A Primeira Vez é Superestimada!

5 Capítulo 5- A primeira vez que dissemos eu te amo.


Notas iniciais
Nem estou em cima da hora para postar. Bem capaz né? Enfim galera, está ai o último cap do desafio. Meu objetivo alcançado e nem vou enrolar vocês mais, podem ir ler duma vez.

POV. Neji

Cheguei até onde um shinobi do exército aliado estava sendo atacado por um dos clones brancos de Zetsu, joguei uma kunai em sua direção chamando a atenção do clone para mim. Ele veio em minha direção enquanto eu usava da técnica do Punho Gentil para rapidamente desferir diversos golpes, bloqueando a corrente de chakra e fazendo o corpo branco cair no campo de batalha.

Com meu Byakugan localizei Hiashi cem metros a minha frente, e me dirijo até onde ele estava usando o golpe de um corpo só, para expelir chakra atingindo cinco clones ao mesmo tempo e os fazendo voar para longe. Quando cheguei ao seu lado, ele imediatamente se virou para mim.

— E minhas filhas? — perguntou sem rodeios.

— Hanabi seguiu para um abrigo, e espero que Hinata também.

— Espera? — Existia irritação.

— Eu pedi a ela que fosse para um abrigo. Não temos tempo para isso, senhor Hiashi.

Meu coração estava em agonia era óbvio, mas aquilo era uma guerra afinal e com isso mais um exército de clones brancos se aproximavam de nós, juntos Hiashi e eu nos posicionamos no estilo de luta Hyuga e os derrubamos um a um conforme íamos avançando para onde Naruto estava, perto da besta de dez caudas. Uma vez mais observei a ironia da vida, eu — Neji da casa secundária- estava lutando lado a lado com Hiashi lidar do clã que tinha odiado tanto um dia.

Quando chegamos perto do Naruto, a besta de Dez caudas jogou uma das caudas em nossa direção, Hiashi imediatamente olhou para mim e com uma ordem silenciosa no olhar, eu me posicionei a alguns metros do seu lado direito e executamos Oito Trigramas Palmas Giratórias do Céu ao mesmo tempo, repelindo a cauda antes que ela esmagasse os shinobis ao nosso redor.

Aquilo era uma verdadeira bagunça, a guerra é cega na minha opinião e simplesmente vai destruindo tudo e todos, quanto mais a noite avançava, mais corpos se misturavam junto os destroços da vila. Aquelas imagens jamais sairiam da minha mente, e olhando nos rostos cansados dos shinobis aliados eu via a esperança diminuindo. O uso continuo de chakra estava me esgotando, e me vi lutando sozinho contra sete clones brancos, eu mais me defendia do que atacava naquele momento.

Eu tinha optado por deixar que a espada de uns dos clones brancos me atingisse, iria penas desviar com meu chakra para não ser letal, mas deixaria que me atingisse para conseguir desferir um golpe nele. A espada estava prestes a me atingir, eu quase sentia a dor em antecipação ao ataque, quando uma sombra apareceu na minha frente.

— Punhos dos leões gêmeos modo despertado! — eu nem acreditava que estava escutando a sua voz Hinata e muito menos que você tinha acabado de me salvar, fazendo com que as cabeças de chakra que emanavam da sua mão fossem impulsionadas para a frente derrubando no mínimo uns 3 clones.

— Hinata!- Chamei seu nome incrédulo.

Você estava à frente de mim, seu corpo em posição de luta e você virou sua cabeça levemente para me olhar.

— Você tem razão, tem mais de uma vida na minha mão, mas é justamente por isso que devemos lutar e resistir.

Eu estava sem palavras, e mesmo que tivesse o que falar os clones já haviam iniciado um novo ataque, você veio para o meu lado e realizamos o golpe Oito Trigramas Sessenta e Quatro Palmas em perfeita sincronia como tínhamos treinado tantas vezes desde aquele amanhecer do seu aniversário de dezesseis anos. E ter você, Hinata, lutando ao meu lado de igual para igual renovou minhas forças.

De alguma forma conseguimos chegar até o lado do Naruto, e estávamos ajudando ele a desviar dos golpes do Dez caudas, Hiashi também estava lá ele mantinha os clones longe, enquanto nós três tentávamos fazer um ataque mais efetivo na Besta.

