A Proposta
6 Capítulo 6 - O Encontro - Encerramento
Notas iniciais
Sara acordou sentindo-se lânguida e aquecida. Seu corpo parecia mais sensível do que nunca. Podia até sentir o ar acariciando-lhe a pele.
Saiu da cama e procurou uma roupa para vestir. Escolheu um vestidinho solto e diáfano. Notou que Grissom já se levantara, e que não havia sinal de que alguém dormira no sofá..
Dirigiu-se à mesa de refeições que havia ali dentro do quarto. Grissom, sentado à mesa, lia o jornal enquanto tomava uma xícara de café. Ergueu a vista ao perceber-lhe a presença, e por um instante uma chama brilhou em seus olhos.
_ Bom dia, Sara.
Um arrepio a percorreu, lembrando-a do sonho erótico, em que Grissom a acariciava até fazer com que gritasse de prazer...
_ Bom dia, Grissom – ela respondeu, certa de que corava.
Grissom ergueu-se e puxou-lhe uma cadeira. Sara obrigou-se a cobrir a distância que a separava de Grissom, quando ia sentar-se, sentiu que ele a segurava pelo braço, para ajudá-la. Arrepiou-se ao toque e o fitou, mas não encontrou nada além de uma expressão indiferente.
_ Quer café?
Ela assentiu, incapaz de falar, e Grissom serviu-lhe uma xícara com o líquido preto fumegante.
_ Quer comer alguma coisa?
A mesa estava posta com inúmeras delícias: pães, torradas, queijos, geléias, sucos, leite e café. Ela olhou para tudo e decidiu.
_ Apenas torradas – Sara forçou-se a dizer ciente de que não conseguiria se alimentar tão ansiosa se sentia.
_ Dormiu bem?
Ela corou, mas recobrou-se depressa. Afinal Grissom jamais poderia adivinhar o que se passara em seu sonho. Estava apenas sendo educado.
_ Sim, obrigada.
_ Ótimo. Fico feliz em saber que achou a cama... agradável.
Só Deus sabe a força que fiz para não tomá-la nos meus braços, pensou Grissom consigo.
_ Muito – ela respondeu.
Sara mordeu a torrada, mas a boca seca não ajudava a ingerir o alimento. Um calor insuportável espalhava-se por seu corpo. Recostou a cabeça, na tentativa de acalmar-se e livrar-se da sensação.
Quando percebeu o que estava fazendo, parou. Fitou-o num relance, e viu que ele a observava com um sorriso nos lábios.
Grissom sabia!
Não imaginava como, mas de algum modo ele sabia sobre o sonho.
O calor subiu até o seu rosto, deixando-a vermelha. Sara afastou a cadeira de repente e levantou-se.
_ Eu... eu... Bem, com licença.
Virou-se e dirigiu-se para a saída do quarto. Grissom a seguiu e alcançou a porta antes que ela saísse. Segurou-a pelo braço.
_ Espere. Não vá – pediu com voz baixa, quase sem fôlego – Sou um tolo por brincar com você. Eu... – Desviou a vista, procurando a palavra certa, e finalmente disse:
_ Eu estou com ciúme. Acordei ontem de madrugada e a ouvi.
_ Oh!
Envergonhada, Sara levou as mãos às faces ruborizadas. Então baixou a cabeça.
_ Não, por favor. Olhe para mim — Grissom levantou-lhe o queixo com o polegar, levando-a a estremecer – Tive ciúme... de nada. Era só sonho — Abriu a mão e a passou gentilmente pelo pescoço delicado – Sara, preciso ter, ao menos por um momento, aquilo que você deu a alguém em seu sonho.
Os olhos de Grissom brilhavam de desejo e lascívia. Arrepios percorreram-na em ondas sem fim.
_ Gil...
_ Pensei tê-la ouvido dizer o meu nome, durante o sono. Escutei direito? – Ergueu as mãos, acariciando-lhe o rosto. O polegar traçou a linha dos lábios femininos – Era comigo que você sonhava?
_ Não! Por favor não me pergunte isso. Não posso...
Interrompeu-se. A doce carícia não lhe permitia pensar com clareza Quase obedeceu ao impulso de abrir a boca e tomar-lhe o dedo.
_ Preciso de você Sara.
_ Griss – disse ela em meio a um gemido rouco, ainda presa às sensações que ele lhe provocava – Eu não te entendo. Em um momento você me quer, arde de desejo por mim, em outro você me rejeita... Não consigo entender...
_ Nem eu me entendo Sara. Sei apenas que agora eu preciso de você. Vamos seguir seu pensamento. Vamos deixar rolar. Sem cobranças, sem compromisso. Hoje vamos realizar o nosso desejo, e amanhã seguimos com nossas vidas, separadas...
Inclinou-se e roçou os lábios nos dela. O toque, suave como veludo, a fez tremer. Sara lembrou-se do sabor daquela boca, da pressão, da textura, do toque, e mal pôde se conter.
_ E então? O que você acha? — Os dedos dele desceram pelo pescoço, alcançando o decote do vestido dela – Eu sei que você me deseja também. Uma vez apenas, Sara, para ficar em nossa memória, depois seguimos com nossas vidas.
Inclinou-se de novo e beijou-lhe o pescoço. Ela não conseguiu evitar um gemido.
_ Mas você não me ama...
_ Eu a desejo
Grissom sabia que isso era mentira. Ele a amava, estava certo disso, mas ainda não estava preparado para entregar-se a ela. Ele não sabia mas a vida deles depois desse encontro não seria mais a mesma.
