A Prova De Fogo

2 Companhia indesejável


Notas iniciais
Baseada em spoilers do episódio 5x02 'Cloudy with a chance of murder'

Estava dirigindo meu carro, mas meus pensamentos estavam longe, eles percorreram tudo o que tinha acontecido naquela manhã.

Castle estava sentado no banco do carona e Kristina no do passageiro, eu olhei pelo retrovisor e ela estava distraída, então começei a relembrar as coisas que ela me disse. Mas antes que isso me dominasse mais uma vez, eu cheguei ao prédio da NYPD e coloquei o carro no estacionamento.

Todos descemos, mas foi ela quem me incomodou, o jeito como andava, como gesticulava, como mexia no cabelo e principalmente o jeito como olhava pra ele. Sutileza não era seu forte, isso dava para ver de longe, já que o olhava fixamente, desinibida. Tudo isso só despertava ainda mais a minha ira.

Eu precisava manter o controle da situação, agir como se nada tivesse acontecido, afinal, seria apenas um depoimento e estaríamos livres dela.

Esperava ansiosamente por isso.

No elevador, o começo do meu pequeno pesadelo:

–A propósito, gostaria de dizer que sou uma grande fã sua! — revela encostando a mão no ombro dele, que se vira para olha-la.

Eu analisava cada detalhe, queria ver a reação dele.

–Ah, obrigado!

Fiquei feliz por um instante, pois a porta do elevador se abriu, tive a impressão de que o assunto tinha acabado, mero engano.

–A Nikki Heat é uma personagem realmente fantástica, você a descreve tão intensamente — em poucos passos ela conseguiu manter o ritmo – Tudo parece tão mais real nas suas palavras.

Nesse momento ele me olha, discretamente é claro, um leve, porém poderoso sorriso desponta em sua face.

Era um sinal para mim, um sinal do seu amor por mim.

Eu também libero um leve sorriso, e aquilo me tranquiliza, porque mesmo sem saber ela tinha feito com que eu me sentisse mais confiante sobre os sentimentos de Castle por mim.

Chegamos à sala de interrogatório, apenas eu entro, ele aparentemente entende e fica só observando.

Kristina senta na cadeira, está calma. Eu me sento em frente a ela e começo:

–Então, Srta. Coterra... — digo ao olhar a ficha dela... – Qual era a sua exata ligação com a vítima?

Ela responde prontamente.

–Nós nos conhecemos na emissora, eu já trabalhava lá há quase um ano, então ela chegou, não fez amizades facilmente, aí eu resolvi ajudá-la.

–Vocês eram amigas? — perguntei.

–Isso.

Eu fechei a pasta que estava em minhas mãos, a coloquei em cima da mesa.

–Sabe se ela tinha desavenças com alguém no trabalho, ou até mesmo fora dele? — minhas mãos estavam entrelaçadas, meu nervosismo aparente.

Me perguntei se Castle podia notar isso do outro lado daquele espelho.

–Não que eu soubesse, a Grace não fazia o tipo de pessoa que desperta o ódio de alguém. — deu de ombros ao falar isso.

–Você disse anteriormente que ela não tinha parentes... Mas e namorado? Ela tinha?

–Oh, não. Eu até tendei arrumar uns encontros pra ela, mas como sempre ela recusava, e quando não, desmarcava na última hora ou simplesmente não aparecia.

–Entendi... — me preparava para fazer mais perguntas quando ela continuou.

–Mas ela estava estranha ultimamente.

Aquilo me interessou.

–Estranha como?

–Eu não sei explicar, mas andava na rua sempre com a sensação que estava sendo seguida. Sempre com medo de alguma coisa...

–Faz ideia do que seja?

–Infelizmente não. — seu rosto demonstrava decepção.

Eu sabia o que ela queria dizer com isso, estava desapontada por não possuir mais informações que a mantivesse por perto, mais precisamente, perto do Castle.

–E onde estava ontem entre as 22:00 da noite e 01:00 da manhã?

Ela me olhou, parecia surpresa.

–Eu sou suspeita?

–Preciso checar o seu álibi.

–Tudo bem. Eu estava em casa, revisando algumas matérias e tomando uma boa taça de vinho. — suspirou – Isso serve?

Eu a fitei, sem piscar.

–Se for a verdade, sim.