E então aconteceu, não tínhamos como repelir todas aquelas estacas e eu vi a decisão se formar no seu rosto quando você se posicionou na frente do Naruto e esticou os braços de forma protetora. Eu já tinha estado a beira da morte, depois daquela missão de resgate do Sasuke, mas nada se compara a ideia de você morrendo Hinata.

Eu virei meu rosto em direção das estacas, meu Byakugan rapidamente identificando o que seus olhos já tinham visto, as duas estacas que seriam mortais.

Eu não precisei de nenhum segundo para impulsionar meu corpo para o alto, na minha mente passavam imagens do meu pai, minha raiva má contida por tantos anos, Naruto abrindo meus olhos, toda a nossa evolução. E eu entendi, Hinata, foi só naquele momento que eu entendi o sacrifício que meu pai fez, que você estava se preparando para fazer.

As estacas rasgaram meu peito, a dor parecia arder enquanto atravessavam meus músculos, roubando o ar dos meus pulmões. Quando meus joelhos atingiram o chão, eu já nem sentia o impacto, porque eu não sentia nada àquela altura, meus olhos encontraram o seus. Naruto segurava meu corpo praticamente inerte, pedindo por um médico.

— Por que você fez isso Neji?- perguntou Naruto, meus olhos ainda grudados no seus que estavam lagrimejando.

— Porque Hinata estava disposta a morrer por você. — Você caiu de joelhos, enquanto me encarava e minha atenção foi toda para você.- Porque você carrega mais de uma vida com você, num contexto maior. Eu acho que minha vida também serviu um propósito em um com...- O sangue subindo pela minha garganta fazendo eu engasgar na palavras.- Em um contexto maior.

Eu ouvi o som de uma águia ali perto, virei meu rosto e localizei a ave no céu que estava clareando com o sol nascendo, acho que tentei esboçar um último sorriso quando meus olhos voltaram a encontrar o seus, minha doce Hinata, mas a voz de Naruto pedindo médicos já estava abafada, minha visão aos poucos escurecendo efeito do selo na minha testa.

— Já é tarde Naruto. — minha voz quase inaudível, mas eu sabia que você escutaria e eu precisava dizer antes que tudo ficasse escuro. -Eu aceito minha morte, porque minha vida teve um propósito maior, tudo porque um fracassado abriu meus olhos. Tudo bem, eu só preciso que você saiba Hinata, que... que eu amo você.- Só mais um puxada de ar passou pelo meus pulmões .- E eu como gênio digo que vocês dois não podem morrer, porque vocês tem mais de uma vida nas suas mãos.

Nesse momento, meus braços caíram pesados ao lado do meu corpo e um suspiro exasperado saiu dos seus lábios, Naruto me deitou no chão e eu senti sua presença do meu lado uma vez mais Hinata, tudo já era escuridão e tudo que eu lembro era de querer ver seus olhos quando eu repeti.

— Eu amo você Hinata...

...

Os braços fortes de Neji se apertaram em volta da esposa, como que para ter certeza que ela estava ali e Hinata praticamente rasgava a pele de Neji com suas unhas, as imagens daquele dia nublando sua visão.

— Eu achei que tinha morrido aquele dia. — comentou ele com o mesmo tom calmo com que contou a memória, seus olhando para sol que nascia tímido no horizonte enquanto a chuva se extinguia.

— Eu também. — Respondeu Hinata, olhando para as marcas no peito do marido. — Eu entendo agora porque perdeu o sono com isso, mas já passou.

— Esse não é meu pesadelo. — Disse ele sério olhando nos olhos da esposa. — Meu pesadelo é que eu nunca tivesse dito nada, que eu tivesse morrido sem nunca saber como é beijar você. Em outras versões dele, eu não consigo bloquear as estacas e você morre e quando sonho com isso meu medo é acordar e você não estar lá.

Aconchegando sua cabeça no ombro de Neji, Hinata o abraça forte antes de voltar a olha-lo.

— Eu sempre vou estar lá, meu Neji. Eu amo você. — sua voz suave enquanto sua mão passava pela barba que começava a nascer no rosto dele.

