A Princesa e a Demônio

6 Capitulo 5: O segredo das Muse


Notas iniciais
AI o está... sem demoras dessa vez >.< Bem enrosquei nem uma parte do capitulo lol Acho que dá para ir prosseguindo mesmo assim ^^ Sem mais delongas, boa leitura

Capitulo 5: O segredo das Muse

– Definitivamente esse lugar é estranho e bonito ao mesmo tempo. – Maki ponderou andando ao lado da morena pela floresta.

Não era uma floresta normal, eram flores gigantes que nasciam ali, tão grandes quando arvores, e com certeza poderiam ter o triplo do tamanho das arvores de flor de cerejeira. Até mesmo os cogumelos eram grandes. Tão grande que Maki poderia facilmente se deitar sobre um deles e usar como uma cama de casal.

– Esse lugar não mudou muito... – Nico murmurou. – Está vendo aquela rosa branca bem ali? – Apontou para a enorme planta. – Eu a plantei há muito tempo atrás. – A morena parecia orgulhosa pelo feito.

– E do que vocês viviam aqui? – Maki perguntou curiosa.

– Bem, éramos quase como uma tribo indígena, ninguém de fora vinha e ninguém de dentro saía, então vivíamos como tribos vivem, caçando, pescando, e plantando. – Nico respondeu sem olhar para trás.

– De alguma forma não consigo me imaginar vivendo dessa forma... – Maki comentou olhando para os lados, foi quando viu algo se mover, cruzou a distancia que a separava de Nico grudando em seu braço esquerdo – Nico chan... As plantas daqui se movem? – A ruiva perguntou mesmo que achasse a ideia ridícula.

– Maki chan, você nunca ouviu dizer que aqui é um dos lugares mais perigosos do mundo? Mantenha se na trilha e não me solte e você ficará bem. – Nico respondeu a pergunta da ruiva indiretamente. E sim, era uma resposta positiva.

Seguiram rapidamente pela trilha. Maki observava com o canto dos olhos algumas plantas moverem discretamente suas raízes, um arrepio percorreu sua espinha. Como um povo poderia sobreviver em tais circunstâncias?

– Antigamente não era assim... Depois da organização chegar aqui as coisas mudaram... Há suspeitas que eles tentaram transformar flores em demônios devoradores de humanos, mas não sei se é verdade. – Nico explicou a situação.

– Então se você estiver andando sozinha por aqui nada vai te acontecer? – Maki perguntou curiosa.

– Exatamente, já que as Muses são supostamente as únicas demônios da face da terra, ninguém pode te encontrar aqui sem ser morto, a menos que seja um demônio. – Explicou rapidamente apressando o passo.

Logo a vila se mostrava perante elas. Por algum motivo as flores ambulantes não ousavam chegar perto da vila e Maki estaria segura lá, entraram na casa que estavam usando, Nico lavou as mãos para começar a fazer o jantar enquanto Maki se sentou em um desconfortável banco de madeira.

As coisas não eram luxuosas como em seu palácio, muito pelo contrario, lembrava até mesmo a cozinha dos guardas da casa, se perguntava se todas as pessoas que não eram da realeza viviam daquela forma.

Agora parando para pensar o quarto de Nico no castelo também era bem simples. Simples até demais para o seu gosto. Uma cama com um colchão, uma mesa quadrada de madeira, uma cadeira também de madeira e uma pequena cozinha.

Observou a morena mover habilmente a mão cortando os alimentos, se perguntava o porque de seu pai ter mandado lhe sequestrar, passaram o dia juntas, mas sua mente estava ocupada demais tentando roubar beijos da morena para se lembrar de tantas coisas.

– Nico chan. – Maki chamou a morena que murmurou algo em resposta. – Por que exatamente meu pai te pediu para me sequestrar? – A princesa perguntou sem rodeios.

– Não sei dos detalhes, mas a Eli tem uma suspeita sobre o príncipe... Há cerca de trezentos anos quando atacamos aquela região para exterminar os demônios, surgiu um rumor sobre ter sobreviventes. – Respondeu calmamente.

– Sobreviventes? – Maki perguntou sem entender.

– Bem, a Eli suspeita que ele possa ser um desses sobreviventes, ou até mesmo seu descendente... Seu pai achou estranho, uma vez que aquele reino nunca havia se interessado por uma aliança, eles proporem o casamento algum tempo depois de uma das Muse ter aparecido como cavaleiro dele. – Nico ainda não parecia estar dizendo tudo.

– E tem mais algum motivo para isso? – Maki perguntou se levantando. – Por que a Eli mandou você se há tantas outras garotas no castelo? – A pergunta da princesa fez Nico parar de cortar os legumes.

– Não sei se teve algum motivo especial para isso... – Nico respondeu corando. Agradeceu por estar de costas para Maki.

– Talvez o nosso primeiro beijo... – A ruiva murmurou o pé da orelha de Nico. – Ou foi você que pediu para isso? – Resolveu brincar um pouco e beijou o pescoço da demônio.

– Maki chan... – Nico suspirou.

