A Prova De Um Amor Verdadeiro
7 Despedidas
Notas iniciais
7- Despedidas
A primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar para a janela. A chuva havia parado e eu queria pular de alegria. Levantei fui para o banheiro, tomei um banho rápido e terminei minha higiene pessoal antes de voltar para o meu quarto procurar algo para vestir. Eu tinha que ser rápida para me arrumar se queria ser umas das primeiras a chegar na loja de roupas da madame Carter.
Nem esperei pra acordar Rebeca ou tomar café da manhã, só esperei para o cocheiro arrumar a carruagem e partimos do castelo. Quando cheguei a loja não estava nem aberta, bem, acho que saí um pouco cedo. Madame Carter ficou um pouco surpresa ao me ver ali esperando, dez minutos depois. Quando ela perguntou o que eu precisava, pedi para ver os novos modelos de vestidos e saias, que ela estava mais do que feliz em fazer. Escolhi os que eu queria e após ela tirar minhas medidas olhei para meu relógio e sabia que teria que voltar para o castelo.
Essa é a parte ruim de ser uma princesa, tenho horários a respeitar, responsabilidades, dever com para o meu povo. Lian é o que mais sofre com isso, por ser o príncipe herdeiro. Minhas atitudes e as de Rebeca são um pouco mais toleradas, mas ainda temos que andar na linha. Como por exemplo, quando chegar a hora, teremos que entrar em um casamento que seja benéfico para o reino e seus ocupantes.
E você se pergunta do por que eu me rebelar tanto.
Ao entrar em casa, a primeira que encontrei foi Rebeca.
– Onde esteve? – Foi a primeira coisa que ela me disse ao me ver.
– Fui até a loja da madame Carter, encomendar alguns vestidos. – Respondi, caminhando em direção as escadas.
– Por que sempre que sai não conta pra ninguém aonde vai? – Perguntou ela exasperada.
– Eu conto. – Respondi e ao olhar dela completei:
– Ás vezes.
– Fiquei preocupada. Saiu cedo.
– Alguém perguntou de mim? – Perguntei, estávamos quase no corredor do meu quarto.
– Não. – Respondeu ela e eu assenti, quando a expressão dela mudou. – Espera, o Dylan perguntou de você.
– O que ele queria? – Meu coração deu um salto ao saber que ele perguntou de mim.
– Não sei, ele não me disse. – Respondeu ela e me deu um olhar estranho.
– Vou perguntar para ele depois. – Eu disse e praticamente corri para meu quarto. Não é que eu não queria contar pra Beca sobre o beijo, mas queria adiar um pouco mais as provocações e sorrisos maliciosos.
Chegando no meu quarto, troquei minha roupa por uma mais leve e confortável. Resolvi deitar na cama e ler um pouco, para passar o tempo. Devo ter cochilado, pois me assustei com batidas na minha porta.
– Entre. – Chamei. Rebeca entrou e quando me viu deitada revirou os olhos, ela abriu a boca para falar algo, me repreender com certeza, mas então viu o livro do meu lado e relaxou um pouco.
– O almoço está quase pronto. Você vai descer?
– Vou sim, só me dê alguns minutos. – Respondi e ela assentiu e saiu. Espreguicei-me e levantei. Fui escovar os dentes por causa do mau hálito, então corri para a sala de jantar. Estavam apenas mamãe, Lian e Beca.
– Olá. – Falei sentando ao lado de Rebeca. Nesse instante entrou Dylan, que sentou ao lado de Lian. Ele me olhou e sorriu, e eu sorri pra ele. Ao lado de Dylan, Lian fez uma cara de nojo. Eu abri minha boca para perguntar onde estavam papai e seu conselheiro, mas então eles entraram.
O jantar se passou em silêncio. Eu queria perguntar sobre os negócios que papai e o conselheiro estavam trabalhando, mas achei melhor não. Após terminarem de comer todos foram para seus negócios separados; eu estava me preparando para voltar para meu quarto quando senti alguém colocar a mão em meu ombro. Virei-me e vi que era Dylan.
