A Princesa de Nárnia
1 Capitulo único - O Casamento Real
Notas iniciais
O verde e vasto campo estendia-se por quilômetros a fim. Entre os longos fios verdes de grama, um belo cão negro corria apressado para chegar ao castelo fronte ao mar. O majestoso castelo era incrivelmente belo e brilhante, com sua quantidade infinita de vidraças, torres e verdes plantas. O castelo era conhecido até onde sua vista pudesse alcançar, por Cair Parável. Em sua torre mais alta, repousava sua esbelta princesa, a bela Eduarda Montaquel. Ela possuía longos cabelos negros, e olhos azuis como as águas cristalinas do mar que desaguava na areia da praia. Usava um belíssimo vestido branco, com cristais cintilantes, jóias magníficas, e uma tiara de pérolas. Um conjunto perfeito, se acompanhado de um encantador sorriso, mas o que pairava em seu rosto, era uma lágrima solitária, que teimava em rolar por sua face. A princesa deve se casar esta noite, com o homem mais insuportável que ela já pudera conhecer: Edward Swan.
Sr. Swan era o futuro rei de Arquelandia. Seu pai, Carolino, estava a menos de um passo de se ir dessa vida. O rei de Nárnia, e pai de Eduarda, Zeus Montaquel, amava a filha mais do que tudo, porém ele, e toda a corte, sabiam que para o bem e futuro de Nárnia, Eduarda deveria se casar. O melhor partido para ambos os lados, era o jovem Edward, porém Eduarda se recusava a casar-se com ele, declarando ao pai que ela havia se apaixonado por um viajante das terras distantes de Olimpa. Zeus, por influencia da corte, que achava que a jovem princesa havia enlouquecido, trancou-a na torre mais alta do castelo. Agora a princesa esperava na alta torre, que seu amado viajante, conseguisse salvá-la de seu cruel destino.
A algumas milhas de distancia, o cão negro parara diante de um estranho grupo reunido embaixo de uma macieira dourada. O grupo era composto de: Bastet, a deusa dos gatos; Grover, o sátiro ruivo; Ripchip, o rato “lutiador”; Legolas, o elfo; e Alvo Gandalf Dumbledore, o mago. O cão remexeu-se inquieto, sacudiu o pelo, e deu lugar a sua forma humana: Edmundo Black, o esquisito.
Edmundo era um ótimo garoto, sempre obedecera aos pais, nunca trapaceava nos jogos de cartas, e sempre fazia o que lhe pediam. Em uma dessas vezes, em que ele havia ido à feira, buscar leite que faltava em sua casa, ele encontrara a jovem princesa narniana. No momento ele não sabia se tratar da princesa, pois Eduarda havia vestido as vestes da empregada, e fugido do castelo. Edmundo a cumprimentou, como sempre fazia com todos da vila, mas por algum motivo não conseguia tirar os olhos da garota a sua frente. Ela olhava os produtos, mas estava com cara de quem não ia levar nada, e isso parecia estar estressando o vendedor.
–Mocinha, se não for levar nada, retire-se. Você esta atrasando a fila! –disse o vendedor, já estressado.
–Não fale assim com uma dama! –retrucou Edmundo, defendendo-a. O rosto do vendedor ficou extremamente vermelho, ele parecia que ia explodir.
–FORA DAQUI! OS DOIS! –ele gritou, afugentando-os.
Os dois jovens saíram correndo, antes que ele tacasse as frutas do carrinho de mão em suas cabeças.
–Desculpe-me por fazê-lo ter que sair da feira. –pediu Eduarda- E agradeço por me defender.
–Por nada. –Edmundo sorriu para ela- Ele não tinha o direito de tratá-la assim. E quanto à feira, eu nem pretendia comprar nada na barraca dele mesmo. A propósito, sou Edmundo Black.
–Eduarda. –ela disse simplesmente, ele beijou sua mão, deixando-a corada.