— Eu amo mais. — sua voz serena agora. — Amo tudo que construímos juntos e tudo que mais quero é que Hikari e Hikaru sejam melhores do que eu, que eles não precisem estar morrendo para se permitirem amar.

— Não precisamos nos preocupar com Hikari, ela é muito parecida com Hanabi para o próprio bem dela. — Hinata tentou amenizar o clima.

— Mas Hikaru, é muito parecido comigo pelo próprio bem dele, não é mesmo?-Também havia divertimento na voz de Neji.

O sol já tinha quase que completamente quando Neji, levantou puxando Hinata pela mão.

— Só quero que ele se permita errar mais. — completou Neji, enquanto seguia para o quarto do casal.

— Quando você contar a ele essa parte, conte que guerra foi horrível, não amenize nada e então conte para ele como isso nos ensinou a valorizar a vida e como errar, acertar perde o sentido comparado com a sensação de poder viver. Como percebemos que algumas coisas são superestimadas como o orgulho, o medo de coisas bobas como amar pela primeira vez, e o medo de falar isso e o medo do coração partido pela rejeição. Tudo é superestimado, o que vale é sensação de estar vivo no presente, é o que faz a vida valer a pena.

Neji a olhava com tanta admiração e pensava na sorte que ele teve por Hinata ter se apaixonado por ele, que acreditou por muito tempo que ele não merecia ela que o destino tinha outros planos para ela talvez com um certo loiro falante, seu primeiro amor, mas ainda bem que Hinata não acreditava no destino e a guerra tinha os ensinado a viver tudo ao máximo enquanto podiam. E tudo bem que ele não era o primeiro amor dela, isso era superestimado, nem ele nem ela foram os primeiros na vida um do outro em muitas coisas, no fim das contas o que valia era que ele tinha acordado dias mais tarde numa tenda hospitalar e encontrado com os olhos de Hinata, aliviada por ele estar vivo.

E ele esperou pacientemente enquanto reconstruíam Konoha, para construir com Hinata um amor que dava sentido a sua vida. Foi confuso para ambos lidar com aquelas declarações feitas no campo de batalha, mas no fim quando ele repetiu pela primeira vez que a amava meses depois da guerra ela também disse o mesmo e ele se sentiu verdadeiramente livre das amarras que menino com raiva nos exames chunin possuía.

— Você está me ouvindo? — perguntou Hinata ao seu lado na cama do casal.

— Eu me distrai por um minuto. O que você disse?

— Que você tem que contar a ele, sobre os meses que você levou para falar comigo sem corar e finalmente teve coragem de pedir para um encontro e como ele não deve ser tão lento assim, porque nós mulheres não gostamos de praticamente ter que pedir porque cara está se enrolando demais. E olha que eu era tímida

— Ah você está rindo de mim, esposa? — perguntou com uma sobrancelha levantada enquanto puxava o corpo de Hinata para baixo do seu.

— Talvez. — Respondeu risonha roubando um selinho de Neji.

— Talvez, então eu conte a ele- a cada palavra Neji roubava um beijo da mulher. — porque todo mundo na vila acha que eles nasceram prematuros.

— Você não ousaria. — um tom de falso ultraje presente na voz de Hinata enquanto ela se virava ficando por cima de Neji.

— Não ousaria o que? Contar como você me agarrou? Ou como Hiashi nos encontrou e resolveu a data do casamento no dia seguinte? — perguntou debochado, antes de impedir a esposa de responder, ao beija-la de uma maneira que deixava bem clara sua intenção.

O sol já brilhava firme lá fora, e o som da vila acordando invadia o quarto, mas eles tinham tempo até terem que atender suas obrigações e eles tinham aprendido a aproveitar cada segundo não como se fosse a primeira vez, cheia de expectativas superestimadas, mas como se fosse a última vez ou melhor cada vez era única para eles.

Notas finais
E é isso ai pessoal...Nem sei o que dizer. Aceito críticas, recomendações, favoritos e tudo que vocês tiverem a dizer sobre a fic. Amei essa experiência! Abençoadas as cabecinhas que tiveram essa ideia.