Notas iniciais
Esse capítulo ficou grandão kk eu gostei tanto de escrevê-lo que acho que passei de um certo limite. se vocês gostarem por favor me contem ' ' eu não mordo kk

Brandon estava curioso e entediado. Victor roncava como um porco na cama do outro lado, não dava para vê-lo pelo docel, mas ele estava lá. Brandon já dera a volta no quarto várias e várias vezes. As paredes pareciam brilhar com a pouca luz que entrava na janela e iluminava tudo. Os tapetes cor de âmbar no chão estavam amassados e Brandon já se acostumara com o maldito quadro sem sentido que ficava na parede oposta à janela. Na mesa de centro estavam espalhados diversos papéis, iam desde mapas a fotos, todas rasgadas, Victor fez questão de picá-los em pedaços à algumas horas.

O que intrigava Brandon era uma máquina igual aquela que a rainha usou para falar com Joe, uma caixa de madeira pintada com uma engrenagem enorme e amarela no canto superior esquerdo, com teclas de uma maquina de escrever, mas no local da folha havia vidro. A única diferença dessa máquina para a da rainha é que ela tinha uma coisa comprida de metal saindo do canto superior direito, talvez essa fosse uma máquina macho e a outra fêmea.

Victor soltou um bocejo e Brandon voltou os olhos na direção da cama. E a cortina se abriu.

Brandon sorriu ao ver Victor sem a cartola, era estranho e os cabelos o faziam parecer um velho leão de cabelos lisos.

— O que está fazendo moleque? — Perguntou Victor.

— Estou tentando descobrir porque homens tem antena e mulheres não.

Victor sentou se sobre a cama. Ele não queria mesmo ter aquela conversa com uma criança, afinal não era pai dele de verdade.

— Você vai descobrir um dia.

— Por que não me conta? — Ele Perguntou.

— Porque eu... De onde tirou isso agora?

Brandon sorriu.

— Daquilo. — Ele apontou para a máquina.

Victor abaixou a mão dele.

— Não é educado apontar.

— Por que não?

— Porque não é. Aquilo ali é um computador.

— Computa o que?

— Computador. — Victor caminhou até onde estava a máquina. — Serve pra escrever coisas.

Brandon apertou uma tecia várias vezes.

— Tá quebrado.

Victor sorriu.

— Não Sr. Áurea Jr. Você tem que ligar primeiro. Veja.

Victor girou a roda de metal e a caixa de madeira começou a estalar. Brandon podia sentir todas as engrenagens girando dentro da caixa de madeira, rodando e rodando e rodando...

Então começou a sair vapor pelo lado de trás da caixa e o vidro se iluminou.

— Demais! — ele encostou o rosto na tela. — Quero algo assim!

— É seu. — Disse Victor. — Tenta escrever uma história.

— Por que as coisas tem que ligar primeiro? — perguntou o curioso garoto.

— Porque tem que ser assim, nada funciona sozinho, tem que ter coisas dentro para movimentar e essas coisas tem que ser movimentadas também, ou todo o corpo morre.

— O que as movimenta?

— Vapor. Tudo, tudo o que o homem cria depende do vapor, menos o próprio homem.

— Do que o homem depende?

Victor retirou uma faca debaixo de uns papéis. Brandon sentiu medo num primeiro momento, pensou que Victor fosse matá-lo, mas ele não o fez. Em vez disso correu a pela palma da mão oposta e derramou sangue no chão.

— Isso.

Brandon estava com o rosto branco. Victor nem chorara, da última vez que Brandon se machucou ele chorara muito, e doera durante dias.

— Por que não está chorando? Não dói.

Victor deu de ombros e se jogou na cama de Brandon, colocando os pés na mesa de centro.

— Só um pouco, dói cada vez menos quando você é acostumado a sangrar.

— Você sangra muito?

— Você é sempre assim tão irritante?

— Como é ser irritante?

— Exatamente como está sendo agora. Todas essas perguntas...

— O que... — Brandon parou de perguntar quando viu o olhar de censura do médico.

— Se me fizer outra pergunta juro por qualquer deus que te jogo dessa janela.

— Que feio. — A porta se abriu e nela estava uma figura feminina com um belo vestido rodado rosa e saltos sorrindo como uma garotinha. — Assustando criancinhas... Pensei que tivesse aprendido a lição.

