Quando as portas fecharam, a luz diminuiu consideravelmente.

Do lado de fora, o mundo se anunciava em gelo, luz branca e um silêncio tão vasto que ate mesmo os passos dela soavam como invasão indevida da galáxia. Pelos arquivos, Ilum sempre lhe parecera um lugar quase abstrato — um planeta de provação, de cristal, de neve e de chamado. Na prática, porém, quando a rampa se abriu e o ar frio entrou com violência suficiente para cortar até o pensamento, Rum’ea percebeu que “abstrato” não era exatamente a palavra certa. Ilum era agudo. Ilum era limpo demais. Ilum parecia um lugar onde qualquer coisa desnecessária seria arrancada de você pelo frio antes do segundo passo – quer fosse pensamento, intenção, dúvida ou a própria pele.

Ela apertou melhor as vestes térmicas do Templo contra o corpo e seguiu. Não havia younglings em clã, nem instrutor à frente, nem a estrutura cerimonial que normalmente acompanhava a colheita de kybers mais cedo na formação Jedi. Rum’ea ia sozinha, e isso já dizia muito sobre ela e sobre o caminho torto pelo qual chegara à Ordem — tardia demais para os ritos das crianças, nova demais para algumas coisas, velha demais para outras, improvisada em espaços onde quase todos haviam sido moldados cedo. Ainda assim, não estava exatamente só.

Tarla estava em Coruscant. Ela o sentia pelo vínculo como uma presença firme, distante apenas em geografia, nunca em acesso verdadeiro. Não estava fisicamente ao lado, e não era capaz de atravessar o gelo e segurá-la pelo braço se escorregasse, mas estava ali. Antes de ela entrar nas cavernas, porém, ele reduziu o vínculo a algo mais estreito e controlado. Não o fechou por completo. Apenas o afinou até restar conversa — pensamento e resposta, sem emoções escorrendo de um lado para o outro, sem imagens acidentais, sem o lago dele ondulando com os pensamentos dela, sem a estática dela estalar dentro dele. Era a escolha prudente.

Vou deixar só a parte da fala, disse Tarla. Se algo no local tocar a Força de modo estranho — e provavelmente vai — é melhor que tenhamos menos ruído misturado.

Rum’ea olhou para a entrada da caverna, negra no meio do branco brutal de Ilum.

Então, se eu entrar em pânico, você vai soar como um relatório?

A intenção é evitar que meu pânico e o seu decidam conversar entre si.

Isso parece profundamente pouco romântico para uma provação mística.

Posso tentar uma frase de incentivo se preferir.

Pode.

Houve um pequeno intervalo, e então veio a resposta dele, limpa demais, sem a textura emocional que normalmente a acompanharia:

Vá e retorne com um cristal. De preferência sem congelar até a morte. Isso reduziria a burocracia.

Rum’ea parou. Depois franziu a testa para o ar vazio.

Isso foi uma piada?

Sim.

Horrível.

Ah. Aparentemente, sem emoção, a piada perde parte da estrutura cômica.

Ela não tinha estrutura para começar. Ou comicidade.

Anotado.

Mesmo assim, o canto da boca dela quase se mexeu. Só um pouco.

Então Rum’ea entrou.

As galerias de Ilum não eram apenas cavernas. Eram uma sequência de respirações contidas em pedra e gelo. O ar ali dentro parecia mais fino, mais atento. O chão variava entre superfícies lisas demais e áreas ásperas onde cristais embutidos na rocha capturavam a pouca luz e a devolviam em reflexos pálidos, frios, quase azuis. O som dos próprios passos parecia inadequado naquele lugar. Rum’ea caminhava com cautela, a respiração se tornando visível em pequenas nuvens, as mãos frias apesar das camadas de tecido, os olhos atentos a cada bifurcação.

Ela tentou ouvir o chamado.

