A Princesa e o Guerreiro

7 As sementes e o novo treinamento


Kaguya Ootsutsuki era uma mulher extremamente atraente.

Quando entrava em qualquer ambiente novo, as pessoas sempre a admiravam. Fosse por seus vestidos luxuosos, pela palidez de sua pele – tão branca e lisa -, fosse por seus longos cabelos. Não importava: ela sempre chamava atenção. Porém, seus sobrinhos, Momoshiki e Urashiki pouco se importavam com a imponência imposta por sua tia.

Os dois faziam parte da guarda dos Ootsutsuki, da parte nobre do clã. Vestiam-se de nobres tecidos e cortes, raramente apareciam em público. Cada um carregava o símbolo do clã nas costas, bordado a mão no tecido cor de creme. Os três faziam parte da família principal Ootsutsuki, a geração que dera origem ao clã.

Momoshiki cruzou os braços assim que sua tia se aproximou da mesa. Urashiki parecia entediado.

— Qual é o problema agora?

— Toneri. – Ela respondeu a Urashiki. – Ele mandou um mensageiro avisando que Hinata Hyuuga foi raptada, de dentro do palácio.

Momoshiki estreitou os olhos.

— Eu te disse que Toneri não iria fazer o serviço direito.

Urashiki riu.

— Ele só está obcecado a levar a Hyuuga para a cama.

Kaguya estreitou os olhos.

— Hinata não pode ter sido raptada. E se isso realmente aconteceu, o palácio está fragilizado. O que pode ser um problema para nós.

— Ou uma vantagem. – Os dois Ootsutsuki encaram Momoshiki. – Será mais fácil invadir e chegar onde queremos.

— Já disse que não é uma ideia invadir o palácio dessa forma. Só chamaríamos atenção desnecessária.

Momoshiki se levantou, impaciente.

— Não é possível que você ache que o clã Uchiha-

— Não só o clã Uchiha. – Kaguya interrompeu. – Não vamos nos esquecer da criança.

— A essa altura já deve estar morta! Nunca sequer soubemos do rastro dela, talvez ela nem exista!

Urashiki se levantou, interrompendo a breve discussão dos dois. Era sempre a mesma coisa, sempre discutindo pelo mesmo assunto.

— Não vamos discutir por isso de novo. – Ele disse, entediado. – O que acha melhor fazermos, Kaguya?

A mulher desviou os olhos rapidamente para a grande janela do cômodo.

— Vamos mandar alguns guardas até o clã Hyuuga como sinal de apoio.

O riso irônico de Momoshiki rompeu o silêncio.

— Você acha que fazendo isso Toneri se tornará mais competente? Esse idiota só está nos atrapalhando. Além do mais nós não temos guardas o suficiente.

— Precisamos o manter sob controle. – Kaguya cruzou os braços. – Também mande que esses guardas investiguem Konoha para nos garantir que não há rastro algum da criança.

Nem Momoshiki ou Urashiki se atreveu a falar mais alguma coisa. Ambos saíram dali, deixando Kaguya sozinha com seus pensamentos.

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Jirayia não pensou duas vezes. Puxou Naomi pelo braço mais adentro a viela antes que ela pudesse falar mais alguma coisa.

— Para onde está me levando?

O grisalho se virou a ela, com seu dedo indicador sobre os próprios lábios, pedindo silêncio. Naomi bufou, insatisfeita. Debaixo de uma pequena tenda abandonada, longe de qualquer observador, os dois pararam.

— É melhor que você fique quieta.

— Me responda de uma vez. – Naomi puxou o próprio braço. – O que a Hyuuga está fazendo em Konoha? Foi você quem armou aquilo tudo no bordel para raptá-la?

Jirayia olhou dos dois lados, precavido.

— Eu a resgatei do seu bordel, Naomi. Desde de quando você aceita jovens garotas a serem prostitutas sem nem ao menos saber quem são?

— Eu não aceito garotas assim. – Naomi estava visivelmente raivosa. – Aquela menina foi levada até meu estabelecimento por Mizui, uma velha cliente de apostas. Onde está a Hyuuga? Entregue-a o mais rápido!

A expressão de Jirayia endureceu.

— Isso já não é mais da sua conta.

Naomi viu a expressão dura na face de Jirayia. Ela soube identificar o que seu velho conhecido queria dizer, no entanto, continuou esperando uma resposta.

