A Primeira Guerra Santa Contra Poseidon
17 Venom & Lust, a Dança da Morte
Notas iniciais
Johanna se aproximava da Casa de Escorpião, meio abatida, um pouco fria. Venom a aguardava na entrada
—Venom: Parece que também perdemos Judge...deu para sentir a explosão de cosmos e uma luz azul vinda da Casa de Libra...
Johanna não disse nada, com a Adaga Dourada em punho ela colocou a mão livre no ombro de Venom. Seu cansaço havia esgotado ela quase que totalmente e Venom estava pronto para segurá-la caso ela desabasse
—Johanna: Estou tão...cansada...Venom...
—Venom: Esta guerra tirou tanto de nós...e continuará tirando...temos que vencer! Precisamos vencer!
—Johanna: Venha comigo até a Casa de Sagitário, nos encontramos com Aurora e nos dirigiremos até o Templo de Atena para...
Antes que Johanna pudesse terminar sua sentença, Venom removeu a mão de Johanna de seu ombro
—Venom: Por acaso já esqueceu? Ficarei aqui para defender a Casa de Escorpião, e além do mais – Venom olha para Johanna com um olhar sedutor – Tenho um encontro com uma Marina...
—Johanna: Não acredito que você realmente disse isso...não é um encontro, droga! É uma batalha até a morte!
—Venom: Eu sei, nós sabemos e nós vimos esta guerra. Só espero que a próxima geração de Cavaleiros, tanto de Ouro quanto de Bronze ou Prata, seja melhor que a nossa...
—Johanna: Vai ser – Johanna dizia levantando a Adaga Dourada para o céu – e esta arma é a prova de que haverão novas gerações!
—Venom: Espero que tenha razão. Não quero que o desejo de todos os Cavaleiros de Ouro que participaram e caíram nesta guerra seja lavado juntamente com esta Terra. Não podemos perder!
Johanna observava que Venom possuía uma enorme determinação, algo que o calor e o sangue da batalha não poderia retirar dele. Venom já havia perdido seu grande amigo Roland, e agora estava no limiar de uma possível morte. Enquanto isso Poseidon e Lust se aproximavam da Casa de Escorpião
—Lust: Benzinho! Estou aqui!
—Johanna: Já chegaram...
—Venom: É...
—Johanna: Então... – Johanna novamente brande a Adaga Dourada – vamos lutar!
—Venom: Não! Já falei para você para me deixar sozinho! Esta batalha é minha!
—Johanna: Nossas experiências não bastaram? Você não percebe que somos mais fortes juntos?!
—Venom: Honestamente? Eu prefiro andar sozinho, porque desta forma eu só terei olhos para o meu oponente...
—Johanna: Venom...
—Venom: Não se preocupe, pode ir!
Johanna se distanciava da Casa de Escorpião enquanto saía pelos fundos, neste momento Venom se vira e acena para Johanna
—Venom: A propósito, meu nome é Dyrus...
—Johanna: Dy...rus...
—Venom: Adeus, Johanna...
Lust estava perto de Poseidon, impaciente, pronta para seu grande “encontro” mas parecia não ter resposta de seu cavalheiro, até que Venom apareceu na entrada, removeu sua capa e se ajoelhou perante a General Marina e o próprio Poseidon
—Venom: Desculpe-me pelo atraso. Lust...Poseidon...
Lust corria em direção ao Cavaleiro de Ouro de Escorpião, garras afiadas, as mesmas que cortaram o pescoço de Khaos estavam à mostra. Ela queria saborear cada gota de essência que Venom poderia possuir
—Lust: Esperei tanto por este momento! Você não faz ideia!
Antes que Lust pudesse empalar Venom com suas garras, o Cavaleiro de Ouro desfere um soco brutal na boca do estômago de Lust, fazendo-a cuspir sangue e quase se ajoelhar
—Venom: Quanta indelicadeza! Podia ter se apresentado mais cordialmente...
Lust segura abraça Venom e coloca sua mão em seu rosto. Lábios quase juntos, era possível ver um olhar de desejo no rosto de Lust, algo que apenas ela poderia entender, embora fosse muito provável saber o que ela queria também
—Lust: Puxa vida, benzinho! Eu apenas queria vê-lo...demorou tanto mas finalmente estou aqui!
