A Primeira Vítima do Rei
23 Gunter
Notas iniciais
Cap anterior
–Seus olhos estão inchados... – Ela falou em um tom desconfiado
–E-eu sei, droga, eu não queria que você me visse assim... –Eu tentei fazer o homem. Afinal “Homens não choram”, como Gunter costumava me dizer quando eu bancava o chorão
–Tudo bem...-Ela saiu do banheiro, ainda com a mesma expressão desconfiada
***
Sai do banho e encontrei ela sentada na beira da cama
–Pen, já esta melhor? – Ela ainda estava meio preucupada
–Sabe... Eu sinto saudades do Gunter...-Eu disse sentando na beirada da cama oposta. Não aguentava mais, tinha que desabafar -As vezes eu penso que ele seria uma pessoa melhor do que eu...
–O que aconteceu? -Ela flutuou e se sentou ao meu lado
–Ele sempre foi meu melhor amigo, estudávamos juntos desde que entramos na escola, ele era órfão de pai e de mãe, ele dizia que tinha inveja da minha vida, eu tinha uma mãe doce, uma tia cuidadosa e um tio famoso... Um dia eu falei sobre a inveja de Gunter pro Simon, ele se comoveu e no dia seguinte foi para o orfanato aonde ele morava para adota-lo... Ele conseguiu três meses depois... Nos viramos além de melhores amigos, companheiros nas aventuras de Simon, ele, eu, Henry e Annie. Um dia, estávamos voltando da escola... –Eu engoli a seco, temendo que outro flashback voltasse- tínhamos 12 anos na época, Estávamos atravessando a rua... –Cerrei os punhos, fazendo uma força imensa pra não chorar- Um caminhão veio... Ele estava indo direto para mim eu com certeza não sobreviveria a batida... Mas ele... ele... teve um reflexo correu e me empurrou... O caminhão passou por cima dele, ele olhou pra mim com um olhar de “missão cumprida” e fechou os olhos... Por minha culpa... –Minhas forças não foram o suficiente. As lágrimas escorreram livremente pelo meu rosto, ainda um pouco molhado
–Isso é mentira Pen!- Marcy disse tentando me consolar, me abraçando
–Como se você soubesse de alguma coisa! Minha mãe, meus irmãos, o Gunter...-Nessa altura eu já estava chorando como uma criança, soluçando e gritando
– PARE COM ISSO! –Ela deu um grito e um tapa no meu rosto – Você está parecendo uma criança!
Eu fiquei um bom tempo com o rosto virado, tentando acreditar no que havia acontecido. Eu havia me rebaixado, e chorado como uma garotinha, na frente de uma mulher, ao ponto dela me dar um tapa.
Virei o rosto lentamente, olhando pro chão. Ela se levantou
–Venha, vou fazer alguma coisa por você.
Ela saiu do quarto, eu fiquei sentado olhando ela flutuar escada abaixo, sem entender nada
–Você vem ou não? –Ela flutou de volta e falou com cara de quem está impaciente.
–Ah, desculpa...- Fui atrás dela
Chegamos na casa da arvore e espiamos pela janela (Ela me levanto até o segundo andar). Simon estava com o enchiridion na mão e mostrando algumas paginas nele que deixavam finn maravilhado
–Então eu posso transformar pessoas em pedra com uma cabeça? –Finn falou animado – ALGÉBRICO! – Ele comemorou, e eu fiquei me perguntando quem diabos usava essa palavra como comemoração.
–Sim, pode...- Ele olhou pra janela, e Marcy invadiu, me arrastando. Finn tomou um susto e deu um pulo quando invadimos
–Simon, precisamos conversar — Marcy disse ao acaso. Com aquele tom de “Não leve a sério, mas preste atenção”.
–Claro...-Ele disse me olhando com uma cara de ódio. Demorei um pouco pra perceber que ele não havia esquecido o acidente anterior.
–Não é hora para isso... -Marcy disse vendo o olhar dele pra mim
–Ta bom –Ele bufou, ainda incontente com a minha presença- o que é de tanta importância assim?-Simon disse despreocupado, correspondendo o tom de Marcy
–Quem é o pai do Pen?- Marcy disse com o mesmo tom
Ele abaixou a cabeça e ficou em silencio.
Fale com o autor