A Prova De Um Amor Verdadeiro
19 Dylan descobre a verdade
Notas iniciais
Eu consegui ficar doente. Simples assim.
Um pequeno recado para quem quer ficar mais de uma hora embaixo do chuveiro na água gelada: Não façam isso.
Era simplesmente horrível ter que ficar de cama, parecia que o tempo não passava, não importavam quantos livros estavam à disposição para leitura. Lian e Rebeca não tinham permissão para ficar comigo, pois poderiam ficar doentes também, então eu não tinha com quem conversar. E não tendo com quem conversar, eu ficava pensando em tudo o que aconteceu e na decisão que fiz há apenas algumas horas atrás.
Dylan descobriria, com toda a certeza já sabia, e se sentiria traído e com raiva. Inferno, eu me sentiria assim no lugar dele.
— Princesa? – Chamou alguém da porta.
— Entre. – Falei, antes de cair em uma crise de tosse. Quando olhei pra cima, uma das criadas olhava pra mim da porta.
— Chegou uma encomenda pra senhorita. – Ela mostrou o buquê de rosas que estavam em seus braços e eu tive um mau pressentimento.
— Pode deixar na mesinha perto da porta. – Falei e ela assentiu, aliviada que não teria que chegar mais perto e ficar doente. – Obrigada.
— Disponha alteza. – Ela se curvou e saiu rapidamente. Eu suspirei, já imaginava de quem eram as rosas e não queria que elas ficassem perto de mim.
Meu inferno pessoal oficialmente havia começado.
~Me ignore, eu sou uma linha~
Eu melhorei depois de quase uma semana. A primeira coisa que fiz foi jogar aquelas rosas no primeiro lixo que encontrei. Não queria nenhum vestígio de Antony Ganzer no meu quarto, muito obrigada. Rebeca praticamente pulou no meu pescoço na ânsia de me abraçar e Lian me levantou do chão e me girou, sorrindo o tempo todo. Me senti emocionada com a alegria dos dois ao me verem bem.
Mamãe mandou que os cozinheiros preparassem um almoço com todos os meus pratos favoritos, e até papai saiu do escritório para almoçar conosco.
Eu estava muito feliz ao ter minha família ali, ao meu redor, mas estava muito bom pra ser verdade.
— Sua Majestade. – Eu senti meu sangue gelar ao ver quem tinha chegado. Ali, em pé na soleira da porta estavam o conselheiro do papai Marcos, e quem eu mais temia ver: Dylan.
~Me ignore, eu sou uma linha~
Eu estava tremendo, minhas emoções descontroladas, não sabia o que fazer.
— Será que podemos conversar, princesa? – Dylan perguntou formalmente. Eu estremeci. Praticamente corri da sala de jantar quando tive a chance e me refugiei na biblioteca, aonde ele também veio.
— Não precisa ser tão formal comigo. – Eu respondi, olhando pra Dylan, que tinha a cabeça baixa.
— Acho que preciso sim, como já estás noiva de outro. – Eu estremeci. Seu tom de voz não traia nenhuma de suas emoções. – Não quero que seu noivo pense mal de você por minha causa.
— Dylan, por favor, eu posso explicar! – Praticamente supliquei pra ele, que finalmente olhou pra cima. Sua expressão era dura, mas seus olhos mostravam suas verdadeiras emoções. A mais forte era a traição.
— Explicar o que Dóris? Que você aparentemente mentiu pra mim esse tempo todo? Que eu não era nada mais que uma aventura pra você?
— Isso não é verdade! – Exclamei avançando. – Eu não tive escolha.
— Mesmo? – Falou ele se afastando. – Eu não posso mais confiar em você Dóris.
Aquilo doeu, foi como um tapa na minha cara. Ele não confiava mais mim. Eu queria me colocar em posição fetal e chorar.
— Dylan, não vá, por favor. – Supliquei. – Se você for, eu vou chorar.
— Foi bom enquanto durou, Dóris. Mas está tudo acabado entre nós. – Disse ele. – Seja feliz com o Antony. – Com isso ele saiu e eu me ajoelhei e comecei a chorar.
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