Victor virou a cabeça para todos os lados procurando algo para se esconder. Ele estava despenteado e com o peito nu, a rainha não avisara que viria... Pessoalmente.

Victor se enrolou atrás da cortina envergonhado.

— O que faz aqui, milayde?

Brandon estava rindo do comportamento de seu novo pai, mas mesmo assim se curvou para a rainha, uma reverencia mal feita, mas ela não pareceu ligar.

— Nós temos um encontro não se lembra?

— Que feio, você é casada com outro homem.

— Não esse tipo de encontro, idiota. E você me deixou esperando.

— Me desculpe, não me lembro de termos marcado hora.

A rainha entrou no quarto e caminhou até ele, parando apenas para que Brandon beijasse sua mão esquerda.

— Você devia aprender muito com esse garoto. Dá pra sair daí? Você está estragando as cortinas.

Victor se desenrolou de vagar.

— Se me deixar vestir algo eu encontro com você na Elizabeth Tower em vinte minutos.

A rainha tentou disfarçar um sorriso, sem êxito.

— Qual a graça?

— Não pode sair comigo com essas roupas, mandei fazer uma para essa ocasião especial.

Victor arregalou os olhos.

— Você o que?

A rainha bateu palmas e Victor pensou que iria morrer de vergonha. Ela podia ter escolhido qualquer criada, sua dama de honra talvez — ele iria adorar ver Anne Key novamente — mas quem entrou trazendo o terno preto e a gravata borboleta cuidadosamente dobrados foi a garota que ele beijara antes, Srtª Isabel.

Quando o reconheceu, o que demorou um pouco já que agora ele parecia mais mendigo do que padre, o rosto dela ficara vermelho.

— Saudações Milayde. — Disse Victor olhando a olhos e se inclinando para beijar sua mão esquerda.

— Milorde... — A garota fez uma reverência e colocou as roupas sobre a cama. Ela fez uma mesura na frente da rainha e pediu permissão para sair.

Brandon a achava atrapalhada perto da rainha, que parecia estar sempre no controle e tinha forte presença, assim como Victor Áurea, Brandon então concluiu que ele só podia ser da nobreza, embora se comportasse como um bárbaro na maioria das coisas.

— Você realmente a beijou! — exclamou a rainha surpresa.

— O menino não mente. — de repente Victor fechou o semblante. — Você estava querendo me matar de vergonha ou acabar com minhas chances com qualquer mulher?

A rainha sentou se de um jeito gracioso e cruzou as pernas, o que levou Victor e Brandon a olharem. Brandon perguntaria a Victor o porque aquilo aconteceu quando a rainha saísse dali.

— Você não tinha nenhuma chance Victor. — Disse a rainha.

— Pela minha experiência, ela adorou o beijo. Não ia recusar outro.

— Você não sabe de nada Victor Áurea.

— É a segunda vez que diz isso em um dia.

Ela deu de ombros em uma tentativa frustrada de imitá-lo.

— Pela minha experiência você adorou a frase, não recusaria ouvi-la de novo. — Ela disse isso no mesmo tom arrogante do amigo.

— Você consegue ser mais irritante que o garoto. — Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. — Nos vemos mais tarde Milayde?

Ela o abraçou.

— Não ouse demorar.

Os olhos dos dois a acompanharam enquanto ela andava para fora do quarto.

— Cara, ela é demais. — comentou Brandon.

— Eu sei disso. Alberto tem muita sorte.

— O rei?

— Príncipe.

— O que tá esperando pra beijá-la?

Victor o empurrou para fora de seu caminho e olhou para a lua, de costas para ele.

— Eu não vou beijá-la, eu não posso beijá-la.

— Você não disse que não quer... — Disse Brandon brincando.

— Cale a boca, você não sabe como funciona. Não é só chegar e agarrá-la.

Brandon sentou se de frente para o computador.

— Foi exatamente isso o que você fez com a Srt.ª Isabel.

— Aquilo foi diferente. — Victor se virou e ficou encarando o terno sobre a cama. — Você tem muito o que aprender garoto, mas eu não posso te ensinar... Talvez Alberto possa.

