A Primeira Vez é Superestimada!
4 Capítulo 4- A primeira vez que nos beijamos
Notas iniciais
Era uma madrugada fria, silenciosa, quase que solitária pois nem mesmo as estrelas eram visíveis no céu e os ruídos da noite eram abafados pelo som da chuva fraca que caia lá fora. Neji Hyuga estava sentado com as pernas cruzadas em frente a uma janela, com uma expressão séria, mas os olhos não enxergavam a noite lá fora, estavam perdidos em pensamentos a muito tempo, tanto que o chá ao seu lado já esfriara sem nem ao menos ser tocado.
Foi assim que Hinata encontrou seu marido, e já sabia o que acontecia, não era a primeira vez, e ela sabia não seria a última, que algum deles perderia o sono devido aos pesadelos.
— Está acordado faz muito tempo, marido?
A voz de Hinata o sobressaltou, mas ele sorriu quando virou em sua direção e a viu parada no batente da porta.
— Sim, foi apenas um pesadelo. Eu não queria te acordar, você deveria voltar a dormir, sei que tem uma reunião com os ancião amanhã .
Desconsiderando as palavras do marido Hinata andou em sua direção e sentou- se entre suas pernas, recostando sua cabeça no peito desnudo do marido.
— Amanhã é só uma formalidade, para anunciar o casamento de Hanabi, não preciso estar tão acordada assim.- existia divertimento na voz de Hinata, mas logo seu tom se tornou mais sereno. — Sobre o que foi o pesadelo?
O silêncio se estendeu por longos minutos, mas Hinata já estava acostumada, as vezes o silêncio era tudo que o marido tinha a oferecer, ela mesma precisava de seus momentos de silêncio. Quando achava que já não teria uma resposta, surpreendeu-se com a voz do marido.
— Hikaru, se parece muito comigo. -Era uma afirmação que Hinata preferiu não responder e deixou o marido prosseguir.- Embora, conosco seja mais aberto e expressivo no geral ele é igual a mim na idade dele. Talentoso, arrogante, mas principalmente fechado.
— Nem sempre isso é ruim. — Respondeu Hinata incerta do rumo da conversa, virando-se para observar o marido com um franzir de sobrancelhas.
— Nem sempre, mas é ruim quando ele decide não se arriscar, quando não demonstra o que sente, simplesmente porque a mente estrategista dele não consegue prever o que vai acontecer. — Inclinando a cabeça para fixar seus olhos no rosto da esposa, Neji prosseguiu. — Eu não quero que ele precise estar em uma situação de vida ou morte para dizer o que ele sente, como eu precisei.
— Neji- Hinata foi interrompida pelo marido com um beijo na testa.
— Eu comecei a contar a nossa história para ele, espero que ele lembre disso e tome decisões melhores que as nossas, mas acho que falar disso fez com que o pesadelo voltasse, fazia tempo que eu não sonhava esse pesadelo em especifico. — Neji murmurava contra o cabelo de Hinata.-Eu nunca falei sobre esse antes, eu sonho que estou no campo de batalha novamente, mas não é como nas lembranças.
— Você quer me contar? — perguntou Hinata quase sussurrando contra o peito do marido que respirou fundo antes de começar.
POV Neji.
Fazia um ano que eu sabia estar apaixonado por você, mas tinha resolvido que eu nunca falaria sobre isso, que eu simplesmente ia cumprir o meu destino, como meu pai tinha comprido o dele. Contudo, a guerra costuma mudar nossos planos, aquele fatídico dia que a guerra estourou e iniciamos a evacuação da aldeia, eu estava em desespero.
No meio de todo aquele caos e destruição eu não conseguia achar você, eu sabia que você não fugiria por isso fui em direção ao que tinha sobrado do nosso distrito. Encontrei você e sua irmã ajudando os mais velhos se retirarem, enquanto seu pai, Hiashi, se reunia com o conselho e eu fui solicitado para acompanha-lo. Hiashi, decidiu contra todos os membros do conselho, que ele iria lutar e todos os shinobi do clã se uniriam a ele, mas o clã precisava da segurança de um herdeiro e com isso eu fui enviado para achar você e Hanabi.
