A Procura de uma Mãe
1 Capítulo 1
Ariana tinha sido feliz a maior parte da sua vida e parte dela acreditava que ainda podia ser, porém tinha que conseguir encontrar a filha, Eleanor, para alcançar a felicidade plena.
Todos os dias lembrava-se da filha que completava 5 anos naquele dia, 4 de janeiro, e lembrava-se de, como de repente, há dois anos e meio a tinham arrancado de si, sem despedidas nem esperanças de a voltar a ver. Ainda se lembrava como se fosse hoje. Chegara a casa após mais um dia de trabalho na polícia local de Chicago onde trabalhava como agente de ligação do FBI e abrira a porta com um sorriso, pronta para ser cumprimentada com um salto da filha e um beijo de Raphael. Porém, naquele dia, nem um nem outro aparecera e o olhar da agente precipitara-se sobre um papel na mesa de entrada. Nesse papel, Raphael escrevera a explicação do que o levara a desaparecer com a sua filha deixando-a para trás.
Ariana encostou-se lembrando-se de Raphael, o primeiro homem que ela amara na vida, o corpo alto e trabalhado, não demasiado, mas no ponto certo, o cabelo loiro e os olhos azuis como se pudessem olhar para dentro da alma dela. Podia dizer que o odiava, mas dentro do seu ser percebia a sua atitude e continuava a amá-lo. Odiava-o por lhe levar a filha, mas amava-o por a proteger e por se preocupar com ela, amava-o pela conversa fácil e pela vida que partilhara com ele. Ariana tinha a certeza que nunca o deixaria de amar e sabia que se ele voltasse para ela com a filha e lhe pedisse perdão não hesitaria em conceder-lho.
O que Ariana não sabia é que Raphael também pensava nela a toda a hora, mas ao fim de 1 ano a observá-la de longe, a ver a sua tristeza e a sua angústia pela ausência da filha, o loiro decidira manter a distância e deixar de seguir os seus passos desesperados. Na ânsia de proteger a filha da sua família e de todos os seus inimigos decidira que o melhor seria seguir escondido com Eleanor e quando chegasse a hora treinar a sua filha para se defender, mas Ariana tinha que ficar para trás, Ariana ainda tinha salvação se não continuasse ligada a ele e foi por isso que fizera a decisão mais dura da sua vida, afastar a sua filha da mãe que tanto a amava.
Ariana e Raphael tinham-se conhecido numa noite amena de Primavera. A mulher na altura com 24 anos celebrava a sua primeira grande conquista no FBI, tinha sido selecionada para ser uma agente de ligação. Não era o cargo que todos desejassem, mas Ariana adorava fazer parte das comunidades e sabia que essa ligação teria que ser feita em polícias locais e estava imensamente feliz. Tinha saído para uma noite de karaoke num bar para festejar com os amigos que fizera na Academia e percebeu o loiro a olhá-la enquanto cantava ‘Like a Virgin’ de Madonna. No fim da sua impecável atuação, sentou-se na mesa que ele ocupava sozinho com um sorriso sedutor.
Ariana sabia o efeito que tinha em homens e também mulheres, afinal Deus tinha-lhe dado um corpo atraente. Era alta e fazia exercício diariamente o que lhe conferia um corpo tonificado embora não em demasia. Era loira com cabelo ligeiramente ondulado e tinha uns olhos de um azul demasiado intenso que fazia com que as pessoas se prendessem no seu olhar.
Nessa mesma noite, Raphael juntara-se ao grupo e Ariana tivera a melhor sessão de sexo de sempre. A relação entre eles foi intensa durante o mês seguinte. Ariana viajara para Chicago e Raphael tinha ido com ela alegando que tinha lá casa e que os seus negócios podiam ser feitos a partir de qualquer parte do mundo. Ao fim de um mês repleto de desejo e paixão, Ariana descobrira que estava grávida, algo que tinha sido um mero acidente, mas que ela descobrira com alegria e entusiasmo, sempre quisera ser mãe cedo e com o carinho e apoio de Raphael seria uma aventura que levaria sempre com alegria. O loiro também ficara surpreendido com a notícia, mas imensamente feliz, há muito que procurava algo por que viver e um filho seria a ligação que precisava. Porém, com esse acidente de percurso, ele tivera que revelar a Ariana a sua verdadeira origem e quando o fez a mulher ficara chocada e assustada, mas ultrapassara facilmente a questão. Raphael revelara ser um anjo e mostrara-lhe as suas asas, Ariana sendo extremamente religiosa tivera algumas dificuldades em acreditar em anjos a caminharem sobre a terra, mas Raphael era o homem com quem criaria uma filha.
Nos dias de hoje, Ariana considerava-se uma tola por na altura acreditar em contos de fada, por acreditar que Raphael nunca abandonaria e que faria tudo pela sua alegria. Estava farta de pensar onde teria errado para ele a deixar de uma hora para a outra, quando no dia anterior tinham trocado juras de amor. Ainda se lembrava do pedido escrito para que ela seguisse com a sua vida como se nada tivesse acontecido. Mas como pode uma mãe seguir em frente sem a sua filha nos braços? Durante dois anos e meio, Ariana serviu-se de todas as ferramentas do FBI para os encontrar e nada... Raphael tinha desaparecido do mapa e levado a filha com ele.
