A Profecia dos Dois Irmãos
1 Prólogo: "A Profecia"
Anadarin, o governante de Komonar, recebeu aflito a presença de Karhuel, sumo-sacerdote da deusa Hyllin. Ouvira histórias de seus feitos e do tamanho de seu poder, e também haviam lhe contado que Karhuel quase nunca deixava Enorim, cidade onde Arcanem se erguia com imponência. Somente o fizera três vezes em sua existência, que mostraram-se momentos de grande catástrofes para aquele mundo.
Karhuel adentrou as portas daquela câmara imensa onde, ao final, encontraria-se com Anadarin. O tapete verde se estendia das portas ao trono do governante e, pelo caminho, grossos pilares se erguiam do chão de pedra e sustentavam aquele teto escurecido. Com o caminhar lento e paciente, sabia que apressar-se para revelar a Anadarin o que guardava consigo em um pergaminho não faria mudar o que aconteceria. Seu robe era o único som que podia ser ouvido, arrastando pelo tapete, até alcançar o final da câmara. Já estivera naquele lugar antes.
"Ouvi dizer que o supremo sacerdote de Hyllin carrega consigo uma profecia de destruição e tormenta para o nosso povo. Isso é verdade?" apressou-se Anadarin, sem poder conter toda a sua fantasia de que tamanho de destruição os rumores se tratavam.
"A deusa Hyllin desceu de sua morada para alertar o nosso povo sobre o fim de Arcanem.", começou Karhuel.
Anadarim arregalou os olhos e, sem perceber, prendeu a respiração. Não imaginava que a destruição seria justamente da Grande Arcanem. Além de gerar uma força militar para Komonar, era fonte da maior movimentação da economia do reino, quando pessoas de todos os lugares partiam de seus lares em direção à Komonar para estudar as artes mágicas. Sabia também que, sem Arcanem, o reino de Goderon teria poder suficiente para derrubá-lo, e não adiantaria poderio bélico contra aquelas criaturas abissais.
O sumo-sacerdote continuou:
"Profecias nem sempre nos trazem as informações mais importantes: quem, como e quando." Karhuel segurou o seu pergaminho e o desenrolou com as mãos, para que pudesse revelar seu conteúdo a Anadarin.
"Arcanem deixará de ser o que haveria de ser e se transformará em um monte de ruínas. O feiticeiro Eddrys, da horda de Rarda, se erguerá em meio aos vossos e tocará um jovem que será o seu grande triunfo em nossa era. As chamas se erguerão em Enorim e se espalharão até que Komonar se desfaça nas cinzas de seu novo domínio. Essas foram as palavras da Grande Hyllin."
As palavras de Karhuel ecoaram pelo salão e fez-se o silêncio do mau presságio. Rarda era o temido deus que trazia destruição e libertava os abissais no reino de Goderon, lembrava-se Anadarin. Sabia também que lutar contra uma profecia era impossível, e que qualquer movimento que fizesse seria parte dela, como outrora já acontecera.
O sumo-sacerdote enrolou novamente o pergaminho, ajeitou-se em seu robe, virou-se para as portas daquele salão e começou a caminhar em seus passos lentos. Não parecia temeroso, assustado ou sequer aflito como Anadarin estava naquele momento, ao procurar alguma esperança nas palavras de Hyllin.
As portas do salão se fecharam e Karhuel sumiu de sua vista.
O destino de Komonar estava selado e Anadarin nada podia fazer. Por ora.
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