A Primavera dos Lobos

10 Insubmissos, não curvados, não quebrados


Notas iniciais
Oi gente, mais um capítulo do torneio que ficou bem grandinho, gostaria que vocês comentassem sobre o que acham de cápsulas com mais de 3k, eu tento não passar disso mas as vezes fica difícil. Deixem suas opiniões, caso achem grande demais eu começo dividir em dois. Boa leitura!

Insubmissos, Não Curvados e Não quebrados

Minha irmã, Elia, se casou com o Príncipe Rhaegar Targaryen e se tornou a princesa que ela já era. Em Dorne, ela caminhou entre víboras e ninguém a mordia. Em Porto Real, ela se encontrou cercada por leões.Oberyn Martell — Tormenta de Espadas — As crônicas de gelo e fogo

O príncipe de Pedra do Dragão retornou ao castelo, onde encontrou sua esposa adormecida entre os lençóis de linho. Cobriu-a carinhosamente, beijou seus cabelos e por horas permaneceu sentado a uma cadeira apenas a observar seu sono. Quando Elia despertou, o marido cochilava na poltrona em frente a cama, por vezes o encontrou assim, quando estava adoentada ou quando os pesadelos o impediam de dormir. A morena se levanta e retira as botas de couro do esposo, o desperta com um beijo e o leva sonolento até a cama. Acariciou seu rosto e beijou sua face, torceu o rosto ao estranhar o cheiro adocicado de suas vestes, mas preferiu não dar muita importância. Fechou as cortinas e caminhou até o quarto anexo, onde sua dama de companhia dormia.

— Ashara, minha querida acorde. — fala Elia carinhosamente.

— Perdoe-me minha senhora, dormi demais?

— Não querida, eu que acordei cedo, como se sente? Estava tão triste ontem.

— E como eu deveria estar? Que homem vai querer me desposar depois dos boatos que estão espalhando sobre mim por toda a Harrenhal?

— Mas são só boatos, não é? — Questiona a princesa a sua dama que permanece em silêncio. — Somos amigas, não somos? Diga — me a verdade e tentarei ajudá — lá.

Ashara decide contar tudo a sua senhora, relatou que no banquete de abertura dançou com vários cavaleiros e lordes, divertir-se e riu com muitos deles. Mas um em especial lhe chamou a atenção, o mais velho dos filhos de lorde Rickard Stark. Brandon fora atencioso, contou de suas aventuras no vale e lhe dissera palavras tão belas, que ela não pode recusar quando lhe convidou a um passeio. Subiram escondidos até a mais alta torre do castelo de Harrenhal, Brandon narrou em detalhes, sobre como Aegon I e seu dragão negro, conquistaram aquelas terras e depois sentaram — se juntos para olhar as estrelas. Por mais que tentasse, não resistiu ao charme do rapaz. Ele falou que no dia seguinte diria a seu pai para cancelar o compromisso com os Tully e pediria sua mão, pois nunca vira mulher tão bela e cheia de encantos quanto ela. A jovem deixou que ele a tomasse como mulher, tirando suas vestes e deflorando seu corpo naquela noite. Porém, no dia seguinte, Brandon não lembrava em nada o lorde gentil e amoroso da noite passada, tratou-a com rispidez e disse que jamais se casaria com uma mulher que se entregou a ele antes de estarem casados. Como se não bastasse contou vantagem sobre ter se deitado com ela e por mais que ela negasse com todo afinco, os boatos se alastraram aos ouvidos do irmão Arthur, que agora sentia-se envergonhado em tê-la como irmã.

A princesa de Dorne consola a jovem, disse para ela esquecer o assunto e não dar motivos para mais mexericos. Assim quando o torneio acabasse aquilo não passaria de conversa de bêbados. Que ela era muito bela e certamente seria desposada por um homem de sentimentos nobres e não por um cafajeste como o tal de Brandon. Emprestou a jovem um de seus mais belos vestidos brocados e algumas jóias, sairiam as duas pelo mercado de cabeça erguida. Trancafiar-se em vergonha no castelo apenas provaria as palavras do indígno Stark.

Depois de devidamente vestidas e bem penteadas, Elia deixou o palácio na companhia de sua dama e de um guarda Caminharam por entre as ruas do mercado, fizeram algumas compras de jóias e tecidos exóticos e almoçaram carne seca com molho de laranja e mel, uma iguaria muito apreciada em Dorne.

Elia sente mãos quentes cobrirem seus olhos e a conhecida voz de Oberyn ressonar em seus ouvidos.

— Advinha quem é? — ele questiona tapando os olhos da irmã e dando uma piscadela para a dama Ashara sentada a frente da princesa.

— Meu querido irmão. — Ela fala voltando se a ele e o enredando num abraço. — Senti tanto a sua falta, achei que tivesse esquecido de sua irmã — fala ela ao jovem irmão de pele bronzeada.

— Nem que tentasse poderia esquecer a flor mais bela de Dorne — Ele fala dando um beijo em sua testa. — Esta é a Dayne? Como está bela e crescida. — observa o príncipe.

