A Princesa e a Frigideira

2 A Princesa e a Frigideira - Parte II


Pouco havia se afastado da cabana de Tino e Berwald quando uma figura a abordou, no meio da estrada. Como vocês são crianças inteligentes, podem imaginar quem era. Sim, era Gilbert, com uma espada de punho de ouro, exigindo uma nova revanche.

-Você não desiste?-perguntou Elizabeta.

-Não até vencer!-declarou o rapaz.-Suas vitórias anteriores foram apenas sorte! Dessa vez, o extraordinário eu vencerá!

A princesa não teve opção senão duelar com ele.

Gilbert lutou bem melhor do que antes, Elizabeta precisou reconhecer. A moça mal conseguia desviar de seus golpes furiosos de espada. Por um instante, pensou seriamente que perderia. Foi quando aconteceu algo inimaginável. Gilbert ficou perto demais e, no instante em que a moça desviou de um de seus golpes, a mão do jovem pousou precisamente em seu busto.

Sim, ele tocara suas regiões vitais!

Antes que Gilbert pudesse dizer qualquer coisa ou se quer se mover, a princesa puxou a frigideira da bolsa e acertou-lhe a cabeça com toda a força que conseguiu reunir. Ele desabou como uma fruta madura.

Elizabeta tratou de correr para longe, antes que o rapaz acordasse para questioná-la sobre seu gênero.

Correu e correu, até cansar. Parou um instante para comer a pogácsa feita por Tino e depois continuou correndo. Correu e correu até quase colocar a alma para fora. Quando pensou que desmaiaria de tanto correr, encontrou uma bonita casa, perto de uma grande plantação de tomates.

Com as pernas quase cedendo de tanto cansaço, a moça bateu a porta para pedir um pouco de água, pois a sua havia acabado. Quem a atendeu foi um homem moreno, de bonitos olhos verdes e sorriso alegre.

-Em que posso ajudá-lo?-perguntou ele.

-Se puder me arranjar um pouco de água em troca de algumas moedas...

-Se posso? Claro que posso! E guarda suas moedas. Entre e descanse.

Em vez de água, o dono da casa, chamado Antonio, ofereceu-lhe vinho, além de pão e frutas. Disse-lhe que podia ficar ali o tempo que precisasse, pois raramente recebia visitas naquele fim de mundo e eram todas sempre bem-vindas.

-Mas o que faz por essas terras onde mesmo o vento só sopra de vez em quando?-quis saber o homem.

-Viajo a procura de um marido para a filha de meu rei.-respondeu-lhe ela.

-Uma tarefa incomum! Não estou criticando seu rei, mas digo esposas devem ser conquistadas, não dadas.

Elizabeta perguntou-lhe se tinha uma esposa.

-Não, não tenho mulher.-disse ele.-Mas tenho um subordinado muito adorável, que vive comigo. Na verdade, é quase como ter uma esp...

Smash!

Sua fala foi interrompida por um tomate, saído de lugar nenhum, que lhe acertou a cabeça. De trás de uma porta, surgiu um rapaz de cabelos castanhos, parecendo bastante aborrecido. Elizabeta podia jurar que já o vira antes.

-Aí está você, Lovino!-exclamou Antonio, alegre, como se nenhum tomate tivesse sido arremessado.-Sente-se aqui para tomar vinho!

-Não.-o rapaz negou.-Qual é a graça de beber vinho com dois homens, idiota?

E com isso, desapareceu novamente.

-Às vezes, chego a pensar que ele sinceramente me detesta.-disse Antonio, com um suspiro.

-Se detestasse, por que trabalharia para você?-perguntou a princesa.

-Porque ele não tem para onde ir. Vive aqui desde criança e diz que não tem família.

Elizabeta foi deixada a vontade para fazer o que quisesse, enquanto Antonio ia tratar de negócios. Ele insistira que a moça passasse ficasse para o jantar e passasse a noite em sua casa. A princesa tratou de procurar Lovino e o encontrou trabalhando na plantação de tomates.

-Olá!-disse a menina.-Diga-me, é verdade que não tem família?

-Isso não é da sua conta.-o rapaz respondeu.

-Talvez não seja. Mas, em minhas viagens, encontrei uma...moça muitíssimo parecida com você, filha de um certo rei Roderich.

-Nunca ouvi falar.-Lovino disse, mas seu rosto se tingiu de vermelho.

-Verdade? Imaginei que pudesse ser seu pai.

