A Primeira Vez é Superestimada!

6 Capítulo 5 - Bônus- A primeira vez que fizemos amor


Hinata observava o marido ajeitar o kimono branco tradicional do clã Hyuga e logo em seguida fixar a bandana de ninja da aldeia da folha na testa, encostada no batente da porta, lembrou-se quando havia uma marca naquela testa, um selo amaldiçoado do destino. Tinha orgulho ao pensar que graças a eles dois unidos e muito esforço, eles tinham conseguido mudar o pensamento do clã inteiro, sua filha Hikari, a mais nova até então, jamais teria aquela marca, a união dos gêmeos que teve origem ainda na sua barriga jamais seria abalada por algo como aquele selo.

—Você está encarando. — Afirmou o marido que ela nem tinha percebido que já acabara com o ritual matinal.

Sacudiu a cabeça para clarear os pensamentos, os longos cabelos pretos azulados se agitando com o movimento.

—Apenas admirando. — A voz era doce embora muito mais firme com o passar dos anos. — Você volta para o jantar?

—Não sei, Naruto me convocou para uma reunião no fim do dia, depois do treino com os ninjas jovens do clã. — Juntos saíram do quarto e foram em direção a cozinha ainda silenciosa àquela hora da manhã. — E você?

—Tenho reunião com o conselho do clã, sobre o casamento de Hana com o idiota do Konohamaru — o tom era de divertimento. — e mais tarde preciso comparecer em uma reunião com a polícia de Konoha, Sasuke insiste na minha presença. — Hinata fez um cara de desconforto na última parte enquanto terminava de servir um chá para ambos.

—Você é a líder do clã, faz parte do pacote. Sasuke é muito meticuloso e sempre faz questão de todos os líderes de clãs estarem presentes- Neji comia calmante seu biscoito.

Tão desconcentrado ele estava que não via a cara de nojo com que Hinata estava olhando o biscoito na sua mão, com o estomago embrulhado, ela chegou a conclusão que aquela conversa não poderia ser adiada.

—Marido, nós precisamos conversar. — O tom mais sério e aquelas palavras foram o suficiente para que ela ganhasse total atenção do marido. — Eu acho que..-

Os gêmeos escolheram aquele exato momento para entrar na cozinha já em uma típica discussão de irmãos.

—Se você acordasse mais cedo Hikari, nós não estaríamos atrasados para o treino. — A voz de Hikaru Hyuga era irritada ao falar com a irmã.

—Nós não estamos atrasados ainda, irmão, para de drama- O descaso na voz da menina só vez com que o irmão enrugasse mais as sobrancelhas em reprovação.

—Bom dia para você também, meus filhos.

Hinata falou de maneira a deixar clara sua desaprovação pela falta do cumprimento matinal, ainda assim pegou um lanche que a ajudante da casa tinha deixado pronto, pôs em duas sacolas para viajem e entregou aos filhos.

Hikaru irritado disse um até logo e já saia pela porta, enquanto Hikari beijou as faces da mãe antes de se virar para o pai.

—Você não vem pai? — Além dos treinos do clã, Neji também tinha assumido uma equipe de ninjas chunin da aldeia.

Lançando um último olhar relutante na direção da esposa, Neji deu um selinho na mesma antes de seguir com a filha para fora de casa. Hinata sorriu de leve, talvez suas escolhas de palavras tenham deixado o marido mais apreensivo que o necessário, ela tinha certeza que Neji ficaria empolgado.

Com um sorriso sonhador sentou-se à mesa da cozinha, terminando de bebericar seu chá, mas só depois de pôr os biscoitos bem longe do seu nariz, a conversa na madrugada com o marido e seu estado a tinham deixado pensando no passado. E com os olhos distantes relembrou alguns momentos enquanto o chá esfriava na sua mão.

...

Pov. Hinata.

A primeira coisa que tomei consciência foi a dor, tudo doía, tentei me mexer para tentar identificar de onde vinha a dor, mas não consegui, comecei a me perguntar porque estava tão escuro. Eu tentava abrir meus olhos e não conseguia, me sentia desorientada, aos poucos fui recobrando minha audição, no início eram somente sons abafados, distantes e depois eram frases que eu não conseguia identificar a quem pertenciam.

—Os sinais delas estão estáveis...- a voz se afastou antes de terminar

O que pareceu horas mais tarde, mais uma voz chegou até meus ouvidos.

—Ela se desgastou demais, não tem nenhum problema médico a impedindo de acordar, mas a mente dela precisa desse tempo para se recuperar. — a voz parecia até um pouco sem paciência enquanto respondia a pergunta de alguém.

