A Proposta
2 The Proposal
Notas iniciais
Depois daquela noite, Hermione começou a colocar seu novo projeto de vida em prática. Quando ela e Viktor estavam procurando por um apartamento, Hermione realmente tinha gostado de um que Viktor e Megan não gostaram. Era o apartamento perfeito, o tamanho ideal para uma pequena família e ficava em um tranquilo e charmoso bairro de Londres. Por sorte o apartamento ainda não havia sido comprado, então Hermione o comprou.
—É um apartamento muito aconchegante, Hermione. –Luna a ajudava com a mudança. –Você e seu bebê serão muitos felizes aqui.
—Assim espero! –Hermione colocou no chão a caixa que carregava. –Estou gastando todo o meu dinheiro com esse apartamento, não sei se irá sobrar para o projeto bebê.
—Não se preocupe, talvez você ainda ache um marido e esqueça toda essa loucura de inseminação artificial...
—Luna, eu não quero um marido. –ela explicou mais uma vez. –Começar um relacionamento é tudo que eu não quero agora, Viktor me machucou demais.
—Nem todos os homens são iguais ao Viktor. –a amiga a aconselhou. –Prometa que não irá descartar a opção de ter um relacionamento que leve ao casamento e filhos.
—Posso prometer, mas saiba que eu definitivamente não estou procurando por isso. –sorriu Hermione por pensar em encontrar alguém com quem se casaria e teria filhos. –Não posso esperar mais, quero realizar o meu sonho de ser mãe.
—Eu sei. –Luna a abraçou, entendia o que a amiga dizia. –Você mais do que qualquer pessoa merece ser feliz, Hermione.
Caixas e mais caixas depois, Hermione e Luna terminaram a sexta-feira à noite com pizza, cerveja e muitos brindes e planos para o futuro que estava por vir. Na manhã seguinte, Hermione acordou com dores por dormir no chão, pois seus móveis iriam chegar aos poucos, parte da sua mobília estava marcada para ser entregue hoje no período da tarde. A mudança estava apenas no começo.
—Bom dia. –ela entrou no elevador e encontrou um novo vizinho.
—Bom dia. –ele respondeu nem um pouco educado, estava escorado na parede, muito cansado para ficar em pé. Provavelmente estava chegando agora em casa depois de uma longa noite de farra.
Mesmo mau humorado, Hermione não pode deixar de perceber o quão bonito e charmoso era o seu novo vizinho. O homem era ruivo, alto, não era musculoso, mas parecia ser forte, estava com o físico em dia na opinião dela e ambos deveriam ter a mesma idade.
—Até mais. – Hermione saiu quando o elevador parou em seu andar.
—Até. – respondeu ele.
A mudança finalmente havia chegado ao fim, Hermione passou o final de semana arrumando suas coisas no seu novo lar. Agora poderia chamar o apartamento de casa, estava do jeito que sempre sonhou. Só faltava o seu bebê para o sonho ficar completo.
—Bom dia. –o homem a cumprimentou quando ela entrou no elevador. –Então nos encontramos novamente?
—Bom dia. –ela respondeu e então percebeu que era o mesmo vizinho que conheceu dias atrás. –Nos encontramos novamente.
—Você mora aqui ou está de passagem?
—Eu moro aqui, faz três dias que me mudei. Por quê?
—Só queria saber se iria ter a felicidade de encontrá-la mais vezes no elevador. –ele respondeu e mostrou um lindo sorriso. –Posso saber o nome da minha nova linda vizinha?
—Hermione. –respondeu ela sem graça pelo elogio. –Hermione Granger.
—Prazer, Hermione Granger. –ele estendeu a mão para cumprimenta-la. –Meu nome é Ronald Weasley, mas pode me chamar de Ron.
—Prazer em conhecê-lo, Ron. –Hermione retribuiu o aperto de mão antes de perceber que o elevador havia parado e ela precisava sair. –Até mais.
—Não vejo a hora de te encontrar novamente, Hermione. –falou Ron com aquele sorriso encantador no rosto antes da porta se fechar.
Toda vez que Hermione entrava no elevador esperava encontrar Ron, mas no mês seguinte não o viu nenhuma vez. Pensou que ele havia se mudado, porém o porteiro garantiu que Ron costumava ter uma rotina diferente devido ao seu trabalho.
