A Primavera dos Lobos
14 Lorde Baratheon
Notas iniciais

Lorde Baratheon
Rhaegar caminhou com seu escudeiro até o mercado, onde havia acontecido toda a confusão, algumas tendas estavam destruídas e suas mercadorias distribuídas e pisoteadas pelo chão.
Sor Clegane, um jovem de vinte anos, cabelos escuros, e ombros e braços assustadoramente largos, estava sentado sob um barril de vinho enquanto limpava as mãos em um trapo, o manchando de vermelho vivo, sob o olhar atendo do príncipe de Dorne e de sor Arthur Dayne, que mantinha sua espada em punho.
— Príncipe Rhaegar — cumprimenta Arthur dando espaço ao príncipe que se posta a frente de Sor Clegane.
— Pode me explicar o que houve aqui — indaga o príncipe intempestivo.
Arthur explica que o jovem cavaleiro se meteu em uma briga, por conta de uma simples cerveja derramada, quase matou um homem e ainda causou um prejuízo considerável em luas de prata*.
— O que tem a dizer em sua defesa, Sor Clegane — diz o príncipe colocando a mão sobre o punho da espada.
— Aquele imbecil derrubou a minha cerveja. — Redarguiu o rapaz voltando o olhar para o príncipe.
— Pagará por todo o prejuízo que causou aos comerciantes, e também uma multa a pessoa que feriu e a lorde Whent por causar tumulto em seu torneio. Também considere-se desclassificado da competição que está a participar, e ore aos deuses para que o homem não morra — decreta o príncipe com seriedade.
— Deveria reivindicar seu título como cavaleiro — fala o príncipe Oberyn, ao se aproximar e receber um olhar mortal do jovem Clegane.
— Isso quem decide sou eu — responde Rhaegar ao cunhado — Se o homem morrer será julgado como um assassino, sem qualquer privilégio de seu título, agora saia da minha frente e que esta seja a última vez que eu ouça seu nome ligado a algo tão banal. Quando te ordenei cavaleiro, não foi por minha vontade e sim um favor a um grande amigo, saiba que mesmo ele não estando mais presente no torneio, saberá de sua transgressão — diz o herdeiro ao encarar o rapaz.
Sor Clegane levanta-se, projetando seu tamanho avantajado sobre os homens a sua frente. Embora mais jovem que qualquer um deles, Clegane era mais alto e muito mais forte do que qualquer homem que o príncipe conheceu. Em Porto Real, o chamavam de “A montanha que caminha” ou simplesmente montanha. Era conhecido pelos seus atos de crueldade e Rhaegar jamais o teria nomeado cavaleiro, se este não fosse um pedido de Tywin Lannister.
O Lannister, era um grande amigo do rei Aerys e o príncipe cresceu na companhia dele. Durante o sequestro de seu pai em Valdocaso, ficaram ainda mais próximos. Tywin chegou a dizer em alto e bom tom que a vida de Aerys não era assim tão importante, pois teriam um novo rei muito melhor. Porém desde que deixou Porto Real, afastou-se também do amigo, que apesar de manter o apoio a ele, custeando parte dos gastos com o torneio, o príncipe temia que a afronta feita pelo pai, retirando do Lannister seu precioso herdeiro ao nomeá-lo membro da guarda real, fosse um golpe duro demais para o leão suportar e manter o apoio ao filho do homem que retirou o seu.
Rhaegar dispensou Clegane e o cunhado e se pôs a caminhar ao lado de Arthur em direção ao castelo. Questionou ao cavaleiro sobre o paradeiro do Lannister e esse disse saber apenas que ele disse que retornaria a sua casa, no Rochedo.
Na tarde, Rhaegar contemplou as disputas de arremesso de alabarda e também as justas em estilo antigo, na qual Robert Baratheon se preparava para o desafio, sem antes cavalgar até a arquibancada da família Stark, onde Lyanna amarrou uma fita de cabelo na ponta de sua lança, que foi levantada e beijada quando este venceu a disputa.
E mesmo com seu consciente clamando que se afastasse deles, seguiu-os pelos pátios do castelo e viu Robert se despedir da noiva e do pequeno Benjen próximos a sua tenda. Admirou Lyanna brincar com o irmão,correndo atrás dele por entre as tendas e sorriu ao contemplar os impulsos infantis ainda presentes na moça. Pensou em se aproximar, quem sabe trocar algumas palavras, acalmar a chama flamejante que bradava em seu peito ao estar na presença dela, mas sua mente falou mais alto ao lembrar das palavras prudentes da esposa. Lyanna era proibida para ele, mesmo que Elia aceitasse. Regrediu uns passos e tomou o rumo das tendas de comércio.