— Ela está com Hizashi. – Jirayia sequer se moveu com a expressão de surpresa de Naomi, mantendo a mesma carranca.

— Vocês ficaram loucos? Essa menina é uma princesa dos Hyuuga! Eles irão vasculhar cada canto de Konoha atrás dela, irão atrás de Hizashi, o seu noivo poderá-

— Por isso é melhor que fique calada. Você e aquela velha que trataram a princesa Hyuuga como uma qualquer.

A pele da senhora arrepiou sob o olhar do grisalho.

— Eles irão ao meu bordel. Você sabe disso.

Jirayia respirou fundo, certificando que mais ninguém ouvia a conversa.

— Não diga nada. Assim eu a protegerei.

— O que eu posso dizer? Nem ao menos sei o buraco que Hizashi se enfia.

— Ótimo. Continue assim. – Jirayia se aproximou mais da face da mulher. – E se caso alguém desconfiar de mim pode ter certeza que eu serei seu maior perigo. Muito maior que os Hyuuga ou o noivinho dela. Entendido?

Naomi deu um passo para trás, apenas concordando, antes de se afastar a passos rápidos.

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Hizashi cruzou os braços ao olhar a cena um tanto curiosa. Seu pupilo, Naruto, coçando a nuca desajeitadamente enquanto entregava a sua sobrinha um buquê de lírios de diferentes cores. Ele sorria abertamente enquanto Hinata tomava uma cor vermelhada por todo o rosto. Ela mal podia responder, por conta de sua timidez. O Hyuuga franziu o cenho. A aproximação dos dois era bastante vantajosa ao treinamento do Uzumaki. Hinata o acalmava nas meditações e como consequência seu rendimento havia melhorado consideravelmente. Porém Hizashi tinha receio do que aquela aproximação podia resultar.

“Uma Hyuuga e um Uzumaki.... Isso pode ser problemático. Até mesmo.... Trágico. ”

— No mínimo irônico, não?

A voz de Jirayia não o surpreendeu, mas o sorriso em sua fase sim. Hizashi o olhou de esguelha, voltando a atenção aos dois.

— Eu não gosto da proximidade dos dois.

— Não seja carrancudo. Eu acho uma excelente oportunidade. – O Hyuuga o olhou, incrédulo. Jirayia retribuiu o olhar, de forma serena. – O momento que ele tomaria o que é dele, não acha? Além do mais eu não vejo ninguém mais capaz de enfrentar os Hyuugas além de Naruto. Seria um embate justo. Eu até diria, uma reparação histórica.

— Não se esqueça de que se isso acontecer ela poderá ser despertada.

Jirayia suspirou alto.

— Acho que está na hora de começarmos aquele treino. Estamos em risco.

Hizashi se virou totalmente ao seu amigo.

— Você ficou maluco? Esse método pode ser o fim dele! E por que estaríamos em risco? Você está sendo-

— Neji e a tropa Hyuuga estavam em Konoha a procura de Hinata.

Os olhos perolados se arregalaram. Seu filho estivera em Konoha.

— Naruto poderá ser de grande ajuda. Acho que também está na hora de Hinata ser treinada.

— Explique-se, Jirayia.

O grisalho voltou seu olhar a Hinata e Naruto, que continuavam a sorrir. Eles poderiam ter grandes problemas a qualquer momento.

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Seus passos eram lentos, quase parando. Sakura suspirava, mal olhando para frente. Seu cansaço era tanto que até mesmo o simples ato de caminhar parecia sugar a pouca energia que ainda lhe restava. O treinamento médico com sua sensei, Tsunade, não era apenas difícil, mas também extremamente cansativo. A Haruno se lembrava de quando a loira lhe propôs levar até os limites e Sakura aceitara, obstinada. Não se arrependera em aceitar o desafio, no entanto o cansaço era gigantesco. O grito de alguém chamando seu nome a distraiu de seus pensamentos. Ao olhar para o lado, sua amiga florista corria até ela, animada demais. Sakura parou sua caminhada, esperando Ino lhe alcançar.

— Como está, Testuda? Sua aparência não é das melhores.

Um finco surgia na testa de Sakura ao identificar o apelido odioso que sua amiga normalmente lhe chamava.

— O que quer, Ino-porca?

— Não é possível que esteja mal-humorada. – A Yamanaka disse, sorrindo. – Não depois de ganhar um buquê tão lindo! Eu até me surpreendi com a escolha, Naruto não é do tipo que tem um gosto refinado.

