A Proposta
9 Capítulo 9 - O Casamento
Notas iniciais
_ Esse vestido é muito lindo! – disse Catherine olhando para o vestido em cima da cama de Sara. Era um vetido perolado coberto de renda, na altura dos joelhos. Era simples, já que a cerimônia seria durante o dia
_ Não sei porque você está tão admirada, foi você quem me ajudou a escolhê-lo – disse Sara dando de ombros.
_ Vamos Sara, melhore essa cara! É o dia do seu casamento – disse Catherine, ajudando Sara a colocar o vestido de noiva – Você deveria estar radiante.
_ É, eu deveria, mas não consigo Cath. Eu queria poder mudar minha expressão, mas não posso fingir uma coisa que não estou sentindo.
_ Não era você quem queria se casar com Grissom, que estava apaixonada por ele?
_ Quem te disse isso? – perguntou Sara curiosa.
_ Ninguém. Eu conheço você da mesma forma como conheço o Gil. E você finge muito mal. Não sei os outros, mas eu percebi que existia algo entre você e o Griss.
Sara riu tristemente.
_ Você tem razão Cath. Eu sempre fui apaixonada por ele. E sempre foi meu sonho casar com ele, mas não era dessa forma que eu imaginava. Eu queria que ele se casasse comigo porque me amava e não por obrigação.
O vestido caiu-lhe como uma luva. Não ficara apertado, estava na medida certa. Apenas os seios estavam mais evidentes pois estavam maiores devido a gravidez.
Ela passou a mão na barriga um pouco saliente. Estava com quatro meses de gestação. Já podia sentir o bebê se mexer e a cada dia se sentia mais feliz por saber que uma vida estava se formando ali em seu ventre.
Ela já estava quase pronta. Catherine havia feito a maquiagem. Devia muito a colega, se não fosse ela, não saberia o que fazer. Nunca se casara antes, não sabia o que fazer. Apesar de ser uma cerimônia simples, apenas os amigos mais íntimos estariam presentes, ela não podia deixar de se sentir nervosa, afinal ela estava se casando.
_ Cath, você pode me deixar um pouco sozinha?
_ O que foi? Não está se sentindo bem? Eu posso chamar um médico para você...
Sara a interrompeu.
_ Não, não é isso. Eu estou bem – ela passou a mão na barriga novamente – Estamos bem. Eu só quero ficar sozinha um pouco. Este é meu último momento como solteira e gostaria de desfrutar desse momento.
_ Tudo bem. Eu estou na sala caso você precise.
Catherine saiu do quarto, fechando a porta atrás de si e deixando Sara sozinha conforme ela havia pedido. Ela olhou-se no espelho, podia dizer que nunca estivera tão bonita em sua vida, mas por que então não se sentia tão feliz como desejava? Talvez fosse porque sabia que seu casamento seria de aparências. Grissom deixara isso bem claro.
Grissom. O nome de seu supervisor e futuro marido a fez arrepiar. Um misto de emoções lhe invadiam a alma, e não era por causa da desfunção hormonal devido a gravidez. O motivo de tamanha revolução emocional se chamava Gil Grissom. Ela estava alegre por que se casaria com Grissom, com o homem da sua vida, mas estava também triste, porque ele estava casando com ela por causa do bebê. Só por isso. Além desse dois sentimentos, Sara sentia uma raiva profunda.
Ela estava com raiva. Mais do que isso, estava furiosa consigo. Ainda não acreditava que Grissom conseguira o que queria. Eles iam se casar. E faltava pouco tempo,dentro de poucas horas se uniria em matrimônio com o pai do seu filho. Ele a dobrara direitinho. Não houve como dizer não. Ele cumprira o que prometera. Apesar de estar morrendo de raiva por dentro, Sara não pode deixar de sorrir. Ela dera trabalho para Grissom. Acabaram por fazer um jogo de gato e rato.
Enquanto se preparava para o que deveria ser o momento mais feliz da sua vida, Sara deixou-se levar pelas lembranças. Do que a fizera chegar até ali.