-É claro que não é meu pai!-o rapaz exclamou, exasperado.-Ele é um grande idiota!

-Não disse que nunca tinha ouvido falar?

Lovino corou um pouco mais e soltou as ferramentas de trabalho.

-Arh!-fez ele.-Tudo bem, você venceu. Sou filho dele sim. Fugi do palácio quando era pequeno.

-Por que fez isso?-quis saber a princesa.

-Isso também não é da sua conta!

-Falar pode fazer com que se sinta melhor...

-Porque tinha ciúmes da minha irmã!-Lovino admitiu, aborrecido.-Ela sabia pintar e cozinhar e fazer tudo!

-Compreendo. Mas não tem vontade de voltar ao seu palácio? Você não precisaria mais trabalhar. Viveria como um príncipe, que é o que você é.

-Tal coisa já me passou pela cabeça.-falou o rapaz.-Mas eu não quero ir embora daqui.

-Por quê?

-Isso não é da sua conta.

Dessa vez, o rapaz deu-lhe as costas e Elizabeta entendeu que não arrancaria mais nada dele. Mas imaginava o motivo de ele querer ficar.

“Por que estou ficando cada vez mais acostumada com esse tipo de absurdo?” – pensava ela, um pouco preocupada.

À noite, Antonio cedeu um quarto para Elizabeta dormir. Dormiu muito confortavelmente e, na manhã seguinte, ao procurar seu anfitrião na plantação de tomates, encontrou-o parecendo muito preocupado. O motivo era que havia muitos pés destruídos e tomates esmagados pelo chão.

-O que houve? –perguntou a jovem.

-Alguém veio, à noite, e fez isso. Já é a terceira vez que acontece.-disse-lhe o rapaz.

-Tem alguma ideia de quem pode ser o culpado?

Antonio hesitou antes de responder:

-Lovino. Olhei pela janela ontem e o vi correndo pelos campos perto dos tomateiros.

-Por que ele faria isso?

-Porque me detesta.-falou Antonio, com desgosto.

Elizabeta achou que a história parecia mal contada. Pediu ao homem para permanecer mais uma noite em sua casa, com a justificativa de que estava cansada e precisada de mais descanso. Na realidade, o que ela queria era resolver o mal entendido dos tomates, pois seria uma boa forma de agradecer a hospitalidade oferecida.

Assim, quando anoiteceu, Elizabeta se escondeu entre os tomateiros e aguardou. Não precisou esperar muito, pois não um, mas dois homens se aproximaram. Um deles tinha cabelos loiros e compridos e o outro era realmente a cópia viva de Lovino! Curiosamente, eles se moviam juntos e lutavam ao mesmo temo e pareciam tão concentrados no duelo que não percebiam aonde iam. Entraram no meio da plantação, sem notar que esmagavam os tomates e tomateiros.

A princesa saiu de seu esconderijo e disse:

-Amigos!-exclamou ela.-Prestem atenção aonde vão, pois estão destruindo a plantação!

Eles não pareceram ter ouvido, pois continuaram sua luta com a ferocidade de dois lobos brigando por comida.

-Parem com esse duelo!-gritou Elizabeta.

Foi como se estivesse gritando para a noite, pois não houve qualquer reação. A moça, então, irritou-se. Puxou sua frigideira da bolsa e acertou-a na cabeça de cada um deles. Foi só então que pararam, parecendo um bocado atordoados.

-Muito obrigado, amigo.-agradeceu o de cabelos loiros.-Nós lutávamos há três dias e três noites sem parar. E teríamos lutado até morrermos de cansaço, se você não nos tivesse parado.

-Não foi nada.-disse a moça.-Se tiverem que lutar, da próxima vez, escolham um lugar longe de plantação.

-Faremos isso.

Após a partida, Elizabeta refletiu que duas pessoas teriam que se gostar bastante para ficarem juntas três dias e três noites, ainda que fosse lutando sem parar.

De manhã, Elizabeta explicou a Antonio o que realmente acontecera com seus tomates e o rapaz ficou felicíssimo.

-É bom saber que minha plantação está a salvo!-disse ele.-E também que Lovino não estava tentando me arruinar.

-Ele jamais faria isso!-garantiu a garota.-Pois na realidade, gosta muito de v...

Smash!

Um tomate acertou-lhe a boca antes que ela pudesse terminar. Dessa vez, Lovino não apareceu para clamar a autoria do arremesso. Depois disso, Elizabeta declarou que precisava seguir viagem.

