A Princesa e a Demônio

9 Capitulo 8: Kokoro


Notas iniciais
Postando mais uma vez por conta do atraso. Boa leitura

Capitulo 8: Kokoro

Os cabelos negros balançavam ao vento. A garota de estatura baixa usava um lenço na cabeça para se proteger do sol, os fios longos estavam soltos e iam até a metade de suas costas, seus olhos vermelhos olhavam para a construção cor de rosa a sua frente.

– Kokoro chan, vamos logo. – A mulher mais velha chamou e então a garota a seguiu animadamente. – Espero que o rei te aceite no castelo. – A velha senhora disse.

– Eu também espero. – A garota respondeu sorrindo.

– Sua comida é boa, Kokoro nee, tenho certeza que eles vão te aceitar. – Uma jovem garota de cabelos loiros disse sorrindo de orelha a orelha.

– Obrigada, Yuu. – A garota agradeceu.

Kotori estava no salão principal, uma nova cozinheira e camareira iria ser contratada e estava ali para julgar a contratada. Então dez garotas do reino estavam ali, todas de classe baixa, mas vestidas impecavelmente.

– Não pode ser... – Eli que estava ali por ser a capitã da guarda murmurou olhando para a garota de cabelos negros e olhos vermelhos, ela era idêntica a Nico.

– Nico chan? – Kotori gritou em espanto se aproximando da garota.

– Ara, me desculpe, mas me chamo Kokoro. – A garota respondeu calmamente.

– Me desculpe Kokoro chan, você se parece muito uma amiga minha, mas ela desapareceu... Não tem como você ser ela. – Kotori disse sem jeito. – Hanayo chan, vamos começar a julgá-las. – Voltou a sua postura alegre.

Maki não prestou atenção nas outras garotas, apenas olhava para a morena, a garota não parecia nervosa, muito pelo contrario estava confiante em suas tarefas. Estavam cozinhando, um frango ensopado, o preferido do rei e da rainha, observou a morena sair da receita, ela não iria vencer mudando a receita favorita dos senhores.

Logo os pratos foram colocados na extensa mesa, o rei se levantou para provar cada uma delas, até que observou o ensopado feito pela garota que dissera ser Kokoro, além do frango e as batas, podia se ver alguns tomates e cenouras picadas.

O rei então provou o prato, foi algo mágico, era um sabor diferente, mas delicioso, então ele pegou mais uma colherada de comida, gemendo de satisfação.

– Excelente! É o melhor frango ensopado que já comi na vida! – Ele exclamou pegando mais uma colherada do prato. – Kotori, contrate essa garota. – Ele pediu.

Maki apenas olhou para a morena que tinha um sorriso satisfeito nos lábios, quem não parecia muito satisfeita era Anju. Erena e Tsubasa apenas observaram a pequena garota, ela realmente se parecia com Nico, mas era impossível ser ela, Nico estava na torre.

– Parabéns, Kokoro chan. – Hanayo cumprimentou a outra.

– Espere senhor. – Anju se aproximou rapidamente. – Por que passar ela? Ela nem fez o frango da forma que ele deve ser, colocou ingredientes a mais e... – O rei fez um sinal para que Anju se calasse.

– Não importa, eu quero ela e ponto. – O rei esbravejou.

– Mas, senhor! – Anju tentou argumentar novamente.

– Eu quero que ela seja a camareira da Maki também, então treine a para poder servir bem a minha filha, Hanayo. – O rei pediu e a garota de cabelos curtos assentiu.

– Kokoro chan, se esforce. – A rainha disse.

– Sim, obrigada pela oportunidade, rei e rainha. – A garota vez uma reverencia para ambos.

– Você vai ser minha empregada. – Maki se aproximou da menor a olhando dos pés a cabeça. – Humf. Espero que não seja como uma certa cavaleira que invés de arrumar destruía as minhas roupas de cama. – Maki disse para provocar.

– Não se preocupe, Hime sama, eu vou dar o meu melhor para lhe servir do jeito que vossa alteza merece. – A garota garantiu.

Maki sorriu, não importava o estilo de cabelo, a roupa ou o nome, Nico sempre seria Nico, e sempre a reconheceria por aquele brilho no olhar e aquela voz. Jamais esqueceria ou confundiria aquela voz. Tinha certeza aquela era a sua cavaleira.

– Bem, Hime sama, vamos ensinar algumas coisas principais para a Kokoro chan poder te servir bem. – Hanayo disse com as mãos nos ombros da garota mais baixa.

– Se for a Hanayo que ensinar, ela não vai fazer coisas erradas. – Maki disse por fim.

– Como disse mesmo que se chamava? – Anju perguntou desconfiada.

– Me chamo Sasahara Kokoro. – A garota respondeu. – Prazer em conhece-la. – Fez uma reverencia.

– Por que será que não acredito que você se chame Sasahara Kokoro? Para mim você se chama Yazawa Nico. – A cavaleira afirmou.