Quando Grissom dissera que faria de tudo para que ela se casasse com ele, ela não havia acreditado. Pensara que ele desistiria, mas estava enganada. Grissom tanto fez que conseguiu o que desejava. Usou de vários subterfúgios um deles foi fazer com que os colegas deles a convencessem da importância do casamento. Ela lembrava de uma conversa que tivera com Catherine. Elas estavam na sala de descanso, num pequeno intervalo entre os casos da noite. Cath puxou assunto.
_ Sara, você ainda está irredutível quanto a aceitar a proposta de Grissom? A aceitar o pedido de casamento dele?
_ Eu não vou me casar com ele, Cath. Isso está fora de cogitação.
_ Olha eu sei que eu não deveria me meter na sua vida, mas quer um conselho?
_ Pode falar.
_ Você deveria pensar nessa criança que você está esperando. Não é fácil criar um filho sozinho, mesmo que o pai dê toda a assistência, não é fácil.
_ Eu sei, mas...
_ O Gil vai ser um pai exemplar, você vai ver. Aceite o pedido do Gil. Case com ele. Vai ser bem mais fácil para vocês criarem o bebê.
Ela pareceu pensar um pouco.
_ Foi ele quem mandou você vir fala comigo?
_ Bem ele conversou comigo, mas não me pediu que falasse com você. Fui eu quem tomou a iniciativa.
O celular de Catherine tocou naquele instante.
_ Willows!
Ela conversou durante alguns minutos, mas a morena mal prestou atenção.
_ Bem, eu tenho que ir. O trabalho me chama. Chegou o suspeito do meu caso para o interrogatório. Promete que vai pensar no que eu te disse?
_ Prometo.
Catherine saiu. Sara mal pode suspirar aliviada por se encontrar sozinha na sala. Greg entrou feito um furacão.
_ Sara não acredito que você vai casar com o Grissom!
_ Eu não vou me casar com ele! Eu já disse que não vou me casar com ele -ela disse irritada.
_ Então casa comigo! Eu te ajudo a cuidar do bebê.
_ Obrigada, Greg. Mas não. Eu acho que não conseguiria cuidar de duas crianças
Os dois riram.
_ Agora é sério, Sarinha. O que você vai fazer? Vai aceitar o pedido?
_ O que você acha que eu devo fazer?
_ Quer que eu seja sincero?
_ O que você acha?
_ Tudo bem. Vou começar dizendo que o Grissom me pediu que eu a convencesse a aceitar o pedido dele.
_ Ele não fez isso...
_ Fez sim. Mas se quer saber mesmo a minha opinião Sarinha, se esse casamento for só por causa da criança, não case. Um casamento sem amor, não dura.
Sara tomou as mãos do amigo sob as suas.
_ Obrigada Greg. Prometo que vou pensar no que você falou.
Ele saiu deixando-a sozinha. Ela estava decidida a não aceitar o pedido. Poderia muito bem cuidar do filho sozinha. Embora estivesse com medo, sabia que tinha capacidade. A cada conversa que tinha com os amigos mais certa ficava de que o correto era rejeitar o pedido de Grissom. Parecia teimosia mas ela não via a necessidade de se casar só porque estava esperando um filho de seu supervisor.
Durante os meses que se seguiram, Grissom tentou de todas as formas convencê-la. A sua última tentativa foi uma conversa com ela. E foi nessa que ela perdeu. Ela estava na sala de descanso. Tinha acabado de concluir um caso, que exigira muito dela. Ele entrou.
_ Como você está?
_ Estou bem. Os enjôos passaram.
_ E o nosso bebê? – ele perguntou colocando a mão na barriga ainda lisa dela.
_ Ele está bem também — Sara sentiu um arrepiu percorrer-lhe o corpo – A médica disse que está tudo bem.
_ E você já sabe o sexo?
_ Ainda é cedo Grissom. Não dá para saber ainda.
