Mais um dia havia se passado, dessa vez sem nenhum akuma. O sol estava se pondo e Marinette estava observando. Ela pensava sobre a noite anterior, Chat Noir, o beijo, Adrien (que também acabava invadindo os pensamentos da garota, que pensava que havia traído o modelo de alguma forma), e ela estava realmente confusa e culpada. Ela estava entrando quando ouviu um barulho atrás de si, e se virou para olhar.

— Chat Noir! – Ela estava surpresa, e, sem perceber, acabou ficando levemente corada.

— Oi, Prince... Quero dizer, Marinette. – Ele tinha um sorriso tímido em seu rosto.

— Oi... – Ela também estava um pouco envergonhada, após o ocorrido da noite passada. – O que faz aqui?

— Eu... – Ele olhava para o chão, e parecia estar enrolando para falar o que estava em sua mente. Marinette o olhava curiosa, porém não falou nada. — O dia foi tranquilo hoje, não foi? Nenhum akuma... Hawk Moth deve estar de bom humor...

Ele ria, tímido. Marinette não entendia: aonde ele queria chegar? Ela o olhava confusa, e ele foi parando de rir e olhou para baixo, e respirou fundo.

— Olha, eu... queria me desculpar por ontem. – Chat finalmente disse. – Eu fui impulsivo, nem ao menos sabia se era isso o que você queria. Eu deveria ter te dado apoio, que era o que você precisava naquele momento, e não ter te deixado confusa. Quero dizer, não que eu ache que você esteja confusa, você parece saber muito bem o que quer...

Marinette sorriu ao ver o tão confiante Chat Noir se perdendo com as palavras. Ela colocou a mão sobre o ombro do amigo e disse, sorrindo:

— Está tudo bem, não se preocupe. Você não me deixou confusa, nem precisa se sentir culpado desse jeito. – Ela mentiu, mas não queria ver seu amigo preocupado, então não se importava com a verdade sobre seus sentimentos. – Além do mais, eu não deveria te incomodar com os meus problemas.

— De jeito nenhum, Princesa! Nós somos amigos, não somos? – Ele já não estava envergonhado como antes. Ele segurava nos ombros de Marinette e a olhava nos olhos com uma expressão séria.

— Sim, é claro. – Marinette concordou e sorriu.

— Eu sou seu cavaleiro, Princesa. Estou aqui para te proteger de qualquer coisa! – Ele tinha, agora, um sorriso convencido no rosto. Marinette revirou os olhos e riu. – E também, fui eu quem veio aqui. Eu vim me queixar da minha vida pra você...

— Acho que nos completamos, de uma certa forma, gatinho. – Marinette comentou e riu. – Somos mesmo dois azarados.

— Tenho que concordar com você... – O herói riu também. – Bem, te vejo por aí, Princesa.

O modelo, com medo de invadir o espaço pessoal da amiga outra vez, apenas estendeu a mão, ao contrário de Marinette, que ia abraça-lo. Os dois congelaram por uns poucos segundos e coraram de leve. Então Chat ia abraça-la, já que não havia problema. E Marinette resolveu estender a mão dessa vez. Os dois travaram de novo, porém por pouco tempo, já que Chat tomou uma atitude e segurou a mão de Marinette, beijou-a suavemente e se virou para ir embora.

— Tchau, Princesa! – Ele disse já no parapeito da varanda, pronto para saltar, com seu bastão na mão.

— Tchau, Chat. – Ela disse e se virou para entrar, enquanto ele foi saltando de prédio em prédio para ir para casa. Marinette, já dentro do quarto, se jogou na cama, e Tikki se sentou ao lado do rosto da heroína e a encarou com um sorrisinho.

— Tikki? – A garota perguntou.

— Sim?

— Acabei de parar para pensar: O Chat Noir não é tão bobo quanto eu pensei que era. – Ela declarou e a kwami riu. – Quero dizer, não me leve a mal, ele é um bom super-herói, mas está sempre fazendo piadas e flertando com a Ladybug... Mas acabei percebendo que ele... realmente se importa.

— Viu? Sabia que ele não era tão ruim assim! – Tikki disse. Marinette revirou os olhos e sorriu.

— Mas ele ainda é um gatinho bobo! – A jovem disse e as duas riram. Marinette terminou seu dever de casa, jantou e foi se deitar. Ela nem estava tão cansada assim, mas não queria se atrasar no outro dia.

**

Marinette levantou cedo, diferente de sempre, e foi tomar seu café da manhã. Deu um beijo na bochecha de sua mãe e de seu pai, e foi para a escola.

Chegando lá, Alya ainda não havia chegado, o que era um sinal de que ela estava bem adiantada. Ela viu Adrien andando, mas ele estava sozinho, devia estar procurando Nino. Marinette estava indecisa se ia falar com ele ou não, já que sempre que ela tentava, gaguejava, falava coisas sem sentido e agia de maneira estranha perto dele. Ela havia decidido que apenas falaria “oi”, quando viu alguém indo se aproximar do modelo.

