A Promessa (Hiatus)

3 Capítulo 02 – Fire Attack


Capítulo 02 – Fire Attack

I do not want to die inside just to breathe in

Cut | Plumb

Natsu estava fascinado.

Quando Gajeel apontou a garota parada na sacada e gritou que era ela, ele esperava menos. Mas superando as suas expectativas ela era incrivelmente linda, não o admirava nem um pouco que fosse desejada por um Deus. Até ele estava se sentindo tentado. Tentado a ficar com ela para si.

Não soube ao certo quanto tempo ficou olhando estático, apenas tinha certeza de que ela também estava vidrada nele e por mais que esperasse encontrar olhos temerosos, a única coisa que pôde notar era que eles transbordavam conformidade. Como se ela soubesse do que estava por vir, como se fosse natural aquela bagunça toda. Tinha pensado em alguma frase sarcástica qualquer para falar quando a encontrasse, mas nada lhe vinha à mente.

Estava tão perdido em si mesmo só percebeu a flecha que vinha em sua direção quando ela já tinha perfurado completamente seu ombro direito.

– Aaah que droga! – gritou quebrando o pedaço fino de madeira que estava pra fora do seu corpo.

– Natsu, seu idiota – Gray, o possível melhor amigo parou do seu lado – Isso é um campo de batalha, presta atenção cara. Não é hora de ficar distraído.

– Tanto faz – disse incendiando tudo ao seu redor – Eu vou busca-la.

–Certo.

– Princesa você deve fugir – Virgo a puxou pelo braço indo em direção ao corredor principal. Ela não contestou, mas a ‘fuga’ não durou nem dois minutos, ao descer as escadas um homem se pôs diante delas agarrando Lucy.

– Virgo vá – ela disse para a criada que estava sem reação.

– Mas princesa...

– Vá, eu ficarei bem – mal terminou a frase e foi atirada em um espelho que ficava no saguão caindo no chão em meio aos cacos afiados.

– Sem sobreviventes – o homem disse erguendo-a pelo pescoço.

Ela se debatia desesperada, mas isso só o fazia apertar mais a sufocando. Ela pensou que fosse o fim, iria morrer sem dúvidas. Relaxou o corpo, não tinha mais o que pudesse fazer. Para a sua surpresa uma mão atravessou o peito do homem fazendo-o solta-la bruscamente. Ela observou atônita, ainda meio grogue a mão ser puxada de volta, desta vez segurando o coração daquele corpo que despencava ao seu lado.

– Lucy Heartfilia? – aquela voz a fez estremecer, era tão... Firme.

– Sim – seus olhos permaneceram fixos um no outro.

– Você vem comigo.

{...}

Estavam andando há horas.

O silêncio era tão perturbador, que chegava a ser mais incômodo do que os cortes e machucados que ainda sangravam. Esse pensamento vinha dos dois lados.

As correntes começavam a esfolar a pele da loira trazendo um misto de dor e agonia, afinal para onde ele a estava levando? Tudo parecia igual naquela maldita floresta. E ela caiu, pela milésima vez, mas diferente das outras vezes não se levantou.

– Eu estou cansada – disse recebendo a atenção dele para si.

– E eu não me importo com isso.

– Por favor, eu nunca saí do castelo, não tenho...

– Já disse que não me interessa – gritou – Não estou te levando pra dar uma voltinha garota.

– Você poderia ao menos me soltar? Isso está machucando – mostrou as escoriações nos pulsos.

– Não.

– Você é desprezível – disse no melhor tom de nojo que conseguiu.

– Você não faz ideia do quanto, agora levante antes que eu comece a te arrastar e não vai ser uma brincadeira muito divertida pra você – sorriu de lado com a careta que ela fez antes de se levantar e começar a andar novamente.

– Como se fosse fácil andar com esse vestido enorme – desenroscando-se de um pedaço de galho.

– Não seja por isso – se aproximou rasgando a parte de baixo deixando suas pernas nuas das coxas para baixo, ela grunhiu em protesto – Melhor agora princesa?

– Sim, muito obrigada – sarcástica.

– É melhor ficar quieta antes que eu resolva arrancar sua língua.

Lucy decidiu que depois dessa declaração seria melhor que não falasse mais nada.

Já era dia novamente quando eles chegaram a um estranho vilarejo, por um momento ela achou que não havia nada ali, mas todas as casas apareceram instantaneamente. Deduziu que ou fosse ilusão de ótica pelo cansaço ou aquele lugar tinha uma espécie de barreira mágica.

Algumas pessoas a olhavam assustadas e outras até fizeram reverências por respeito ao seu título. Não que ela pudesse ver, pois ele estava de costas, mas Natsu fazia questão de revirar os olhos cada vez que alguém se manifestava em relação a ela.

Puxou a garota para dentro de uma das casas e sem mencionar nada saiu arrastando-a pelos cômodos estreitos. Abriu uma porta qualquer e a jogou na única cama do local.

– Bem vinda aos seus novos aposentos princesa. Espero que aproveite a sua estadia — e saiu.

Ela pôde ouvir a porta sendo trancada e manteve-se deitada. Estava tão cansada que nem se importava com onde estava ou de como estava, apenas queria dormir e foi o que fez.