Mais um ano letivo estava começando e Hermione esse ano seria professora de uma turma do primário, seus alunos tinham seis anos e estavam aprendendo a ler e escrever. Toda sexta-feira trazia uma caixa cheia de folhas coloridas, cartolinas, colas e purpurina para fazer cartazes com letras e números para colocar nas paredes da sala de aula. Seus finais de semana se resumiam a recortar e colar. E este não seria diferente, só queria chegar em casa e tomar um longo banho e aproveitar sua sexta-feira fazendo o alfabeto em folhas coloridas.
—Boa noite. –ela entrou no elevador sem prestar atenção nas pessoas presentes.
—Hermione é você escondida atrás dessa caixa? –a voz que fazia tempo que não escutava ecoou pelo elevador.
—Oi, Ron. –Hermione falou abaixando a caixa para cumprimenta-lo melhor, mas não conseguiu esconder o susto que levou ao ver que ele estava acompanhado de uma bela loira.
—Então, o que vai fazer com todos esses papeis e cola? –perguntou ele olhando e mexendo na caixa. –Acho que já passou da idade de fazer recorta e cola.
—É para os meus alunos. –Ela falou brava pelo deboche dele e pelo risinho da sua acompanhante.
Finalmente o elevador parou no seu andar e quando a porta abriu para que pudesse sair, ao levantar a caixa do chão, o fundo simplesmente se abriu e todo o seu conteúdo caiu no chão do elevador. Hermione no mesmo instante soltou um palavrão e ficou vermelha de vergonha, tinha purpurina nos pés de Ron e no sapato de salto da sua acompanhante que esbravejou ao ver que sua roupa estava toda brilhosa.
—Mil desculpas. –ela começou a falar várias vezes enquanto tentava colocar tudo na caixa novamente. –Eu...
—Sem problemas. –Ron se abaixou e começou a juntar todos os papeis.
Pareceu uma eternidade, mas Hermione conseguiu juntar tudo e colocar para fora do elevador com a ajuda de Ron.
—Obrigada e de novo, desculpas. –ela falou saindo do elevador.
—Não foi nada. –Ron respondeu tranquilamente segurando a porta para ela passar, já a sua acompanhante estava bufando com o vestido e sapatos sujos e pela perda de tempo. –Até mais, Hermione.
Hermione abriu a porta do seu apartamento e foi colocando tudo que estava na caixa em cima da mesa de jantar, xingando tudo pela vergonha que passou no elevador, mas no fundo a raiva maior era por ter visto o seu vizinho bonitão acompanhado de uma bela mulher, muito mais bonita e elegante que ela.
Antes de começar a fazer o alfabeto com o que sobrou dos materiais, resolveu abrir uma taça de vinho e tomar um banho de banheira. Quando a água já estava morna e a taça vazia, Hermione saiu e colocou seu velho pijama, espalhou todo o material no chão da sua sala e começou a fazer. Estava tão distraída que se assustou com o barulho da campainha tocando.
—Oi. –Ron a cumprimentou claramente incerto se deveria estar ali ou não.
—Eu sinto muito, eu sei que a sua namorada não gostou de tomar um banho de purpurina. –ela começou a falar, só poderia ser para reclamar do acontecido no elevador que ele estava ali na sua porta. –Diga a ela que eu pago a lavanderia, e se não sair, pago um vestido e sapatos novos.
—Namorada? –ele perguntou confuso. –Kim não é minha namorada e não estou aqui para reclamar sobre o que aconteceu.
—Não? –agora era Hermione que não estava entendendo mais nada.
—Não... –Ron balançou a cabeça, pensou um pouco antes de falar e continuou. – Queria ver se você precisava de ajuda com a caixa rasgada.
—Ah, obrigada, mas consegui colocar tudo para dentro. –Ela olhou envergonhada para a bagunça que estava a sua sala com todos os papeis espalhados pelo chão. –Vou tentar remendar com uma fita.
—Eu posso te ajudar. –Ron rapidamente se prontificou, parecia finalmente ter achado uma desculpa para ser convidado para entrar. –Se quiser claro.
—Tudo bem. –Hermione abriu por completo a porta dando espaço para que ele pudesse entrar. –Só não repara a bagunça.
Ron sentou no chão e começou a olhar o trabalho que ela estava fazendo. Ficou impressionado com o capricho e zelo que Hermione tinha com o que fazia.
—Posso tomar uma taça de vinho ou vai me dizer que é suco de uva? –ele perguntou indicando a taça pela metade que estava próxima as canetas coloridas.
—Desculpa não ter oferecido, vou buscar uma taça. –ela respondeu sem graça.