— Adrien! – Lila chamou. Marinette apenas ficou observando. Adrien ia se virar, mas Nino o chamou e o puxou para conversar.

Marinette, por uns segundos, ficou feliz, pois tinha medo que Lila contasse mais mentiras para o garoto. Mas logo viu a jovem italiana virando-se e indo embora, e Marinette resolveu segui-la. Por onde Lila passava, garotos e garotas sussurravam uns com os outros, riam e apontavam. Lila tentava não encara-los, mas sabia que o que estavam fazendo. Ela se sentou em um banco que ficava em um lugar meio escondido, sozinha. Marinette se sentiu mais culpada ainda.

— Lila? – Marinette chamou, e ela se virou para ver quem era. – É Lila, não é?

— Sim. – Ela respondeu, um pouco desconfiada.

— Eu... Vi o que aconteceu lá, agora. – Contou Marinette. A morena lançou mais um olhar desconfiado e logo em seguida se sentou no banco, cruzou os braços e ficou de cabeça baixa.

— Uau, mais alguém para me lembrar do que aconteceu... – Ela disse, irônica.

— Na verdade eu vim perguntar se está tudo bem. – Marinette disse, sendo sincera.

— Hm... Se tudo bem significa não ter amigos, bem, estou ótima! – Ela disse com um sorriso falso em seu rosto e logo murmurou:

— Tudo isso graças à Ladybug.

Marinette ficou calada por um tempinho, meio desconfortável com a situação. Mas logo falou:

— Você... – Ela hesitou um pouco. – Pode se sentar comigo e minha amiga Alya no intervalo.

Lila a olhou, mais uma vez, com desconfiança.

— Sério?! – Ela perguntou, para ter certeza se não era nenhuma pegadinha.

— Claro! – Marinette sorriu para Lila, que agora tinha uma pontinha de tristeza em seu olhar.

— Mas... Você não acha que eu sou uma falsa, uma mentirosa, e todas aquelas coisas horríveis que dizem sobre mim? – A morena perguntou.

— Bem, se você se arrepende do que fez, não há problema algum! – Marinette dizia, sorridente. – Você se arrepende?

— Eu... Acho que sim. – Lila dizia, insegura.

— Posso te dar um conselho? –A jovem estilista perguntou.

— S-Sim. – Lila estava com um pouco de medo do que a colega diria, de que fosse tudo uma armadilha para ela.

— Não minta mais. Seja verdadeira e você mesma! As pessoas gostarão de você pelo que você é, não pelo que finge ser. – Marinette disse e abriu um enorme sorriso para Lila. – A propósito, sou Marinette.

A garota estendeu a mão, e Lila a cumprimentou.

— Muito obrigada, Marinette. – Ela disse e quando soltaram as mãos, surpreendeu a heroína com um abraço. Marinette viu Alya chegando e se soltou dos braços de Lila.

— Olha! Aquela é minha amiga Alya. Vem, vou te apresentar a ela. – Marinette disse, puxando Lila até Alya.

— Alya! – Marinette gritou para chamar a melhor amiga.

— Mari! – Alya foi até elas. – Você é aquela tal de Lila, não é?

Alya a olhava com certo desprezo, e Lila não podia estar mais insegura.

— Alya, posso dar uma palavrinha com você? Já volto, Lila. – Marinette disse, puxando a amiga para um lugar mais longe da garota italiana.

— Pode, ao menos, dar uma chance a ela? – Marinette pediu a amiga.

— Eu não sei não, Marinette... Ela tentou acabar com a Ladybug, e pelo o que eu fiquei sabendo, ela ainda não a perdoou. – Alya dizia, e talvez seria difícil fazê-la mudar de ideia.

— Mas ela estava sozinha e eu... Ah! Eu não sei como explicar... Por favor, Alya! – A melhor amiga fez uma cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.

— Ah! Tá legal! Ela pode ficar! Mas se ela começar a falar mal da Ladybug perto de mim, ela vai ter que cair fora! – Alya explicou. Marinette comemorou e abraçou a amiga, que revirou os olhos.

— O que eu não faço por você? – Alya reclamou uma última vez e as duas riram. Quando elas estavam indo até Lila, o sinal tocou e as três foram andando até a sala de aula. No caminho, ver Marinette e Lila juntas e conversando como se fossem algum tipo de “amigas” chamou a atenção de Adrien, que sorriu para sua princesa, quando passou por ela, indo para a aula.

Notas finais
E aí? O que acharam? O primeiro capítulo é sempre meio chatinho, mas prometo que vai ficar legal daqui pra frente! ♥
Beijos!