Era isso que os arquivos descreviam, afinal. O chamado do kyber. O cristal esperando. A sintonia. O encontro quase místico entre quem procura e o que responde. Younglings eram levados em grupo, depois separados, e cada um seguia aquilo que conseguia perceber por causa da provação: uma luz, uma música, uma intuição, uma direção que se tornava certa no corpo antes de ser certa na mente.

Rum’ea, porém, vivia em outro tipo de mundo interior — para ela, não havia um chamado. Havia ruído.

Não ruído comum, ou pelo menos não exatamente. Havia o zumbido constante que aprendera a conviver desde Kyrmora, como se o universo inteiro mantivesse uma reverberação de fundo que outros não ouviam. Havia notas limpas demais, muito baixas, quase subterrâneas. Havia sensação de tinido dentro da própria percepção da Força, vibrações espalhadas em todas as direções, como se cada galeria emitisse seu próprio quase-chamado. Rum’ea parou no meio de uma passagem estreita e fechou os olhos, tentando distinguir alguma coisa singular, mas nada singular veio.

Tarla.

Sim?

Todo lugar daqui parece estar tentando me dizer alguma coisa ao mesmo tempo.

A caverna possui provações. Você sabe disso.

Isso não ajuda em nada.

Concordo. Mas é uma frase verdadeira.

Você sem emoção é irritantemente eficiente.

Outro efeito colateral.

Rum’ea abriu os olhos e continuou. Ela seguiu por um corredor, depois por outro, parando às vezes não porque sentisse um chamado mais forte, mas porque algum trecho parecia menos insuportavelmente cheio de reverberação. O gelo nas paredes parecia respirar luz. Havia galerias mais baixas, outras que subiam, algumas tão estreitas que ela precisou virar de lado por alguns passos. E, o tempo todo, aquele fundo incessante. Sussurros sem língua. Tons sem dono. O mundo chamando demais.

Até que deixou de chamar.

Rum’ea virou o rosto para uma abertura lateral e congelou — não porque algo lhe atraísse, mas porque ali havia silêncio.

Silêncio completo.

Não era a ausência relativa do restante da caverna. Era uma suspensão tão absoluta que quase parecia uma entidade própria. O corredor não emitia nada — não reverberava, não insistia, não zumbia. Era como se tivesse prendido a respiração quando ela o olhou. A falta de som foi tão marcada que, por um instante, Rum’ea sentiu o corpo inteiro inclinar-se na direção dele.

Tarla.

Sim?

Eu não encontrei um chamado.

O que encontrou?

Ela continuou olhando para a passagem.

Silêncio.

Houve uma breve pausa do outro lado do vínculo.

Incomum, respondeu ele.

Ouço isso com frequência.

O corredor silencioso descia em curva suave, e a própria ausência de reverberação parecia desenhar o caminho. Ela foi mais devagar ali do que antes. Cada passo soava mais baixo, como se a caverna os recebesse sem devolução. O frio era o mesmo, a luz talvez um pouco mais rara, mas a sensação mudara. O silêncio não era vazio — era concentrado.

Quando a galeria enfim se abriu, Rum’ea chegou a uma espécie de clareira interna. O teto era mais alto ali, como se a própria caverna tivesse recuado alguns metros para criar espaço. Cristais menores brotavam em grupos nas paredes, sem cor definida, apenas transparência fria. O chão era irregular, com placas de gelo antigo entre afloramentos minerais. E o local inteiro permanecia silencioso… Até que os olhos dela passaram por um ponto específico.

Uma nota.

Limpa.

Constante.

Não vinda por toda parte. Não misturada a todas as outras, finalmente. Uma nota única, sustentada, tão simples que Rum’ea parou imediatamente.

Ela virou o rosto devagar. Ali, em uma pequena fenda da parede, entre gelo e rocha, havia um cristal.

Não era o maior da clareira, nem o mais perfeito, definitivamente não o mais bonito segundo critérios de joalheria ou de arquivo. Não tinha cor. Ou, talvez, tinha apenas a promessa de uma cor futura, ainda indecisa, preso entre transparência e luz imóvel. Era pequeno o bastante para caber inteiro na palma da mão, irregular numa das extremidades, como se tivesse crescido sem se preocupar em impressionar ninguém.

