A Procura do Destino
4 Uma Terra Esquecida
Notas iniciais
O conselho do reino do rei Miraz se reuniu em meio da tarde avermelhada do sol, lá haviam todo o conselho dos piratas Telmarinos, entre eles, Nathaniel, Uhyk Halzäf, Rullod Ujrÿr, Krwo Yallehäd e mais alguns membros menos importantes.
-Rei Miraz! O que devemos fazer agora? Descobrimos a existência de Narnianos há dezoito anos atrás e nenhuma providência foi tomada, não subestimo sua autoridade e nem seus deveres, mas tenho certa certeza de que eles também não deixaram a perder irão nos atacar em breve. –Uhyk
-Receio, Halzäf que ainda assim subestima o treinamento de minha filha, eu estou esperando à hora certa para colocar em prática meus planos, e ela com certeza está neles, quero que ela lidere, mas para isso ela precisa de um treinamento avançado, e este treinamento não acabou ainda.
-Mas senhor, sua filha já derrota todos os guerreiros mais poderosos de Telmar, ela é a maior guerreira que eu já vi!
Miraz levanta de seu trono dizendo:
-Minha filha nasceu por engano, foi fora de meus planos, mas ainda sim é meu sangue, e quero que ela seje a melhor e não a cuja de que estão falando, ou seja, a princesa que vai ficar no reino tricotando para o futuro filho, eu não quero isso! Quero que ela seje lembrada como a rainha que lutou pelo reino que conquistou e pelas raízes de que veio, nossos antepassados extinguiram os Narnianos e foram lembrados por isso, e quero que minha filha seje lembrada assim como eles! – Miraz que ao terminar a frase enfia sua espada no coração de Uhyk, quando a tirou, limpou o sangue e continuou:
-Mais alguém vai contra a minha vontade?
Os reis disseram que não com a cabeça.
-Bom! Por hoje é só cavalheiros... E tirem esse corpo daqui! – Exclamou Miraz enquanto se dirigia a porta. A mesma fez um estrondo, marcando a saída do tirano rei.
O sol da tarde ainda batia no castelo e no jardim enquanto Layne se dirigia ao local de treinamento diário. Ela treinava sozinha, sua prática era esgrima, mas praticava um pouco arco e flecha, tinha muito interesse em saber atirar profissionalmente, mas tinha um desempenho regular, queria ser a melhor, mas não pretendia lutar contra Nárnia e sim contra aqueles que as subestimam.
Enquanto isso, na floresta de Gramado da Dança, Caspian havia crescido muito, o que surpreendeu a todos, se tornou um belo rapaz de 18 anos. Ele andava entre as extremidades da floresta, sempre quis sair, mas nunca Vlad havia deixado. Porém ele nunca desobedecia. Mas nesse dia ele queria fazer algo diferente, então, arriscou ir.
-Não vão fazer nada se eu desobedecer uma vez. –ele para si mesmo com um sorriso no rosto.
Escutou passos, sabia exatamente quem eram...
— Riwar, Linpdik, podem aparecer!
Riwar era uma doninha e Linpdik era um anão, amigos de Vlad, viviam seguindo Caspian, mas só naquele dia ele percebera. O jovem se virou e viu que os dois ainda estavam escondidos.
-Tá, a brincadeira de esconde-esconde acabou! Saiam logo! – Explodiu Caspian
Os dois saíram então de onde estavam cada um atrás de cada árvore.
-Linpdik eu disse que um dia ele ia perceber! – Riwar
-Ora essa, você não disse nada!
-Sempre disse, você que deve ter cera de ouvido demais para me ouvir!
-O que disse doninha? Eu posso muito bem fazer uma fogueira e te espetar em um galho!
-Vocês querem parar? – Caspian perdendo a paciência- Olha, por que vocês estão aqui?
-A pergunta é, por que você ia atravessar a floresta? — Linpdik
-Por que eu não devia, tenho idade para me cuidar! – Caspian
-Sim, mas não para escutar o que Vladmir diz! Ele pediu para que você...
-Não sair da floresta... Eu sei mas, o que tem de mais além da floresta? Por que ele não me deixa ir para lá? –O jovem inconformado
-Pergunte isso a ele! Ele só mandou nós vigiarmos você nada de mais!
-É, ser vigiado não é nada de mais! Que ÓDIO! –Caspian pegou sua espada e fincou em uma árvore, e não, árvores não estavam mais vivas.
-Não se estresse, logo saberá a razão! – Riwar, sempre tendo o lado bom das coisas em seu alto forte.