-Por que não fica mais um dia?-ofereceu Antonio.

Ela recusou, educadamente, dizendo que precisava continuar sua busca. Mas, principalmente, não se atrevia a provocar ainda mais os ciúmes de Lovino. Despediu-se dos dois homens e, levando consigo uma boa quantidade de tomates, prosseguiu com sua jornada.

Prosseguiu e prosseguiu, por caminhos inimagináveis que ela não se lembraria depois. Prosseguiu até que ficou muito cansada e resolveu parar para descansar, à beira de um lago, em uma bonita floresta.

“Será possível que não existe mais, em todos os sete reinos, um rapaz corajoso que não esteja emocionalmente ligado a outro garoto?” – pensava Elizabeta, frustrada.

Aborrecida, ela apanhou uma pedra e jogou-a no lago, fazendo-a saltar até atingir um arbusto de plantas aquáticas.

-Ai!-gritou o arbusto.

Mas, como vocês sabem muito bem, arbustos não gritam. Elizabeta também sabia disso, por isso falou:

-Quem está aí?

-Sou eu...

Uma figura muito graciosa surgiu, entre as plantas. Era um belo rapaz de cabelos loiros, que parecia um pouco hesitante e um pouco triste.

-Peço desculpas por ter-lhe acertado.-disse Elizabeta.-Não o havia visto.

-Não tem problema.-ele sorriu, tristemente.-Isso acontece com muita frequência.

Elizabeta convidou-o a sentar-se com ela e comer alguns tomates (ela os tinha aos montes). O jovem agradeceu e disse que se chamava Matthew.

— Pouca gente passa por aqui, por isso, estou feliz em ter companhia. O que traz o essa floresta?-quis saber ele.

-Tenho uma missão.-respondeu a moça.-Mas começo achar que é impossível completá-la.

-Talvez não seja.-disse Matthew.-Se você me ajudar, posso lhe conceder um desejo.

-Um desejo?

-Sim, pois sou uma fada.

-Uma fada?-a princesa repetiu, incrédula.-Mas você é um garoto!

-Na verdade, sou mestiço.-disse ele, um pouco embaraçado.- Minha mãe é fada, mas meu pai é humano. Não sou nem uma coisa, nem outra. Por isso, muitas pessoas não podem me ver.

-Isso é muito triste.-declarou a moça.

-Mais triste ainda é não poder ser visto pela pessoa que mais amo.-falou Matthew.- Todos os dias, essa pessoa passa por essa floresta, mas não escuta minha voz, nem me vê, nem pode me tocar.

-Não há nada que você possa fazer? –perguntou Elizabeta, que nunca amara ninguém além de seu pai e de sua mãe e achara muito comovente a história do jovem.

-Há uma poção mágica, que me foi ensinada por um amigo meu, um urso. Ela pode fazer com que a pessoa que eu amo me veja. Mas preciso de alguém a entregue.

-Então está resolvido. Eu farei isso.-disse a moça.-Gosto de ajudar a quem precisa.

E além disso, era sua única esperança: fazer um desejo a fada para encontrar um jovem corajoso e forte para ser seu esposo.

Matthew ficou profundamente agradecido e garantiu-lhe que realizaria seu desejo no final.

-A pessoa que eu amo vem nessa floresta todos os dias.-explicou ele.-Preciso que você a convença a passar essa poção nos ouvidos. Ela permitirá que essa pessoa ouça minha voz.

A poção era uma mistura mágica de orvalho matutino com pétalas de girassol, folhas de videira e cascas de pera cortadas com faca de bronze, tudo temperado com as lágrimas de Matthew, conservados em uma taça de bronze.

Elizabeta escondeu-se entre os arbustos e esperou. Logo, ouviu barulho e cantorias alegres de alguns rapazes que entravam na floresta. Matthew indicou seu amado: era o jovem de cabelos loiros e compridos, chamado Francis.

A princesa não se surpreendeu que fosse um rapaz. Aliás, eu diria que nada mais nesse mundo a surpreenderia.

Logo que os rapazes chegaram, fadas surgiram de todos os lados para conversar com eles. Elas pareciam especialmente interessadas em Francis, mas fugiam quando ele tentava pegá-las.

Quando o jovem separou-se dos outros,para perseguir uma fada risonha , Elizabeta saltou na frente dele.

-Deus lhe dê bons dias!-disse ela.

-A você também, companheiro.-respondeu-lhe o rapaz, surpreso.-Você não viu uma fada passar por aqui?