—Venom: E agora, o que acontece?
—Lust: Bom – novamente as garras afiadas afloram e os olhos de Lust ficam vermelhos – acho que você sabe o que vem agora
Venom dá uma risada e em um rodopio consegue afastar Lust. A General é empurrada e Venom se prepara para o ataque
—Venom: Então, meu bem, vamos dançar!
Uma sequência de golpes é disparada de ambos os combatentes. De um lado, Lust com suas garras afiadas, e de outro, Venom com seus punhos cerrados. Cada um deles buscando um ponto fraco para encaixar um golpe perfeito ou mortal mas ambas defesas também eram muito eficazes, era difícil até mesmo acompanhar seus movimentos. De súbito Lust consegue um golpe certeiro no rosto de Venom, sangue começa a sair pela feria e Lust o saboreia com grande prazer
—Lust: Que aroma delicioso...que gosto impecável...melhor que o de Khaos...
Demorou muito pouco para Venom perceber que não foi Johanna quem acabou com Khaos, mas sim um próprio companheiro, irmão de arma
—Venom: O que?!
—Lust: É isso mesmo, benzinho! Khaos desperdiçou seu potencial então eu acabei com ele!
—Venom: Entendo... – Venom removia o excesso de sangue de seu rosto, ao examinar ele percebeu que quase perdeu a visão – parece que não somos os únicos que fomos traídos pelos próprios...
—Lust: Nem me fale...
Lust novamente tenta acertar um golpe afiado em Venom, mas desta vez o Escorpião Dourado reage travando a mão de Lust e fazendo brotar garras nas próprias mãos, algo que deixa Lust completamente perplexa
—Venom: Não esqueça que escorpiões também têm garras! “ATAQUE SUBTERRÂNEO!!!”
Então Venom consegue afastar Lust e fincar suas mãos no chão da Casa de Escorpião, um tremor anuncia um golpe súbito que Lust recebe de uma onda de pedras que se elevam do solo. A General Marina é lançada para o alto e atinge o teto da Casa de Escorpião. Lust caía em direção ao solo mas em uma agilidade sobre-humana ela conseguiu evitar o impacto. Sangue escorria pela sua boca
—Lust: Este...era justamente...o encontro que esperava!!!
—Venom: E ainda tem mais por vir!!!
—Lust: Tenho certeza disso! “DESEJO OBSCURO!!!”
Neste momento uma aura envolveu a Casa de Escorpião, Lust havia desaparecido e Venom estava confuso. Então ele ouve uma voz extremamente familiar
—Roland: Venom! Venom, me ajude!
—Venom: Não pode ser...Roland?!
O Cavaleiro de Ouro de Áries se encontrava na entrada da Casa de Escorpião, completamente ferido e sem a sua Armadura, clamava pelo socorro de Venom, que corria em sua direção
—Venom: Não acredito! Roland, você está vivo!!!
—Roland: Sim...mas...estou sem forças!
Venom consegue segurar o amigo e o leva até o interior da Casa de Escorpião, ambos com passos leves para não prejudicar os movimentos de Roland
—Venom: Eu vou te levar até o Templo de Atena, pedirei a ela para te curar...
—Roland: Não há tempo...Venom...olhe para mim...
Venom se vira para olhar o companheiro e é atingido por uma dor aguda, as mãos de Roland estavam no abdomém de Venom. O rosto machucado de Venom estava tomado por uma grande decepção, afinal, Roland era seu melhor amigo
—Venom: Roland...por... – Venom começa a cuspir sangue antes que pudesse terminar a frase mórbida – quê?!...
Venom então percebe que não passava de uma ilusão, já que Roland começou a tomar a forma de Lust. Lust então começa a delirar por causa do sangue jorrado de Venom
—Lust: Eu sabia que seu sangue era delicioso! Ainda mais com um toque de mágoa! Ahhh!!!
Venom tossia sangue com as mãos nas feridas, enquanto Lust apenas aproveitava o momento com o maior prazer possível, chegando ao ápice do clímax e soltando uma risada prazerosa e maligna
—Lust: Eu, Lust de Lymnades, tal como a figura mitológica sou capaz de assumir a forma de entes ou pessoas queridas pelas minhas vítimas!!!
—Venom: O...o que?!