Tratou de fazer o que o propósito que o torneio tinha desde o início. Conversou com lordes e nobres, alguns que já tinham manifestado o apoio a sua causa e outros que ainda não tinham ideia de seus anseios quanto a coroa e o destino de Westeros, mas que ele precisava angariar a simpatia. Quanto mais apoio tivesse durante o golpe político, menores seriam as chances de falhas ou mesmo uma revolta. Jamais permitiria que aquele impasse acabasse por se tornar uma nova dança dos dragões como comentou Lyanna. Quando a noite caiu na companhia do fiel Arthur e do amigo Connington, dirigiu-se até um dos salões de recreação de Harrenhal, onde diversos nobres bebiam, jogavam cartas e riam alto na companhia de algumas mulheres.
— Estão todos bêbados, do que adianta falar sobre assuntos tão sérios aqui Connington?— reclama o príncipe.
— Ora, não te trouxe aqui para tratar de assuntos e sim se divertir e dar boas risadas — diz o amigo tomando um caneco de uma bandeja da serva corpulenta que passou por eles.
— Eu odeio concordar com Connington — fala Arthur também tomando um caneco e oferecendo ao príncipe — Mas, se vamos fazer algo que pode nos levar a um fogueira ardente, melhor garantirmos um pouco de diversão enquanto ainda estamos vivos.
— E crus — brinca Connington.
O trio sentou-se em uma das mesas e foram cumprimentados por diversos senhores. Alyssane e sua irmã Lyra eram uma das poucas mulheres presentes que não estavam servindo ou ser a diversão dos homens ali presente. O príncipe observou a Mormont, demonstrar suas habilidades lançando uma machadinha contra as placas de madeira colocadas na parede e estava a vencer qualquer um que tentava desafiá-la. Isto até que Robert, já um pouco bêbado, resolvesse entrar na disputa. E mesm seu estado de embriaguês não o impediu que fosse mais preciso e forte ao lançar a machadinha contra a madeira, arrancando aplausos das mesas que os cercavam. Alyssane pagou o jarro de vinho que haviam apostado e se retirou na companhia de um mercador dotada de uma longa barba ruiva, deixando a irmã desconcertada e sozinha no salão. Diferente de Alysanne, Lyra não tinha tanta ferocidade das mulheres ilha dos ursos, e sentiu-se intimidada com a presença de tantos homens. Decidiu voltar para sua tenda, desconfiada, a moça seguiu pelo salão apinhado de beberrões, cumprimentou Rhaegar com um aceno de cabeça ao passar por sua mesa e este respondeu com um sorriso terno. Os amigos voltaram a conversar, quando no instante seguinte, o príncipe percebeu Robert também deixar o salão com os olhos fixos das ancas de Lyra.
O dragão, despediu-se dos amigos momentos mais tarde, incomodado com a saída do Baratheon. Perambulou pelos corredores e perguntou a um guarda sobre o paradeiro do lorde e este, disse tê-lo visto seguir em direção a torre queimada na companhia de uma moça.
(...)
Robert contemplou a silhueta da jovem a sua frente, seu rosto não era dos mais belos, mas tinha um corpo escultural que despertava os desejos que vinha tentando reprimir desde que chegou a Harrenhal por conta de seu compromisso com Lyanna. No entanto, o que os ouvidos ou olhos não pudessem ver, jamais poderia ser provado.
— Lyanna sempre foi cheia de vontades, desde criança. Precisa ser paciente com ela e principalmente respeitá-la, tenho certeza que se agir assim vai conquistá-la, lorde Baratheon — fala Lyra com um sorriso pregado às bochechas.
— Sim, talvez esteja certa. Mas para lhe ser sincero, não foi para falar de como posso conquistar Lyanna que lhe chamei aqui. Ela será minha esposa, isto já está acertado — ele fala se aproximando da moça tocando levemente seu rosto com a ponta dos dedos. — Está muito bela neste vestido.
— É de Lyanna, ela me emprestou. Não temos tecidos assim na ilha dos ursos. Mas creio que nossa conversa termina aqui. — fala a garota se afastando e tendo o braço segurado pelo lorde.
— Espere, eu posso conseguir que Lyanna te leve como dama a Ponta Tempestade quando nos casarmos, e poderá ter belos vestidos como este, desde que saiba servir bem ao seu senhor — fala o lorde com um sorriso puxando a jovem contra o seu corpo.