–Mas é claro que é a verdade. Eu vim até aqui por que quis, eu quero ajudar, não sabia que isso faria de mim uma suspeita! — exclama.

–Todos são suspeitos até que se prove o contrário Srta. Coterra! — abri a porta – Ah, e por favor, não saia daí enquanto eu não voltar!

Dizer aquilo enquanto me retirava me fez sentir melhor, apesar de ter consciência do quão clichê havia sido.

Quando voltei para minha mesa Castle já estava lá, com o copo de café na mão, como sempre. Eu adorava isso.

–E então? Progressos? — disse ao me entregar meu copo.

–Não tanto quanto eu gostaria, preciso checar o álibi dela. — expliquei enquanto pegava alguns papéis e ajeitava meu casaco na cadeira.

Então ele rompeu o rápido silêncio com um comentário que não me agradou nem um pouco:

–Você acha que ela pode estar envolvida?

Engoli em seco.

–Eu deveria descartar essa possibilidade? — fiz o que ele mais detestava, respondi um pergunta com outra pergunta.

O olhei bem enquanto aguardava sua resposta.

–Não é isso, eu acho que, por ela ser amiga da vítima... — as palavras pareciam estar fugindo dele.

–Castle, todos...

–Eu sei, todos são suspeitos até que se prove o contrário. — disse enquanto se sentava – Eu ouvi o que você falou pra ela.

–Ótimo!

Ryan chegou, com algumas pastas nas mãos, parecia ter novidades.

–E então, o que descobriu? — perguntei.

Ele me entregou uma das pastas, que continham algumas informações sobre a vítima, eu as li, mas sem deixar de questioná-lo.

–Bom, ao que tudo indica, Grace Adams não era do tipo ‘socialmente ativa’, se é que você me entende — me olhou de um jeito sugestivo – Nasceu e cresceu no interior, inteligente, tirava boas notas na escola, foi para um boa faculdade, chegou aqui logo depois de se formar. E o resto foi acontecendo com o tempo...

–Algo de estranho?

–Aparentemente não.

Suspirei.

–E enquanto as digitais?

–Ah sim, já ia esquecendo...Batem com um tal de Peter Jones.

Antes mesmo eu pudesse perguntar mais sobre o tal homem, ela surgiu. Sim, era Kristina, ela havia feito exatamente o oposto do que eu pedi.

–Peter? O cameraman? — perguntou enquanto se aproximava pelas costas de Ryan, fazendo com que virasse para olhar para ela.

Ela chegou mais perto e olhou a foto do suspeito na pasta aberta nas mãos de Ryan.

–O que você está fazendo aqui? Eu disse pra ficar na sala...

–Eu sei o que disse Detetive, assim como também sei que não sou culpada, então não vamos mais perder tempo... — me olhou, com sarcasmo – Eu posso dizer onde o Peter está agora.

–Você o conhece? — pergunta Castle enquanto se levanta.

–Claro! É o cameraman da Grace, ou era... — seu olhar se retraiu – Eu nunca gostei dele, parecia perturbado.

Tive que admitir, ela sabia do que falava.

–Digamos que eu considere isso que está dizendo... Isso não quer dizer que eu vá deixar de checar seu álibi.

–Eu não pensei que deixaria, mas como já disse, não estou preocupada. Sei que não fiz nada de errado. — disse isso e olhou para Castle, sorrindo, que para o meu desespero, retribuiu o sorriso.

Ele estava realmente sorrindo para ela, de um jeito doce e suave, um jeito que eu pensei que ele só sorria para mim.

Eu precisava parar com aquilo, não podia permitir que continuasse. Ela havia deixado muito claro o seu interesse por ele, e meu medo é que isso o afetasse de alguma forma.

–Está bem, sendo assim... — falei ao devolver a pasta para Ryan – Onde ele está?

–Bom... — ela olhou no relógio – Essa hora ele está no estúdio, fazendo o teste nas câmeras.

Chegou bem perto de Castle e começou a conversar com ele, mas eu não conseguia ouvir, eles falavam baixo.

Fiquei brava, porque ele haveria de querer falar baixo com ela? Mas obviamente eu precisava disfarçar. Ryan me surpreendeu ao chegar perto e perguntar:

–Beckett, quem é ela? — fez sinal, apontando para Kristina.