— Hinata!Hanabi!- gritei em meio aos destroços a essa altura vocês já ajudavam pessoas de fora do clã.
—Neji, o que houve? — você perguntou chegando mais perto, Hanabi logo atrás de você.
— Vocês precisam se retirar. Uma escolta de shinobi Hyuga vai acompanha-las até um abrigo seguro, o senhor seu pai vai lutar e vocês duas precisam se retirar imediatamente.
Naquele momento em que vi a expressão determinada que minha doce Hinata estava assumindo, eu sabia que você não ia querer se retirar.
— Neji, é meu dever lutar.- você afirmou aquilo com tanta segurança que eu demorei a reagir e você aproveitou daquele momento para se virar para Hanabi.-Hanabi- irmã vá!
Hanabi olhou na direção da irmã mais velha e hesitou por meio segundo antes de fazer sinal com a cabeça e nos deixar a sós. As explosões tinham se intensificado ao nosso redor e meu desespero junto.
— Hinata, por favor! Você precisa ir para um lugar seguro. — Acho que nesse momento não tinha com disfarçar como eu estava me sentindo.- Você é a herdeira do clã, você precisa ir.
— Eu sou uma shinobi da aldeia, eu preciso lutar Neji.- sua voz calma me angustiava ainda mais. — Meus amigos estão lá, minha família vai estar lá. Eu preciso lutar pelas pessoas que eu amo!
Uma explosão logo atrás de nós fez com que pedaços de concreto voassem em nossa direção, por instinto eu a abracei usando meu corpo como escudo. E tudo que importava na minha cabeça, era que você ficasse segura, eu estava com muito medo, mas por você.
— Você não entende! Você é futuro dessa família, Hinata. Você tem que ficar segura, eu não suportaria que algo acontecesse com você. — Você disse alguma coisa, mas a situação estava crítica ao nosso redor e eu temia que não houvesse mais tempo por isso continuei- Você é o futuro, você tem o futuro nas suas mãos. Você precisa ir para um abrigo agora, porque tem mais de uma vida nas suas mãos, tem muitas pessoas que dependem de você.
— Neji.
— Eu dependo de você, eu não posso perder você Hinata, minha vida está nas suas mãos. —
Você me encarava confusa, é claro que você não entedia eu nunca me deixei demonstrar tanto. Eu estava desesperado, eu sentia meu coração batendo desesperado no meu peito, meu sangue zunindo no meu ouvido, e por um segundo eu encarei seus olhos antes de saber o que eu tinha que fazer.
A puxei de encontro ao meu corpo, minhas mãos dos dois lados do seu rosto, e eu encarei seus olhos assustados, sabendo que muito provavelmente aquela seria a primeira e última vez que eu faria aquilo. Meus lábios se chocaram de encontro aos seus, tão delicados e macios, talvez aquele contato não tenha durado um segundo ou talvez tenha durado um minuto inteiro, eu não saberia dizer.
Ali de olhos fechados, com mundo desmoronando ao meu redor, tudo que eu sabia era que estava beijando a garota que eu amava pela primeira vez, isso valia a minha vida, porque eu entendi porque todos os outros beijos eram tão sem graça, porque o primeiro beijo que conta no coração é quando a gente ama e todos os outros lábios se tornam insípidos comparados com o momento que você beija quem ama pela primeira vez.
Eu me senti um garoto dando o seu primeiro beijo, com o frio na barriga e tudo, e quando acabou e encarei seus olhos ainda fechados, eu me senti um homem pronto para morrer naquela maldita guerra.
— Encontre um abrigo, o clã vai protege-la. Me prometa que você vai ficar viva porque você carrega mais de uma vida contigo.
— Neji...Eu-Seus olhos angustiados me encaravam agora, mas a batalha tinha chegado até onde estávamos, era hora de lutar
— Me prometa! — Gritei já me afastando em direção a luta.
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