– Essa foi minha melhor noite desde muito tempo Victor. — disse Vitória sonolenta nos braços de Victor. — Você sabe mesmo animar uma garota.
– Que bom que gostou milayde, estou condenado a isso se lembra?
Vitória riu baixinho encostou a cabeça no peito de Victor.
– Queria que Alberto estivesse aqui.
Aquilo doeu na alma. Victor fizera tudo para que ela se sentisse melhor, tudo para substituir o príncipe, porém ela ainda assim chorava por ele. Victor ficou tentado a jogá-la da torre, mas se convenceu que era efeito da bebida que servira à ela mais tarde.
– Victor... — Sussurrou a garota embriagada.
– Sim minha rainha.
– Eu te amo.
A caminhada para os aposentos da rainha foi bem silenciosa, exceto pelos guardas que insistiram em acompanhá-lo.
Vitória tinha adormecido, parecia um anjo, sereno e doce, trazia a Victor boas lembranças.
Ao chegar nos aposentos da rainha, Anne e a outra dama, que Victor não sabia o nome, estavam a espera.
– Milorde — disseram as duas em uníssono fazendo uma mesura, Victor amava quando elas faziam isso.
– Milaydes... — Disse atrapalhado. — Eu me curvaria mas...
Elas sorriram.
– Coloque a aqui Victor. — Disse Anne levando o até a cama da rainha.
– Lady Cristine, esse é sir Victor Von Áurea, ex-barão, ex-médico e amigo da rainha.
– Encantado, senhorita Cristine.- Ele fez uma reverência formal, depois tomou lhe a mão esquerda e a beijou.
Cristine retribuiu a reverência com um sorriso.
– O prazer é todo meu milorde.
– Ele também é um conquistador barato, tome cuidado. — Brincou Anne.
– Me desculpe te contrariar, mas meus serviços não são baratos para qualquer mulher. — Ele retirou a cartola e a segurou junto ao peito. — Você pode se considerar especial.
Anne nunca admitiria o quanto ficou sem graça naquela hora.
Cristine ia falar algo, mas nesse momento Brandon correu para dentro do quarto seguido por dois guardas igualmente assustados
– O que aconteceu? — perguntou Victor.
– É o Joe! — disse Brandon — Ele está morrendo! Vem logo!
Brandon saiu correndo, Victor foi atrás seguido pelas duas damas e pelos guardas.
– O que aconteceu com ele? — perguntou para um dos guardas.
– Foi apunhalado pelas costas, a faca estava envenenada. — respondeu.
– Ele foi apunhalado por quem?
– Não sabemos, mas a pegamos, é uma jovem loira.
– Obrigado senhores! — Victor apertou o passo e logo chegou no pátio. Haviam dois corpos no chão, o de Joe e o de uma linda loira. Então era mesmo verdade, o maior espadachim de Londres fora derrubado por uma mulher. De um jeito escroto era irónico.
– Brandon, pega a maleta!
– Já está aqui!
Victor abriu a maleta e pegou uma lâminalhe vidro, passou a no ferimento e retirou um líquido verde junto ao sangue. Ele não precisou da máquina para reconhecer, já lidara com aquilo várias vezes. O nome era complicado, mas vulgarmente era conhecido como "árvore morta". Tinha um lado bom nisso, matava aos poucos, fazendo o oponente ficar cada vez mais lento, pois agia diretamente no plasma sanguíneo, infectando qualquer molécula de água no organismo da vítima.
– Cristine, Anne, vou precisar de ajuda. Virem o corpo. Brandon pega a seringa a máquina vermelha!
As garotas o viraram e Victor, nervoso, cheio de adrenalina e tamtam bêbado, enfiou com toda a sua força a agulha próxima à traqueia e posicionou a Máquina sobre a ferida. Os pulmões de Joe voltaram a funcionar e ele agora respirava com dificuldade.
– Anne, faz respiração boca a boca e tente mantê-lo vivo enquanto preparo o antídoto!
– Mas...
– Só Mantenha ele vivo! — Ele se virou para os guardas — Vocês aí, resistem a garota. Arranquem as roupas se for preciso.
– Mas senhor... — um guarda tentou argumentar.
– Dane se as leis! Seu chefe está morrendo, só faça!
E então tirou vidros com líquidos estranhos da maleta, que Brandon nunca vira antes.