Brandon colocou as duas mãos nos joelhos de Victor e olhou fundo nos olhos dele.

— Você prometeu me ensinar a ser um cavaleiro!

— Não, eu prometi te ajudar a ser um cavaleiro.

— Você não me ajudou em nada até agora. — disse entre os dentes cerrados.

— É lógico que não. — ele revirou os olhos. — Faz apenas um dia, ninguém aprende ser algo em um dia.

Brando cruzou os braços e deixou se cair na cama.

— Tudo bem cara... Vou pedir para Joe te ensinar hoje.

Victor apertou um botão na maquina e chamou: " Joe. Está ai? Joe..."

Brandon observava curioso e se surpreendeu quando o guarda respondeu:

— Joe na escuta, algum problema Victor?

— Quase, tem como vir aqui?

— Se não estiver com uma garota de novo... Aquilo foi bem embaraçoso.

— Não! Não é isso! Brandon está aqui, e dessa vez ninguém quer me matar.

— Tudo bem, quanto tempo precisa que eu cuide dele? — podia se ouvir o riso de Joe do outro lado. — Você não perde uma mesmo não é?

— Não é nada disso! Só vem pra cá e ensina o garoto a lutar. Agora!

E desligou antes que Joe pudesse mandar outra indireta a respeito de Victor e alguma garota do passado.

— Como fez isso? — perguntou Brandon maravilhado.

— Tem alguns cabos dentro dessa máquina que levam a minha voz para uma daquelas coisas que ficam na porta dos aposentos.

— Como sabe em qual deles Joe está? — Ele fica de guarda à noite nos aposentos da rainha Vitória. É o melhor guarda de toda Inglaterra.

— Podemos falar com alguém na China com um cabo desses?

Victor riu.

— Não seja idiota, não tem como os cabos chegarem na China, e se tivesse, não íamos conseguir falar com a pessoa certa.

As engrenagens do cérebro de Brandon estavam girando tão rápido que soltavam faíscas.

— Podíamos escrever o nome deles.

— Existe gente com um nomes iguais na China, lá tudo é igual.

— Já foi na China?

Victor estava perdendo a paciência.

— A rainha vai me mandar pra lá se tiver que usar aqueles sapatos por mais de uma hora, tenho que tomar banho, Joe já está vindo.

Victor pegou a cartola, a bengala e as novas roupas e rumou para um dos muitos banheiros do palácio, deixando Brandon sozinho tentando desligar o computador.

Na banheira, Victor imaginou o quanto a coroa pagava pela água ali. A Inglaterra inteira racionava água, pois não dispunha de muita. Victor alugava apenas 30 litros por dia, aquela banheira devia ter o triplo daquilo.

Por mais que a água estivesse morna e o banho gostoso, ele saiu 5 minutos depois e se penteou depressa, ele queria mais do que qualquer coisa cortar aquele cabelo.

Victor lutara com o nó da gravata durante a maior parte do tempo para prendê-la, ele desistira antes de conseguir arrumá-la.

Sobrara 10 minutos para subir lances de escadas e se curvar para lordes, duques e duquesas.

Victor não aparentava estar cansado a chegar no último corredor.

Uma silhueta conhecida esperava por ele ali.

Anne Key, dama de honra da rainha Vitória e amiga de Víctor.

Ela mudara muito desde que eles se viram da última vez. Seu rosto estava mais rosado e quase não era visível mais o corpete modelador que ficava embaixo do vestido amarelo com saia cheia, quase sufocando-a. Mas com isso ela ficava mais respeitável e aparentava ser mais alta. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque muito complexo, até mesmo para Victor, mas o olhar continuava o mesmo, assim como o sorriso.

Victor caminhou até ela em silencio, ignorando todas as formalidades e a abraçando apertado.

— Senti saudades. — disse ele ainda a segurando.

— E eu sinto que vou explodir. — Victor a soltou quando percebeu que ela estava perdendo o fôlego.

— Me desculpe. Como consegue usar isso?

Ele fez menção ao vestido.

— Tive muito tempo para aprender. Você está diferente... Parece mais...

— Religioso? — sugeriu.

A garota tampou a boca enquanto sorria.

— Eu ia dizer mais elegante, mais bonito...

— Assim eu não resisto...- Ele deu uma volta em torno dela — O que seria muito ruim, já que você está casada.