-Tentarei! Mas eu juro por Aslam, eu vou descobrir o que tem depois daqueles arredores!
Caspian deu de costas e foi a caminho de sua casa, quem mais seria uma casinha na verdade construída por castores, doninhas e esquilos, não havia ficado ruim, na verdade, na opinião de Vlad não, mas Caspian vivia reclamando de tudo, afinal, a única coisa que podia fazer era ficar naquela floresta, bela, mas mesmo assim havia a explorado a fundo. Conhecia quase todos os cantos mínimos de Gramado da Dança e quando era pequeno, adorava se esconder na floresta brincando com seus amigos animais e metade-humanos e é claro ninguém nunca o achava, ele sabia realmente se esconder.
Por final chegou na “cabana” como ele dizia.
-Aonde estava? – Vlad sem paciência, segurando o braço de Caspian
-Longe de você! – O rapaz se soltando das mãos do velho homem, se dirigindo para seu quarto.
-Caspian volte aqui! – Ordenou Vlad, mas Caspian nem olhou para trás e continuou seguindo para seu dormitório.
Ele bateu a porta com força, claro, Vladmir, Riwar e Linpdik escutaram. O tutor do jovem se sentou em sua cadeira e disse olhando para baixo:
-Eu não sei mais o que eu faço com ele, está cada vez mais difícil esconder a verdade.
-Meu caro amigo, não se preocupe, logo, o jovem Caspian irá compreender que tudo isso é para o bem dele! – Riwar
-Sim, mas é claro, o garoto só quer respostas! – Linpdik arqueando a voz.
-Fale baixo anão! –Riwar – O garoto pode escutar!
Caspian realmente escutou o argumento de Linpdik, e o começo do diálogo todo, estava encostado na porta para escutar melhor.
-Estou dizendo, o garoto precisa saber a realidade! – Linpdik
-Que realidade? –Caspian a si mesmo
-Não, ainda é cedo demais. – Riwar — No mínimo o pobre rapaz vai nos ameaçar de morte por não ter contado ao saber disso!
-Saber o que? – Caspian sem paciência ainda a si mesmo
-Sim, vou esperar então até amanhã, até isso ele estará melhor.-Vlad
O jovem não agüentava mais, abriu a porta de seu quarto foi até a salinha onde se encontravam e explodiu:
-O que tem para dizer diga agora!
Todos olharam assustados para ele, parecia realmente querer saber o assunto ali falado.
-Vamos contem! – Caspian
-Caspian... — Vlad
-Quero respostas e não enrrolações!
Depois de um longo tempo sem ninguém dizer nada...
-Riwar, comece... – Vlad com lágrimas nos olhos
-Quer mesmo que eu conte caro amigo? — Riwar
-Contem logo! -Caspian
-Tenha calma! – Riwar pensou um pouco para ver se Caspian se acalmava, depois continuou:
-Então vamos lá...
Riwar contou tudo desde a noite da fuga do castelo até o homem X Anões, ou seja, o confronto. A história entregou o jovem, não sabia que era mais que um simples rapaz humano de uma floresta de animais mágicos, era mais, o legítimo rei de um reino.
-Então, era isso? – Caspian com um tom compreendido.
-Sim, espero que você entenda pelo que passei. – Vlad
-Acho que entendo, meu tio querendo me matar... Narnianos, Telmarinos e uma guerra estão por vir.
-É, acho que você entendeu tudo! – Linpdik
Caspian se encontrava sentado desde o começo da “história”, mas agora o mesmo se encontrava levantando pensando sobre o que fazer ou falar, era difícil aceitar que Vlad tenha guardado este segredo dele, mas é fácil perceber que o mesmo fez o bem para ele.
-Ele tem sobre o que pensar, deixe o garoto! – Riwar
-Espero que ele não diga... – Linpdik
-Não posso mais ficar aqui! – Caspian
-Cacetada não abro mais minha boca! – Linpdik
-O Quê? – Vlad se levantando de sua cadeira de madeira.
-Riwar disse que eu sou o legítimo rei de Telmar, então, isso quer dizer, que não vão desistir de me procurar.
-Mas, Caspian, isso é tolice! — Vlad
-Não, vou te proteger e proteger a todos, assim como você me protegeu fugindo comigo! Mas irei fazê-lo por mim mesmo.
-CASPIAN! Não me desobedeça! – Vladmir furioso
-SE VOCÊ MORRER NÃO VOU TER A QUEM DESOBEDECER! – Caspian quase chorando e ao mesmo tempo consciente do que dizia.
