A Prometida

7 Am I Wrong?


Notas iniciais
Olá queridos. Não me matem pelo capítulo anterior... Uma breve explicação: quero que vocês recordem o primeiro filme de Como Treinar o Seu Dragão, as séries e o segundo filme também. Certo. Alguma vez os pais da Astrid foram mencionados? Não né? Eu queria colocar isso para que, gradativamente, o apoio que ela tem em Soluço aumente. Ela ficou três anos com a mãe (embora ela estivesse doente, ela estava lá) e então agora ela ficaria sozinha. Mas não sem Soluço. Outra breve explicação: Segue-se a história do primeiro filme, um pequeno espaço de tempo, e a história do segundo filme. Espero que tenham me entendido e não fiquem tão bravos comigo... Agradeço pelos comentários e também à Catelyn Everdeen por ter favoritado a fanfic. Muito obrigada meus anjos! Esse capítulo é bem legal. Personagens fofos a vista. Embora o próximo seja mais legal ainda. Mas a música, pela letra, é bem sugestiva. Nico & Vinz pessoal! Am I Wrong? Cá entre nós é o meu toque de celular. Eu espero que aproveitem, que gostem de verdade! E esse eu creio que seja o maior capítulo até agora. Link da música nas notas finais e até lá..

No dia seguinte, os vikings iriam fazer mais uma busca até o Ninho dos Dragões devido a uma determinação feita na Reunião da noite anterior.

Como tinha apenas 15 anos, não participava das reuniões. Porém deveria começar a participar. Acabei virando a única representante do meu clã.

E, além disso, era o primeiro treino dos jovens vikings para matar dragões.

Mas antes de tudo houve o funeral de Edilene Hofferson. Eu não derramei uma única lágrima. Uma sequer. Apenas lancei a minha flecha flamejante no barco dela. E fui embora.

Soluço foi o único a ir atrás de mim. Ele se pôs ao meu lado e caminhamos por um tempo. Ele não mencionou nenhuma palavra. Sabia que não adiantava nada falar qualquer coisa para me confortar.

E eu não olhei para trás uma única vez sequer. Ela havia escolhido me deixar. Embora não estivesse totalmente comigo, um pouco dela estava. E naquele momento nada mais restou dela.

–Você vai ao treino? – ele perguntou após um tempo. Fugindo totalmente do assunto.

–É claro, por que eu não iria ao treino? – eu digo. Acho que saiu um pouco mais rude do que eu queria que saísse. Ele se calou. – Desculpa – eu parei de andar. – Desculpa, você não deve receber a minha raiva. Não tem nada a ver com você.

–Não se preocupe, eu te entendo – ele me diz.

Eu sabia que ele me entendia. Afinal ele viveu 15 anos sem a mãe. Mas naquele momento eu não tinha ninguém.

–Eu vou sim ao treino – eu digo mais calma e ele sorri.

–Eu também vou – ele diz. Olho para ele espantada.

–Stoico deixou você ir? – ele assente. – Isso é muito bom! – eu exclamo e lhe abraço.

Ficamos assim por um longo tempo. Derramei ali uma lágrima solitária. Havia um conforto em seu abraço sem tamanho.

–Vamos lá? Iremos chegar atrasados – ele diz.

–Claro, vamos – eu respondo e nos separamos.

Eu enxugo discretamente a minha lágrima. Se ele notou não disse nada. Ele me conhecia o bastante para saber que não queria comentar sobre aquilo.

Nós vamos até a Academia, onde havia a Arena de Treinamento. Entramos juntos, mas os outros já haviam chegado lá. Eles conversavam algo sobre ficarem com marcas e mordidas. Eu revirei os olhos.

–Ah não, quem convidou ele? – Melequento perguntou.

–O pai dele quem sabe – eu disse.

–Talvez ele não chegue vivo ao final do treinamento. Isso vai ser um alívio para todos nós. – Melequento diz. Olho para ele com uma expressão desafiadora. – Você não gata, você vai sobreviver.

E essa era a novidade. Melequento dando em cima de mim. Eu particularmente planejava a sua morte por trás dele, com certeza. Apenas revirei os olhos e fomos para o centro da Arena.