–Então... Senhorita Eduarda... –ele sorriu- Nunca a vi por essas bandas, você não esta acostumada a vir aqui, ou esta só de passagem?
–Só de passagem. –ela mentiu.
–Entendo. Então, bem-vinda a Nárnia. –ele disse, sorrindo.
–Obrigada.
–Se não for intromissão de minha parte, o que a senhorita faz por aqui?
–Só estou dando uma volta, tentando sentir novos ares. –ela respondeu, medindo suas palavras.
–Ah, certo. –ele disse- eu tenho que comprar leite para minha mãe, quer me acompanhar?
–Eu adoraria. –ela respondeu, sorrindo. Edmundo estendeu o braço a ela, que enganchou o seu, e ambos seguiram pela rua até a próxima barraquinha da feira.
Eduarda estava encantada. Pela primeira vez, um desconhecido havia lhe tratado de forma agradável, sem que fosse falsamente. Essa era a única desvantagem de ser uma princesa, todos a tratavam bem, por mera obrigação para com o reino. A exceção eram alguns empregados e seus pais.
Eles chegaram à última barraquinha da rua. Era a mais modesta, simples e também mais ajeitada. Nela estava uma velha senhora, usando vestes feitas de um pano desgastado. Seu cabelo estava mau cuidado, e ela parecia extremamente cansada.
–Olá querido. –ela sorriu, ao ver Edmundo se aproximando.
–Olá senhora Athena. –ele sorriu- como vai?
–Estou cansada de tanto trabalhar, já não sou mais jovem, e as vendas não vão nada bem. –ela respondeu, como se fosse óbvio- mas a vida continua, e tenho que continuar com o trabalho se quiser sobreviver.
Edmundo deu de ombros, como se fosse uma coisa normal de se dizer. Eduarda continuava surpresa.
–E quem é essa jovem engatada em seu braço? –Athena perguntou, sorrindo para a morena.
–Ah, essa é a Eduarda. –Edmundo apresentou-a- e essa é a senhora Athena. A pessoa mais sábia que eu já conheci.
A jovem princesa olhou para a senhora, encarando-a nos olhos, o misero segundo em que a olhava, parecia que Athena conseguia ler sua mente, era como se sua alma tivesse sido lavada, mas ela não sabia dizer ao certo o que realmente acontecia.
–E o que você faz aqui? –Athena perguntou, a morena- seu pai deve estar preocupado.
–Meu... pai? –ela fraquejou, encarando Edmundo assustada.
–Não se preocupe, ela faz isso às vezes. –ele sussurrou.
–Então Edmundo. –continuou Athena, como se nada tivesse acontecido- o que vai levar hoje?
–Leite. –ele respondeu.
–Teve sorte, este é o último. –ela disse, saindo para ir até uma carroça buscar o leite.
–Eu posso pegar se quiser. –Edmundo se ofereceu.
–Pode pegar. –ela disse, já desistindo e se sentando pesadamente. Ela encarou novamente Eduarda, enquanto o garoto saia para trás da barraca buscar o leite- Devia voltar ao castelo, princesa.
Eduarda arregalou os olhos.
–Como... como você...
–Como sei quem você é? –Athena perguntou, sarcástica- uma roupinha de plebéia não me enganaria tão fácil. Eu sou uma sábia sacerdotisa. Claro que ninguém, nem Edmundo, sabe disso. Eu sei coisas que você nem poderia imaginar.
–Como, por exemplo... –Eduarda insistiu.
–Que em breve você terá que se casar para salvar o seu reino. –quando Athena proferiu essas palavras, Edmundo voltou, encerrando a conversa das duas.
–Já podemos ir. –concluiu Edmundo, pagando Athena.
–Boa sorte com a volta pra casa. –desejou a velha, acenando e voltando a se sentar.
Os dois andaram um pouco, próximo a rua da feira. A princesa ficou inquieta, e resolveu que era hora de ir.