– Podemos conversar? – Perguntou ele e eu sorri timidamente.
– Claro. – Respondi.
– Posso falar com você antes Dóris? – Perguntou Lian da porta da sala de jantar. Eu olhei para ele estranhamente, mas acenei com a cabeça. O segui até um quarto desocupado. Depois de fechar a porta Lian se virou pra mim com uma expressão séria.
– Você tem certeza disso Dóris? – Perguntou ele, e eu o fitei confusa.
– O que?
– Tem certeza de que ele é o cara certo pra você? – Reformulou ele e eu levantei uma sobrancelha.
– Na verdade sim, tenho certeza. – Falei, então sorri provocante. – Está com ciúmes?
– Estou sim. – Disse ele e eu o olhei surpresa. – Eu sou seu irmão e não quero que você sofra.
– Eu nunca vou sofrer por amor. – Eu disse confiante e ele bufou.
– Você é quem pensa. – Respondeu ele e eu não consegui entender o que ele quis dizer com aquilo.
– Já terminou? – Perguntei impaciente.
– Sim. – Disse Lian.
– Ótimo! Vou conversar com Dylan. – Eu disse saindo. O encontrei na porta da sala de jantar, ele sorriu quando me viu, mas o sorriso não atingiu os olhos. Ele estava nervoso com algo.
– Vamos para a biblioteca? – Perguntou ele e eu assenti. Fizemos nosso caminho em silencio. Dylan parecia perdido em pensamentos e eu não queria atrapalhar. Entramos e nos sentamos em algumas poltronas no fundo da sala. Ficamos em silencio por um tempo, até que ele respirou fundo e olhou pra mim.
– Me responde uma coisa. – Pediu ele e eu acenei com a cabeça pra ele continuar quando ele parou. – Se teu pai lhe matriculasse em um internato para que você aprendesse mais sobre etiqueta e como se portar em certas ocasiões, você iria ou lutaria para não ir?
– Eu... É um pouco complicado. – Falei confusa. Confesso que fui pega de surpresa com a pergunta de Dylan. Como uma princesa, certos hábitos foram forçados a mim desde que comecei a aprender o certo do errado. Regras de etiqueta foram ensinadas a mim com três anos de idade. Então eu não sabia direito como responder. Dylan me olhava com atenção enquanto eu pensava. Eu percebi que minha resposta era muito importante para ele, então respondi com cuidado.
– Bem, — Comecei – Como eu disse é complicado, mas acho que eu iria sim.
– Ótimo, mas essa é a sua resposta. E a minha? – Ele perguntou a ultima parte mais para si mesmo, o que me confundiu.
– Você poderia me explicar o por quê dessa pergunta? Eu não estou entendendo nada.
– Meu pai quer que eu assuma o posto dele daqui a alguns anos e quer que eu aprenda tudo sobre como me portar na alta sociedade e sobre a política entre os reinos. – Explicou Dylan e eu assenti, finalmente entendendo.
– Mas você quer isso? – Perguntei delicadamente e ele fez uma careta.
– Eu não sei.
– A única coisa que eu posso dizer é siga seu coração, eu sei que você quer agradar seu pai, mas ás vezes você tem que fazer aquilo que tem vontade e não o que os outros esperam que você faça.
– Você tem razão. – Disse ele, então olhou para o relógio em seu pulso. – Tenho algo para você. – Disse ele me entregando um embrulho.
– Um livro? – Perguntei com um sorriso, que ele devolveu.
– Espero que você goste. – Disse ele, seu sorriso desaparecendo. – É pra você lembrar de mim.
– Como assim? – Perguntei assustada.
– Amanhã meu pai e eu partiremos pra casa. – Respondeu ele e eu senti meu sangue gelar.
– Por que não me contou antes?- Perguntei um pouco chateada.