Voltou da cozinha com mais uma taça e a garrafa, serviu Ron e completou a sua taça. Ron realmente estava interessado no trabalho feito por Hermione e perguntava o porquê daquilo.
—Eu sou professora. –ela respondeu meio envergonhada. –Professora de uma turma de 20 crianças que estão aprendendo a ler e escrever, por isso quero fazer um alfabeto e alguns números com esses papeis para colocar nas paredes da sala.
—Incrível. –Ron respondeu perplexo. –Seus alunos têm sorte em tê-la como professora.
—Obrigada. –Hermione ficou com o rosto corado. –E você trabalha com o que?
—Eu sou engenheiro civil. –Ele respondeu com orgulho da profissão. –Então vamos fazer um alfabeto?
Pelas próximas horas eles ficaram sentados no chão da sala recortando e colando os papeis. Ron estava bem interessado em conhecer Hermione, fazia várias perguntas e parecia gostar das respostas. Primeiramente Hermione sentiu-se um pouco tímida em contar sobre sua vida para alguém que acabara de conhecer, mas Ron a deixava tão à vontade que quando percebeu estava compartilhando seu maior desejo.
—Você quer ter um filho? –Ron largou a última letra que terminava e a olhou sério, não acreditando no que escutara.
—Sim, esse sempre foi o meu sonho. –Ela respondeu convicta. –Algum problema?
—Não, nenhum. –Ele entregou a letra finalizada a ela para que deixasse na mesa de jantar secando a cola. –Só não sei porque as pessoas querem estragar suas vidas tendo filhos.
—Como? –Hermione virou-se de repente depois de deixar o papel na mesa.
—Crianças choram e dão trabalho. –Ron respondeu dando de ombros, sem se importar com a irritação dela. –E se eu ou você tivéssemos filhos, não estaríamos aqui aproveitando a companhia um do outro com uma taça de vinho e o que mais puder acontecer depois.
—Eu não acredito! –Ela esbravejou se afastando imediatamente dele. –Você só veio aqui achando que me levaria para cama! Você é ridículo!
—Não! –Ele se defendeu, mas ela não estava totalmente errada. Desde o dia que vira Hermione pela primeira vez sentiu uma atração. –Sim, mas não desse jeito ruim que você está falando.
—Vai embora Ronald e nunca mais fale comigo. –Hermione apontou para a porta muito irritada. –Vocês homens só pensam nisso!
—Espera deixa eu me explicar! –Ron pediu enquanto era empurrado em direção a porta por ela. –E se eu te ajudar a realizar o seu sonho de ser mãe?
Hermione parou de empurrá-lo no mesmo instante e Ron quase caiu no chão, pois estava jogando todo o seu peso nela.
—Essa brincadeira não tem graça. –Hermione abriu a porta e ficou esperando ele sair. –Eu abri meu coração para você, te contei o meu maior desejo e você está brincando com isso.
—Não, não estou. –Ele se defendeu antes que fosse empurrado novamente para fora. –Eu estou falando sério, eu te ajudo!
—E o que você iria ganhar com isso? –Ela perguntou mesmo não querendo saber da resposta e acabar com aquela conversa o quanto antes.
—Você e eu fazendo esse bebê do jeito tradicional. –Ron respondeu com aquele sorriso irresistível que chamou a atenção de Hermione quando se conheceram. –Além do fato que eu iria contribuir com bons genes ao bebê. Sou bonito, inteligente e sem nenhum problema de saúde.
—Você é um idiota! –Hermione ficou igualmente envergonhada e irritada com a proposta dele. –Não me procure mais!
Antes de sair, Ron a surpreendeu com um beijo. Não foi qualquer beijo, foi intenso e fez as pernas de Hermione cambalearem. Um beijo que Hermione nunca experimentara em toda a sua vida. Poderia beija-lo por horas, mas o ar se fez necessário e Ron a soltou. Hermione abriu os olhos ainda se recuperando do beijo e Ron sorriu daquele jeito que ela detestava e estava começando a gostar.
—Eu vou viajar nos próximos dias, devo ficar uns 15 dias fora. –Ele disse mexendo no cabelo, ficando ainda mais irresistível. –Pense na minha proposta e me procure. Tchau, Hermione.
Hermione esperou ele sair e fechou a porta sem acreditar no que acabara de acontecer. Seu vizinho gostoso estava se oferecendo para ajudá-la a realizar seu sonho. Teria apenas que fazer isso do jeito tradicional, como um casal normal, sem inseminação artificial e doadores anônimos.
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