Sakura a olhava sem entender.

— Do que está falando? De qual buquê?

— Ora, do buquê de lírios coloridos que o Naruto comprou na floricultura! Eu espero que ele já tenha te dado, eu o avisei que deveria dar as flores o mais rápido possível, elas poderiam murchar se não fossem colocadas logo na água!

Sakura olhou sua amiga, falando animadamente. Sequer vira Naruto nos últimos dias, estando tão atarefada. Na realidade ele não a procurava há dias. Por que Naruto havia comprado um buquê se não fosse dar a ela? Sentiu um incômodo em seu peito. Será que ele...? Buscando interromper os próprios pensamentos, Sakura se voltou a Ino.

— Não ganhei nenhum buquê. Não vejo Naruto há dias.

A loira se constrangeu.

— Não mesmo? – Sakura negou com a cabeça. Procurando amenizar seu constrangimento, a Yamanaka continuou falando. – Bom então isso é um bom sinal, certo? Afinal você nunca realmente gostou do Naruto. Talvez o buquê fosse para outra pessoa.

Sakura nada respondeu, apenas encarando Ino. Ela estava certa, mas por que aquilo parecia começar a lhe incomodar então?

—/-

Hinata reparara na feição de seu tio e de Jirayia, ao longe, conversando. Em seguida, ambos se trancaram dentro da cabana. Apertou o buquê que ganhara ao peito, sentindo-se incomodada, sem saber exatamente a razão. Seu coração se apertara, estava com uma sensação estranha.

— Hinata? – A voz de Naruto chamou-lhe a atenção. Ela se virou a ele, que sorria. – Então, o que acha da minha ideia? Podemos plantar em volta da cabana os arbustos e fazer um canteiro de flores!

O sorriso dele lhe causava sensações diferentes, seu coração – que há pouco estava aflito – de repente batia mais rápido ao encará-lo.

— Acho uma ótima ideia, Naruto-san.

O loiro emburrou, cruzando os braços. A Hyuuga não entendeu sua mudança repentina de humor.

— Não precisa me chamar assim, de “Naruto-san”. É estranho. Parece que eu sou um velho.

A morena não resistiu e começou a rir, baixo. Naruto a olhou, um tanto corado. O som de sua risada era melódico e doce. Sorriu, involuntariamente, ao vê-la rindo.

— Está bem, não te chamarei assim. – Hinata desviou o olhar, corada. – Posso te chamar de Naruto-kun então?

— Isso! Bem melhor! – Naruto levantou seu polegar, satisfeito. – E então, podemos começar a trabalhar no jardim? Temos bastante trabalho pela frente.

A Hyuuga caminhou até Naruto, colocando uma de suas mãos em seu peito. Sua aproximação havia sido uma surpresa a ele, assim que notou que a morena encurtara a distância entre os dois. Assim, tão perto dela, reparara nas duas luas em sua face, como em sua coloração corada. Era realmente difícil para ele não admirar a jovem, estando tão perto.

— Eu não quero incomodá-lo mais, Naruto-kun. Sei que seu trabalho exige bastante e você precisa descansar para trabalhar mais tarde, não?

Sentiu as próprias bochechas esquentarem. Além de seu padrinho, ninguém nunca havia lhe mostrado qualquer preocupação com ele, não daquela forma. Ele também havia sentido algo pela primeira vez, um sentimento de paz, de aconchego.

Olhar nos olhos dela lhe trazia conforto e ele não entendia o porquê. Desviou seu rosto, não querendo parecer atrevido demais por estar encarando.

— Ontem eu adiantei todo meu serviço, por isso hoje temos o dia inteiro livre! – O loiro se abaixou, pegando os pequenos pacotes de sementes do chão.

“Por que diabos meu coração tá batendo tão forte? A Hinata vai pensar mal de mim se eu ficar olhando desse jeito. Não seja um idiota, Naruto!”

— E também, por ser primavera as pessoas não precisam tanto assim de lenha!

A Hyuuga logo reparou no afastamento súbito do loiro. Como se atrevera a se aproximar dele daquele jeito? Envergonhou-se pela própria estupidez.

— Cl-claro! Só vou colocar essas flores na água.

Hinata se afastou, indo até a janela da pequena cozinha da cabana, onde havia um vaso. Assim que Naruto se encontrou sozinho, respirou aliviado. Não queria ser um incômodo a ela, causando momento constrangedores.