–Era amiga da vítima, se ofereceu para ajudar.

–É, e parece que não é só isso que ela está oferecendo... — comentário inoportuno, mas já era tarde quando percebeu.

–Ryan... Vai! — estava irritada.

Vi Esposito surgir ao fundo, e sair com Ryan, até já podia imaginar sobre o que estavam falando: Castle e sua nova amiga.

Voltei minhas atenções para os dois, que pareciam profundamente íntimos.

–Você precisa voltar pra sala de interrogatório! — aumentei a voz para chamar a atenção dela e fazer com que se afastasse dele.

–Tudo bem! — fez sinal de rendição e voltou para a sala.

Eu esperei que ela entrasse e fechasse a porta e olhei para Castle, estava furiosa.

–Sobre o que vocês falavam? — cruzei os braços e me aproximei.

–Ela estava me fazendo perguntas sobres os meus livros...

–E precisavam cochichar daquele jeito? Até pensei que estavam trocando segredos. — a ironia dominou minhas palavras.

Senti que ele demorou um pouco até perceber o que estava acontecendo.

–Ah por favor Beckett, não me diga que você está... — inclinou a cabeça para frente.

–Estou o que Castle? — descruzei os braços e peguei o telefone para checar o álibi de Kristina.

–Você está com ciúmes? — ele sorriu, pois ao contrário de mim, estava se divertindo.

–Claro que não! Isso é ridículo!

Eu tinha que negar, porque admitir pra ele significava ter que admitir pra mim, o que me faria entrar em conflito com diversas perguntas não respondidas.

Disquei o número e para minha surpresa ela disse a verdade, o álibi foi confirmado.

Ao desligar o telefone ele me perguntou:

–E então? Ela mentiu? — seu olhar de provocação me instigou.

Eu suspirei, com irritação.

–Não, era verdade. Mas isso não quer dizer que ela seja totalmente inocente Castle. — eu precisava manter a esperança de que ela fosse uma pessoa ruim, talvez só assim pudesse fazer com que ficasse bem longe dele.

–Se você diz...

–Digo e repito!

Me levantei com passos pesados, fui em direção a outra sala para pegar mais um café e me preparar para dizer à Kristina que o seu álibi havia sido confirmado. E assim, mesmo que nas entrelinhas, admitir meu ‘erro’.

Castle me seguiu e parou na porta da sala, ficou me olhando pegar o café, até que resolveu falar:

–Bom, acho que já podemos voltar à questão ‘ciúmes’ não é mesmo? — chegou mais perto.

–Não, não podemos e nem precisamos. Aqui não é lugar pra isso! — não era esse o motivo para que eu não quisesse tocar no assunto.

–Então quer dizer que você não está com ciúmes? — pude notar sua respiração se modificar.

–Já disse que não! — afirmei, sendo que nem eu mesma acreditava no que dizia.

Ele pegou um copo quando me afastei da máquina de café, começou a servir o dele enquanto eu o esperava na porta.

Pensei que a conversa havia acabado, mero engano de novo.

–Bom, então nesse caso acho que você não vai se importar, se eu disser que aquela hora que eu estava ‘cochichando ‘ com a Kristina, é porque ela estava me convidando pra jantar com ela hoje à noite. — ele falou rápido, sem rodeios.

Eu apertei o copo de café na minha mão, pude ouvir o barulho da tampa se rompendo e um pouco do líquido escorrer e cair no chão. Mas isso não me distraiu, meu olhar estava fixo nele.

–O que? Por quê não me disse isso antes? — engoli em seco, mas continuei – E espera... O que você disse pra ela?

Eu não conseguia piscar, não queria perder nenhum detalhe.

–Bom... — fez suspense, me deixando cada vez mais nervosa – Eu não disse nada, porque isso simplesmente não aconteceu.

–Como é que é?

–Eu só queria a confirmação, e agora eu tenho. Você está mesmo com ciúmes!

Meu coração disparou, senti raiva mas ao mesmo tempo fiquei aliviada, pois de fato ela não tinha chegado ao ponto de chama-lo para sair.

Mas eu tinha que parecer furiosa, então foi o que fiz:

–Você está brincando comigo? Como pode fazer isso? Ainda mais aqui? — o peguei pelo braço ao mesmo tempo em quem colocava meu copo de café sobre a mesa.

