A Profecia dos Anjos
3 Vida Agitada - POV Bella
Notas iniciais
Dezessete anos depois...
Todos sabem que ser adolescente não é fácil, agora ser uma adolescente com grandes poderes é muito pior. Quando tinha dez anos discuti com uma menina da minha escola e quando ela me chamou de aberração meus olhos chocolates ficaram com a tonalidade do azul celeste e acabei deixando a menina em transe quando ela me encarou... Acabei descobrindo naquele mesmo dia que minha mãe era um anjo que desistiu das asas pelo meu pai que era humano e por causa da profecia que dizia que uma humana com alma e os poderes de um anjo nasceria em meio à guerra decidiria o destino das almas do planeta, ela teve por proteção a Charlie e a mim que se distanciar do meu pai que não sabia o segredo da minha mãe e desde então venho treinando para controlar os meus poderes para os demônios não me acharem.
Daquele dia em diante, as visitas ao meu pai se tornaram menos frequentes por medo de que algum demônio ou vampiro descobrisse que ele era o pai da escolhida e o matassem ou torturassem para saber o meu paradeiro. Tenho muitas saudades dele e da cidade de Forks que apesar de ser chuvosa é onde eu me sentia mais humana e não uma aberração com super poderes e outras coisas.
Estava deitada em minha cama perdida em pensamentos quando escuto a voz da minha melhor amiga e irmã de alma me chamando.
-Bellinha acorda, o dia está muito lindo para você ficar dormindo até tarde. – disse Kênia saltitante e abrindo a cortina fazendo a claridade do sol atingir o meu rosto.
-Hoje é sábado Kênia, me deixa dormir mais um pouco vai, ainda to muito cansada por causa do treinamento de ontem. – disse resmungando tentando esconder o rosto no travesseiro, os treinamentos estão cada vez mais puxados, a cada mês um arcanjo desce para me ajudar a controlar os meus poderes até conseguir ocultá-los.
-Mais um motivo para irmos ao shopping, você precisa relaxar e temos que dar uma repaginada no seu guarda-roupa. Por favor, Bellinha você está precisando. – disse ela puxando a minha coberta, lancei um olhar mortal em sua direção que nem se importou
Respirei fundo pensando em sua proposta, ela e a May sabem melhor do que ninguém me convencer de alguma coisa, principalmente quando elas fazem aquela carinha de cachorro que caiu da mudança.
-Está bem, eu vou. – disse me rendendo completamente a sua proposta.
-Além de mim e da May, quem mais vai? – disse levantando da cama e indo em direção ao banheiro, para fazer a minha higiene.
-Sabia que você ia conosco. – ela disse toda alegre me abraçando fazendo com que eu revirasse os olhos e risse, ela sempre foi doidinha assim mesmo. -Chamei a tia Anna e a Tia Renée e elas também querem ir.
Assenti e terminei de fazer a minha higiene, fui em direção ao closet e peguei um vestido jeans tomara que caia que a May me deu e uma sandália de salto, ela tem um senso de moda que eu amo, por isso quando terminar o ensino médio ela fará faculdade de moda, ela sempre diz que eu e a Kênia somos as suas cobaias desde cedo. Ri com esse pensamento e desci em direção a cozinha para tomar um café reforçado para aguentar a maratona de compras com as minhas irmãs, e encontro as quatro na mesa conversando e comendo.
-Bom dia a todas! – disse beijando o rosto da minha mãe e sentando ao seu lado.
-Bom dia meu anjo, você está bem? – minha mãe perguntou preocupada, ela sabia como os treinamentos eram puxados.
-Estou sim mãe, só um pouco cansada, mas nada demais. – disse dando de ombros.
-Ainda bem que você resolveu ir com a gente, pensei que teríamos que arrastá-la para o shopping. – disse May animada com a tarde de compras.
-Isso mesmo May, nada melhor que uma tarde de compras para esquecer o estresse, e podemos ir ao cinema depois, o que acham? – Kênia falou com a mesma animação da irmã, essas duas quando dão às mãos o mundo acaba. Assenti com a cabeça, mordendo uma torrada e quando pensei em responder sinto uma presença atrás de mim que foi logo respondendo por mim.
-Eu acho uma ótima idéia, vocês precisam se distrair. – disse Gabriel aparecendo na cozinha assustando as quatro e me fazendo rir, ele adora fazer isso conosco e para a infelicidade dele eu não me assusto tão facilmente mais.