– Pensei que você já soubesse. – Respondeu ele se aproximando e me puxando para um abraço. Eu me senti derreter em seus braços. Meus olhos começaram a arder com lágrimas, mas eu me impedi de chorar. Quando ele se afastou de mim apenas o suficiente para que nossos lábios se encontrassem, me senti completa, o que foi completamente surreal pra mim. Nunca senti isso antes, mas em apenas alguns dias de conhecer Dylan, eu me sentia uma pessoa diferente, mais madura e não aquela adolescente rebelde. A adolescente ainda estava dentro de mim, e eu tinha certeza de que no momento em que Dylan partisse ela sairia novamente.
Quando nos afastamos completamente uns dos outros, ele olhou para o relógio novamente, então pra mim.
– Eu tenho que ir, ainda tenho que terminar de arrumar minhas coisas. – Disse ele e eu acenei com a cabeça.
– Até amanhã. – Falei e ele sorriu tristemente.
– Até.
Depois que ele saiu eu só fiquei ali. Não tive coragem de abrir o embrulho do livro, se abrisse tenho a certeza de que iria chorar. Não sei quanto tempo se passou, mas quando subi as escadas para meu quarto tudo estava em silêncio, as luzes apagadas. Cheguei no meu quarto e troquei de roupa. Não tinha sono, olhei para o teto por um bom tempo até que minhas pálpebras começaram a pesar. Quando abri meus olhos novamente duas pessoas olhavam pra mim atentamente.
– O que vocês querem? – Perguntei grogue.
– Você está horrível. – Disse Lian e eu revirei os olhos.
– Acabei de acordar, lesado. – Respondi secamente.
– É por que ele vai embora, não é? – Perguntou Rebeca e eu senti minha garganta apertar.
– Sim. – Respondi e ela sorriu tristemente pra mim.
– Sinto muito.
– Se você levantar agora, ainda dá tempo de se despedir do seu namoradinho. – Disse Lian e eu praticamente pulei da cama e corri pro banheiro.
– Por que não me acordaram antes?! – Eu gritei depois de lavar meu rosto e escovar meus dentes.
– Ainda tem tempo. – Disse Beca me entregando um vestido. Corri novamente pro banheiro e troquei de roupa o mais rápido que eu pude.
Quando descemos estavam presentes apenas mamãe e Dylan.
– Seu pai está terminando de guardar alguns papéis com o meu pai. – Respondeu Dylan ao meu olhar confuso. – Podemos caminhar pelo jardim?
– Claro.
Nós caminhamos em silêncio, apenas absorvendo a presença do outro, quando Marcos, o pai de Dylan o chamou.
– Temos que ir. – Disse ele, depois de se curvar pra mim. Dylan assentiu e caminhamos de volta para as portas do castelo. Eu caminhei para ficar ao lado de Rebeca e ele ao lado de seu pai.
Eu sentia meu coração aos pedaços, não sabia se o veria mais. Olhei para Rebeca, que me deu um olhar significativo, então olhei novamente para Dylan, que baixou os olhos ao me ver olhando.
– Vai. – Disse Beca. Caminhei até ficar na frente dele, que ainda estava com a cabeça baixa. Com o canto do olho percebi a careta que meu pai tentou esconder e o sorriso no rosto de minha mãe.
– Eu vou sentir sua falta. – Falei de modo que só ele iria ouvir. Nesse momento ele levantou os olhos e olhou pra mim.
– Eu também... – Ele foi para continuar, mas eu o interrompi.
– Não precisa dizer nada, eu já sei. – Dizendo isso, coloquei a mão em seu peito e dei um beijo em seu rosto, então me afastei.
– Você fez o que devia. – Disse Rebeca quando me prostrei ao lado dela novamente.
Meus olhos começaram a arder enquanto via a carruagem partir. Corri pra dentro do castelo e não parei até estar em meu quarto. Só então deixei as lágrimas que eu queria derramar desde a noite anterior caíssem.
– Dóris. – Senti alguém sentar ao meu lado na cama e percebi que era mamãe. Eu me enterrei em seu abraço como soluços balançavam meu corpo.
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