A Proposta
15 Nos Seus Braços
Viktor foi o primeiro a sair do elevador para o corredor do sétimo andar, seguido por Thalita e Gustav.
– Oitavo quarto. – A loira avisou, quando o de cabelos azuis lançou um olhar interrogativo pra ela e então lhe lançou as chaves.
– Você tem as chaves? – Gustav ergueu uma sobrancelha.
– Na verdade, o David sempre pede pra ficar com uma cópia caso precise chamá-los as pressas, mas ele sempre acaba esquecendo comigo. – Ela deu um sorriso perverso.
Viktor destrancou a porta e entrou sem cerimônia, encontrando Georg de cueca no meio do quarto.
– O QUE RAIOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI? – O baixista berrou de bochechas vermelhas e se fechou no banheiro assim que a marqueteira entrou no ambiente.
– Hm... Desculpa, não pensei que te encontraria nessa situação. – A mulher riu.
– O que você esperava? Daqui a pouco temos que ir pra casa de show, tinha acabado de sair do banho. – Ele gritou de dentro do banheiro. –Da pra falar logo o que é que vocês querem?
– A gente prefere falar com você aqui fora, Gê... – Gustav murmurou, sentando na beirada da cama.
Pouco depois ele abriu a porta, vestido.
– O que tá rolando?
– Queremos que converse com Tom. – Thalita foi direta.
– Sobre? – Georg a lançou um olhar de lado. Na verdade, sabia perfeitamente bem sobre o que queriam que ele falasse com o guitarrista.
– Sobre a parada com o branquelo. – Viktor deu os ombros e recebeu um olhar repreensivo da marqueteira. – Mas não é, caramba?
O baixista suspirou e foi se sentar ao lado de Gustav.
– Não tenho nada pra falar com ele, eu não concordo com incesto. É uma opinião minha, ok?
– A gente não tá pedindo pra você concordar com nada. – Gustav começou. Era praticamente a mesma conversa que tivera com o de dreads a pouco. – Simplesmente aceite a decisão deles.
– Eu não tenho que aceitar nada! – Levantou irritado. – Eu não sou obrigado a ter que ficar viajando sabendo que eles podem estar... Cara, eu tenho nojo só de pensar nisso!
– Pensei que o Tom fosse seu melhor amigo... – Viktor comentou, sorriso discreto nos lábios, encarando o chão.
– O que tem a ver? – Georg rangeu os dentes. – Só porque ele é meu melhor amigo eu tenho que concordar com as besteiras que ele faz?
– Você deveria zelar pela felicidade dele. – O rapaz levantou os olhos, encarando-o. – Ou pra você está tudo bem saber que ele está sofrendo por causa do seu preconceito?
O baixista bateu o punho contra a parede, de olhos fechados.
– Merda. – Levou os dedos até os olhos, pressionando-os. – E por que eu tenho que falar com ele, o que vai mudar? A decisão não é dele, de qualquer forma?
– Você sabe muito bem que sua opinião é importante pro Tom. – Thalita se aproximou do rapaz, segurando sua mão. – Você não tem que incentivá-lo a nada, apenas diga que está tudo bem, que você não se importa.
– Mas eu me importo. – Ele sussurrou sem abrir os olhos. Não queria encarar a realidade, as pessoas a sua volta.
– O que é mais importante pra você? – Gustav falou, se levantando.
O mais velho dos dois abriu os olhos, observando o amigo por um breve momento. Suspirou.
– Eu vou pensar sobre isso, ok?
***
Tom ainda tinhas os braços enlaçados ao redor do gêmeo, acariciava suavemente suas costas. Tinha a cabeça enterrada em seu pescoço e sorvia o perfume adocicado da pele do mais novo.
Bill se separou poucos centímetros do outro, apenas que pudessem se olhar. Sentia tanta saudade disso, do corpo do irmão, do seu calor.
Tom o encarou. Fazia muito tempo que eles não ficavam tão perto, desde... Aquele dia. Podia sentir a respiração do vocalista soprando levemente contra seu rosto. Ele desceu os olhos para os lábios rosados e entreabertos do mais novo, sentiu o corpo tremer. Bill percebeu.