Ela o encarou.

— Como sabe disso?

— O anel. Prata fundida com inscrições de ouro, provavelmente o nome Melbourne.

Melbourne foi mentor de Vitória, um homem velho e que Victor detestava desde que o vira pela primeira vez.

— Me desculpa Victor... Não é que eu quis mas...

— Não estou bravo com você Milayde, apenas triste por não ter recebido a notícia. Acho que isso foi culpa de Melbourne... Sempre me perguntei o por que o velho me odeia.

— Ele tem fortes motivos para te odiar. Você meio que tentou seduzir a mulher dele, o fez perder negócios com Lá Fountain, a casa e...

Victor colocou o dedo indicador sobre os lábios rosados da menina.

— Não quero me lembrar disso nessa noite mágica, apenas aproveitá-la com pessoas importantes para mim.

Ele passou um braço ao redor da cintura da dama e lhe beijou o rosto.

— Victor... A noite é apenas sua e de Vitória. Eu só vim ver você outra vez.

Victor sorriu.

— É uma pena, milayde. Talvez algum dia terei a honra de tê-la em meus braços novamente.

— Esse dia nunca chegará e você sabe.

— Você gostaria de repetir aquilo algum dia?

Anne ficou vermelha.

— Não fale sobre isso mais! — sussurrou. — o casamento só vale se eu for virgem.

Victor deslizou a mão pela cintura dela, até parar na coxa direita.

— Você não é. — ele sussurrou em seu ouvido.

Anne empurrou a mão dele.

— Eles não podem saber!

— Por mim eles nunca saberão. — Victor colocou a mão em sua nuca e inclinou-se para beijá-la, mas ela virou o rosto.

— Respondendo sua pergunta, não desejo fazer aquilo novamente, e não quero que se repita o que aconteceu aqui. — Ela fez uma mesura, Victor retirou a cartola e retribuiu. — Boa noite, milorde.

E desceu as escadas por onde Victor subira minutos antes.

" Não será boa sem você."

Ele demorou alguns segundos para se recuperar do fora, mas logo pôs um sorriso no rosto e subiu o que faltava. A rainha estava de costas para ele olhando a lua cheia. Victor tentou arrumar a gravata, mas ainda assim não conseguiu.

— Está atrasado. — Disse a rainha sem se virar. Era impressionante como ela estava vestida agora era totalmente diferente de como estava quando passou em seus aposentos minutos antes.

Ela usava outro vestido rosa, dessa vez mais escuro, com um corpete apertado e se destacava um pouco mais que a saia cheia que ia até o meio das coxas. Era tão impressionante que nem mesmo Victor saberia dizer se ela usava uma armação de arame ali ou não. Seus cabelos negros estavam presos em um coque sobre a cabeça e para prende lo havia ali uma tiara de prata. Apenas os saltos eram os mesmos.

Victor deu alguns passos à frente.

— Pelas suas regras você parece gostar disso.

Ela se virou e o encarou.

— E você se atrasou para obedecer uma regra? Por que será que não acredito nisso?

Ele sorriu.

— Porque você me conhece.

A rainha estendeu a mão e Victor a beijou.

— Está torta.

Victor olhou para a gravata.

— É impossível colocar isso certo.

Ela arregalou os olhos e disse com ironia.

— Impossível para o grande Victor Áurea? Não pensei que existisse tal coisa.

— Haha.

— Deixe me te ajudar. — A rainha desfez o nó mal feito de Victor e arrumou sua gravata. — Perfeito.

— Vicky, você é demais. — Exclamou.

Vitória hesitou e se virou para a fina cerca de metal que cercava o telhado da torre.

— O que há de errado? — o Médico perguntou.

— Nada... É que... Faz tempo que você não me chama assim.

— Eu me lembro... Da última vez foi...

— Eu sei quando parou de me chamar assim. Não volte a fazer isso.

Victor levantou as mãos em um gesto de rendição.

— Tudo bem. Você não vai me dizer o por quê?

Ela revirou os olhos.

— Você sabe muito bem o porque.

— Você gostava tanto...

— Por isso mesmo.

Eles ficaram em silencio por alguns minutos, ambos contemplando a noite, lado a lado.