Mas a nota saía dali.

Rum’ea se aproximou com passos lentos. A mão dela ergueu-se não para arrancá-lo, mas para esperar. Não sabia porque o fazia, mas parecia certo – melhor do que arrancar algo vivo do seu lugar. Os dedos ficaram a alguns centímetros da fenda, a respiração presa, o corpo inteiro em uma espécie de reverência instintiva que ela não teria sabido reproduzir se pedissem.

O cristal não despencou — caiu como se confiasse. Como se tivesse estado apenas aguardando a mão certa sob si.

Rum’ea o recebeu com um pequeno som involuntário preso na garganta.

Por um instante, só olhou.

A Força não a renegara.

A Força não a esquecera.

Mesmo com estática. Mesmo com interferência. Mesmo com Kyrmora inteira agarrada à assinatura dela como poeira antiga. Mesmo chegando tarde, entrando sozinha, ouvindo o mundo errado demais para achar um chamado como os outros achavam. O cristal era dela — não por prêmio, nem por concessão ou por pena. Por pertencimento.

Quando o kyber tocou a pele dela, o vínculo explodiu em abertura.

Um ponto inesperado cedeu ao mesmo tempo dos dois lados, e as portas internas se abriram em algum lugar que nem Tarla nem Rum’ea haviam percebido que existia. Imagens vieram em flashes, lado a lado, como se a própria Força emparelhasse memórias por afinidade profunda demais para ser coincidência.

Um menino em silêncio dentro de uma caverna de gelo durante a Vigília, o rosto ainda redondo de criança, cabelos castanhos sem um único fio grisalho, olhos verdes levemente caídos nos cantos erguidos para o céu onde três luas pairavam. Ele se perguntava como seria ter só uma.

Uma menina chorando sem entender o que havia de errado com ela, o que havia de errado nela, o que havia nela que fazia entender coisas que não deveria, sentir coisas que não deveria, ver coisas que não deveria, saber coisas que não deveria — e apanhar por isso, e ser chamada de mau agouro, de erro, rezando para alguma divindade local que tirasse aquilo dela ou que alguém a encontrasse. Ninguém encontrou.

Um homem já alto, mais jovem, treinando com um sabre de luz verde em um salão do Templo, um pouco chateado porque esperava azul, por mais que soubesse que o kyber se tornara verde no instante que o tocara.

Uma jovem enfiada dentro de um cano largo, sentada com os joelhos junto ao peito, esperando a chuva ácida passar, batendo nas próprias vestes porque algumas gotas haviam pego o tecido e começavam a corroê-lo.

Neve e Luzes Dançantes.

Metal, poeira e estática.

Anos demais.

Anos de menos.

Um Padawan jovem demais morto, o corpo pequeno demais imóvel, e um Mestre em lágrimas cortando a trança, levando aquele corpo de volta ao Templo porque não o deixaria em um lugar como aquele.

Uma criança chorando enquanto era vendida pela própria mãe, não por necessidade, mas porque simplesmente não era amada.

Missões diplomáticas sozinho em silêncio e burocracia.

Missões diplomáticas entre risos e absurdos.

Medo de falhar.

Medo de ser abandonada.

Solidão.

Solidão.

Rum’ea cambaleou meio passo, ainda segurando o cristal. Tarla, do outro lado do vínculo, prendeu a respiração. Não havia mais apenas conversa — emoções também voltavam, filtradas e ainda assim fortes o bastante para que ambos sentissem o choque do que acabavam de atravessar. O kyber, na palma dela, parecia pequeno demais para o tamanho do que abrira.

Então a atmosfera da clareira mudou.

Foi sutil no primeiro instante. Um frio diferente. Um peso no ar, como se o silêncio que a levara até ali se alterasse de natureza, deixando de ser espera para se tornar outra coisa.