— Está bêbado lorde Baratheon, solte-me. Sou donzela de família e Lyanna é minha amiga! — protesta Lyra que sente os lábios e a barba pinicante do Baratheon roçar eu seu rosto.
— É uma vassala! Deve servir aos seus senhores da forma que eles desejarem — fala Robert agarrando sua cintura com força e depositando diverssos beijos ao longo de seu pescoço.
A jovem o empurrou com força e levou um bofetão que a jogou no chão tamanha a força. Ao tentar se levantar, Lyra recebeu outro golpe de punho fechado que a deixou desnorteada e arrancou sangue de seu nariz. O lorde subiu sobre seu corpo e desamarrou a parte frontal de seu vestido revelando o par de seios firmes de mamilos rosados. Lyra, mesmo tonta tentou impedir que as mãos ágeis do homem subissem por baixo de sua saia e este armou outro soco.
— Quieta, você vai gostar, nenhuma mulher se arrependeu de abrir as pernas para mim, garanto — diz o lorde parando o punho próximo ao seu rosto e transformando-o numa carícia, que afastou uma mecha de cabelo que grudou ao rosto dela por conta do sangue.
— Por favor… Não. Não. — suplicou Lyra ao sentir o peso dele sobre ela.
O hálito de vinho quente percorreu seu pescoço até seus seios, Lyra tentou mais uma vez inutilmente livrar-se do algoz, acertando-lhe socos contra seus ombros e costas, que só serviam para aumentar a excitação do lorde.
Rhaegar alcançou o alto da torre e olhou em volta, não viu nenhum dos dois e já se preparava para retornar quando ouviu o choramingo de Lyra. Caminhou por entre o amontoado de pedras e o viu a silhueta dos dois. Robert tentava se colocar entre as pernas da mulher enquanto essa usava o que lhe restava de forças para tentar proteger sua honra, os olhos do dragão se encheram de fogo e raiva. Andou a passos largos e arrancou Robert de cima da mulher, lançando-o ao chão e empunhando sua espada.
— Levante-se! — Esbravejou tomando posição.
Robert levantou o olhar ainda confuso e imediatamente ajeitou suas vestes ao perceber a presença do príncipe.
— Não é o que está pensando — fala com a voz dificuldade em orquestrar as palavras.
— Estava tentando violentar esta mulher, este é um crime grave punido até mesmo com a morte — fala o príncipe com a voz impregnada de cólera e Robert começa a rir ao tentar se levantar do chão um pouco tonto.
— Se fosse uma nobre talvez, mas não passa de uma qualquer. Todos sabem que as mulheres da ilha dos ursos fodem como cadelas, com ursos selvagens se duvidar! — retruca o lorde se pondo em pé e correndo o olhar pelas pedras tentando lembrar onde largou sua espada — Ora príncipe, não criaremos um impasse por isso não é? Nada aconteceu, melhor que ninguém saiba, pro bem da moça.
Rhaegar volta o olhar para Lyra que tenta se recompor, amarrando o vestido rasgado sobre os seios e limpando o rosto.
— Ele tem razão príncipe, guarde sua espada — diz a jovem entre soluços — Lorde Baratheon está sob efeito da bebida e mesmo que não fosse, todos culparam a mim. Esquecemos disso por favor, eu lhe peço — fala a jovem em tom de súplica.
— Saia daqui Robert, e eu espero que daqui para frente aprenda a se portar com um pouco mais de honra. — Diz o principe voltando a guardar a espada.
— Como se a maioria dos lordes honrados, não fizessem o mesmo. É quase um dever tomar o que nosso direito, príncipe.
— Acha que porque vai casar com uma Stark os vassalos deles terão de submeter a suas vontades? O dever de um lorde é proteger seus vassalos e suas terras, se não aprendeu isso talvez a coroa deva repensar o lugar que sua casa ocupa nos sete reinos. Agora peça desculpas a Mormont e suma da minha frente! — ordena o platinado.
— Perdoe-me senhorita, pela minha... Indiscrição — diz o lorde com ironia antes de se retirar com uma reverência.