O maior se aproximou lentamente e o guitarrista quase cedeu. Ele queria tanto...
– Bill, eu acho que... A gente não deve. – O de dreads murmurou, virando o rosto.
O gêmeo desviou o olhar, uma visível tristeza o tomava, mas então sorriu.
– Tudo bem. – Voltou a olhar para Tom e alargou o sorriso. Seu irmão estava ali, não poderia desejar nada além disso. – Não tem problema.
– Obrigado. – Tom voltou a abraçá-lo com força.
Agora bastava que eles acreditassem em suas próprias palavras.
***
– Estão prontos, garotos? – David perguntou, abrindo a porta do camarim. – Vamos começar em 10 minutos.
Os quatro concordaram e se levantaram em direção a entrada do palco. Tom bateu a mãos nas costas de Bill para dar força – A verdade é que sentia a necessidade pura e simples de tocá-lo.
David sorriu ao observá-los.
– Parece que as coisas voltaram ao normal. – Comentou.
– Espero que sim... – Thalita deu um sorriso meio forçado. Estava preocupada, Georg ainda não tinha falado com Tom e nem dava a entender que o faria.
Mas, para sua surpresa, viu o baixista dizer algo no ouvido do amigo que o olhou de maneira estranha e logo os dois saíram de perto da entrada do palco.
– O que foi? – Tom perguntou para o amigo enquanto se afastavam.
– Você e o Bill fizeram as pazes, né? – O mais velho perguntou, sem encarar o maior.
– Uhum. – A resposta veio acompanhada por um sorriso por parte do emissor.
– Isso quer dizer que... Vocês estão juntos?
Tom se sobressaltou com a pergunta e acabou por emitir uma risada estranha, tentando disfarçar o nervosismo.
– Claro que não. – Deu um sorriso para o outro. Falso.
– Por quê? – Dessa vez Georg perguntou firme e finalmente conseguiu juntar coragem o suficiente pra encarar o amigo.
– Mas que pergunta idiota é essa? – O guitarrista ainda tentou manter o tom despreocupado, mas não obteve sucesso. – Não era você que acha isso doentio? Porque ta vindo com essa conversa agora?
– Então é mesmo por minha causa? – Permanecia sério. Tinha que dizer logo o que pensava, antes de desistisse. – Vou abrir o jogo com você, Tom. Eu sou realmente contra isso e não sei se um dia vou conseguir deixar de ser.
– Eu já sei disso, não precisava falar nada. – Tom cerrou os dentes. Por que diabos Georg estava retomando esse assunto?
– Mas – O baixista retomou em voz alta, após ser interrompido. – a minha opinião pouco importa.
– Quê? – Agora sim ele estava realmente sem entender.
– Sua felicidade é muito mais importante pra mim do que esse preconceito idiota. E... se é ao lado do Bill que você vai encontrá-la, por mim tudo bem. A única coisa que eu não entendo é... – Riu pela expressão estranha que se formou no rosto do amigo e pela frase que ainda tinha a dizer. – Por que você ainda não me mandou pra puta que pariu e fez o que bem entendeu?
Tom piscou algumas vezes para o semblante sinceramente feliz do baixista.
– Por que... Por que você tá me dizendo isso?
– Hm. Achei que talvez você precisasse saber. – Georg sorriu e então viu David acenar. – Ei, vamos lá, tá na hora.
Tom seguiu o mais velho automaticamente. Saudou o público também sem perceber e começou a introdução da música puramente embalado pelos outros. Estava offline.
Uma música se passou. Duas, três... O repertório já estava próximo ao fim quando ele voltou para uma quase-lucidez.
Então para Georg estava tudo bem se ele e Bill ficassem juntos? Ele não era um monstro por desejar o próprio irmão? Isso não era errado?
Olhou para o rapaz de moicano que pulava sorrindo e cantando próximo a beira do palco. Bill voltou-se para sua direção e alargou o sorriso. O vocalista caminhou em sua direção, cantando para ele. Tom ainda estava perdido demais para corresponder.