_ Eu estou confusa...
_ Deixe-me ajudá-la a ordenar seus pensamentos – ele se ofereceu, e tomou-lhe os lábios apaixonadamente.
Grissom a beijou gentilmente no começo. Depois começou a explorar-lhe a boca, acariciando, avançando, recuando. Sara entregou-se ao prazer daquele beijo Ela deixou-se levar pelo momento. Se isso era tudo o que Grissom podia proporcionar-lhe, apenas uma aventura passageira, então aproveitaria. Se entregaria de corpo e alma.
Um dos braços dele pousou em suas costas, estreitando-a. O outro insinuou-se entre ambos, massageando os seios dela por cima do vestido.
Sara suspirou, o corpo em chamas. Não conseguia conter os gemidos de prazer. Então, de repente, viu-se sendo carregada até a cama e colocada sobre ela suavemente. Ele a cobriu com o próprio corpo, ficando apoiado nos antebraços.
Os beijos tornaram-se mais ardentes e bem mais rápidos do que ele pretendia. Ele fez uma pequena pausa para observar o rosto, a respiração e os seios de Sara. Constatou que ela não se contentaria com carícias e beijos delicados. Seus gemidos e movimentos debaixo dele o estavam deixando louco. Sentia as unhas dela enterrando-se em seu ombro. Tudo indicava que ela sentia intenso desejo.
Grissom tornou-se mais ousado. Sara soltou-se por completo. Seus sentidos pulsavam, ela gemia, gritava, empurrava o corpo contra o dele. A timidez e o recato que um dia existiram, a abandonaram de vez.
_ Venha. Quero você dentro de mim – ela pediu, ofegante.
Grissom, claro, não resistiu. Possuí-la era o que mais desejava. Apressou-se para despir-se e sentiu os dedos entorpecidos. Parecia até que nunca havia tirado a roupa na frente de uma mulher. Sara apressou-o, o que o deixou ainda mais inepto. Por fim, desesperada, ela assumiu a tarefa.
Ele ergueu com ímpeto o vestido de Sara até a cintura, deslizou a mão entre as coxas dela e tocou-a intimamente. Sentindo-a úmida e quente, beijou-a no pescoço, nos ombros, deu-lhe pequenas mordidas e penetrou-a. Por um momento ambos aquietaram-se deliciando-se com a maravilha daquela união. Ele voltou a movimentar-se devagar e foi aumentando o ritmo. Sara o acompanhou. Então ele cavalgou-a com loucura até alcançarem juntos o clímax. Grissom derramou sua seiva nela. Eles não sabiam mas naquele dia Grissom deixou um pedaço de si em Sara.
Quando a respiração deles voltou ao normal, Grissom rolou para o lado da cama e passou o braço pela cintura de Sara. Ela virou-se de forma que pudesse olhá-lo nos olhos.
_ Eu amo você, Grissom – ela disse.
_ Sara... — ele a censurou.
_ Eu preciso dizer isso. Sinto que te amo desde São Francisco...
_ Sara, quando voltarmos a Vegas, isso não poderá se repetir. O que aconteceu aqui, ficará aqui.
Aquelas palavras machucaram o coração de Sara. Como esquecer aquele momento tão lindo e saber que não mais se repetiria?
_ Eu sei – ela respondeu tristemente
_ Vamos descer?
_ Não podemos ficar mais um pouco aqui? Está tão bom... – ela se referia a intimidade existente entre eles no momento.
_ Podemos sim – ele tentava negar, mas ainda sentia necessidade de estar com ela mais uma vez.
Permaneceram no quarto durante toda o dia, se amando, aproveitando o dia que tinham, pois na manhã seguinte voltariam para Vegas e retornariam à dura realidade. Desceram só a noite para a cerimônia de encerramento do Encontro.
No salão de festas depois do mestre de cerimônias anunciar o encerramento do evento, Júlia Lancaster aproximou-se do casal.
_ Bem o encontro terminou. Agora vamos todos voltar para as nossas rotinas – disse Júlia – eu gostaria de te pedir desculpas Sara.
Sara estranhou o súbito pedido de desculpas de Júlia. Sua intuição lhe dizia que ela estava aprontando algo.
_ Desculpas pelo que?
_ Durante todo o evento eu tentei te provocar. Nunca imaginei que você um dia se casaria, muito menos com um homem tão atencioso e tão amoroso como o senhor Grissom. Posso ver nos olhos de vocês o quanto vocês se amam.- -ela agora se dirigia par aos dois – Durante esse encontro eu cheguei a pensar que vocês não fossem casados realmente. Eu até fiz esse comentário com o Josh. Mas eu estava enganada. Não há como fingir um sentimento desses. Espero sinceramente que sejam felizes no casamento de vocês.
Grissom e Sara estavam estupefatos. Não esperavam ouvir semelhante coisa de Júlia, principalmente Sara. Júlia ainda comentou:
_ Ah! Senhor Grissom. Não precisa ficar com ciúmes de Josh, ele agora é meu marido. Nos casamos há dois meses. Então ele não lhe oferece perigo. Nos vemos no próximo encontro de turma, Sara.
Dizendo isso Júlia se despediu.
O casal de peritos fez a viagem de volta calados. Cada um perdido em seus pensamentos e refletindo sobre o que Júlia lhes dissera. Nenhum dos dois ousava tocar no assunto. Cumpriram a palavra dada. Quando voltaram para Las Vegas, cada um seguiu com sua vida. Com sua triste e solitária vida.
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