Tarla sentiu antes mesmo que Rum’ea pensasse a palavra. Ela ergueu os olhos, e viu que um corredor muito escuro abria-se além da clareira.

Rum’ea teve certeza imediata de que ele não estava ali antes.

Não apenas porque não o lembrava. Porque sua presença parecia posterior, errada, encaixada no espaço como um pensamento que não pertencia à frase. A escuridão dentro dele não era apenas ausência de luz — era profundidade indevida. E, de lá, vinham sussurros. Não palavras compreensíveis, nem sequer uma língua. Eram apenas sons que pareciam querer assumir forma sob o nome dela.

Tarla aumentou o vínculo pela parte dele de uma vez.

Quando falou, a voz mental já trazia emoções de novo — alerta, firmeza, uma inquietação rara nele.

Rum’ea. Volte.

Ela não conseguia tirar os olhos do corredor.

O que é isso?

Não sei. E, se fosse uma provação comum de Ilum, eu não interferiria. Mas esta, especificamente, causou arrepios até em mim. Volte agora.

A resposta dela não teve bravata. Não teve curiosidade suicida. O corpo inteiro dela já sabia que aquilo estava errado. Rum’ea recuou um passo. Depois outro. O cristal permaneceu apertado em sua mão, quente demais para algo tirado do gelo.

O corredor pareceu aproximar-se sem mover-se.

Ou talvez fosse o contrário: ela se afastava, mas ele permanecia na mesma distância interior, sussurrando.

Tarla…

Não olhe para trás. Saia.

Ele está me seguindo.

Continue saindo.

Rum’ea girou o corpo e começou a voltar pelo caminho do silêncio, mas agora o silêncio já não era sereno — estava ocupado por aquela sensação de perseguição imóvel. A mesma distância. Sempre a mesma. Os sussurros não aumentavam nem diminuíam, apenas existiam, como se pudessem tocar a nuca dela sem encurtar o espaço.

Ela não olhou. Não porque não quisesse. Queria. A curiosidade puxava. O medo puxava em sentido contrário. Mas a voz de Tarla no vínculo, agora claramente viva de preocupação, era âncora suficiente.

Direita na bifurcação, disse ele. Depois a galeria sobe. Continue.

Você consegue ver aquilo?

Não. Mas sinto você. E sinto aquilo não pertencendo ao resto.

Rum’ea apressou o passo, o ar queimando nos pulmões frios. O cristal na mão parecia cada vez mais real, mais sólido, como se a lembrasse do que era verdadeiro. A curva da galeria veio. A subida também. Os sussurros ainda estavam lá. Não perto. Não longe. Simplesmente na mesma distância impossível, insistindo, quase respirando próximo à nuca dela, e só desapareceram quando a luz do exterior apareceu adiante, azul e branca demais para qualquer corredor errado sobreviver nela.

Rum’ea saiu da caverna quase de uma vez, ofegante.

O ar de Ilum a atingiu como uma bofetada limpa. O frio real, a neve, o céu, a nave aguardando ao longe — tudo isso recolocou o mundo em escala aceitável. O vínculo foi se estabilizando também, voltando de um alerta tenso para algo mais manejável. Tarla não tentou invadi-la com perguntas imediatas. Primeiro deixou que ela respirasse. Depois, muito baixo:

Parabéns.

Rum’ea olhou para o cristal na mão.

Pequeno. Incolor. Irregular. Dela.

Obrigada.

Qual a cor?

… Nenhuma.

Nenhuma?

Não. Ele parece… Bom, parece um cristal.

Isso é… Incomum.

Essa palavra de novo.

Talvez a sintonização não tenha ocorrido.

Tarla, teve sintonização até demais. Você viu.

Vi.

Então por que sugeriu que não tivesse?

Porque é o que conheço. Kybers sem cor ou não sintonizaram, ou foram purificados.

Isso não faz sentido.

Não.

Mas…?

Talvez o professor Huyang possa responder melhor estas questões.