— A lua está tão bela, não acha? — Perguntou a rainha.

— É a segunda coisa mais bela por aqui. — Ele se aproximou e foi abaixando a voz.

— Qual a primeira? — Ela entrou na brincadeira.

Victor sussurrou no ouvido dela com a voz mais grave que o normal.

— Tenta adivinhar. — Ele passou o braço direito ao redor de Vitória.

— Me dá uma dica? — Ela sussurrou também e girou, saindo de seus braços, o que levou o a segurar sua mão e trazê-la de volta como em um passo de dança.

— Ela tem os cabelos mais lindos que já vi.- disse segurando sua cintura com uma mão e seu pulso com a outra.

— E ela gosta de dançar? — Perguntou a rainha puxando o contra seu corpo.

— Claro, até mesmo sem música. E também gosta de homens que usam cartola.

Ela abriu um sorriso enquanto girava o corpo junto ao amigo.

— Hmm... Como pode ter certeza?

O médico apertou um pouco mais forte seu quadril, o que a levou a um gemido involuntário.

— Eu a conheço, e sei tudo sobre ela.

Vitória não sabia explicar quanto tempo demorou para responder.

— Se a conhece tão bem, sabe o que ela gostaria de fazer agora.

— Passar a noite na cama com o medico mais sexy de Londres? — brincou.

Victor a abaixou, na pose final de uma valsa, o momento perfeito para o beijo do casal. O problema é que eles não eram um casal.

— Você não sabe de nada, Victor.

Ela colocou um dedo sobre os lábios do amigo e o afastou.

— Então senhorita, deveria me dizer o que quer fazer.

Ela aparentava estar mais cansada do que quando ele chegara ali, mas ainda assim não perdia a delicadeza de sempre.

— Quero voar. — Ela se debruçou sobre o parapeito da torre, inclinando um pouco suas nádegas, Victor tentou não ficar olhando como uma criança boba e se posicionou ao lado dela.

— E como pretende fazer isso? — perguntou.

— Com aquele ponto ali.

Victor seguiu o olhar da moça e viu. Inicialmente era apenas um ponto preto pequeno, mas aumentava cada vez mais e tomava forma a medida que se aproximava.

Victor mal podia acreditar no que via. Com a expressão de surpresa no rosto não parava de olhar para o grande objeto e para a rainha, que não aguentou prender o riso.

— Gostou? — Ela perguntou. — Mandei construir à alguns meses, será bem útil para essa guerra.

— Por que não me contou que tinha um navio voador? Eu viria te visitar muitos anos antes.

— Queria te ver babando como uma garotinha que acabara de conhecer seu príncipe.

Victor continuava encarando o Navio.

— Em outras palavras quer que eu te acompanhe na sua primeira viagem em desses?

A rainha abriu a boca.

— Como você...

O navio abaixou uma ponte, ligando a à torre.

— Posso explicar lá dentro?

A mulher assentiu e lhe estendeu o braço. Juntos caminharam pela ponte até o grande navio.

Não dava para perceber direito as cores do casco, mas por quase se misturar a noite Victor concluiu que só podia ser marrom ou preta.

Ele não trocaria por nada, e aquela noite só estava começando. A dança gostosa com Vitória, o calor de seu abraço e a maneira como ela o deixava louco faziam-no esquecer aos poucos de Anne. Victor sabia que não poderia ter aquela mulher, mas por aquela noite ela era sua. O médico se perguntava o que Alberto, o príncipe e marido dela, acharia do tal passeio.

— Posso te perguntar uma coisa? — Disse voltando o olhar para sua amiga.

— Claro. Mas se você fizer essas perguntas para outras mulheres corto sua cabeça.

— Não são esses tipos de pergunta.

— Que pena — Ela brincou. — Queria tanto saber o que disse às minhas damas para deixá-las daquele jeito.

— Espera, elas ficam como? — Aquilo o deixou curioso.

— Faça logo sua pergunta.

Victor deixou de lado a sua curiosidade a respeito das garotas e perguntou o que realmente precisava saber.

— É sobre Alberto. — A rainha não o olhou. — Não o vi desde que cheguei. Onde ele está?

— Está na Irlanda, talvez falando de política com uma puta qualquer. De todo jeito vai demorar a voltar.