– Me perdoe, mas deve ser um mal entendido, porque meu nome realmente é Sasahara Kokoro. – A garota respondeu.

– Isso é verdade ou estão tentando me enganar? – Anju olhou para a senhora e a garota que vieram junto da outra.

– Sim, ela é filha da minha irmã que mora no Jardim Eterno. – A velha respondeu.

– Anju, pare com isso, é obvio que ela não é a Nico, afinal, sendo um demônio eu sentiria a presença dela claramente. – Erena disse cruzando os braços.

Maki então olhou para a morena de olhos vermelhos, bem Erena também não percebeu que Eli e as outras são meio demônios, talvez seu sensor estivesse quebrado. Então o salão foi se esvaziando, Maki olhou para a garota a sua frente.

– Você é realmente quem diz ser? – A princesa perguntou, a tal Kokoro não respondeu, apenas sorriu.

– Vamos indo, Kokoro chan. – Kotori chamou pela outra.

– Com sua licença, Maki Hime sama. – Com isso a pequena garota saiu atrás de Kotori e Hanayo em direção a um dos intermináveis corredores do castelo.

– Nico chan... – Maki murmurou suspirando. – Eu sei... – Não terminou a frase, pois era perigoso dizer, mesmo que estivesse sozinha.

~*~

Maki estava com os braços abertos e com o cabelo preso para frente, logo atrás estava a nova empregada ajudando a fechar seu vestido, hoje usaria um vestido rosa claro com rendas em branco, seu favorito.

– Maki Hime por favor aguente firme. – A garota pediu puxando os cordões do vestido, Maki por sua vez se sentia sufocada, se perguntava se aqueles vestidos eram feitos para matar por sufocamento. – Pronto! – Então rapidamente a morena amarrou o vestido.

– Posso respirar né? – A ruiva perguntou ofegante.

– Maki Hime, agora sente se para eu arrumar seu cabelo. – A morena puxou uma cadeira para Maki se sentar.

– Kokoro, quanto anos disse que tinha mesmo? – Maki perguntou.

– Dezoito anos, alteza. – Kokoro respondeu enquanto pegava a escova de cabelos da princesa. Tomou uma mecha de cabelos nas mãos e a escovou com cuidado para não quebrar os fios.

– Você me lembra uma pessoa. – Maki disse por fim.

– A tal Nico chan? — Kokoro perguntou rindo.

– Acho que todos devem achar que vocês são parecidas, mas realmente é uma coincidência não é? – Maki perguntou olhando para a morena através do espelho.

– Nesse mundo não existem coincidências, Maki Hime. – Kokoro respondeu ganhando um olhar assustada. – Nem tudo que se parece é, mas também não quer dizer que não possa ser. – A garota respondeu enigmaticamente

– Nico chan...? – Maki se virou para poder encarar a morena.

Os olhos vermelhos passavam um carinho que apenas os olhos de Nico emanavam quando a olhava. Esticou sua mão para poder tocar a pele pálida da outra, viu o sorriso que nasceu nos lábios da morena.

– Hime sama! – E então bateram na porta três vezes. – O rei e a rainha estão a esperando para o café da manhã. — Era a voz de Hanayo.

– Não os deixe esperando. – Kokoro disse estendendo a mão para servir de apoio para Maki se levantar.

– Você não pode ser a Nico chan... – Maki murmurou por fim. – Porque a Nico chan disse que não voltaria. – E então a princesa saiu de seu quarto.

Maki desceu os degraus até a sala de jantar, encontrou Tsubasa, Erena e Anju ali, junto de seus pais, odiava ter que vê-las tão frequentemente assim.

Nos últimos dias Maki passou a evitar encontrar com Eli ou Umi porque Erena sempre estava atrás delas, e Tsubasa sempre estava atrás de Honoka, Anju ficava sempre no castelo rondando o quarto de Maki, por isso a princesa do Vale das Flores de Cerejeiras passava os dias com Hanayo e Rin depois de suas aulas.

– O que vamos fazer para comemorar o fim de ano? – O rei trouxe o tópico.

– Por mim não comemoraríamos. – Maki respondeu sem rodeios. – Esse foi um péssimo ano! – Disse por fim cruzando os braços na frente do peito.

– Mas devemos fazer algo pelos aldeões. – A rainha argumentou.

– Como quiserem. – Maki respondeu dando de ombros, eram pessoas boas no fim das contas.

– A nova empregada te serviu bem? – O rei perguntou.

– Kokoro é uma garota muito agradável e gentil meu pai. – Maki respondeu limpando delicadamente a boca com o guardanapo.

– Deveria ser expulsa se não fosse. – Anju foi quem comentou.

– Além disso ela me diverte bastante, um pouco falante, mas ainda assim é uma boa companhia. – Maki então se levantou.

– Onde vai, querida? – A rainha perguntou.

– Ver onde a Kokoro está. – Maki respondeu sem virar a cabeça para olhar para a rainha.