–Athena tem razão. –ela disse, simplesmente- meu pai deve estar preocupado comigo. É melhor eu ir.
–Eu posso te acompanhar até a sua casa. –ele disse, sendo cavalheiro.
–Não moro por perto. E sua mãe deve estar precisando desse leite... –ela inventava desculpas.- eu... realmente preciso ir.
Eles se despediram então. Com a promessa de se verem de novo. Algum dia. Antes que Edmundo pudesse se afastar, porém, ele ouviu o grito da garota, e voltou para ver o que havia acontecido. Ela estava cercada por cinco ladrões. Montados a cavalos. E com espadas.
E ele? Ele só tinha um jarro de leite. Mas mesmo assim foi em seu socorro.
–Ei, grandalhões! –ele provocou- deixem a dama em paz!
Eles riram dele. Edmundo se posicionou ao lado de Eduarda.
–O que está fazendo aqui? –ela perguntou.
–Vim te ajudar. –ele respondeu, colocando o jarro de leite no chão.
O resultado disso tudo, fora apenas Edmundo cheio de arranhões, e com quatro ladrões no chão. Apesar de estarem armados, eles não eram nada inteligentes. Depois que Edmundo conseguira derrubar o primeiro ladrão, e roubar-lhe a arma, fora fácil derrubar os demais. Mas no último ele havia se distraído, e acabara no chão, onde agora estava com uma espada em sua garganta.
–Você! –gritou Eduarda para o ladrão- ordeno que largue o jovem!
–E quem você pensa que é para me ordenar algo, plebéia? –retrucou o ladrão com sarcasmo.
–Não penso, eu sou! Sou a sua princesa e ordeno que largue-o!
Ambos ficaram perplexos diante de tal fala. Os ladrões foram presos, e Edmundo liberado. Mesmo Edmundo não acreditando que Eduarda era a princesa, ele aceitou a justificativa dela de não ter contado nada: ele não a trataria como a havia tratado se soubesse que ela era a princesa.
Edmundo dispersou seus pensamentos, lembrando-se que devia salvar a princesa de um casamento arranjado. Ele se aproximou dos amigos, e contou-lhe o plano. Grover se afogou com seu guardanapo de pano, e disse exasperado:
–Ficou louco? Ninguém nunca invadiu o castelo!
–Pra tudo se tem uma primeira vez. –Edmundo deu de ombros- estão comigo?
Eles se entreolharam.
–Meu amigo, você esta enlouquecendo mais a cada dia. –concluiu Bastet, lambendo uma de suas mãos- e eu gosto disso.
O plano era simples: entrar normalmente pelos portões da frente, chegar o mais próximo possível da princesa, derrubar tudo e todos, sem mortes, que estivessem no caminho, raptar a princesa, e sair em ‘pernas pra que te quero’.
Eles entraram nos terrenos do castelo. Edmundo ia à frente. Todos estavam calmos e em clima festivo, ninguém se preocupava com quem entrava e saia do castelo. Eles foram até a torre principal, parando vez ou outra pra não mostrarem que estavam decididos a algo.
–Edmundo? –ouviram uma voz chamar.
Eles se viraram, e depararam com a irmã mais nova de Eduarda: Lucy. Ela tinha cabelos morenos, como os da irmã, porem mais lisos e com um palmo a menos de comprimento. Seus olhos eram claros, e as maças de seu rosto estavam rosadas.
–Sou... eu. –Edmundo respondeu- como me conhece?
–Minha irmã, Eduarda, me mostrou uma foto sua.
–Como ela tinha uma foto minha? –ele perguntou, mais surpreso ainda.
–Ela é a princesa de Nárnia, consegue o que quiser num piscar de olhos. –Lucy disse, como se fosse óbvio.
–Mas eu sou de Olimpa...
–Que também pertence à Nárnia, tecnicamente falando. –ela interrompeu- o que faz aqui?
