A Proposta
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Damon
Não, não pode ser. Ela é como a Katherine, o olhar, o nariz, o corpo, o jeito impaciente as vezes, personalidade forte... Mas tem uma coisa que diferencia as duas, uma eu amo e a outra odeio.
Quando a vi pela primeira vez não tinha notado a semelhança, mas da segunda vez eu achei que eram a mesma pessoa, mas não era possível até porque a Katherine tinha cabelos encaracolados e os cabelos da garota estavam lisos e molhados. Diria que essa outra é até um pouco mais bonita, mas não faz muita diferença porque é uma chata.
E agora que descobri que ela vai ser minha nova mulher, eu me sinto feliz por poder pelo menos imaginar ou pensar que tenho Katherine comigo mais uma vez.
Pena que vai demorar uns três meses pra isso acontecer.
O jantar acabou em clima de guerra, Elli é impaciente e eu adoro provocar, isso não deu certo. Quando acabamos o jantar fomos para fora do restaurante esperar o manobrista com nossos carros.
– Então Elli, você não quer que eu te leve em casa? — digo baixinho só pra ela ouvir enquanto Stefan conversa com Bonnie.
– É claro que eu quero — diz normalmente e então fico surpreso, esperava levar uma patada.
– É sério?
– É — ela respira fundo e então fico sem entender se é uma brincadeira ou se é verdade.
Os carros chegam.
– Vamos Elli? — pergunta Bonnie.
– Não, vou com o Damon — todos olhamos pra ela e realmente vejo que está falando sério.
Pego as chaves do carro e olho pra ela que dá um sorrisinho.
– Vai me dizer que você não é um cavalheiro? — diz com os braços cruzados e então vou abrir a porta para ela entrar forçando minha educação — Que gracinha
– diz se sentando no banco e então fecho a porta. Olho para Bonnie que está toda sorridente e Stefan que está com cara de preocupação. Faço cara de desentendido e faço um sinal com o dedo perto da orelha indicando que ela é louca.
Entro no carro e ela me olha.
– Qual é o seu jogo, Medn? — digo dando partida.
– Nada, só aceitei o convite. Não me quer aqui? Sem problemas eu vou andando
– travo as portas e ela me encara — Tudo bem. Agora liga esse som.
– Da primeira vez que você esteve comigo, você não era tão folgada assim.
– As pessoas mudam — ela da de ombros — Coloca o sinto.
– Eu não uso cinto — digo sorrindo ironicamente, quantos anos ela tem?
– Mas vai usar a partir de agora. Põe logo — ela ordena e então eu coloco resmungando.
Liguei o som e estava passando die my darling, Elli começou a cantar e eu curti, sua voz é bem bonita e agradável. Antes que a música terminasse ela surtou.
– Para o carro! Damon para o carro! — estaciono no acostamento e destravo as portas, ela sai do carro correndo e eu vou atrás dela, quando vejo ela está abaixada alisando um cachorro sujo na rua.
– Ah fala sério! — digo indignado — Você me fez parar o carro pra brincar com esse pulguento?
– Ei! Não fala assim dele — ela segura o rosto dele com as mãos e conversa com ele, logo começa a falar com voz de bebê.
– Tá Elli, já chega — digo olhando em volta e as pessoas encaram-na como se fosse uma estranha e realmente ela é uma.
– Olha! Você disse meu nome.
– É eu disse, agora vamos?
– Pera, quero ir ao banheiro — ela se levanta, sorri e entra no banheiro público. Me sento no banco da praça para esperar aquela maluca.
Ela demora. Já impaciente compro uma pipoca doce e fico lá comendo enquanto ela não vem, mais de dez minutos se passam e eu ascendo um cigarro mas logo apago, quando decido ir ver o que está acontecendo ela sai com um sorriso no rosto.
– Demorei? — pergunta.
– Ah claro que não, achei que foi até rápida — digo ironicamente e ela morde os lábios.
– Desculpa, tomei muito vinho — ela faz uma cara engraçada e não consigo deixar de rir.
– Quer pipoca?
– Ah eu quero. O céu tá bonito né — diz pegando um pouco de pipoca e olhando pra cima. Vejo que ela e Katherine tem muito mesmo em comum na aparecia, talvez nem tanto na personalidade porque a Katherine jamais usaria um banheiro público e muito menos brincaria com um cachorro de rua.
– A gente podia ir...
– Sentar no banco da praça? Também acho! — ela diz sorridente.
– Não... — ela senta e então sento resmungando também — Acho que você só quer me enrolar — cutuco ela com o cotovelo enquanto comemos a pipoca.
– Acho que vai ter que se acostumar — ela olha de lado e então vejo Katherine novamente, não é possível se parecerem tanto...
A pipoca acabou e depois de tanto insistir ela concordou em ir embora. Entramos no carro, ela virou pro lado e não disse mais nada.
– Você ficou com raiva porque eu quis vir embora, Elli? — pergunto abaixando o volume da música.
– Não– cochicha.
– Se você diz — dou de ombros e aumento o volume novamente.
Chegamos no prédio da Bonnie sem trocar mais nenhuma palavra. Quando parei o carro, achei que ela iria se levantar mas continuo parada.
– Elli? Já chegamos — coloco a mão no ombro dela com cautela, é estranho toca-la, isso me proporciona um frio na barriga. Ela continua do mesmo jeito -
Elli você está dormindo? — Puxo com cuidado o rosto dela e coloco ele de frente para o meu. Ela está dormindo, acabo rindo disso — Você só pode estar de brincadeira.
Olho bem seu rosto e que saudade eu tenho dela, que saudade eu tenho das suas carícias e do seu jeito carinhoso. Quando eu a tinha, nada pra mim nesse mundo era mais valioso que o seu amor.
Sinto atração ao olhar sua boca mas afasto todos os meus pensamentos e fantasias. Desço do carro, abro a porta ao seu lado e então tiro seu sinto; pego ela no colo com cuidado enquanto continua dormindo e tranco o carro.
Passo pela portaria carregando ela que parece estar desmaiada, as pessoas me olham estranhando e então eu digo bem alto.
– Não é a Katherine! É a Elli, minha nova mulher. Elas se parecem mas não são a mesma pessoa — entro no elevador — Caramba você é pesada Medn, já está me rendendo um ano de academia.
Chego no último andar com os braços doloridos e então toco a campainha com os cotovelos.
Logo Bonnie aparece de roupão e eu entro.
– Onde é o quarto dela? — pergunto exausto — Ela é magrinha mas é pesada!
– O... que... aconteceu...? — Bonnie me olha atônita.
– Ela quis parar no meio do caminho pra brincar com os cachorros na rua, depois foi no banheiro e ficou lá uma hora, ai ela decidiu que queria comer pipoca e olhar pro céu. Ai depois insisti muito e a gente veio pra cá, quando chegamos ela estava dormindo e pelo visto ela não dorme, hiberna. Mas onde é o quarto dela? — Bonnie sorri e coloca a mão na boca.
– Elas duas tem o mesmo gênio né, no começo quando você e a Katherine...
– Não por favor — interrompo ela.
– Tudo bem. O segundo a direita.
Subo as escadas e vou até o quarto dela, a deixo deitada em cima da cama e tiro seus sapatos, jogo a colcha por cima dela até a cintura e antes de sair encaro ela dormir.
– Você vai dar trabalho se eu tiver que ser sua babá, garotinha.
Saio do quarto e fecho a porta sem força para não acordá-la .
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