-Não vi fada alguma.-disse a moça.-Mas eu diria que perde seu tempo. Não se pode encontrar uma fada, se ela não quiser ser encontrada.

-Mas ela quer ser encontrada.-Francis riu.-Está apenas brincando. É claro que não pode resistir a mim.

-Se é assim, vou-lhe contar algo que talvez o interesse.-falou Elizabeta.-Tenho aqui uma poção que aumenta o sentido da audição. Permite que você escute até mesmo o barulho de uma formiga caminhando sobre uma folha. Não será problema escutar os delicados pezinhos de uma fada tocando a relva.

Francis acreditou imediatamente na história e ficou muito interessado.

-Dê-me um pouco dessa poção maravilhosa! Com ela, nenhuma fada escapará de mim.

Elizabeta deu-lhe a poção em uma taça de bronze e o rapaz banhou as duas orelhas com ela. Depois, a princesa despediu-se dele e escondeu-se novamente.

Matthew começou, então, a cantar uma bonita canção que pareceu reverberar por toda a floresta. Flores se abriram e as árvores tornaram-se mais verdes ao ouvi-lo. Quanto a Francis, ele esqueceu-se completamente da fada que perseguia e parou para escutar.

-Que voz magnífica! Um coro de anjos não poderia ser mais belo!-exclamou ele.- Revele-se, dono de tão perfeito canto! Venha para os meus braços!

Ele procurou, em vão, de onde vinha a encantadora voz. Não tendo encontrado, retornou por onde viera.

No dia seguinte, Matthew explicou a Elizabeta:

-Essa poção permitirá que ele me veja. Você deve convencê-lo a passá-la nos olhos.

Dessa vez, a poção era uma mistura de orvalho vespertino com pétalas de papoula, folhas de macieira e cascas de melancia cortadas com faca de prata, também tudo temperado com as lágrimas de Matthew, conservados em uma taça de prata.

Elizabeta escondeu-se novamente entre os arbustos e esperou. Francis não tardou a aparecer, com seus amigos, para divertir-se com as fadas. Entretanto, o jovem parecia tão interessado nelas. Ao encontrá-lo sozinho, Elizabeta saiu de seu esconderijo.

-Deus lhe dê bons dias!-saudou a moça.

-A você também!

-O que achou da poção que lhe dei ontem?-perguntou Elizabeta.

-Fantástica.-respondeu o rapaz.-Graças a ela, fui capaz de ouvir o canto mais doce de todos os mundos. Mas gostaria muito de saber quem o cantou!

-Tenho aqui uma poção que pode resolver seu problema.-disse a princesa.-Ela aumenta o sentido da visão e fará com que enxergue uma minhoca saindo da terra, a léguas de distância.

-Dê-me essa poção também.-pediu-lhe Francis.-Sinto que enlouquecerei se não conhecer o dono de tão doce canto.

A moça entregou-lhe a taça de prata e o rapaz banhou os olhos com a poção. Novamente, ela despediu-se dele e foi se esconder.

Dessa vez, Matthew apareceu diante de seu amado, inteiramente vestido de branco e ouro. Francis ficou maravilhado.

-Quanta delicadeza.-disse ele.-Juro que jamais, em toda a minha vida, vi uma criatura tão bela.

Porém, quando ele tentou tocar a linda aparição, Matthew fugiu de suas mãos. O jovem tentou e tentou segurá-lo em seus braços, mas não conseguia alcançá-lo.

-Não fuja de mim, linda visão. Eu o amarei como ninguém jamais amou!

Seus pedidos foram em vão e Matthew desapareceu. O jovem, então deixou a floresta novamente, esquecendo-se completamente das fadas e de seus amigos.

No dia seguinte, Matthew disse a Elizabeta.

-Essa poção permitirá que ele me toque. Você deve fazê-lo lavar as mãos com ela.

A última poção era uma mistura de orvalho noturno com pétalas de lírios, folhas de pessegueiro e cascas de laranja cortadas com faca de ouro, temperado com as lágrimas de Matthew, conservados em uma taça de ouro.

A princesa escondeu-se e esperou. Daquela vez, Francis entrou sozinho na floresta e ignorou completamente as fadas que foram até ele.

-Deus lhe dê bons dias.-cumprimentou Elizabeta, revelando-se.

-A você também!

-O que achou da poção que lhe dei ontem?

-Maravilhosa. Graças a ela, coloquei os olhos na mais bela figura jamais vista. Mas não consegui tocar sua delicada pele.