-Ai Gabriel você poderia pelo menos tocar a campainha? Assim evita de irmos parar no hospital por causa de um ataque cardíaco, e você Bella podia ter avisado que ele estava aqui. – tia Anna resmungou e se levantou da cadeira nos fazendo rir.
-Desculpa tia, ele apareceu rápido demais e não deu tempo de avisar. – falei controlando o riso enquanto ela me lançava um olhar mortal.
-Desculpe se te assustei Anna, às vezes esqueço que só a Bella e a Kênia podem sentir a minha presença mesmo ocultando meus poderes. Mas voltando ao assunto será muito bom saírem para passear, desde o ataque dos caídos perto da cidade vocês andam apreensivas, principalmente você Kênia que fica vigiando cada brecha do universo atrás de futuros ataques deles e sem contar que os treinamentos da Bella estão mais puxados desde que ela conseguiu abrir o escudo mental. — disse Gabriel dirigindo o olhar em minha direção. -Raphael já voltou para o céu?
-Sim, ele voltou depois que o treinamento acabou, disse que precisava conversar com Uriel sobre o meu escudo, ele falou alguma coisa sobre eu ser capaz de proteger a mente de outras pessoas. – dei de ombros, meus poderes são mais fortes do que de todos os arcanjos juntos, mas a maior dificuldade é fazer com que eles escutem os meus pensamentos, todos os anjos têm esse escudo e só os arcanjos conseguem penetrar nele, mas comigo isso não acontece, pois meu escudo é tão forte que nem os sete arcanjos juntos conseguiram penetrá-lo.
-Você sabe de alguma coisa sobre isso? – perguntei tentando parecer despreocupada, esse assunto sempre me deixa nervosa.
-Estávamos conversando sobre isso depois que Miguel veio lhe ensinar a lutar e você se enfureceu com ele e foi nesse dia que você deixou os seus poderes vir à tona totalmente. Ainda não entendi o que realmente aconteceu naquele dia.
-Ele começou a falar umas coisas sem sentido e aquilo me irritou tanto que senti as barreiras do meu poder se expandir e meus olhos assumiram a tonalidade azul igual ao seu, sinceramente Gabriel não vejo motivo do Miguel me ensinar o combate corpo a corpo, você podia fazer isso, é o que mais fica na terra. – falei com a voz levemente irritada, o fato de eu não gostar do Miguel é a raiva que ele sente em relação a mim, para ele quem deveria carregar os poderes que tenho teria que ser um arcanjo, especialmente ele, e não uma mestiça como eu. Por conta disso ele fica menos tempo que os outros, e agradeço muito por isso.
-Você sabe que seria muito complicado para você mesma, o treinamento comigo é mais puxado do que com os outros, mas me diz, que coisas ele falou?
Pronto, agora eu entrei numa fria, se eu contasse a ele o que Miguel pensa teria uma briga sem fim entre os arcanjos e a última coisa que quero é isso, se a coisa já está difícil com os demônios imagina se eles brigassem entre si?
-Nada com que você deva se preocupar, você sabe que se ocuparmos o mesmo espaço trocamos muitas palavras de “carinho”. – desconversei e torci para que Gabriel não perceba a meia verdade que falei, sou uma péssima mentirosa e ele sabe muito bem quando estou mentindo.
-Isso é verdade, mas se acontecer alguma coisa, por favor, me conte, o Miguel tem andado muito estranho ultimamente. – agradeci mentalmente por ele ter acreditado.
-Tudo bem Gabe, às vezes não é nada de mais. – disse tentando passar confiança para ele, também tenho notado o Miguel muito estranho não só comigo o que é normal, mas com todos a sua volta e espero que ele não faça besteira.
-A conversa está muito boa, mas temos um passeio no shopping para realizar, vamos Bella depois vocês conversam mais, afinal quem vai treinar com você será ele. – disse May me puxando da cadeira, fazendo Gabriel rir.
-Isso mesmo, vai lá, e se prepare que desta vez você não me ganha. – disse rindo lembrando-se da última vez que ele veio para colocar todos os ensinamentos em prática e testar os meus poderes.
-Daquela vez você quase ganhou e não vou deixar você me ganhar, tchau Gabe. – disse enquanto era puxada para fora de casa e na porta escuto a sua risada.
-Veremos Isabella, veremos. – ele riu me fazendo revirar os olhos e rir o acompanhando. -Bom passeio.
-Obrigada! – saí de casa e fui em direção ao carro acompanhada por minha mãe, tia Anna e a dupla encrenca.
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