–Bem Vindos novos vikings – Bocão diz. Ele também era o nosso treinador, além de ferreiro e outras coisas. – Temos aqui as piores espécies de dragões de todo Arquipélago. O Nader Mortal, com seus espinhos venenosos – Perna de Peixe murmurou algumas informações. – O Zíper Arrepiante e suas duas cabeças – novamente murmúrios. – O Terror Terrível – mais uma vez. – O Pesadelo Monstruoso, quer calar a boca moleque? – Perna de Peixe se calou e tremeu um pouco. – E o Gronckle – ele colocou a sua mão na alavanca que abria a cela.

–Bocão, você não vai treinar a gente primeiro não? – Melequento pergunta desesperado.

–Eu costumo pensar que nós só aprendemos na prática – ele diz desafiador.

Ele abriu a sela do Gronckle e o dragão saiu dela. Cada um correu para um lado. Eu fiquei ao lado do Soluço.

O Gronckle era de uma tonalidade de marrom e laranja. Parecia ter uma carapaça bem forte e resistente. Avaliei as possibilidades rapidamente.

–Rápido, qual é a primeira coisa que vocês irão precisar? – Bocão pergunta.

–Velocidade 5? – Perna de Peixe diz.

–Uma espada? Ou um médico? – Soluço pergunta. Ele parecia desesperado.

–Um escudo! – eu grito.

–Isso, peguem um e se protejam – Bocão diz.

Eu e Soluço pegamos os escudos e cada um correu para um lado. Infelizmente, parei ao lado do Melequento. Péssima escolha.

–E aí gata, eu andei malhando. Não quer dá uma passada lá no meu porão? Você tem jeito de quem malha – as cantadas dele eram realmente péssimas.

Eu saí correndo ao ver o dragão vindo em minha direção e ele perdeu o escudo.

–Idiota – eu disse.

–Melequento desclassificado. Os escudos servem para mais uma coisa. Fazer barulho. Isso desorienta os dragões – Bocão diz.

Nós começamos a bater em nossos escudos. Perna de Peixe e os gêmeos já haviam sido eliminados também, restava apenas eu e o Soluço, que ficamos no centro da Arena.

–Vamos lá Soluço – eu o encorajo.

–Não recebi esse treinamento na Clareira – ele responde.

–Nem eu – rolei para o lado. – Vai! – eu grito para que ele faça o mesmo.

Porém não deu tempo. O dragão o encurralou e ele foi obrigado a se encostar na parede. O dragão estava pronto para atacar.

–Não! – eu gritei e peguei o meu machado.

Bocão foi mais rápido e pegou o dragão pela boca.

–Vem cá sua coisa feia! – ele diz e eu corro até o Soluço. – Espero que tenham aprendido. Os dragões sempre atacam para matar! – ele retorna até a cela com o dragão.

–Você está bem? – eu pergunto a Soluço.

–Acho que ainda estou inteiro – ele diz. Eu sorrio e o ajudo a levantar.

Nós andamos para fora da Arena, e nos encaminhávamos até o Grande Salão.

–Não vou comer lá hoje. Meu pai não está em casa, mas eu posso cozinhar qualquer coisa para mim – ele diz e para de andar. – Vou ler o Livro dos Dragões. Talvez um pouco de teoria ajude como me ajudou com a esgrima. Quer dizer, mais ou menos me ajudou com a esgrima.

–Eu já li – eu digo. – Mas você vai ficar bem?

–E você vai ficar bem? – ele pergunta.

Ele encara os meus olhos. Ele sabia que eu não poderia mentir para ele.

–Ela não me amava. Se me amasse não teria me deixado. Nem agora, nem antes. Eu a odeio Soluço e nunca irei perdoá-la pelo o que ela foi capaz de fazer comigo.

–Você não pode pensar assim Astrid. A minha mãe me deixou por 15 anos e mesmo assim não tenho raiva dela.

–É diferente.

–Tem certeza que é diferente?

Eu me calo. Talvez aquilo fosse verdade. Mas não queria pensar naquilo. Eu iria me concentrar no treino e só. Se fosse pensar, não conseguiria me concentrar em mais nada.

–Até amanhã – eu digo. Ele suspirou.