A Hyuuga voltou, sorrindo minimamente, e logo voltaram a cuidar das sementes e da terra.

Após algum tempo, depois de decidirem quais flores plantariam e onde plantariam, ambos voltaram a concentração a seus afazeres. Hinata cuidaria das sementes das flores e Naruto das folhagens. Ela olhou de soslaio ao loiro a seu lado, atento às pequenas mudas que trouxera. Não contendo sua curiosidade, Hinata lhe chamou. Ele olhou em sua direção, mas ela continuava olhando para a terra recém mexida.

— Jirayia-sama me contou que você quer virar um guerreiro por amor. Isso é realmente muito bonito.

Ela falava de Sakura. Sorriu com a lembrança. Havia dias que não a via.

— É, é verdade. – Afofou a terra fresca envolta da muda de hera. – Eu vou vencer o idiota do Sasuke e depois vou ter a mão de Sakura!

Seus olhos azuis brilharam. Algo em seu peito se apertara, mas Hinata decidiu ignorar o sentimento inesperado.

— Isso é realmente uma prova de amor. – Sorriu. – E o que ela irá fazer por você?

O Uzumaki não entendeu a pergunta, olhando-a desentendido.

— Como assim?

Hinata se virou a ele.

— Sabe, eu sempre li nos livros de romance que os casais lutam um pelo o outro. Eles querem melhorar e evoluir para serem cada vez melhores aos seus amados. – As maçãs de seu rosto estavam levemente rosadas. – Então eu imagino que você irá ser um excelente guerreiro a ela, e ela está lutando para evoluir por você, não é?

Sakura nunca lhe falara nada em evoluir para ser melhor a ele. Sempre fora ele quem insistiu no amor por ela. Não se recordava se Sakura já havia feito algo além do cordial a ele. Nunca pensara que ela deveria fazer algo por ele. A Haruno também deveria lhe provar o amor?

Antes que pudesse encontrar respostas às próprias dúvidas, Hizashi e Jirayia pararam a frente dos dois jovens, ainda ajoelhados na terra.

— Chega de papo, pombinhos. – Jirayia disse, sorrindo de lado. Ambos ficaram vermelhos pelo novo apelido do grisalho. – Temos sérios problemas a resolver.

Naruto e Hinata se levantaram preocupados, limpando a terra de suas roupas.

— O que foi, Ero-sensei?

— Primeiro, já te disse milhares de vezes para não me chamar assim. – Jirayia o olhou, impaciente. – Segundo, teremos algumas mudanças em seu treinamento.

— Temos que nos preparar para proteger Hinata. O clã já está atrás dela. – Hizashi disse, resoluto. – Vamos intensificar o treino ainda mais.

Naruto sorriu, animado, fechando os punhos.

— Pode contar comigo, Hyuuga-sensei!

— Não se anime tanto, moleque. – Jirayia desviou seus olhos a pequena Hyuuga, que observava. – Afinal, você terá trabalho em dobro sendo o sensei da Hinata.

— O... O quê? – A morena disse, sem entender.

— Você precisa se fortaceler, Hinata. – Hizashi cruzou os braços. – E Naruto irá repassar meu treinamento a você. Claro, sempre sob minha supervisão.

O loiro enrugou a testa, assim que os olhos do Hyuuga recaíram sobre ele, desconfiados.

— Mas por que o Hizashi-sensei não a treina?

— Isso é um tipo de técnica, Naruto. A melhor forma de aprender, é ensinar. Assim, repassando seus conhecimentos a Hinata, saberemos o quanto está aprendendo conosco. Porém, precisa saber que nenhum de nós vamos pegar leve.

Naruto cruzou os braços, emburrado.

— Até parece que pegaram leve até agora.

Jirayia riu. Por mais forte que seu afilhado fosse, sua personalidade sempre transparecia.

— E então, Hinata? Aceita ser treinada por Naruto?

Olhou para o loiro que sorria tão lindamente quanto os próprios raios de sol. Ela nunca seria capaz de negar algo a ele.

Notas finais
Pra quem prefere, também estou postando essa fanfic no Spirit. Meu perfil é asthenia, igual por aqui. Como acham que será o treinamento do Naruto e da Hinata? Esses dois estão cada vez mais próximos, ai ai ♥ Obrigada a todos que estão acompanhando e comentando! Beijos, e até o próximo capítulo! Lembrando: tô no twitter também @asthe_nia ♥