Ela caminhou até a Crucible, ainda sentindo o resto do corredor atrás da pele como um frio que não era de Ilum. Só quando já estava sentada dentro da nave, com o cristal seguro em um estojo simples de transporte, é que a adrenalina começou a ceder o suficiente para que outra curiosidade emergisse.

Tarla?

Sim?

Como foi a sua ida a Ilum?

Houve uma pausa longa o bastante para que Rum’ea erguesse as sobrancelhas sozinha na cabine.

Tarla?

Foi... Menos digno do que seria ideal.

Isso não é resposta. Isso é convite.

Ele hesitou outra vez… E então mostrou.

Rum’ea viu o menino pelos próprios olhos dele em pequenos reflexos no gelo — o rosto redondo de frio e concentração, o cabelo totalmente castanho, sem grisalho, sem barba, os olhos verdes levemente caídos nos cantos um pouco grandes demais no rosto jovem. Ela sentiu um impulso involuntário de ternura tão imediato que, pelo vínculo, Tarla soltou um suspiro exasperado em tempo real.

Não comece.

Você era fofo.

A memória prosseguiu. O pequeno Tarla de então, filho de Keshtara em um mundo de gelo que não era o seu, inclinando-se demais para ouvir o chamado do cristal. O chão escorregadio. A confiança excessiva. O pé perdendo apoio. O corpo deslizando para frente. A testa batendo na parede de gelo com força suficiente para abrir um corte pequeno, mas sangrento. O recuo involuntário. O desequilíbrio piorando. A queda para trás. A parte de trás da cabeça batendo no chão gelado com força suficiente apenas para garantir um hematoma subgaleal que o incomodaria por dias. E, então, no auge da catástrofe nada elegante, o kyber se soltando e caindo diretamente sobre o peito dele como se a Força tivesse decidido que aquele menino atrapalhado já sofrera o bastante por uma única iniciação, tornando-se verde.

Rum’ea riu.

Não um riso pequeno — um riso real, breve e claro, enchendo a cabine de calor inesperado.

Você desmaiou?

Não.

Quase?

Também não.

Mentira.

Auto preservação.

Ela ria ainda um pouco quando algo na lembrança esfriou — porque, na margem da memória, havia o corredor.

Não inteiro. Não tão aberto quanto o que a perseguira. Mas claramente ali. Um escuro indevido entre galerias de Ilum. A sensação de sussurro. O mesmo erro no espaço.

O vínculo esfriou dos dois lados, e Rum’ea parou de rir.

Você viu aquilo.

Tarla demorou um momento antes de responder.

Vi o começo.

Seguiu os sussurros?

Não.

A resposta veio sem orgulho e sem vergonha.

Não tive uma sensação boa com aquilo.

Rum’ea olhou para o estojo do cristal em seu colo.

Eu também não.

Houve silêncio.

Não o silêncio ruim da caverna errada. Um silêncio compartilhado, pensativo, no qual ambos reconheciam que alguma coisa em Ilum existia para além do ritual comum, e que nenhum dos dois pretendia chamá-la de volta por curiosidade.

Depois de alguns instantes, Tarla falou outra vez, agora com a voz mental já mais estável, menos fria.

De qualquer forma, seu kyber a escolheu.

Rum’ea abriu o estojo só um pouco e olhou para o cristal. Ainda sem cor. Ainda simples. Ainda absolutamente seu.

Ou confiou, disse ela.

Também é uma forma de escolha.

Ela fechou o estojo com cuidado.

O cristal repousou lá dentro como uma nota ainda sustentada, como um silêncio que agora tinha dono. E, embora o corredor escuro permanecesse à margem do pensamento, embora os sussurros tivessem deixado um gosto frio na memória, outra coisa era maior naquele momento: a certeza calma e quase inacreditável de que a Força não a esquecera. Não a negara. Não a deixara do lado de fora.

E, em Coruscant, do outro lado do vínculo, Tarla a sentia inteira nisso.

Com medo ainda.

Com perguntas demais.

Com um cristal pequeno, sem cor e irregular.

E, mesmo assim, escolhida.