Todos na “cabana” ficaram calados, não sabiam o que Caspian sentia, mas sabia o que ele pensava. Se Vlad morresse, ele não teria mais aquele pai irritante, que sempre perguntava onde estava e também aonde ia ou tinha ido, sempre preocupado, mas o jovem nunca havia percebido que aquilo era por causa dos Telmarinos, que estavam atrás dele.
Caspian deu as costas e foi para seu quarto arrumar as coisas.
-Vlad, você está bem? –Riwar
-Melhor impossível Caspian realmente cresceu, mas nunca havia reparado. Agora chegou a hora.
Riwar e Linpdik não souberam o significado do que Vlad disse, mas o velho tutor seguiu o passo de Caspian antes das criaturas abrirem a boca.
-Caspian...? – Vlad abrindo a porta
-Não tente me impedir, eu já disse que eu vou embora! – Caspian decidido
-Não, não vim aqui para isso! – O velho com um sorriso.
Caspian virou-se para ele surpreso “Ora, então o que ele quer?”.
Vlad foi tirando alguma coisa de dentro de sua manta, enquanto ia falando:
-Você realmente cresceu rápido Caspian, não é mais aquele menino travesso que adorava se esconder nos bosques, é um homem, que tem uma missão a cumprir, mas uma missão não pode ser cumprida apenas por si próprio ou com você precisa de auxílio.
-Como assim? – Caspian, mas quando olhou nas mãos de Vlad viu uma trompa, uma trompa com um desenho de leão no final, ao que dava o som.
-UAU! –Continuou o jovem boquiaberto-Como conseguiu isso?
-É um segredo... — Vlad
-Mais um...
-Não, mas esse não é referente a você. — Vlad abrindo um sorriso
-Para que serve? Para espantar cervos? – Caspian também abrindo um sorriso.
-Não, não! Apenas assopre-a quando estiver em imenso perigo.
-Não entendi direito, mas tomara que seje uma coisa ótima para matar gigantes!
-É muito melhor meu caro... Muito melhor.
Vlad e Caspian desceram as escadas e foram até a saída da casinha Linpdik e Riwar foram atrás, de cabeça baixa.
-Então, rapaz, tomara que volte para nos visitar! – Linpdik, o coração de pedra, e seus sentimentos pareciam também.
-É eu irei, para levar sermão de você! – Caspian sabendo que sentiria saudade das brigas cotidianas com o anão irritante.
Riwar segurava um lenço, ele tinha um sentimento de água, e um coração de ouro, por isso estava chorando.
-Caspian, como você cresceu! Eu me lembro quando você andava gatinhando e puxava meus pêlos, eu gritava com você e bem... –Retornou a chorar –EU GRITAVA COM VOCÊ!
-Riwar você está bem? – Caspian achando esquisito o comportamento da doninha.
-Claro! Estou ótimo! AHHH...como vou sentir sua falta!! – Riwar abraçando as pernas de Caspian, pois era baixinho.
-Doninha, já chega! Agora é a vez do Vladimir! – Linpdik, vendo a “melosidade” daquilo.
Riwar soltou o jovem Caspian, Vlad se aproximou e deu um grande abraço no jovem, que agora se tornara um homem. O soltou, mas ainda estava com as mãos sobre sua cabeça.
-18 anos cuidando de você, e você se torna esse guerreiro.
-Guerreiro?
Vlad fez sinal para Linpdik se aproximar, o anão entregou em sua mão uma bainha.
-Estava esperando o momento para te dar isso... –Vlad tirando da bainha uma linda espada prata com detalhes de ouro.
-Isso, é para mim? – Caspian sorrindo, seu sonho sempre foi ter uma espada perfeita, sua antiga era enferrujada e mal dava para fazer nada, pois ele mesmo que a havia feito.
-Bem não há outro Caspian aqui há? – Vlad sorrindo, entregando ao jovem a arma.
-Uau! Ela é linda! – Caspian correndo a mão sobre a lâmina.
-É, e é toda sua.
-Aonde a conseguiu?
-Bem, digamos que ela é uma antiga espada que foi usada pelo primeiro rei dos elfos. Então é de sua responsabilidade cuidar dela e de sua vida também.
-Claro, cuidarei. – Caspian consciente.
O mesmo subiu em seu cavalo, nomeado de Stone, olhou para o caminho á sua frente e disse aos seus amigos:
-Me desejem sorte... Vou precisar muito dela.
Todos concordaram e então, viram Caspian tomar seu rumo.
“Adeus, talvez para sempre” pensou Caspian.
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