_ Eu posso te fazer um pedido?
_ Claro!
_ Da próxima vez que você for ao médico, me deixa ir junto? Quero acompanhar tudo...
_ Claro que sim, Grissom.
Ela estava feliz porque Grissom ainda não havia tocado no assunto casamento. Estava para dar um pulo de felicidade quando ele falou:
_ Sara, porque é tão ruim assim você cogitar em casar comigo? – perguntou Grissom aproximando-se ainda mais dela, acariciando – lhe a mão suavemente.
_ Griss... nós já conversamos a respeito...
_ Sara, você não pode ficar sozinha... e se você, por um acaso passar mal? Você mora sozinha, não tem ninguém para te socorrer...
_ Griss...
_ Sejamos práticos e racionais Sara. Será muito proveitoso o casamento para nós. Eu também vivo sozinho. Poderemos fazer companhia um para o outro, além de poder cuidar do nosso filho juntos.
Ela não queria admitir, mas tudo o que Grissom falara era verdade.
_ Mas Grissom, e o Ecklie?
Grissom ficou um pouco apreensivo, mas ao fim respondeu.
_ Eu já conversei com ele. Quando nos casarmos, teremos que ficar em turnos distintos.
Ela percebeu que ele utilizara a palavra quando e não se. Porque ele tinha tanta certeza de que ela aceitaria o pedido?, ela pensava. Talvez fosse porque ela já desse mostras de que estava amolecendo.
_ Sara, case comigo! Vamos pensar no nosso filho.
Sara sorriu tristemente.
_ Você venceu Grissom. Tudo bem eu me caso com você. Quando será o nosso casamento?
_ Daqui um mês, está bom para você?
Ela suspirou.
_ Está ótimo.
Por mais que Grissom não dissesse, ela sabia que seu casamento seria de aparências. Grissom jamais ousaria tocar nela novamente, disso ela tinha plena consciência. Ela aceitara o casamento apenas pelo filho. Ela o amava mas ele não a amava. Estava ciente de que não poderia ser feliz assim, mas por seu filho faria esse sacrifício.
E agora ela estava ali pronta para casar-se com Grissom. Ouviu uma batida na porta.
_ Sara? — era Catherine – está na hora, vamos?
Ela abriu a porta.
_ Sim vamos.
Ela estava pronta. As duas seguiram para o cartório. Os outros juntamente com Grissom já estavam presentes. Ela olhou para cada um dos seus amigos e para Grissom. Ele estava tão bonito. Se fosse uma outra ocasião ela estaria muito feliz em se casar, mas agora...
Aproximou-se da mesa do juiz de paz.
_ Estamos aqui para celebrar a união de Gilbert Arthur Grisssom e Sara Anne Sidle. É de livre e espontânea vontade que vocês se unem em matrimônio?
Sara olhou bem para Grissom. Teve vontade de dizer não, mas acabou respondendo:
_ Sim.
_ Sim – disse Grissom.
_ Pelo poder a mim investido eu vos declaro marido e mulher. Agora pode beijar a noiva.
Grissom aproximou-se de Sara sem jeito. Não esperava que o juiz dissesse isso. Aproximou-se ainda mais. E suavemente tomou-lhe os lábios, num beijo terno. Como era bom sentir o sabor daquela boca novamente, ele pensava.
_ Bem, é hora de irmos. Mais tarde trabalharemos. – disse Catherine – para onde vocês vão?
_ No momento eu quero ir para casa. Estou muito cansada – disse Sara – Acho que é por causa do bebê.
_ Nós vamos passar a lua de mel aqui mesmo. Não vamos viajar. – disse Grissom.
Eles resolveram também não fazer festa. Sairam com os amigos para comemorar o casamento e logo depois foram para casa. Agora eles eram uma família. Marido e mulher. O que começou como uma brincadeira, acabou por se tornar realidade. Mas quanto tempo duraria?
Notas finais
Estou amando ter a companhia de vocês! Me deixa muito contente!
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