–Ei! Calma! Eu sabia que você não ia admitir, então só forçei um pouquinho a situação, só isso!

–Não Castle! Você forçou muito! Aqui não é lugar pra isso!

–Eu sei, desculpe. Mas mesmo assim Kate... Porque tem ciúmes dela? — ele parecia realmente não entender.

–Eu não tenho! — afirmação falsa, e ele percebeu, pois me olhou intensamente.

Respirei fundo.

–Ok! Talvez eu tenha ciúmes dela, mas também não sei o motivo.

Na verdade eu sabia, mas não podia contar sobre a conversa que havíamos tido no hotel, isso só pioraria as coisas.

–Eu também não sei. Pra mim não faz sentido... Nós estamos juntos agora, tudo bem que não podemos contar pra ninguém por enquanto, mas isso não muda o que há entre a gente! — afirmou sussurrando, com segurança.

Eu fitei o chão e depois olhei para ele.

–Você tem razão. — eu me acalmei, afinal o álibi dela tinha sido confirmado, ela iria embora logo.

Antes mesmo que eu pudesse liberá-la, Ryan e Esposito retornaram:

–Hey Beckett, o suspeito está na sala 3, você fala com ele ou a gente faz isso? — perguntou Ryan.

–Eu mesma faço! — resolvi deixar para falar com Kristina depois.

Enquanto jogava meu copo de café danificado no lixo, pude ouvir a conversa deles:

–Hey Castle, Ryan disse que a amiga da vítima está de olho em você, e que ela é muito bonita. — comentou Esposito, sem fazer a menor ideia do quanto aquilo me incomodava.

Castle abaixou a cabeça, estava constrangido, pois eu continuava ali.

–Ele está enganado, ela só quer ajudar no caso e...

–E é melhor vocês mudarem de assunto, temos trabalho à fazer! — interrompi bruscamente, deixando todos sem graça.

Fui para a sala de interrogatório.Ao entrar me deparei com Peter Jones: estava sentado, parecia nervoso, tinha cabelos castanhos, olhos verdes e usava uma roupa amarrotada.

Me sentei e sem rodeios, começei:

–Eu sou a Det. Beckett. Imagino que o senhor já saiba que está com sérios problemas, afinal, suas digitais foram encontradas em uma faca utilizada para matar uma mulher ontem à noite. — minha expressão era séria.

–É eu sei, seus amigos policiais me contaram... — tentou ser engraçado, não conseguiu – Mas eu tenho uma explicação pra isso!

Me apoiei na mesa.

–Ah, tem? — ele confirmou com a cabeça – E qual seria?

–Eu estive no quarto da Grace ontem! — cruzou os braços.

–Me diga como isso melhora a sua situação Sr. Jones?

–Simples: quando eu saí de lá, ela estava viva. — ele sorriu.

Eu suspirei.

–Continue... — disse enquanto gesticulava, fazendo sinal para que ele prosseguisse.

–Eu fui até lá porque ela queria discutir um negócio de trabalho, ela estava estranha, disse que queria minha opinião sobre uma coisa... Eu peguei na faca pra cortar o nó de uma caixa que ela queria que eu abrisse.

–E o que tinha nessa caixa?

–Eu não sei, quando ela ia me mostrar o telefone tocou, ela falou com alguém que eu não sei quem era, mas que com certeza deixou ela bastante nervosa.

– E a que horas saiu de lá?

–Por volta das 20:00 hrs.

–Está bem, vou verificar isso, você fica aí!

Quando me levantei ele se lembrou de algo:

–Ah, ela falou alguma coisa sobre um tal de ‘Jenua’.

–O que é isso?

–Eu não sei, ela deixou escapar enquanto falava no celular e quando desligou me expulsou de lá.

Eu me virei e saí da sala.

Assisti ao vídeo do hotel que mostrava claramente Peter Jones saindo do quarto de Grace e logo após mostrava ela saindo, indo até o bar e voltando: em segurança. Tudo isso por volta das 21:00.

Peter havia sido liberado e eu pedi para que Esposito fizesse o mesmo com Kristina, afinal ainda precisava descobrir o que era ‘Jenua’, e não estava com cabeça para encará-la.

Ele apareceu na minha mesa e eu perguntei:

–Falou com ela? — ergui a cabeça para olha-lo, já que eu estava sentada e ele de pé.