Anju em tudo não gostou do que ouviu, apertou com força a mão em punho, talvez fosse a semelhança com Nico, definitivamente tinha que ser a semelhança entre elas. Mesmo assim havia ganho uma batalha importante, era noiva de Maki, além de ser da alta sociedade, coisa que nem Nico nem Kokoro eram.

Mais tarde quando Kokoro estava carregando uma bandeja de biscoitos e chá para servir as amigas da princesa, foi abordada pela cavaleira do Reino do Lago Vermelho, ela estava irritada, e a morena pode perceber isso.

– Você é a nova empregada da Maki Hime não é? – Anju perguntou irritada.

– Sim. — Kokoro respondeu sorrindo, estava tentando não se intimidar pela irritação da outra, Anju estreitou mais os olhos.

Kokoro sentiu o baque duro do chão quando caiu nele, algo quente escorria por seu queixo, levou as mãos ao local instintivamente sentindo dor, olhou o liquido vermelho que manchava seus dígitos, sangue. Olhou para os lados vendo biscoitos, cacos de porcelana e o chá espalhados pelo chão.

– Me perdoe, é que seu rosto me lembra muito o de uma pessoa desprezível. – A cavaleira declarou e estendeu a mão para ajudar Kokoro a se levantar.

– Não se preocupe. – Kokoro aceitou a mão que lhe era estendida.

Em uma fração de segundos sentiu sua cabeça bater na parede de pedra, agora Anju estava a segurando pelo pescoço, a empregada via apenas ódio e raiva nos olhos da outra, com dificuldade agarrou o pulso da cavaleira em uma tentativa de se soltar.

– Eu realmente não consigo me controlar ao ver esse rosto idêntico ao de Yazawa Nico! E pensar que a Maki Hime também prefere você que a mim. – Então acrescentou mais força no aperto, Kokoro sentia se sendo sufocada agora.

Uma flecha passou zumbindo alto, teria acertado o braço de Anju se ela não tivesse recuado, Kokoro caiu sentada no chão tossindo e segurando sua garganta.

– Anju! – Era Erena que estava com Eri e Umi, quem disparara foi a arqueira.

– Vai se arrepender por isso Sonoda Umi! – Anju disse irritada.

– Foi você quem provocou essa situação. – Erena gritou se aproximando em passos duros e fortes. – Vamos, peça desculpas para a Kokoro. – Ordenou.

– Não me humilharei a isso. – Anju respondeu virando se de costas e andando, Erena não a impediu, apenas foi atrás da outra ainda a repreendendo.

– Kokoro. – Umi se ajoelhou na frente da morena, Eli logo imitou o gesto.

– Você está bem? – Eli perguntou preocupada, porem Kokoro não respondeu.

– Será que o aperto afetou as cordas vocais dela? – Umi se perguntou preocupada.

– Vamos levar ela para a Kotori, ela vai saber como ajuda-la. – Eli deu a ideia, e Umi então acenou positivamente.

– Urgh ta.... – A dupla então olhou para a morena que tentava dizer algo.

– O que foi Kokoro? Quer alguma coisa? – Eli perguntou preocupada.

– Não se preocupe vamos leva-la para a Kotori e ela vai tratar de você. – Umi disse para tranquilizar a morena.

– Ca...lhe...ra... – Tentou dizer com dificuldade.

– Kokoro? – Eli entortou a cabeça.

– Maldita Cavalheira! Quando Nico por suas mãos nela ela vai se arrepender de ter nascido! – Kokoro vociferou no auge da raiva

– Quando Nico...? – Umi repetiu a frase.

– Não me diga que... Você é a Nico? – Eli estava surpresa olhando para a garota a sua frente.

– Não! Eu apenas disse meu apelido de infância, meu nome é Sasahara Kokoro. – Kokoro respondeu tratando de se levantar rapidamente e passar a mão pelo vestido para tentar limpá-lo um pouco, estava sujo de biscoitos e chá preto.

– Como pode demorar tanto apenas para trazer chá e... – Maki parou de retrucar assim que viu o estado da nova empregada. – O que aconteceu com você? – A princesa perguntou se aproximando as pressas.

– Eu tropecei e caí. – Kokoro mentiu.

– Diga a verdade para ela, Kokoro. – Eli foi quem disse.

– Verdade? – Maki estava sem entender.

– Anju a atacou. – Umi foi quem respondeu. – Quando chegamos aqui com a Erena, Anju estava tentando estrangula-la. – Explicou a situação.

– E esse corte nos lábios e na bochecha? – Maki tocou a face da morena.

– Deve ter sido por causa da armadura da Anju. – Eli foi quem respondeu.

Mas aquilo não ia ficar apenas por isso, Anju iria pagar por ter agredido sua nova empregada, e aparentemente Kokoro não parecia ter culpa alguma, só precisava arrancar a verdade das duas garotas.

Notas finais
Com isso quito a minha divida? Pois bem... Vou me indo que ainda tenho mais coisas para fazer... Kissus Se cuidem