O mais novo virou-se novamente para frente e ouviu um baque surdo ao seu lado. Imediatamente parou de cantar, assustado. Vários gritinhos espantados também foram ouvidos da platéia.
Ao seu lado, Tom havia derrubado a guitarra no chão. O guitarrista suspirou longamente e antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, caminhou em direção ao gêmeo e segurou seu rosto com as mãos. Uniu os lábios.
A primeira reação de Bill foi arregalar os olhos a um nível que ele mal sabia poder, em seguida, os fechou e pressionou-se de volta contra o irmão, correspondendo.
Gustav e Georg ficaram estagnados no mesmo lugar, encarando nos primeiros segundos e depois desviando o olhar, completamente envergonhados.
A platéia explodiu em milhares de diferentes reações. Gritos, flashes, murmúrios, palavras de surpresa e desaprovação. Algumas pessoas começaram a se afastar da grade em direção a saída.
Thalita estava completamente em choque, observando pela lateral do palco quando ouviu a voz severa do manager.
– Você está despedia.
Olhou para David sem saber o que dizer. Como contra-argumentar? Pressionou as mãos contra os olhos tentando impedir que lágrimas escorressem por seu rosto. Não importava, ela tinha conseguido fazer com que eles ficassem juntos.
Ouviu o homem suspirar.
– E se quiser o emprego de volta... – Quando ela voltou a olhá-lo, o encontrou com um sorriso compreensivo nos lábios. – É melhor me ajudar a tirá-los daqui sem serem perseguidos pelos repórteres.
Thalita secou o rosto e deu uma risada curta, aliviada. Concordou com a cabeça e logo os dois sumiram pelos fundos. Tinham muito a fazer.
Georg coçou a cabeça antes de lançar um olhar indignado para Gustav e então caminhar em direção aos gêmeos. Colocou, hesitante, a mão no ombro de Tom.
– Sem querer interromper... Nós temos um show pra terminar.
Bill riu, vermelho, e balançou a cabeça. Tom pegou a guitarra que jazia no chão e começaram a última canção, quase encobertos pelo barulho da multidão.
***
Bill mal havia pisado fora do palco quando sentiu o pulso ser envolto por uma mão áspera e foi puxado para a lateral. O mesmo aconteceu com Tom.
– A próxima vez que esconderem algo desse nível de mim, terão uma morte lenta e dolorosa. – O manager avisou, sem encará-los.
– O que está acontecendo? – O maior perguntou quase tropeçando enquanto era arrastado.
– O que está acontecendo? O que está acontecendo é que meu vocalista e o meu guitarrista acabaram de se beijar no meio do palco e agora eu tenho milhares de repórteres lá fora querendo um pedaço de vocês. – David respondeu em puro cinismo. Tom encarou o chão, sentindo as bochechas esquentarem. – Vocês vão sair por trás, vão pegar um taxi. Thalita vai logo depois e vai voltar pro hotel no carro de vocês. Gustav e Georg vão pela frente.
Ainda não tinham entendido muito bem o que estava acontecendo, mas quando deram por si já haviam sido arremessados dentro de um taxi de vidros filmados.
Chegaram ao hotel rápido, devido a afobação do motorista. Lá foram recepcionados por uma equipe já informada do que fazer – apesar de não conhecerem os detalhes mais sórdidos dos acontecimentos recentes.
Seguiram para o quarto de Tom pela escada de emergência, escoltados por dois homens. Entraram no recinto e trancaram a porta, imediatamente se escorando na parede em busca de recuperar o fôlego de toda essa agitação.
Ainda arfando, encararam-se. Um sorriso tímido surgiu no rosto de ambos.
Tom se aproximou do irmão e este abriu os braços para recebê-lo em um abraço. Os lábios voltaram a se encontrar em um beijo lento, suave, intenso.
Para o guitarrista era como se fosse novo. Dessa vez, estava perfeitamente sóbrio e a boca de Bill parecia ter um sabor que ele nunca havia experimentado. Era algo meio doce, gélido, molhado.
As línguas se enroscavam como em uma dança ensaiada durante anos. Trançavam-se com precisão, exploravam-se curiosas e acariciavam-se apaixonadas. Separavam-se por segundos e novamente voltavam se chocar, sedentas.