Victor fez uma solução e misturou o próprio veneno nela. Brandon não via como aquilo ia ajudar.
– Anne, da isso pra ele. — Anne soltou o e despejou o líquido pela garganta dele. Não demorou muito para começar a sair líquido. Pela seringa que Victor colocara ali.
– Cristine, não deixa virar.
A garota segurou a seringa.
– Não está funcionando! — gritou Anne. — Ele não está mais respirando.
– Vocês dois, acharam alguma coisa? — Ele gritou.
– Sim Milorde! — Um deles entregou dois frasquinhos a ele.
– Um deles é o antídoto. — murmurou Victor.
– Como vamos saber qual? — um guarda perguntou.
– Não vamos. — o médico derramou os dois liquido sobre a boca dele e a tapou, tapou tambem a seringa que Cristine segurava.
– Vitória vai me matar. — Ele chorou. — Anne, rasga meu terno.
– O que? Está louco?
– Só um pouco. Rápido!
Anne Key rasgou um pedaço do tecido.
– Agora coloca sobre a ferida e aperta! Aperta muito!
Ela fez isso por alguns instantes, Victor pediu a Cristine para remover a seringa e o resto do líquido saiu. Aos poucos a respiração do homem foi se estabilizando e ele estava salvo, já não corria mais perigo.
Era a primeira vez que Victor trabalhava com ajudantes, ele gostara. Depois do pânico e do nervosismo pelo risco de perder o amigo veio a alegria e a gostosa sensação de dever cumprido.
As pessoas ali presente o encaravam maravilhadas, ele fora um herói. Victor não percebeu, mas além de salvar uma vida, acendeu uma chama no coração da dama, ela começou a admira-lo cada vez mais, porém quem mais se impressionou foi o pequeno Brandon, que naquele dia botou na cabeça que queria ser como Victor quando crescesse

Ao entrar no quarto Victor se jogou na cama, cansado e meio zonzo. Aquele dia tinha sido tenso. Joe fora encaminhado para a área hospitalar para ser cuidado pelo médico local, que por sinal estava morrendo de inveja de Victor.
– Pai, você vai ter que me ensinar isso! — gritou Brandon entrando no quarto.
– Não vou não. — Ele resmungou.
– Você foi um herói! Ele ia morrer e você salvou ele!
– Cala a boca e me deixa dormir.
– Como você consegue dormir? A menina tá solta aqui do lado! — ele apontou para o corpo caído da loira na cama dele.
– Ela tá dopada, não acorda nem se um daqueles navios voadores caia sobre ela.
– Cool! — Exclamou. — Agora da pra explicar o que ela está fazendo na minha cama?
– Quero falar com ela de manhã, não confio nos guardas.
– O que? Eles estão aqui pra te proteger.
Victor colocou o dedo na boca, dizendo para Brandon ficar quieto. Se levantou de vagar e parou a engrenagem do computador.
– Eles podem nos ouvir. Por que não desligou?
– Eu desliguei antes de sair com o Joe, eu juro.
– Então um dos guardas ligou. Não posso confiar em nenhum, por que não foi ela que tentou matar o Joe.
O cérebro de Brandon estava quase explodindo.
– Como pode saber? Eu estava lá, eu vi quando ele caiu.
– Mas só a viu depois nas mão de um guarda, se não me engano usando um elmo.
– É, mas... Não tinha como ser ele, não era tão rápido.
– Melhor continuar a ser cavaleiro. Não pode ser um médico se não notar detalhes óbvios.
Brandon não sabia se devia tomar aquilo como insulto, então deixou Víctor continuar.
– Não tinha faca nenhuma com ela, eles não retiraram suas roupas, mas acharam o antídoto mesmo assim, totalmente desprotegido e mais, não tem um pingo de sangue envenenado nela.
– Você deveria trabalhar na polícia de Londres. O que essa garota tem a ver com a história?
– Vamos descobrir de manhã. Vai dormir.
– Onde? Tem uma menina na minha cama!
– Tem espaço o suficiente pra dois. Você é pirralho ainda, não pode manchar a honra dela.
– É contra a lei. — Brandon revirou os olhos.
Victor deu de ombros.
– Deita no chão. Usa isso. — Victor jogou o blazer rasgado para Brandon, que ainda assim o cobria quase todo.
– Boa noite, Victor. — Sussurrou Brandon antes de fechar os olhos.