–Vim salvar sua irmã. –ele disse.
–Salvá-la do que exatamente?
–Desse casamento. Ela esta sendo forçada.
–Esse casamento é pelo bem de Nárnia, e ela sabe muito bem disso.
–Mas ela não quer se casar. –ele respondeu- onde ela está?
–Na torre mais alta, cercada de guardas, e é impossível você tirá-la de lá. Então tire essa ideia absurda da cabeça.
–Quem disse que eu quero tirá-la de lá? –ele perguntou, testando-a.
–A sua cara.
Com essa, Edmundo resolveu não insistir, e começou a subir os degraus para a torre. Ele sabia que era impossível tirá-la de lá. Mas devia ao menos tentar. Seus amigos o seguiram, mas a torre era tão alta que já os deixava esbaforidos. Eles chegaram à porta do quarto. Nem sinal de guardas. Abriram a porta do quarto, ele estava vazio.
–Eles já foram? –perguntou Alvo Gandalf, se sentando e respirando pesadamente.
–Vamos descer. –concluiu Edmundo.
Eles começaram a descer novamente. Já exaustos, e sem fôlego. Ouviram uma trombeta tocar ao longe. Era chegada à hora do casamento.
–Corram! –disse Edmundo, correndo para o grande salão, onde seria realizada a cerimônia.
A princesa já estava no meio do corredor, caminhando para o altar, quando o grupo abriu as pesadas portas do salão.
–PARA TUDO! CANCELA! CANCELAR MISSÃO!ABORTAR! ABORTAR! –gritava Ripchip correndo na frente dos demais.
Todos no salão pararam, e olharam o grupo que entrava no salão. A música parou de soar. Todos os encaravam.
–O que isto significa? –exclamou o rei Zeus- quem são vocês? Expliquem-se.
Foi ai que Alvo Gandalf Dumbledore começou sua ladainha. Falando de tudo um pouco. Explicando desde o significado do amor, até o quanto era linda a sandália que o rei usava. Nesse meio tempo, Edmundo foi puxando a princesa para mais longe do altar, para o caso de algo dar errado, eles estarem mais próximo da porta de saída.
–O que eu quero dizer com tudo isso, majestade. É que sua filha não deve se casar com esse jovem. –ele indicou Edward Swan com a cabeça- ela ainda não esta pronta para um matrimonio, e muito menos para comandar um país! Ora, o senhor é tão jovem! Pode muito bem continuar a sua função por mais alguns anos.
Murmúrios encheram o salão. Mas o rei calou-os com um aceno da mão.
–Não é que o senhor tem razão? –ele disse, parecendo pensar- O CASAMENTO ESTA CANCELADO! –ele anunciou, fazendo todos o olharem de olhos arregalados- Minha filha –ele chamou, Eduarda se aproximou- me perdoe, eu não devia te-la forçado a fazer isso. –ele se virou para o “público”- Eu continuarei governando Nárnia até minha morte! Até lá, minha filha será instruída para que possa me substituir. Se até lá ela arranjar um marido, ele governará ao lado da Rainha de Nárnia. E assim será com as próximas gerações. Eu, e os futuros reis, serão sucedidos por seu filho mais velho, sendo ele homem ou mulher. Caso esse sucessor, venha a padecer, sem ter um herdeiro, o segundo filho herdará o trono, e assim sucessivamente!
Todos o aplaudiram, principalmente é claro, a população feminina narniana. O banquete do casamento foi servido, mesmo com a festa sendo cancelada.
–Obrigada por vir me salvar. –Eduarda agradeceu- você vive fazendo isso.
–Não foi nada. –Edmundo riu- mas tecnicamente eu não te salvei, foi o Dumbledore.
Os dois ficaram na varanda principal do castelo. Vendo o sol nascer no horizonte.
"Esse é o amanhecer do resto de nossas vidas" (Holiday – Green Day)
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