Robert desceu as escadarias e respirou fundo antes de voltar ao salão, confiava que o incidente não sairia dali, mas na certa se chegasse aos ouvidos dos Starks traria uma indisposição com Rickard e Eddard. Sabia do apreço do lorde pelos Mormont e também do asco de Ned sobre forçar uma mulher aos desejos carnais. Tratou de contar na mesa com indignação sobre a tentativa falha de Lyra de seduzí-lo e depois voltou a sua tenda na companhia de duas prostitutas com as quais se deleitou por horas regadas a vinho. Antes do sol nascer pagou as putas com um dragão de ouro cada para que não falassem nada sobre a noite que passaram, e tratou de se recompor da bebedeira. Caminhou até a tenda dos Starks e a julgar que foi recebido com sorrisos, o incidente com Lyra não chegou aos seus ouvidos. Sentou-se ao lado de Lyanna em frente a fogueira enquanto esta lhe servia uma caneca de chá. Depois de comerem, pediu a permissão de Rickard para levá-la a um passeio no qual falou sobre as insinuações de Lyra. A loba voltou um olhar inquieto e desconfiado ao noivo.
— Conheço Lyra desde que éramos meninas, percebi seu desprezo por minhas amigas quando disputavamos o tiro ao alvo. Não tente me por contra elas, lorde. — fala a jovem voltando a atenção para os cordões de cobre da banca.
— Gosta deles, escolha um e eu te darei de presente — fala o noivo mudando o rumo da conversa.
(...)
Rhaegar despertou com os beijos de Elia em seu pescoço. Depois de levar a Mormont a sua tenda e a ouvir mentir que fora atacada por um marginal sem rosto, voltou ao seu quarto e relatou o acontecido a esposa que também concordou com a atitude da moça. Aquele não era um mundo onde mulheres tinham voz e quando eram humildes como Lyra, menos ainda. Mesmo com a palavra do príncipe em favor da moça, o máximo que poderiam fazer, era que Baratheon pagasse a família uma multa pela agressão e Lyra teria que conviver com todos os julgamentos sobre como e porquê estava com um homem sozinha longe dos olhos de todos. Sua vida seria muito mais afetada que a dele e Rhaegar foi obrigado a engolir o seu senso de justiça e esquecer do assunto. Ou pelo menos tentar, já que passou a noite praticamente em claro imaginando que em breve sua amada Lyanna estaria condenada a dividir a vida com um homem capaz de tamanha brutalidade.
— Bom dia, meu amor — fala a mulher depositando beijos em seu pescoço que desceram através do peitoral e abdômen, no entanto o marido freou a atitude da esposa a segurando pelos ombros e puxando para cima onde findou o gesto com um beijo na testa.
— Preciso encontrar-me com Jon. — diz num salto.
Vestiu-se e foi ao encontro do amigo que lhe trouxe informações sobre a reunião secreta marcada para aquela noite para finalmente tratar dos assuntos da coroa. O príncipe sentiu-se culpado por não confiar o segredo antes a Connington, afinal eram amigos desde sempre e não seria um cargo como mão do rei, que acabaria com a cumplicidade de anos. Jon percebeu que a ansiedade do príncipe não se restringia aos problemas da coroa e insistiu até que ele falasse sobre o incidente com o Baratheon e de suas preocupações sobre o destino de Lyanna. Mais uma vez, ele insistiu na ideia de que o príncipe devia se render ao seu coração e lutar pelo amor de Lyanna.
— Se ela tem o mesmo apreço por ti, que tu por ela, na certa a vida será muito mais feliz como uma concubina do que como esposa de um crápula como este. Pobre coitada — fala jon.
— Lyanna é forte e destemida, não permitirá que não a trate com respeito.
— Sua mãe também era uma mulher forte pelo que dizem enfrentou o rei porque não queria se casar com seu pai, no entanto, agora… — ele se cala.
— Tem a visto? — questiona o príncipe já com o olhar marejado.
— Não, ele não permite que ela saia de seus aposentos. Mas tenho um… um amigo, que é irmão de uma de suas damas, disse que mesmo com Viserys sendo um garotinho saudável, Aerys continua a violar sua mãe para ter mais herdeiros. E da ultima vez, ela ousou dizer a ele que preferia ser queimada viva do que se entregar a ele novamente e ele bateu tanto nela que a deixou de cama por dias. E agora nem Viserys tem autorização para entrar nos seus aposentos.
— Pobre de minha mãe. E de meu irmão também, eles não deviam viver assim. Como ele consegue ser tão cruel.
— Homens como seu pai ou esse tal Lorde Baratheon, não tem noção de crueldade acham que podem fazer o que quiserem com quem acham que pertence a eles. É uma pena que uma florzinha tão bela quanto Lyanna Stark acabe nas mãos de um homem assim, não acha?