As mãos de Tom não encontravam um lugar fixo para permanecer. Necessitavam de tocar o mais novo o máximo possível. Percorriam a cintura e então voltavam a segurar o rosto para depois enroscarem-se aos fios do moicano que começava a ceder.
Bill permanecia agarrado a camisa exageradamente larga do mais velho, como se não o fazer pudesse significar deixá-lo partir. Começou a soltá-lo apenas quando sentiu necessidade de subir a mão pelo peito do irmão, fazendo uma caricia suave com as unhas. Deslizou a mão pelo rosto do irmão, pressionando-o com força, puxando para mais perto de si.
Sentiu as mãos de Tom deixarem sua nuca para acariciarem o pescoço, pressionar a cintura e então, adentrarem, sorrateira, sua camisa. Tremeu sob o toque gelado.
O guitarrista não abusou, apenas esfregou as palmas frias contra as costas esguias do gêmeo, atritando seu peito contra o dele. Entretanto, Bill, de repente, agarrou com força os dreads fazendo os lábios se descolarem e deixando o pescoço amorenado exposto.
O vocalista tocou o lóbulo da orelha do mais velho com a ponta da língua, pode sentir os pelos se arrepiarem. Circundou rapidamente a região e então a tomou na boca, mordendo suavemente. Tom quase se contorceu.
– Billy... – Grunhiu.
Bill se afastou um pouco e sussurrou, parodiando uma frase que havia dito meses antes, quando ainda nem sonhava em um dia estar nessa situação.
– “O que há, ficou excitado com seu irmão mais novo?”
Tom riu, lembrando-se.
– E eu posso ser preso por isso, sabia? – Novamente colocou suas bocas em um beijo mais forte, mais necessitado. Enfiou sua perna entre as do maior, pressionando-o.
– Uhmmn. – O vocalista murmurou e tentou afastar o irmão.
– Shhh. – Tom falou contra seus lábios, empurrando novamente a coxa contra a virilha do outro. – Relaxa e aproveita.
Voltaram a se beijar, um beijo que parecia não ter fim, interrompido apenas por esporádicos gemidos de Bill devido à movimentação da perna do irmão. Foram longos minutos, mas que pareceram terminar rápido de mais.
Separaram-se arfantes, o com o moicano desfeito parecia tremer levemente, olhou falsamente emburrando para o mais velho.
– Você mereceu. Ninguém mandou provocar meu ponto fraco. – Tom riu e depositou um beijo casto na bochecha do irmão.
– Idiota. – Bill sorriu e jogou os braços sobre o ombro do outro. – Sabe, precisamos acordar cedo, amanhã.
– Ah, é? – O de dreads fez voz de pouco caso, voltando a empurrar o mais novo contra a parede. – E daí?
– E daí que eu não quero que o David tenha algum motivo pra não permitir que isso aconteça. – Apesar do tom de voz brincalhão, uma preocupação sincera pode ser vista nos olhos do mais novo.
– Ei, David não vai ser contra... Ele até nos ajudou a vir pra cá, não é? – Tom falou com suavidade, beijando-lhe a testa. – E mesmo que seja, não vou deixar ninguém nos separar... Não mais.
O rosto do vocalista se tornou escarlate diante do comentário do irmão. Ele encolheu os ombros e puxou o outro para um último beijo.
– Vou pra o meu quarto. – Bill sussurrou, quando se separaram.
– Fica aqui comigo. – Tom deslizou o nariz pela bochecha do outro com suavidade.
O mais novo não poderia negar, nem que quisesse.
– Ok, ok. – Ele riu. – Mas vamos dormir AGORA.
– Uhum. – O guitarrista concordou balançando a cabeça e voltou a beijá-lo.
Bill riu e se entregou ao ósculo, puxando o irmão para mais perto de si.
Notas finais
Então, pessoas lindas, o que acharam? *o*
Sem notas gigantes dessa vez, apenas: Me desculpem por não estar respondendo os reviews, é que tá realmente uma loucura aqui :/ Mas logo, logo colocarei tudo em ordem! *-*
Obrigada por acompanharem e deixem review ♥
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