A Prostituta do Rei
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Notas iniciais
Quando a boca de Isabella tocou a sua, Edward não teve a menor dúvida de que se perderia nela. Mas tinha alto mais, algo forçado. Não retribuindo o beijo, ele sentiu Isabella parar e encará-lo seriamente.
— O que há ? — Indagou tentando não soar patética. Edward franziu o cenho.
— Tu que tens que dizer-me. O que há ?
— Não há nada. — Disse simplesmente. Mas sem soar convincente.
— Você não tem talento para mentir Milady — Sorriu — Porque está tensa ?
Isabella bufou irritada.
— Acaso não me queres ? Aqui estou.
— Eu quero de fato. — Murmurou — Mas não assim. Esta nervosa, eu ainda não sei pelo o quê. Diga-me.
— Não é nada.
— Diabos! — Grunhiu — Eu não consigo entendê-la.
— Porque o tentas então ?
— Porque estou controlando tudo o que realmente sou para controlar tudo o que eu realmente quero. Então, diga-me o que está havendo. É uma ordem.
Isabella riu nervosamente. Como assim uma ordem, será que nem assim ele vai dar um tempo nesse lance de ficar dando ordens para todos o tempo todo ?
— Então por favor, saia daqui. — Murmurou por fim se virando em direção a janela.
— Não até me dizer o que há com você. Estava bem até hoje de manhã.
Isabella jogou a cabeça para trás bufando em seguida.
— Estava sim, até cinco minutos atrás. Já que não irá fazer nada comigo, saia daqui.
Edward sorriu descrente. Ele já não estava entendendo mais nada. Também não poderia, ela era Isabella Swan, a complicada.
— O palácio é meu. O quarto também. Assim como você. Estou tentado não ser um ogro completamente, eu realmente poderia ir para cama contigo sem querer saber o que te aflinge. Mas cá estou, tentando não ser um maldito ogro completo. Então, abra já a boca e comece a falar! — Quase berrou. Sua voz saindo dois tons mais alto.
Isabella assustou por alguns minutos. Como assim ele gritou com ela ? O susto tomou lugar a uma irritado completamente crescente dentro de si.
— Meu Deus! Eu passei a noite de ontem e a manhã de hoje sendo chamada de prostituta pelo simples fato de estar com você! Cada mulher, cada maldita mulher desse palácio gostaria de estar em meu lugar, mesmo aquelas da alta sociedade que já esteve, até as criadas com paixões platônicas! Eu estou sendo chamada de algo que ainda não sou! Ainda não diabos! Então, já que tenho meu título, porque não usá-lo corretamente ?
Então só aí a ficha caiu. Ela não estava fazendo aquilo porque desejava, não, ela já tinha deixado claro sua vontade assim que chegou aqui. Mas ele era teimoso demais, e obstinado demais para ceder.
— Então é isso ? — Indagou depois de alguns minutos de um silêncio ensurdecedor. — Pelo simples fato de estar sendo pressionada ?
— Não é a palavra. — Disse amargamente. — Estou sendo julgada.
— Estar perto de mim faz isso não é mesmo ? — Murmurou temendo a resposta que obviamente viria de modo curto e grosso.
— Sim. — Sussurrou. — Mas não porque és uma má pessoa. É seu título, ele pesa demais em mim.
— Está a dizer que se fosse um homem, qualquer que fosse, então não seria tão ruim ?
— Sim. Serias um camponês e tanto. — Sorriu. Edward a acompanhou.
— Eu não a quero assim. — Murmurou. — Forçada, tensa... Você entende ?
— Ainda não deixará que eu parta ?
Edward balançou a cabeça.
— Não, sinto muito.
— Está sendo egoísta majestade! — Edward virou-se nervoso.
— Que seja! Eu sou egoísta! Assim me foi dado a educação. Sinto muito. Milady.
— Por favor... — Pediu suavemente. — Deixe que eu vá.
Edward foi até ela, tocando-lhe a face com dedos cumpridos e gelados. Ele adorava a sensação da pele dela, mesmo que fosse apenas a da face delicada.
— Somente quando eu quiser que parta. — Disse — Você entende ?
Isabella brigou consigo mesma para sair dali. Ela não admitia, mas também gostava da sensação da pele dela em contato com a dele. Virou-se bruscamente e foi em direção a janela do quarto.
— Não, não entendi. Se não vou poder ir embora, pegue de mim o que lhe apraz.
— Pare com isso. Já disse que não quero você assim.
— Mas é exatamente o que quer! A mim, então me tome.
— Agora está parecendo uma prostituta! Você não é assim. Pare com isso.