Eu queria gritar e dizer que estava ali, que eu estava acordada, mas não conseguia e aquela sensação agonizante começando a me agitar só passou quando meus olhos se abriram de repente para encarar o teto de uma tenda. Inspirei profundamente antes de virar minha cabeça e dar de cara com meu pai ao lado da cama.

—Pai..- minha voz parecia estranha até mesmo para mim, quase arrastada.

—Hinata, você está viva.-Tinha uma emoção nos olhos do byakugan que eu não estava acostumada a ver. — Não se esforce, vou avisar Hanabi que você acordou.

Ele já se preparava para partir quando o segurei a manga da sua roupa, chamando sua atenção.

—Neji?- perguntei sabendo que ele entenderia o que eu queria saber.

—Neji está passando por mais uma cirurgia. — a tentativa de disfarçar o semblante preocupado não passou despercebida por mim.- Ele é jovem e forte, tem grandes chances, mas você não precisa se preocupar com isso agora.

Eu queria dizer que eu me preocupava igual, mas meu cansaço não me permitia acenei com a cabeça em concordância. Fiquei sozinha, olhando para o teto da tenda tentando organizar o que tinha acontecido. Neji caíra no campo de batalha, para me salvar e Naruto acordou o chakra da raposa de nove caudas e passou para cada um de nós, renovando nossas forças e iniciando um ataque.

Com as mãos tremendo me aproximei de Neji, ele estava praticamente morto, mas com meu Byakugan consegui identificar que o corpo dele ainda tentava lutar. Rapidamente comecei a usar o byakugan para identificar pontos estratégicos na linha de chakra dele e infundir nele o chakra que fluía de mim e logo após usando o que restava de forças iniciei um jutsu de cura que Sakura havia me ensinado. Uma das lesmas de Sakura chegou até nós, e assumiu meu lugar em tentar curar Neji, mas eu desmaiei.

Dias depois que acordei, Neji acordou e a princípio, em meu coração só existia alivio por ele estar vivo, pela guerra vencida, por tudo estar bem dentro do possível. Conforme o tempo passava e a reconstrução da vila era planejada, eu não podia mais ignorar o que Neji tinha confessado para mim quando achou que iria morrer. Me peguei pensando nele com mais frequência, ousando pensar o que eu achava errado antes, me perdia olhando para seu perfil as vezes.

E era exatamente isso que acontecia agora, Neji trabalhava ao lado de outros do Clã na reconstrução do distrito Hyuga, tinha finalmente se livrado das ataduras e resolveu ajudar o máximo possível. Estava sem camisa e suava consideravelmente sob o sol forte, sua testa sem selo, porque o mesmo se quebrara na sua quase morte, estava exposta agora, e eu não podia negar que o achava bonito. Após alguns meses, com suas palavras martelando na minha cabeça , eu passei a ve-lo com outros olhos ou melhor ve-lo sem as repreensões que eu fazia a mim mesma antes, porém agora Neji parecia me evitar ao máximo e aquilo estava me cansando.

—Você poderia convida-lo – Comentou Ino ao meu lado. — Boa parte da vila já está de volta ao normal, ou seja, restaurantes para encontros.

Minhas bochechas arderam em vergonha.

—Qual é, Hinata. — falava Sakura. — Você pode pelo menos dar umas indiretas a ele, para tomar coragem de te convidar.

Ainda com o rosto pegando fogo, eu sacudi minha cabeça para dar o assunto por encerrado, porém segui o conselho de Sakura e passei a tentar ficar sozinha com Neji, mesmo que ele evitasse. Assim, eu já acreditava que ele tinha falado tudo aquilo pelo calor da batalha e que nem me amava coisa nenhuma e uma noite após o jantar tomei coragem para questiona-lo.

O segui até seu lado do complexo a noite, assim sabia que ele estava sozinho, e bati a sua porta.

—Hinata o que faz aqui? — perguntou ele surpreso ao abrir a porta sem camisa.

—Neji, por quê...por quê tem me evitado? — perguntei já de cara sem me permitir perder a coragem.

Neji olhou para fora e ao não notar ninguém, me deu passagem para dentro da sua casa.

—Eu não sei o que te dizer, Hinata.- e realmente Neji parecia deslocado no meio da sua própria sala.

—Por que tem me evitado?- questionei novamente.- Falaste aquilo no calor da batalha, foi isso?

Neji me olhava diretamente nos olhos agora.

—Não. Eu tenho certeza daquilo que disse, eu só...-

—Só o que ?- perguntei sem paciência, a voz de Hanabi me chamando do lado de fora, queria dizer que eu precisava partir logo.

—Só não queria forçar nada. Olha eu sei que você ama o Naruto desde sempre e não estou aqui para forçar nada. — sua voz parecia derrotado e a voz de Hanabi mais próxima.