—Lust: É isso mesmo que você ouviu...aliás foi isso que fez com que Khaos se juntasse a nós! Imagine um menininho assustado querendo ver a família novamente...fingimos um breve sonho e ganhamos sua confiança e força...mesmo que temporariamente...
—Venom: Inacreditável...mesmo...você é manipuladora. Hahah...Ai!!!
Lust se ajoelha e começa a acariciar o rosto de Venom, que responde com uma brutal cuspida de sangue na cara de Lust. Ela, ao invés de ficar enfurecida, acaba tomando aquela mistura de sangue e saliva, e novamente seu corpo vai ao delírio
—Lust: Não adianta resistir! Eu sei que você está adorando isso!
—Venom: Claro que estou...hehehe...
Lust se levanta e prepara um golpe no peito de Venom, na certeza de que ele não conseguiria se defender nem desviar devido à dor profunda pelas feridas do Desejo Obscuro. Mas algo está errado, ela não consegue se mover, fica forçando o corpo para frente sem sucesso algum
—Lust: O que está acontecendo?!
—Venom: “VENENO CÁUSTICO!!!”
Com muita dificuldade Venom consegue ficar de pé, mas com suas mãos ainda nas feridas na esperança de fecharem logo. Lust começa a demonstrar uma fúria assassina
—Lust: Me solte agora!
—Venom: Acho que não...você brincou com sentimentos de várias pessoas e espera que eu a perdoe por isso?! Deveria saber muito bem que escorpiões possuem um veneno mortal, mas considere isso apenas como uma simples amostra!
—Lust: O que disse?!
—Venom: Espero que você sofra eternamente por tudo que você causou aos corações e sentimentos, tanto meus quanto aos do Dragão Marinho! “INCANDESCÊNCIA DE ANTARES!!!”
Rapidamente Lust começa a sentir um ardor em seu corpo e seu grito de sofrimento é a prova do que Venom estava falando. A temperatura do corpo de Lust estava acima dos 60C°, uma febre completamente insuportável para um corpo normal, e a temperatura só subia
—Venom: Por que você acha que deixei que você absorvesse meu sangue? Para meu treinamento de Cavaleiro de Escorpião eu recebia doses muito pequenas de veneno do escorpião mais mortífero das redondezas. Por muitas vezes eu estive próximo à morte, mas consegui absorver o máximo de toxinas e me tornei tão letal quanto um escorpião de verdade.
Lust ainda gritava de dor, a temperatura de seu corpo chegou a um estado tão extremo que até mesmo sua Escama de Lymnades começava a esquentar e a se soltar. Os gritos pararam, Lust estava inconsciente e Venom se aproximou com cautela em sua direção
—Venom: Veja só...quem está sonhando agora deve ser você...me pergunto com quem será...
Lust levanta sua cabeça para olhar Venom bem nos olhos, e com um sorriso malicioso ela anunciou sua resistência
—Lust: Com você...benzinho!
—Venom: O que?! Como é possível que você tenha sobrevivido à Incandescência de Antares?!
—Lust: Lymnades é o guardião de um dos Sete Oceanos do Mundo, o Antártico. Tanto as regiões Árticas quanto as Antárticas são conhecidas por terem temperaturas extremamente baixas. Com meu subconsciente eu fui capaz de ascender meu cosmo e resfriar um pouco o meu corpo...e com isso consegui neutralizar o seu veneno de escorpião, meu benzinho!
Os movimentos de Lust voltaram ao normal e ela se aproximou bem de Venom, cujas mãos ainda estavam nas feridas. O olhar de pavor de Venom latejava a mente de Lust que se deliciava mais e mais com a situação. Lust o abraçou levemente e colocou a cabeça de Venom deitava em seu peito, Venom tremia de pavor, sabia que seu fim chegara, mas o que o perturbava era como ele iria morrer
—Lust: Parece que nosso encontro chegou ao fim...benzinho!
—Venom: “Não...não pode ser!!!...”
—Lust: “SALAMANDRA SATÂNICA!!!”