–Até amanhã Astrid.

Eu fui para o Grande Salão e jantei por lá. Os dragões, incrivelmente não atacaram naquela noite, e não choveu. Isso era um milagre.

Talvez eles estivessem defendendo o ninho. Quem sabe os Hooligans tivessem conseguido chegar lá? Ou talvez não.

*****

No dia seguinte, haveria outro treinamento. Me encaminhei para a Arena sozinha. Suspirei. O ar gelado de Berk me envolvia e simplesmente me senti solitária.

Quem sabe Soluço tinha razão? Talvez não devesse ter raiva da minha mãe. Isso faria com que eu me sentisse mais solitária. Talvez.

Soluço. Outro assunto que me confundia. Eu não sabia mais o que eu sentia por ele. E isso me deixava muito nervosa. Não saber das coisas.

Entrei na Arena e ele já estava lá. Afastado de todos. Caminhei até ele, que sorriu. Ele estava muito calado. A Arena estava organizada como um labirinto. E Bocão fechou a porta quando Perna de Peixe entrou.

–Muito bem, hoje treinaremos com o Nader Mortal. Eles têm um ponto cego no meio dos olhos, mas tenham cuidado com a cauda. Espinhos venenosos.

Ele abriu a cela e subiu para nos observar do lado exterior da Arena. Eu e Soluço corremos juntos para o mais distante dele. Porém Soluço não estava realmente ali na Arena.

–Se concentra – eu digo a ele.

–Você já viu um Fúria da Noite? – ele pergunta. Olho incrédula para ele.

–Óbvio que não. Ninguém nunca viu. Mas se concentre no Nader agora.

O Nader nos achou e eu e ele abaixamos rapidamente. Melequento jogou o seu machado, mas passou por cima da cabeça dele. Eu ri.

–O que foi Astrid? Foi o sol! Quer que eu tape o sol agora – ele diz, tentando se justificar. – Até poderia, mas estou meio ocupado – o dragão estava correndo atrás dele. Ri internamente.

–Mas como se captura um Fúria da Noite? – Soluço perguntou para o Bocão. Eu revirei os olhos.

–Ninguém sobreviveu para contar história – ele respondeu. – Volta pra lá.

Ele veio em minha direção e eu disse para que ele se abaixasse. Obviamente eu não o ensinei a rolar nos treinamentos. E isso chamou a atenção do dragão.

Nós corremos em direção opostas e eu acabei escalando os labirintos para observar melhor. O dragão começou a derrubá-los e eu fui pulando em cada um dos corredores. Vi o Soluço embaixo e eu cairia em cima dele.

–Soluço, corre! – eu digo.

Ele demora um pouco para agir, mas ele saiu do caminho. Eu caio em pé no chão e arremesso o meu machado no dragão que saiu correndo.

–Muito bem Astrid – Bocão diz.

Eu coloco as mãos no joelho ofegante. Soluço estava ajoelhado no chão também ofegante.

–Está difícil ajudar você – eu digo.

–Nem me fala – ele responde. – Está difícil para que eu mesmo me ajude.

Naquela noite choveu muito. Muito mesmo. Então os dragões não atacaram. E nem Soluço apareceu para o nosso encontro na fogueira, que teve que ser coberta.

Estranhei esse fato. Ele sempre me informava que não iria. Afastei o pensamento relacionado ao fato de que algo poderia ter acontecido com ele. Mas esse mesmo pensamento não me deixou dormir a noite.

****

No outro dia de treinamento, Soluço me acompanhou até a Arena. Ele me disse que na noite anterior estava muito cansado e desanimado para ir até a fogueira.

Esse parecia não ser o motivo. Mas eu dei de ombros e continuamos andando. Descobriria isso, do contrário não me chamava Astrid Hofferson.

Chegando lá, só faltava nós dois. Bocão nos dividiu em duplas, e eu acabei ficando com a Cabeça Quente. O Cabeça Dura ficou com o Melequento e o Soluço com o Perna de Peixe.

Ele deu para cada um de nós um balde com água. Eu não entendi imediatamente o que faríamos, mas então ele abriu a cela e uma fumaça saiu de lá.