–Falei, ela já está indo. O que é isso? — perguntou enquanto apontava para o papel em cima da minha mesa.

–É algo relacionado à vítima, ela falou sobre isso no telefone pouco antes de ser assassinada. — eu expliquei.

–Jenua! — ele leu em voz alta.

Então ela apareceu, como vinha fazendo durante todo o dia, sempre sem ser convidada.

–Você disse ‘Jenua’ Detetive? — perguntou.

Castle apareceu ao lado dela, estava confuso, assim como eu.

–Isso mesmo! — confirmou Esposito

–Está ligado ao assassinato da Grace?

Eu me irritei.

–Não podemos dizer, é confidencial. Você já ajudou, pode ir agora. — minha intenção não era ser delicada.

–Mas e seu eu disser que sei o que é ‘Jenua’?

Me irritei ainda mais.

–E você sabe?

–Bom, o sonho da Grace nunca foi ser garota do tempo, ela queria mais, então há algum tempo ela me pediu ajuda pra fazer uma matéria que podia revelar o talento dela. Eu aceitei, essa matéria se chamava Jenua, um nome próprio, ela escolheu. Mas pouco antes de tudo ficar pronto, ela desistiu, disse que não queria mais, eu achei estranho mas concordei. Então a mais ou menos um mês ela deixou todo o arquivo comigo, disse que ninguém podia saber da existência dele. Me fez jurar que não mostraria pra ninguém.

Castle, Esposito e eu nos entreolhamos. Então eu falei.

–Acho que vai ter que descumprir essa promessa... — sugeri.

–Eu sei. Mas é por uma boa causa! — ela sorriu – Vou em casa pegar os arquivos.

Começei a aceitar a ideia de que precisaríamos dela para concluir o caso, pensei que poderia ser fácil conviver com isso, mas o que veio à seguir me provou o contrário.

Ela fez menção de se retirar mas recuou, se aproximou de Castle, dessa vez sem nenhum pudor e disse:

–Bom talvez esse não seja o melhor momento... Mas eu estive pensando Castle... Depois que eu trouxer os arquivos, você gostaria de jantar comigo?

Eu ouvi aquilo perfeitamente, até porque, ela não fez questão de ser discreta.

Meu sangue ferveu, eu a fulminei com os olhos.

Castle me olhou, percebeu que eu estava certa em sentir ciúmes, entendeu que ela estava interessada nele.

Mas o que me apavorou de verdade foi que ele não podia recusar, afinal, Esposito estava lá, e ele achava que Castle ainda estava solteiro, seria estranho se ele negasse um convite daqueles.

Ele me disse tudo isso em um olhar, por mais impossível que pareça, com apenas um olhar ele me explicou que precisava fazer aquilo.

–Eu adoraria. — aceitou enquanto me olhava.

–Então venha comigo pegar os arquivos, assim aproveita e conhece minha casa... E a noite nós jantamos juntos. — a voz sedutora com que ela dizia isso tão perto dele fez meu corpo inteiro estremecer.

Então mais dúvidas surgiram na minha cabeça enquanto os dois caminhavam em direção ao elevador:

“Castle estava fazendo aquilo só para proteger nossa relação, ou tinha algo mais?”

“Ele queria que todos acreditassem que ele estava solteiro e por isso aceitou o convite de Kristina, ou no fundo, algo dentro dele, algo que estava adormecido, o fez aceitar pois já não se lembrava como era pertencer à uma única pessoa?”

Isso me machucou de tal maneira que eu quase deixei que uma lágrima escorresse pelo meu rosto.

Mas consegui contê-la.

Esposito se afastou, não tinha culpa, não sabia que de certa forma, foi por ele estar ali naquela hora que Castle disse sim à Kristina, apenas para manter as aparências.

Pelo menos eu desejava profundamente que esse fosse o real motivo.

O que me deu certa esperança foi saber que os dois ainda voltariam com os tais arquivos, que eu ainda teria uma chance de impedir que o jantar acontecesse, mas se não fosse possível evitar, pelo menos poderia conversar com Castle e tentar encontrar respostas para essas perguntas que tanto me perseguiam desde o momento em quem fui apresentada à Kristina Coterra.

Continua...

Notas finais
Imaginação à mil nessa fic!
Espero que gostem *-*
Reviews plis??