Isabella sorriu, amargamente, e não falou mais nada. Edward não estava cansado, mas não iria ficar ali e discutir com ela. Isso sim o cansarivo ao extremo.
— Descanse. Falarei com você antes de sair pela manhã.
— Onde vais ? — Perguntou antes que pudesse controlar o filtro solto de sua cabeça. Edward sorriu.
— Falo contigo pela manhã.
πππ
Três toques foram ouvidos na manhã seguinte. O que indicava que se não fosse uma Alice intrometida, seria um rei teimoso mas lindo de morrer.
Isabella se ergueu da escrivania onde escreveu sua missiva de resposta a mãe, e abriu a porta. Era realmente um rei teimoso e lindo de morrer. Isabella sorriu.
— Não se usa mais abrir as portas como um bárbaro viking ?
Edward sorriu entendendo a verdadeira ironia da frase.
Isabella iria fazer mais alguma piada, mas sua atenção foi chamada aos trajes do rei. Ele estava de armadura. Isabella arregalou os olhos em choque. Armadura ? Isso significa que...?
— Vais lutar ? — Indagou. Edward sorriu.
— Não necessariamente. — Respondeu — Apenas uma pequena batalha. Estarei aqui antes que possa notar minha saída.
— O que ? Porque ? — Disse completamente afetada com isso. Porque diabos ela se importava tanto ? Edward sorriu.
— São aquelas partes não tão divertidas de ser rei.
— Não precisas que se vá — Murmurou — Tens teus soldados para isso.
— Que rei seria eu se deixasse meus homens irem à guerra e assistir daqui ?
— Disse-me que não se tratava de uma guerra. — Murmurou contrariada. Edward sorriu matreiro.
— Acaso estás preocupada com meu bem estar milady ?
Isabella bufou.
— Não. Apenas querendo saber os detalhes.
— Aqui o estão. — Disse — Volto antes que sinta minha falta. Ficarei bem, eu prometo. Estas melhor que ontem milady ?
Isabella corou até a raiz dos cabelos.
— Vá! — Murmurou fechando a porta e logo em seguida ouvindo uma sonora gargalhava que foi acompanhada de seu lindo sorriso.
πππ
Isabella não sabe dizer porque ficou tão inquieta. Talvez tenha sido pelo fato de estar lembrando a cada cinco minutos o papel ridículo que se prestou ontem. Como assim, ela não era daquele jeito. Ele nunca se deixou influenciar por ninguém. Porque diabos ela de sentiu tão afetada ?
Também pode ter sido pelo fato estar estranhamente incomodada com o fato de Edward ter ido a uma suposta batalha, e ela não fazia ideia do porque está assim.
Depois de ter escrito aos pais, e depois ter tomado seu café, longe da criada atrevida. Isabella se sentou na biblioteca que supostamente era sua — pelo menos por agora — e pôs-se a ler sem parar. Era realmente o que mais gostava, ler e esquecer do resto do mundo. Mas não foi exatamente o que estava acontecendo. Ela não estava esquecendo o mundo, e nem nada fora dele. Ou melhor, nem ele.
Estava lá, grudado em cada neurônio de sua cabeça, Edward estava lá. Edward sorrindo daquele jeito presunçoso, Edward sendo uma ogro arrogante. Edward dançando com ela, a sensação dos lábios dele nos dela. O modo como agiu na noite de ontem, Edward sendo rei, Edward indo a uma batalha. Edward, Edward, Edward...
Porque estava tão ligada ao fato de estar longe dele ? Porque estava tão afetada por não ter notícias dele? Era exatamente isso o que ela desejava não era ? Ir embora? E ficar longe dele era uma mistura misteriosa de sentimentos desconhecidos até por ela mesmo. Seus olhos já não focavam mais nas linhas do livro que lia, estava na sensação de estar com Edward Cullen o homem. Nada de Edward Cullen, o rei. Ela sorriu, de um jeito livre, descontraído. Era incrível como ela se sentiu bem com isso. Como se o conhecesse a muito tempo, ela não sabia descrever as reais sensações. Só sabia que era boa.
Pulou da cadeira quando as portas duplas se abriram. Seus olhos voaram imediatamente para o local, o coração disparado com a expectativa de ser quem ela desejava que fosse. Não pelo fato de ser quem é, mas para saber que ele estava bem.
Mas não foi exatamente isso o que viu, Alice entrou pela portas da biblioteca. Seus olhos procurando Bella, e imediatamente a encontrou. Seus olhos estavam arregalados, como se estivesse vindo de um filme de terror. Isabella imediatamente notou sua aflição e se ergueu mais do que depressa fazendo a cadeira fazer um barulho estranho ao se arrastar pelo chão de mármore.