— Não me torture mais do que eu já estou. Acha que não me doi? Que não estou preocupado? Eu a amo, e eu sei que é insano, mas eu a amo. Porém, ela mesma me pediu para me afastar e é o que eu farei. Eu preciso ir agora, prometi a Elia de almoçamos juntos antes das justas.
Jon observou o amigo se afastar e tomou uma decisão. Rumou até a tenda dos Starks e observou durante um tempo. Viu Lyanna devorando fatias de bolo e pudim ao lado dos irmãos e inegavelmente seu apetite não era o de uma Lady. Esperou até a ver se dirigindo aos fundos da tenda onde junto de uma serva tratou de lavar os pratos e cumbucas enquanto conversavam e riam despreocupadamente. Connigton se aproximou da jovem e depois de se apresentar pediu para conversarem a sós. Lyanna dispensou a serva achando se tratar do que ouviu no bosque sagrado algumas noites atrás e seus olhos se encheram de fúria ao ouvir o relato do conselheiro real sobre o acontecodo na noite passada.
A Stark cerrou os punhos e os dentes e agradeceu a Jon as informações, antes de voltar furiosa ao interior da tenda.
— Não vou casar me casar com Lorde baratheon, ele não tem escrúpulos, respeito por mim e nem por nossa família. Eu exijo que o acordo seja desfeito! — protesta a garota diante do pai e dos irmãos, que voltam a atenção a ela com olhares curiosos.
— Vai permitir que ela fale dessa maneira meu pai — Redargue Brandon irritado.
— Seu amigo Robert tentou violar Lyra Mormont e só não o fez porque foi impedido pelo príncipe Rhaegar — ela fala e Brandon cai numa gargalhada sonora.
— E por acaso foi Lyra que veio reclamar? Pois os comentários que ouvi ontem a noite, foi que Lyra tentou seduzí-lo e ao ser desprezada ficou furiosa. Na certa quer tentar arranjar um casamento em nome da honra.
— Não foi Lyra quem me contou, mas eu a conheço e ela é uma moça íntegra, já Robert é um beberrão cheio de bastardos! — grita.
— Já chega, Lyanna porte-se como uma lady. A palavra de um lorde vale muito mais do que a de uma qualquer, e mesmo que fosse verdade o compromisso de vocês continuaria em pé — fala lorde Rickard intempestivo.
— Os Mormont são nossos vassalos, devemos proteção a eles é o que sempre diz — retruca Lyanna.
— E Robert é o lorde de Ponta Tempestade, seu futuro marido deve sua lealdade a ele e seus ouvidos também. Esqueça essa história e não quero mais saber de você de conversa com aquelas garotas. Eles deveriam nos agradecer por tudo que os Stark fizeram por eles e veja como pagam, atentando contra a honra de grandes amigos e aliados como os Baratheon. Se casará com Robert assim que seu irmão desposar a Tully, essa é minha vontade e assim será feito. — Diz o lorde de Winterfell encarando a filha que continua fitando firme em seus olhos.
— Pois terá que me matar para que eu não grite que não o aceito como marido na frente de todos, inclusive dos deuses antigos e novos.
— Pois é o que veremos — diz o Stark tomando o chicote fazendo Ned arregar os olhos e segurar seu punho antes que desfira um golpe contra a irmã.
— Deixe Ned, se ele quer me bater, que bata, que me prenda e faça o que quiser e eu ainda não aceitarei aquele homem como marido, se me forçar a me casar com ele eu fujo. Se não conseguir fugir eu me mato, mas não serei esposa de um homem como Robert.
— Lyanna não piore as coisas — protesta Ned afastando a irmã do pai — Nem sabemos o que aconteceu, talvez você esteja certa, mas talvez Brandon esteja. Sei que Lyra era sua amiga, mas o tempo passou desde que elas deixaram Winterfell, talvez nem você as conheça.
— Ou talvez isso não passe de um plano tolo das duas para livrar Lyanna do casamento, ora meu pai ela sempre deixou claro seu descontentamento com o acordo.— provoca Brandon.
— Diferente de você eu jamais tentaria contra a honra de alguém.
— Mas está julgando Robert sem nem ouví-lo — diz Ned, e Lyanna se vê obrigada a ponderar — Robert não é nenhum celibatário mas nunca precisou usar recursos tão baixos para ter companhia, dê ele a oportunidade de se explicar.
— Cale a boca Ned, já disse que esse casamento vai acontecer ela aceitando ou não. Eu sou seu pai e o Lorde de Winterfell essa decisão é minha não dela. Agora andem que já estamos indelicadamente atrasados para a reunião com os Tully.
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