Hoje a esperança deixava-a lentamente, no fundo do seu ser sabia que nunca mais encontraria a sua filha. Estava no seu gabinete em Miami. Tinha pedido transferência para lá há um ano a pensar que eles estariam lá, mas não os tinha encontrado.
Recebeu um e-mail do FBI com um caso da polícia de Los Angeles que estava complicado. Este e-mail era para outro colega, mas sem grande esperança já só se queria focar no trabalho. O relatório pertencia à Detetive Chloe Decker que falava de um assassino que obrigava as suas vítimas a beber ácido. Mais um caso de serial killer. No relatório dizia que o seu colega tinha sugerido um trauma em criança e por isso o tenente pedia ajuda ao FBI. O caso era muito interessante, mas Ariana focou-se apenas num detalhe, Lúcifer Morningstar, consultor da LAPD, o parceiro da Detetive. Qualquer fanático por essas coisas podia adotar esse nome, mas e se.... Ariana começou logo a fazer alguma investigação sobre a figura, não aparecia nenhum registo há mais de sete anos, o homem dizia ser o diabo, concedia favores, era dono de um clube noturno. Podia não ser nada, mas podia ser tudo o que ela precisava.
'- Conta-me mais sobre os teus irmãos, por exemplo o diabo é teu irmão certo? Como é que ele é?
— A sério que de todos eles, queres saber é dele?
— Ah Raphael sempre foi uma figura que eu questionei muito. Existe mesmo o inferno? Se Deus supostamente é amor, como é que não perdoa todas as pessoas? As almas não são na sua essência todas boas e puras? Para que existe o inferno, por que razão castigou Deus o que diziam que era o seu filho favorito? Por que razão Deus teria um filho favorito? E ser rei do inferno é mesmo um castigo? Ou na verdade uma responsabilidade?
— Existe o inferno, mas o meu Pai não condena ninguém, as pessoas condenam-se a elas próprias. O inferno é a culpa delas.
— Mas isso não faz muito sentido, pois não? Há pessoas boas que se podem sentir culpadas de não ter feito melhor e pessoas más, psicopatas que podem não se sentir culpados de todo.
— Não disse que é justo, é como as coisas são, mas não existem almas psicopatas, quando se morre o que fica é a tua essência, e se as pessoas fizeram algo na sua vida que agora a alma se arrepende, vai para o inferno. — Dissera Raphael. — Quanto ao meu irmão, Lúcifer, ele é o pior de todos nós, odeio-o com todo o meu ser, só não o odeio mais do que ao meu irmão Mickael, que ironia das ironias é gémeo dele. Quando ele se revoltou contra o Pai, revoltou-se contra toda a família.
— Mas a questão é: Não era apenas um filho rebelde a precisar de amor. Tu agora és pai, Raphael, se a nossa filha se revoltasse contra ti, darias tal castigo? — Nesse momento Raphael olhara para Eleanor sorrindo-lhe.
— Eu aguentaria tudo por ela, eu seria castigado em vez dela. Mas isso não tira o facto do meu irmão ser o pior. Era um dos meus irmãos preferidos na altura, de conversa e brincadeira fácil e por isso foi-me fácil segui-lo na sua revolta, ficar contra o meu Pai, mas quando chegou a altura ambos fomos castigados, o castigo maior sem dúvida foi para ele, o inferno é um sítio em que o tempo passa demasiado devagar, mas de vez em quando ele poderia vir à Terra, se fosse até ao Céu morreria e eu… Eu fiquei confinado à Terra, não posso nem ir ao Inferno nem ao Céu, não morreria em nenhum desses casos, mas ficaria confinado eternamente para onde fosse.
— Então tiveste que ficar confinado à Terra, é a mesma coisa, não é?
— Ariana, és psiquiatra, bem sabes que não é. Ao menos aqui tenho uma escolha, ou fico aqui ou vou para outro lado. Se estivesse no Céu ou no Inferno, não teria essa opção, não teria essa liberdade de escolha. E o Inferno é horrível, nunca foi opção. Agora voltar a Casa, sempre o desejei, mas tenho vergonha, vergonha do que fiz. – Ariana beijara-o nessa noite e dera-lhe todo o carinho que ela podia dar, com a intenção de lhe dar a felicidade que ele merecia, o amor que lhe tinha faltado e tudo, tudo o que ela pudesse dar.’
Ariana suspirou, apesar de saber que Raphael não gostaria de ela envolver-se de alguma forma com o irmão, mas ela tinha que tentar, pois no fundo do seu coração ela sabia que era a sua última esperança. Assim, rapidamente falou com o seu responsável direto e pediu uma transferência para a LAPD. Agora teria que esperar resposta…
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