A Promessa (Hiatus)
9 Preview - Capítulo 08
Notas iniciais
– Esse corpo é realmente fantástico – Zeref proferiu enquanto desferia golpes de luta no ar – Nem se compara a aquele inútil anterior.
– Sabia que seria de seu agrado meu mestre – Ultear permanecia ajoelhada enquanto esperava as novas instruções dele, apesar de já ter certeza de que iriam atrás da garota que ele tanto queria.
– Creio que não seja humano – parou para observar a mulher no canto do quarto.
– Não, é um draconiano.
Ele pareceu pensar enquanto analisava as palmas das mãos.
– Como Natsu Dragneel?
– Natsu é mais forte, meu mestre.
Zeref suspirou derrotado. Seus poderes eram mínimos na atmosfera terrestre e caso tivesse a oportunidade de lutar com o garoto insolente que obtivera uma dádiva pelas mãos da sua amada Mavis, queria espanca-lo até seus ossos saírem para fora da pele.
Sim, os deuses são criaturas ciumentas e violentas.
– Nesse caso, vamos pegar a princesa de uma vez.
...
Natsu retirava as ataduras com extremo cuidado.
Lucy não pôde evitar revirar os olhos enquanto ele as removia com tamanha leveza, ela já havia dito que não estava sentindo mais nada no local do machucado e mesmo assim estava sendo tratada como uma criança, ou pior, como uma princesinha.
Desviou os olhos para a grande janela do quarto. Os últimos raios do sol adentravam timidamente e lhe tocavam com suavidade. O céu alaranjado era uma coisa incrível de se ver e sorriu grata por estar ali e poder apreciar coisas tão magnificas como essas.
Enquanto ela mantinha-se absorta Natsu estava perplexo. Onde deveria ter uma enorme marca de cirurgia tinha apenas uma fina cicatriz um pouco lilás por ainda ser muito recente.
Como era possível que ela se curasse mais rápido que ele?
Natsu levava em média de dois a três dias para obter uma cicatrização perfeita e Lucy praticamente no mesmo dia estava curada.
Semicerrou os olhos lembrando-se do primeiro dia em que Lucy estivera no vilarejo, ela tinha marcas nas costas praticamente abertas pelos castigos severos no castelo. O que havia mudado desde que ela chegara ali?
Afastou esses pensamentos lembrando-se das últimas palavras de Polyuska para ele. “Conversem sobre as suas diferenças”. Ele sabia que tinha que falar logo antes que maisalguma coisa atrapalhasse como na última vez.
– Princesa – chamou-a decido a finalmente contar o que era. Sentiu a ansiedade aumentar quando ela virou o pescoço para olhá-lo – Aquilo foi estupidez, por que você se atirou entre mim e uma espada?
– Não queria que você morresse – disse abaixando os olhos.
Natsu se sentiu culpado, mas ao mesmo tempo indescritivelmente feliz.
– Luce eu não posso morrer – afirmou com convicção.
– É o que todos dizem, mas eu vi acontecer.
Ele franziu o cenho confuso.
– Viu?
– Quando você foi me buscar no castelo eu também já tinha visto. É algo que eu não consigo evitar, mas também não posso fazer por vontade própria. Algumas vezes as estrelas guiam meus sonhos e me trazem fragmentos de um futuro próximo. Coisas relacionadas a mim. Eu vi a espada da Erza atravessar seu coração – ela pousou a mão no peito dele, sentindo o órgão vital bater compassadamente – Seria impossível você sobreviver.
– Mas e se você morresse? – tocou a face dela – Como eu poderia continuar vivendo... Sem você?
Ela sorriu. Um sorriso tão doce e sincero que ele chegou a sentir um aperto no coração.
– A mesma coisa vale para mim Natsu.
– Só que é diferente, eu realmente não posso morrer. Era isso que eu queria te contar ontem, mas não sabia ao certo como falar pra você, eu na realidade... – Natsu sentiu uma pontada aguda súbita no peito e se inclinou apertando-o ofegante. Sentia-se quente, mais que o normal, mais que o fora do normal.
Olhou o céu do fim de tarde e ao mesmo tempo em que o sol desaparecia por detrás das montanhas os feixes de luz vermelhos invadiam o espaço que deveria ser azulado. Pressionou os olhos sentindo a visão ficar turva, posicionou as mãos uma de cada lado da cabeça apertando-a com o máximo de força que podia tentando estancar aquelas sensações que tentavam tomar conta de si.
Ele tinha esquecido que a primeira noite estava chegando.
Lucy observou-o completamente confusa.
– Natsu? — fez menção de tocá-lo, mas foi impedida por ele no meio do caminho.
Ela arfou quando a mão de Natsu envolveu seu pulso com força e sentiu um frio lhe percorrer o corpo quando ele levantou os olhos para olhá-la, olhos tão negros como ela jamais havia visto.
De alguma maneira insana ele pareceu estranhar a presença dela ali, como se a estivesse vendo pela primeira vez, era como se aquele não fosse o Natsu de alguns segundos atrás.
Um misto de surpresa e excitação a invadiu quando foi puxada sem o mínimo de delicadeza de encontro a ele, sua mão direita agarrou o ombro definido com firmeza enquanto seu corpo tentava se encaixar da maneira menos incômoda nos braços fortes de Natsu.
Seu coração acelerou subitamente quando Natsu começou a cheirar seu pescoço compulsivamente. “Um tanto quanto estranho”. Ela pensou, mesmo achando a sensação estimulante.
– Princesa – ele chamou com a voz rouca em um tom nítido de adoração – Isso pode doer um pouco.
E o grito agudo ecoou pelo quarto. Talvez pela casa inteira. Ou até mesmo, por todos os cantos do vilarejo.
Se nada a tinha assustado até o presente momento, ali estava uma novidade arrebatadora.
Natsu a havia mordido. Com tanta força que ela pôde sentir a pele rasgando, afundou as unhas no ombro dele — o que aparentemente ele tinha gostado — enquanto seus olhos se apertavam enchendo-se de lágrimas.
Com os olhos marejados, observou Natsu a encarando com os lábios e o pescoço ensanguentados. Podia sentir o líquido quente escorrer pela clavícula enquanto um calor estranho pairava no local machucado.
A dor era extrema e com ela pulsava algo a mais. Lucy não soube identificar o que era aquele novo sentimento, mas se fosse para definir em palavras, seria algo aproximado a um anseio por submissão. Como se ela quisesse ser inteiramente dominada por ele. Um sentimento animal e selvagem na opinião dela.
E então ele a beijou. O gosto de sangue lhe invadindo a boca, estranhamente era bom, Natsu soltou seu pulso para que pudesse envolver a cintura fina e delineada de Lucy, enquanto suas mãos subiam até os fios róseos segurando-os com firmeza.
Como se Lucy fosse extremamente leve ergueu-a encaixando o corpo dela com certa brutalidade em seu colo.
– N-Natsu – ela chamou enquanto recebia beijos ardentes no pescoço e afundava os dedos finos nos fios róseos do cabelo dele.
Ele separou-se dela tocando sua nuca com firmeza e puxando-a para que colassem suas testas sem cortar o contato visual nem por um instante.
– Você não faz ideia do quanto eu te quero e hoje de uma vez por todas você será inteiramente minha.
Fale com o autor