—Verdade, eu amei Naruto, — falei já com a mão na porta.- mas se eu quisesse estar com ele , estaria batendo na porta dele, mas eu já encontrei outro caminho para mim e você está forçando até de menos- eu falava baixo e já saia pela porta para voltar para a casa principal.

—Sexta?- gritou Neji da porta.- Sexta as oito da noite no novo Ichikaru?

Óbvio que eu aceitei, e nosso encontro foi perfeito e continuamos nos encontrando mais vezes, ainda escondidos, pois nosso namoro era assunto do conselho e isso daria muita confusão. Aproveitávamos todas as chances de nos ver a sós.

Meu pai tinha saído em viagem com Hanabi e parte do clã para fazer demonstração de força da vila em outras aldeias e isso significava que eu estaria sozinha. Preparei um jantar especial para Neji e estávamos agora jantando na cozinha da casa.

—Você parece inquieta, Hinata. Você está bem? — perguntou Neji sempre super prestativo.

Desconversei e terminamos o jantar, e após fomos a sala conversar a questão era que eu não queria conversar. Depois da guerra, eu queria aproveitar tudo ao máximo porque a morte estava logo ali sempre. Começou com um beijo calmo e foi evoluindo e logo se tornou mais exigente, as mãos de Neji passeando pelo meu corpo, mas parou subitamente.

—Acho melhor parar.

—Não, eu tenho certeza do que quero e não vou mais me impedir por medo.- falei voltando a beija-lo.

Minhas mãos subindo pelos braços de Neji e se enterrando nos seus cabelos.

—Hinata..- Tentou ele novamente me parar.

—Neji.- disse com um beijo.- Eu amo você.

Sua cara de espanto era quase cômica, era primeira vez que eu respondia tão diretamente que o amava.

—Hinata...Eu amo você, meu sol. — respondeu passando a mão no meu rosto e voltando a me beijar e me puxando para cima do seu colo no sofá.

—Por favor Neji, eu quero- sussurrei contra seus lábios

E como se desistisse de resistir ele me afastou para levantar do sofá e me pegou no colo enquanto me carregava para o quarto, e eu soube que passaria o resto dos meus dias com ele não importasse quem eu tivesse que enfrentar. Neji foi cuidadoso só na medida certa e no fim passamos a noite abraçados.

O que não foi tão perfeito, foi quando minha irmã chegou no outro dia e querendo me contar as novidades arrastou meu pai pela casa até meu quarto. Meu pai, Hiashi, queria nos esfolar vivos e se Neji ainda tivesse o selo ele teria usado na hora, mas ele apenas virou as costas nos mandou ficar apresentáveis e que nos veríamos na reunião de emergencia do conselho.

Morrendo de medo Neji e eu, nos apresentamos diante do conselho e fomos surpreendidos quando Hiashi anunciou que ele tinha decidido que com o fim da guerra, também deveria ser o fim da divisão do clã e que nos dois iriamos nos casar para unificar as duas classes. Eu não podia estar mais feliz, e naquele momento eu não podia amar mais meu pai, a única condição era que o casamento acontecesse em no máximo dois meses.

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POV. Narrador.

Se encaminhando para a sala de reunião de conselho onde Hanabi e Konohamaru já esperavam, Hinata ria sozinha com a lembrança. Pensava que o pai parecia ter adivinhado, pois sete meses depois em um parto "prematuro" os gêmeos tinham nascido, e todo mundo na vila fingia acreditar que aqueles dois tinham nascido antes do tempo. E ela sabia encarando o rosto vermelho da irmã a esperando na entrada da sala que outro casamento teria que ser adiantado no clã Hyuga.

—Como você está, irmã-Hinata?- perguntou Hanabi ao ver a palidez da irmã mais velha.- Conseguiu contar a Neji?

—Não, ele saiu atrasado para o trabalho. — respondeu Hinata

—Quando contar, ele vai ficar tão feliz. — falou a mais nova segurando as mãos da irmã que sorriu docemente.

—Eu sei, mas e Konohamaru como reagiu? — Hinata espiava o dito cujo pela porta de entrada.

—Desmaiou. — riu alto Hanabi e foi entrando na sala com Hinata logo atrás.

Com sorte a reunião seria rápida, pensou Hinata, e quando Neji chegasse poderia contar a ele que eles teriam mais um bebê para compor aquela família linda que eles tinham assumido tantos anos atrás.

Sorriu com esse pensamento, a vida era preciosa e cada primeira vez dela seria guardada com carinho, mas todas as vezes únicas que tinha partilhado com Neji, essas tinham sido gravadas na sua pele.

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