–Esse é o Zíper Arrepiante. Um dragão relativamente esperto. Uma cabeça solta gás inflamável e a outra solta a faísca que acende o fogo. Joguem a água na cabeça que solta faísca e ele não poderá atirar. Só basta descobrir qual é qual – Bocão diz.

Amava as dicas dele. Eram esclarecedoras.

Eu não enxergava nada dentro da fumaça. Eu e a Cabeça Quente estávamos de costas uma para outra. E então somos atingidas pela água. Vi Melequento e Cabeça Dura.

–Somos nós! – Cabeça Quente diz irritada.

–Desculpa se vocês parecem com dragões – Cabeça Dura diz, sempre carinhoso.

–Foi mal curvas dragonianas – Melequento diz. Eu e Cabeça Quente jogamos os nossos baldes neles, ficando também sem armas.

Quando o dragão apareceu, somente Perna de Peixe e Soluço estavam com o balde com água. Por falta de sorte, Perna de Peixe jogou água na cabeça errada. E Soluço ficou sozinho com as duas cabeças.

–Vai lá Soluço! – Bocão disse.

Ele jogou a água, mas não alcançou a cabeça.

–Soluço! – Bocão gritou pronto para correr até ele. Eu também queria correr até ele, mas ele fez algo impressionante.

–Para trás! – Soluço disse.

Ele avançou em direção ao dragão, que recuava cada vez mais. Parecia com medo do Soluço. Olhei espantada. Num instante o Zíper Arrepiante estava de volta à cela.

–Será que posso ir embora agora? – ele diz.

Eu sorrio. Quem sabe ele estava tornando-se como queria? Soluço saiu e depois de eu sair do meu estado de espanto fui atrás dele.

Porém ele não foi para casa. Ele adentrou a floresta com uma grande cesta nas costas. Eu estranhei, mas continuei o seguindo.

Depois de um tempo, reparei que estávamos perto da Clareira. O meu primeiro pensamento foi de que ele estava treinando novamente. Talvez com outra pessoa.

Ele usava uma espécie de casaco de couro. Continuei o seguindo e ele não reparou em mim. Ele desceu a Clareira e eu o segui. E então eu vi o motivo de Soluço estar tão estranho. Tão inquieto.

Era um Fúria da Noite. Um Fúria da Noite em minha frente. E o pior de tudo era que o Soluço parecia estar cuidando dele. O pior de tudo era que parecia que eles eram amigos.

Coloquei minha mão em minha boca, impedindo-me de gritar. Soluço reparou em mim e sorriu. Um sorriso terno e confiante. Apenas ele teria tal confiança em um dragão. Só ele seria louco o bastante.

–Não deveria ter me seguido senhorita Hofferson – ele me diz.

–Quem te impediria de fazer loucuras? – eu digo.

–Estou errado de não ser como os outros? – ele diz e sorri. Ele teria muito o que me explicar.

Am I wrong for thinking out the box

From where I stay?

Am I wrong for saying that I choose another way?

I ain't trying to do what everybody else doing

Just cause everybody doing what they all do

If one thing I know, I'll fall but I'll grow

I'm walking down this road of mine

This road that I call home

Estou errado por pensar diferente dos outros

De onde eu venho?

Eu estou errado por dizer que escolho outro caminho?

Eu não estou tentando fazer o que todo mundo faz

Só porque todos fazem a mesma coisa

Uma coisa eu sei, irei cair, mas eu vou crescer

Eu estou andando por este caminho que é meu

Esta estrada que eu chamo de casa

Notas finais
É isso aí queridos. Banguela fazendo suas aparições, Astrid confusa, Soluço sendo irônico... Façam suas apostas para o que acontecerá no próximo capítulo! Postei cedo hoje, porque tenho tanto a fazer que penso que não conseguiria postar mais tarde. E espero que tenham gostado. Ah, antes que me perguntem sobre a raiva da Astrid... Espero que não a julguem. Esperem ela crescer mais um pouco e amadurecer mais os seus pensamentos quanto a isso. E também se coloquem um pouquinho no lugar dela... Espero realmente que tenham gostado, que estejam ansiosos para o próximo capítulo e que continuem gostando da fanfic. Um beijo docinhos, Temp