Agora eles já estavam no conves, várias pessoas se curvaram quando a rainha passou por eles, que acenava sem a menor animação

— E por isso me chamou, não é?

Ela sorriu.

— Como sabe Alberto não ia gostar muito de nossos encontros. Me sinto tão sozinha sem ele...

— Devo começar a pensar que sou um ótimo substituto para o príncipe? — brincou.

Eles pararam de andar depois de passar pelo mastro principal. O vento fazia os cabelos e o terno de Victor voarem, ele então entendeu o porque a rainha trocara de roupa.

— Você até que se saiu bem... — ela encostou a cabeça em seu peito. — Ontem foi tão cansativo, tive que conversar com uns velhos e decidir os termos do tratado o dia todo, Anne disse que você sabe fazer companhia à uma mulher.

Victor ficou vermelho.

— Ah sim... Companhia claro... Ela adorou minha... Companhia. E...

— Para Victor, eu sei o que vocês fizeram.

— Ela te contou? — Ele estava absolutamente vermelho. Eles fizeram na antiga casa dele em Londres, então era isso ou espiões.

— Não foi preciso. Não podem esconder nada de mim nessa cidade.

Victor concluiu que eram espiões.

— Não se preocupe, ela já foi punida.

— Você a fez se casar com Melbourne? Isso foi cruel demais.

Ele revirou os olhos enquanto pensava: "Só assim pra alguém aguentar aquele velho." Veio outra ideia na sua cabeça.

— Espera, e a minha punição?

Ela sorriu.

— Sua punição é me divertir enquanto Alberto está fora.

O medico conduziu a até a guarda da proa.

— Podia me punir assim mais vezes. Então a garota é apenas uma desculpa para me ver de novo?

Ele disse esperançoso.

— Não. Realmente quero uma filha.

— Ficar sem a Anne já não é punição o suficiente? A rainha trocou com ele um olhar cúmplice.

— Nós dois sabemos que um casamento não vai te impedir.

Talvez ele tentaria estragar um casamento mais... "real" se continuasse no palácio. Tinha serias dúvidas sobre isso.

— Por quer tanto ser mãe?

A rainha pegou a mão direita dele e colocou a contra o seu peito, Victor não ousou apertar-lhe o seio.

— O que você sente?

— Ahnnm uma vontade imensa de arrancar seu vestido, provavelmente causada por seu seio macio e altamente... Gostoso.

— Victor!

— Tudo bem. Sinto o metal quente do motor que usei para salvar a sua vida.

— Isso. As mulheres sempre falam sobre o coração, sobre como ele acelera quando estamos perto de alguns homens, como agora, ou como ele aperta quando nossos filhos estão por perto e quando ele se alegra ao ouvir a palavra "mãe". Nunca aconteceu nada disso comigo.

— Entendi, a culpa é minha. — Ele abaixou a cabeça.

— E também é culpa sua eu ainda estar viva, e ainda ser virgem.

Victor olhou para ela surpreso.

— Então você nunca... Antes...

— Não. Eu não estava pronta, Alberto entendia, mas sempre me pressionava depois. Ele queria ter filhos, queria cuidar deles e vê-los crescer era o que mais conversamos, até aquele dia.

Victor retirou a mão do peito dela.

— Eu sinto muito. Você está fazendo isso por Alberto, eu nem imaginava sempre pensei que...

— Pensou o que?

Victor abriu um sorriso.

— Esquece isso, vamos aproveitar a noite.

Ele chamou um garçom, que serviu vinho à eles.

Vitória fitou o líquido cor de sangue.

— Victor, devo mesmo beber? Ele vai literalmente ferver todas as células do meu corpo.

— Não tem problema. — Ele deu de ombros. — Você não vai se lembrar de nada amanhã.

Victor sussurrou algo no ouvido do Garçom, e depois de alguns minutos começou a tocar uma música animada.

— Me dá a honra dessa dança milayde? — Perguntou.

A rainha aceitou e eles ficaram ali dançando e bebendo por muito tempo.

Abaixo do navio o castelo parecia um pontinho no meio do mundo. Daquela distância podia-se ver toda a área do palácio com apenas um olhar, mas a rainha e o médico estavam ocupados demais para notar a cena aterrorizante que acontecia lá embaixo.