— Alice, o que foi ? — Indagou tentando não ser muito afobada. Alice estava um pouco pálida. — Pode dizer-me o que está havendo ?
— Chegou até mim, uma notícia.
— Sobre seu irmão ?
— Sim Bella, sim! — Sua voz saiu baixa e rouca. Isabella sentiu todo o sangue de seu corpo gelar instantaneamente.
— O que houve com seu irmão Alice ?
— Ele foi ferido em batalha. — Murmurou. Isabella sentiu todo mundo parar de repente. Mas porque ?
— E onde ele está ? — Pediu surpreendendo Alice com seu jeito preocupado.
— Estão trazendo-o. Bella, se meu irmão morrer, o que será desde reino ?
— Ele não vai morrer. — Grunhiu. — Leve-me até ele. Por favor Alice.
Alice assentiu debilmente, e puxou Isabella consigo. Subiram as escadas cumpridas do palácio, mas ao contrário do caminho do quarto onde Isabella costuma dormir. Alice a levou para o outro lado do corredor, onde tinha uma porta dupla, maior que a sua.
Lá dentro, Isabella deparou-se com um quarto completamente magestoso e não houve qualquer sombra de dúvidas a quem pertencia. Ela estava no quarto de Edward. O verdadeiro quarto do rei.
— Ele ainda não chegou ? — Perguntou ofegante. Alice correu até a janela onde ouvia-se sons de cavalos rápidos e Isabella a acompanhou.
Lá embaixo, uma movimentação rápida e tensa era visível. Quando os cavalos pararam, Isabella pode ver o corpo de Edward jogado encima de um deles. Ela não sabia que poderia simplesmente passar mal com essa cena, mas incrivelmente passou. Sentiu seu estômago afundar-se a sua coluna e quase desmaiou ali mesmo.
Homens de todos os lados correram em direção ao cavalo onde ele estava e o pegaram. Seu corpo estava mole, mole demais. Isabella não sabia quando foi a última vez que sentiu-se tão desesperada como estava agora. Que diabos de sensação era essa ? Alice estava igualmente desespera, talvez um pouco pior. Edward era a única pessoa que era por ela, se ele se fosse, como ela iria viver ? Nunca foi protegida por ninguém como era por ele.
Os homens pegaram o corpo de Edward e entraram rapidamente no palácio, subindo com rapidez e precisão levando-o diretamente ao quarto onde Isabella estava com Alice. Quando a porta de abriu de repente, Isabella prendeu a respiração com a cena. A armadura que ele usava ainda estava no lugar, mas em seu lado direito havia sangue. Muito sangue, seus olhos arregalados procurando mais algum ferimentos.
A movimentação era muito intensa. Homens de mexendo para lá e para cá, Alice correndo atrás de médicos. Guardas se separando para ajudar no que fosse preciso. Criadas trazendo águas e panos limpos. Tudo muito apressado, mas Isabella não percebeu nada. Todo o momento se resumiu a aquilo ali, ele Edward. Seu corpo deitado na cama espaçosa e luxuosa coberto pela armadura que agora parecia sufocá-lo, o lado direito do corpo ensanguentado e sua feição bonita de anjo sedutor agora estava serena. Mas fúnebre.
Isabella não respondeu ao nenhum dos apelos que as pessoas diziam para ela. Afaste-se senhorita; Não aproxime-se senhorita; Não faça isso senhorita. Ela não ouviu nada disso. Caminhou lentamente até a cama, a expressão de Edward já não era a mesma. Ajoelhou-se ao seu lado. A mão indo diretamente a sua face que tinha um pouco de terra.
— Disse-me que voltaria antes que eu sentisse sua falta — Sussurrou — Você quebrou sua promessa...
Sorriu-lhe levemente, mas tomada por uma tristeza desconhecida.
— Eu senti sua falta — Continuou — E você não voltou bem...
Edward foi ajeitado na cama pelos criados. Sua armadura foi tirada rapidamente. Isabella prendeu a respiração quando a camisa branca de Edward com sangue. Ela foi rapidamente tirada de seu corpo, o corte que parecia profundo fazendo uma bili subir por sua garganta e ela teve vontade e vomitar de nervoso.
Médicos se mexiam rapidamente, limpavam os ferimentos. Diziam para ela se afastar, mas nada disso ela prestava atenção. Ela só queria ficar ali, olhando-o, e não sairia dali. Não enquanto ele não acordasse.
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