– Desculpe atrapalhar. – Maki pulou no lugar e olhou para a porta onde Nozomi e Eli se encontravam. – Viemos ver se vocês estão bem. – A bruxa adentrou na casa se cerimônia alguma.

– Aconteceu algo, Eli? –Nico perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Bem... Nico, o rei pediu para você manter a Maki Hime em segurança por pelo menos um mês. – A loira disse um pouco nervosa.

– Vocês confirmaram a suspeita... – Aquela era uma afirmação e não uma pergunta.

– Sim... Vimos alguns homens do castelo andando pela floresta hoje de manhã cedo, eles não foram devorados, então provavelmente são demônios. Nico, eu aconselho vocês a saírem daqui. – Eli agora estava seria. A morena estreitou os olhos com o que ouviu.

– Não há muitos lugares para ir... – Nico disse cansada.

– Vocês podem ir fugindo e depois voltar para um lugar já usado, apenas para não serem pegas de surpresa. – Nozomi propôs e Nico bufou.

– Por que exatamente temos que fugir? – Maki perguntou enquanto brincava com uma mecha de cabelo com os dedos.

– Porque se algo der errado quero ter certeza que você estará em segurança. – A loira olhou nos olhos violetas de Maki.

– Vocês devem ter ficado malucas! – Nico exclamou se virando para encarar as amigas demônios. – é impossível a Hime Sama estar segura ao meu lado, vocês sabem, e se eu me tornar um demônio? – Perguntou preocupada.

– Nicocchi, você já deveria saber muito bem que é impossível você se tornar um demônio. – A bruxa ditou cruzando os braços.

– Por que diz isso? – Nico perguntou para o espanto de Eli e Nozomi.

– Nico, você não sabe o porquê de ter sido escolhida? – Eli perguntou ainda surpresa.

– Esqueceu que eu matei aquele cara antes dele poder me dizer o porquê, e outra eu apenas acho que foi uma escolha aleatória no meu caso. – A garota de olhos vermelhos voltou a olhar para o a panela onde estava cozinhando seus alimentos.

– Mas qual foi a habilidade especial da Nico? – Maki perguntou um pouco impaciente.

– Bem, Hime sama, quando a imagem da Nico lhe vem a mente não tem nada que chame a atenção? – A comandante perguntou e Maki pareceu pensar.

– Os olhos vermelhos. – Respondeu de primeira.

– Nicocchi, é bom que se prepare para o que vamos contar. – Nozomi preveniu a morena, Nico apenas ficou tensa com aquilo. Na verdade sempre temeu saber o motivo para terem lhe escolhido para aquilo.

– É apenas uma suposição, mas o mestre da Umi deixou um escritura sobre o que levou cada uma de nós a ser escolhida, e no caso de Yazawa Nico, foi porque... – Eli fez uma pausa pensando em como dizer. – Nico na verdade não foi submetida pelo processo de transformação. – Ouviu se o barulho de algo cair no chão, era colher que a morena estava usando para misturar a panela.

– O que você quer dizer com isso, Eli? – Nico perguntou se virando e batendo na mesa de madeira com força. – Se Nico não foi transformada, quer dizer que Nico sempre foi um meio demônio? – Ela havia entendido perfeitamente o que Eli havia dito, mesmo que a morena não se destacasse por sua inteligência como Umi ou Nozomi.

– Não, Nico, você não é uma meio demônio, é uma demônio por inteiro. – Eli respondeu, a menor do grupo olhou para baixo, e as duas outras demônios já previam o estado de Ura em que Nico entraria com aquela informação.

Longos minutos se arrastaram e Nico não moveu nenhum musculo. Não era possível... Tinha certeza que havia passado por uma experiência longa e dolorosa onde abriram varias partes de seu corpo, e bagunçaram alguma parte de sua cabeça para implantar o chifre.

– Isso não é verdade... – Nico murmurou sem entender.

– Nicocchi, nos registro dizem que todas as pessoas que moravam nessa vila eram demônios... – Nozomi tocou no ombro de Nico, a morena repeliu o toque com a mão e se afastou dando risada.

– Nico! – Eli estava assustada agora.

– Parem de brincar... Nico um demônio por completo? – A garota começou a rir. – Isso não tem como ser verdade! – Exclamou aos berros antes de sair correndo para fora da residência. Eli temia o que poderia acontecer com isso.

– Nico chan! – Maki se levantou para correr atrás da outra, mas Eli a deteve. — Isso realmente é verdade? – Maki perguntou olhando para loira. Nozomi simplesmente tirou a panela do fogo antes que queimasse todo o seu conteúdo.

– O mestre da Umi antigamente também era membro da Organização, então deve ser verdade. – A loira soltou um longo suspiro.

– Na verdade até nós mesmas estávamos duvidando disso, mas quando derrotamos a organização, Nicocchi já estava descontrolada em um estado de Ura que poderia transformá-la em demônio a qualquer momento, foi assustador ver ela destruindo e matando tantas pessoas, mais tarde o mestre da Umi nos contou a verdade, Nico não pode virar demônio porque já é um demônio. – Nozomi explicou enquanto procurava por alguns pratos e talheres.

