e Rebeca me deu um olhar estranho.
– Você pretende ir descalça? – Perguntou meio divertida, então olhei para os meus pés; de tão nervosa que eu estava, tinha esquecido de colocar um sapato. Olhei pra ela de brincadeira, e calcei o sapato mais confortável que encontrei.
– Agora vamos? – Perguntei e ela assentiu. Descemos em silencio, eu ainda estava muito tensa pra conversar e ela parecia perdida em pensamentos. Quando chegamos na sala de jantar, mamãe e Lian estavam ali.
– Bom dia. – Disse Lian alegremente e eu não pude deixar de sorrir, sorriso que desapareceu quando notei o pequeno hematoma que ainda estava em seu rosto. Mesmo depois que Lian disse que iria fazer de tudo pra me proteger eu ainda estava insegura, mas agora eu temia por meu irmão.
– Tudo bem Dóris? – Perguntou mamãe e eu assenti, conseguindo sorrir um pouco.
– Claro. – Respondi colocando café numa xícara. – Então, o que vocês pretendem fazer hoje? – Perguntei mudando de assunto.
– Eu tenho aula de política. – Disse Lian de mau humor. Só então mamãe olhou pra ele. – Quero dizer, eu amo essa aula! – Continuou ele apressadamente com falso entusiasmo. Eu abafei meu riso e percebi Beca fazendo a mesma coisa.
– Espero que sim Lian. – Disse mamãe e ele assentiu apressadamente. – O que vocês vão fazer meninas? – Continuou ela olhando pra Rebeca e eu.
– Acho que vou ficar no meu quarto lendo, tem alguns livros que eu ainda não terminei. – Disse Rebeca. Todos então olharam pra mim.
– Acho que vou estudar também, talvez eu vá dar um passeio a cavalo mais tarde. – Falei.
Quando terminei o café da manhã, praticamente corri pra biblioteca. Eu amava estar ali, no meio de todos aqueles livros. Passei a manhã lendo sobre vários assuntos, principalmente sobre as leis de Costa Luna, esperava que tivesse algo ali que me ajudasse. Papai finalmente tinha aparecido para o almoço, mas não houve muita conversa. Minha cabeça estava nadando de todas as informações que eu tinha obtido, mas não era nada que pudesse me ajudar.
Depois de almoçar corri para a biblioteca novamente. Já tinha passado por a maioria dos livros, mas não estava tendo sucesso, todos os livros diziam a mesma coisa: Não importa o desejo do príncipe ou da princesa, se o responsável assinasse o contrato de casamento, mais nada poderia ser feito. Eu senti vontade de chorar. Meu destino estava selado. Papai com certeza iria assinar o contrato, pois era para o bem de Costa Luna. ‘E o meu bem’, pensei com raiva.
Resolvi sair um pouco, respirar um pouco de ar fresco. Eu não estava mentindo quando disse que queria cavalgar um pouco, isso sempre me acalmava, e também me lembrava do dia em que Dylan e eu saímos juntos.
Corri para o meu quarto e troquei de roupa, não podia sair pra cavalgar de vestido. Quando desci para os estábulos, percebi que já estavam colocando sela no meu cavalo. Quando montei e saí cavalgando, sorri ao sentir o vento em meus cabelos; senti todas as minhas preocupações me deixarem, só apreciei aquele momento de paz.
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