-Tenho mais uma poção que lhe pode ser útil.-disse a princesa.-Ela aumenta o sentido do tato. Permite que você toque o próprio ar, que é intocável.

-Dê-me essa poção, pelo amor de Deus.-pediu Francis.-Eu farei com que aquele belo jovem seja meu, ou jamais terei felicidade.

Elizabeta entregou-lhe a taça de ouro para Francis lavar as mãos com a poção mágica e tornou a esconder-se.

Matthew mostrou-se novamente para ele e, imediatamente, Francis o tomou em seus braços e envolveu-o em um abraço que quase o sufocou!

-Não fuja mais de mim.-disse ele.

Somente depois de muito tempo, Matthew pareceu lembrar-se de Elizabeta, que ainda aguardava, escondida entre os arbustos, sentindo-se como uma pessoa que está no lugar errado, no momento errado.

-Você me prestou um grande favor.-disse ele.-Pode fazer qualquer desejo e eu atenderei.

Elizabeta refletiu e disse:

-Desejo apenas a felicidade de vocês.

E com isso, partiu da floresta, sem intenção de continuar sua busca por um esposo.

Depois de tudo o que vira naquela viagem, ela concluiu que não era suficiente que seu marido fosse corajoso e forte. Era necessário que ele a amasse. Amasse da forma inocente como Ludwig amava “Felicia”. Da forma protetora como Toris amava Feliks. Da forma companheira como Arthur amava Alfred. Da forma gentil como Heracles amava Kiku. Da forma agradecida como Yao amava Ivan. Da forma dedicada como Berwald amava Tino. Da forma ciumenta como Lovino amava Antonio. Da forma apaixonada como Francis amava Matthew.

Com esses pensamentos, a princesa começou sua jornada de volta para seu castelo. Porém, não tinha andado muito quando alguém se colocou em seu caminho. E, adivinhem só, era Gilbert!

“Será possível que nunca me verei livre dele?” – pensou a moça.

-Então, você é uma mulher!-disse ele, apontando o dedo para ela.-Pode ter tentado me enganar, mas é claro que o inteligentíssimo eu descobriu sua farsa!

Cá entre nós, tendo colocado a mão nas regiões vitais da moça, eu diria que ele teria que ser uma toupeira louca e burra para não descobrir. Foi exatamente o que Elizabeta pensou.

-Sim, sou uma mulher.-falou ela, retirando o chapéu e soltando seus longos e belos cabelos.

Gilbert pareceu até esquecer as palavras, pois a princesa era mesmo muito bonita!

-Está aqui para uma nova luta?-perguntou ela.

-Não diga bobagens!-exclamou o rapaz.-Eu não lutarei com uma mulher!

-Então, o que quer de mim?

O garoto ficou tão vermelho quanto seus olhos, mas manteve a pose altiva quando anunciou:

-Vim lhe conceder o enorme privilégio de ser minha esposa!

Elizabeta ficou positivamente perplexa e, sinceramente, eu não a culpo. Aquele rapaz que a perseguira pelos setes reinos, estava ali, envergonhado e nervoso, pedindo sua mão?

-Você me ama?-perguntou ela.

Gilbert ficou surpreso com a pergunta e corou ainda mais.

-Que pergunta mais absurda!-disse ele, em tom de exasperação.-Afinal, estou aqui anunciando que escolhi você para ser minha esposa, não estou? Não estaria fazendo isso se não amasse, estaria?

Elizabeta não precisava de mais nada. Saltou nos braços do rapaz e disse:

-Eu sou sua e você é meu. Pá e enxada nos separem.6

Os dois se casaram logo que chegaram ao castelo de Elizabeta. A festa durou sete dias, teve comida e bebida até ninguém aguentar mais e música até todo mundo desmaiar de cansado. Eu sei, porque eu fui convidado!

Depois, a princesa Elizabeta e Gilbert viveram felizes e vivem até hoje, se ainda não morreram!

Notas finais
8 É uma frase recorrente nos contos húngaros que eu li. Equivale a “até que a morte nos separe”, sabe? Achei tão adorável que quis colocar aqui.Bom, foi isso. Eu termino aqui. Pode ser que mude de ideia sobre essa historinha tonta em um futuro próximo e venha deletá-la do meu perfil. Não sei ao certo. Se, por acaso, ela lhe agradou, caro leitor, eu peÇo que deixe uma review. Isso faria uma autora muito feliz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!