Presas dentárias começam a surgir na boca de Lust, revelando sua verdadeira e monstruosa aparência, e então dá uma mordida brutal no pescoço de Venom, que começa a gritar de dor. Do lado de fora, Poseidon podia ouvir claramente o som da agonia do Cavaleiro de Ouro de Escorpião. O sofrimento de Venom não havia acabado ainda, pois Lust ainda evocou um enorme raio dos céus que atingiu ambos e eletrocutou Venom. O estrago era menor se comparado ao ataque que Poseidon desferiu em Johanna mas Argus se posicionou para defendê-la. O cheiro de carne queimada exalava a vitória de Lymnades sobre o Escorpião Dourado. Arrancando um pedaço do pescoço de Venom ela o lançou já morto no chão e cuspiu o pedaço de sua boca em um canto próximo a ela. Poseidon se aproximava com cautela.
—Poseidon: Mais uma vitória! Não me impressiona que ele não tenha sido rival para você...
—Lust: Meu senhor... – Lust limpava o sangue de sua boca – Ninguém é rival para mim, a herdeira da primeira Lymnátide!
—Poseidon: Vamos em frente, nosso próximo oponente é aquela que ousou disparar um golpe contra mim!
—Lust: Acabarei com ela, será um enorme prazer meu! Hhaha!
A risada de Lust era ouvida de longe, inclusive por Johanna que parou de seguir em frente para lamentar a morte de seu companheiro. Aurora a aguardava com um rosto triste, Johanna sabia que teria que dar a notícia, mesmo consciente de que Aurora também sabia. Momentos depois Johanna adentra a Casa de Sagitário
—Aurora: Como ele morreu?
Esta pergunta atingiu Johanna pior do que o “presente” que ela recebeu de Khaos. Ela não sabia se deveria contar os detalhes de sua morte, mas também não achou justo escondê-las da única parente ainda viva de Targon. E então com lágrimas nos olhos, ela contou
—Johanna: Ele morreu bravamente, lutando contra o inimigo...mas...
—Aurora: Não resistiu...mas sei que não foi só isso que aconteceu.
—Johanna: Ele...ele não contava com a brutalidade de um dos Generais...ele...ele...
—Aurora: O que?!
—Johanna: Targon foi decapitado...
Aurora fechou os olhos brevemente, uma dor profunda preenchia seu interior. Era como se seu mundo tivesse desabado sobre ela e que não havia restado mais ninguém para confortá-la. Sendo irmã mais velha, ela sempre cuidou de Targon e ainda por cima foi uma segunda Mestra para ele. Targon havia aprendido quase tudo com ela, sempre com ela
—Johanna: Eu sinto muito! Não pude fazer nada para salvá-lo e...
—Aurora: Você conseguiu vingá-lo?!
—Johanna: Hã?!
—Aurora: CONSEGUIU VINGÁ-LO!!!???
Johanna se preocupou por um instante, vingança não é um estilo comportamental de um Cavaleiro de Atena, mas não podia negar a verdade de que fora Johanna quem removeu os poderes divinos de Khaos, mas Lust foi quem aplicou o golpe final
—Johanna: Eu apenas removi sua semi-divindade, mas quem o matou não fui eu...
—Aurora: E você ainda disse que gostava de meu irmão...
—Johanna: Aurora, não leve para o pessoal, fiz o que deveria ter feito, derrotei o inimigo.
—Aurora: Mas não o matou!
—Johanna: Aurora...
—Aurora: Chega...vai...sai daqui...
Johanna não pode debater, não aguentava fazê-lo, mas sabia que tinha um objetivo que só ela poderia concluir. Seguiu seu caminho até o Templo de Atena. Johanna sabia que poderia ser a última Amazona de Ouro viva nesta guerra, ou quem sabe nem poderia sobreviver a ela. Mas sua missão tinha que ser concluída
—Aurora: Targon...me perdoe...
A chegada de Poseidon e Lust é anunciada com relâmpagos descendo dos céus. O Deus dos Mares e sua fiel General Marina adentravam a Casa de Sagitário. Lust estava ansiosa para um novo combate, mas a Casa parecia vazia
—Lust: Que estranho, tinha certeza de que havia um guardião nesta casa...
—Aurora: Está procurando por mim?!
A presença de Aurora mal foi notada até sua voz ser entoada. Lust aquecia seu corpo e se preparava para enfrentar a Irmã da Luz. Aurora também estava pronta para o combate. Tal combate teve início com um relampejar dourado acima da Casa de Sagitário
FIM DO CAPÍTULO
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