– Nico não se lembra do que aconteceu naquela noite, então dissemos que umas das meninas que morreram havia se transformado em demônio e feito tudo... De vez em quando ela parece ser meio consciente do que aconteceu... – Eli estava visivelmente desanimada.

– Mas a Niccochi é forte. Tem uma força que muitos duvidam que ela tenha, então vai conseguir superar isso... – Nozomi estava olhando para o céu através de um buraco na parede.

Nico estava sem folego. Havia corrido o máximo que pode e agora estava no meio das plantas gigantes. As palavras de Eli ainda estavam se repetindo em sua mente. “Um demônios completo.” Aquilo só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto.

E mesmo que tentasse negar, algo gritava em sua mente que aquilo era verdade. Que era uma demônio completa. Sentou se sobre um cogumelo gigante encolhendo suas pernas e escondendo o rosto nas mãos.

O pior de tudo é que fazia total sentido. As plantas devoradoras de humanos, sua vila estar em um lugar bem escondido, o medo que via nos olhos das pessoas daquela vila. Por que ninguém havia dito nada então? Ou talvez tivessem dito, mas havia se esquecido.

– Se Nico pudesse encontrar um resposta para tudo isso... – Nico soltou um longo suspiro. Observou as plantas devoradoras de humanos se aproximar, muitos humanos deveriam se aventurar por ali, ou elas já teriam morrido de fome, mas estavam bonitas e vistosas.

Continuou observando a flor andar, se perguntava porque isso estava sendo revelado agora. Justamente agora. Além disso tinha tantas coisas mais para se preocupar, como por exemplo os beijos que trocara com a princesa.

Não que não gostasse da ruiva, mas duvida que seu gostar fosse aquele tipo de gostar, afinal, respeitava e muito a princesa, e claro a queria sã e salva. Apenas isso.

Tornou a olhar para o céu, ou era a essa sua intensão uma vez que algumas folhas e pétalas tampavam o céu azul daquele lugar. Por algum motivo a princesa não para de vir a sua mente, era quase como um mantra. Se perguntava se era alguma feitiçaria de Nozomi ou apenas sua mente cansada lhe pregando peças.

Soltou um longo suspiro. Havia saído correndo e deixado Maki sozinha, e se algo acontecesse enquanto estivesse fora? Sem pensar duas vezes pulou de cima do cogumelo e se pôs a correr em direção da vila. Não poderia dar ao luxo de quebrar sua promessa com o rei e com todas aquelas pessoas que queriam o bem de Maki.

Sua missão era clara proteger a princesa Maki a todo custo. Não sabia ao certo do que, apenas tinha a impressão que não era apenas do tal príncipe, algo mais estava envolvido nisso tudo e tinha muito medo do que poderia ser. Não que fosse uma covarde, apenas não queria ter que voltar a matar. Não na frente de Maki.

Sim. Tinha que proteger a princesa. E era isso que deveria estar fazendo ao invés de ficar divagando sobre o que fazer, o que pensar, ou como deveria se sentir. Olhou em direção onde era a vila, mesmo que tivesse um monte de caules e flores a sua frente. Era isso. Tinha que voltar para onde tinha deixado Nishikino Maki, e não importava o que realmente era.

Voltou mais rápido do que quando havia fugido. Maki estava sentada no banquinho olhando para Nozomi e Eli quando chegara, a princesa tinha uma expressão surpresa no rosto. Então Nico resolveu apenas ouvir o que elas falavam.

– Quando o pai da Nicocchi descobriu toda a armação da organização ele fugiu para esse lugar, aqui conheceu a mãe dela e teve quatro filhos, mas esse esconderijo não durou por muito tempo, então ele foi embora na esperança que sua família ficasse segura. – Nozomi contou batucando a mesa de madeira com seus longos dedos.

– E o que aconteceu com ele? – Maki perguntou interessada.

– Nico o matou. – Eli respondeu sem rodeios. Ouviram o barulho de algo cair no chão, ali caída sentada na terra estava Nico. A morena olhara fixamente para o chão sob suas mãos. Não conseguiam ver sua expressão.

– Elicchi! – Nozomi gritou indo para frente de Maki. A loira do grupo entendeu e sacou sua espada, logo uma aura negra circundava o corpo da garota de olhos vermelhos. Maki se encolheu quando uma onda de ar quente e uma pressão atingiu seu corpo, até mesmo parecia que a terra estava tremendo sob seus pés.

Uma súbita tontura tomou seu corpo, não sabia se ela pela pressão ou medo de Nico, apenas não queria mais ver ou sentir nada. Deve ter sido por isso que os humanos tentaram eliminar todos os demônios, eles eram medonhos e perigosos no fim das contas.

– Lá vem ela. Não a deixe relar um dedo na nossa princesa. – Eli ditou entre os dentes observando Nico se levantar ainda olhando para o chão. Definitivamente aquilo era ruim.

Notas finais
Bem bem bem... Vamos indo com a história lol Sinceramente, não vejo a hora de terminar... Muitos projetos confundem a minha cabeça @_@ Kissus Se cuidem