— Sim é ela mesmo. E está solteira, em idade de se casar — fala Elia fazendo a moça se enrubescer.

— É um prazer revê-lo, príncipe Oberyn — ela diz e ele assente com um sorriso.

— Sente-se, coma conosco e conte-me por ande andou, quero saber tudo sobre sua aventura em Essos!

— Creio que boa parte das histórias são impróprias para os ouvidos de damas tão distintas — fala com um sorriso.

(...)

Lyanna sentiu o corpo estremecer de raiva, não pensou duas vezes em avançar sobre o irmão bêbado, pulando sobre ele com a ferocidade de uma loba selvagem, acertando-lhe um tapa no rosto e um chute entre as pernas que o fez se curvar urrando de dor, dando a oportunidade a mocinha de lhe deferir uma joelhada bem no rosto, com tanta força que arrancou sangue de seu nariz.

— Nunca mais ouse tocar em mim seu bêbado imundo! — Grita ela irritada.

— Sua puta! Eu vou acabar com você! — Fala o irmão recuperando-se do golpe e pulando na direção da garota que cai com a força do impacto. O lobo feroz toma sua trança e a levanta com força, lançando seu rosto contra o chão batido fazendo a jovem sentir o gosto de sangue em sua boca. Lyanna por sua vez, estica ao máximo um de seus braços pegando a perna de um branquinho de madeira, girando o braço esquerdo e acertando a temporada do irmão que cai tonto ao seu lado. A algazarra chamou a atenção da família e servos que em segundos testemunharam a fúria dos irmão Stark. Lyanna, mais uma vez tomou o branquinho e quando estava prestes a tarracha-lo na cabeça do irmão, foi impedida por Ned que a puxou pela cintura a tirando de perto do primogênito dos Stark.

— Solte-me Ned! Eu vou matar esse bêbado infeliz!

— Já chega! — Grita Rickard.

— Foi ele quem começou — Defende-se Lyanna, enquanto o irmão se levanta ainda tonto.

— Sua filha fugiu a noite, na certa para rolar com algum qualquer pela campina, como uma puta sem honra! — Diz Brandon levando a mão ao nariz sangrando.

— É mentira meu pai! Ele mente!

Rickard volta o olhar para a filha, se aproxima e vê suas vestes de montaria o rosto sujo como de um moleque camponês e lhe acerta um tapa.

— Ele mente — Diz a garota de cabeça baixa respirando fundo.

— Sei disso, conheço a filha que criei e sei que não se daria ao disfrute, mas com certeza também não estava em sua cama como deveria. Não é?

— Fui até o bosque, orar aos Deuses.

— A esta hora? Com uma espada presa a cintura? — Questiona o pai.

— Vai me entregar em casamento a um homem como Brandon, tenho mais é que orar muito para compadecer os Deuses e quem sabe me entregar um destino menos terrível do que o qual tenho certeza que terei em Ponta Tempestade! — Ela protesta.

— Está proibida de sair sem minha autorização. Rosa, não te pertence mais e se eu te pegar com uma espada ou qualquer outra arma nas mãos novamente, te darei uma surra as quais seus netos se lembraram. Não é mais uma criança Lyanna! Trate de se portar como uma lady. Agora saia daqui, vá se lavar e me entregue essas roupas!

— Venha Lyanna — Diz Ned puxando a irmã.

— Deveria ter dado uma surra nela, meu pai. — Fala Brandon sem perceber Rickard tomando um chicote nas mãos. — Deixou que ela crescesse achando que tinha os mesmos direitos dos homens, por isso ela está assim. Devia apressar o casamento, assim será problema do Robert e não nosso — conclui Brandon quando é vergastado pelo chicote do pai.

— O que está fazendo? — questiona se protegendo com os braços e levando mais duas chibatadas que rasgam as mangas de sua camisa.

— Lyanna é minha filha e enquanto ela viver sob meu teto, serei o único com direito a bater nela! — Esbraveja o Stark — E essas duas são por ter apanhado de uma garota com metade de seu tamanho! — Diz o lorde acertando o filho por mais duas vezes.

Na manhã seguinte a primeira coisa que Lyanna vê, são suas calças de montaria queimado na fogueira em frente a grande tenda dos Stark. Fechou os olhos e conteve as lágrimas, não daria a Brandon o gostinho de vê-la chorando. Sentou-se à frente da fogueira e mexeu nas brasas com um pedaço de madeira. Ned tomou o lugar ao seu lado e lhe ofereceu uma rosa de inverno.

— Veja o que eu encontrei.

—É linda — diz a garota tomando a flor ainda com o semblante triste.

— O que disse ontem a noite, tem tanto medo assim de Robert?

— Não tenho medo de Robert, não tenho medo de homem nenhum. Temo é me casar com um homem que nunca consiga amar, que nunca será meu de verdade.

— Robert tem verdadeira adoração por você, minha irmã. Aprenderá a amá-lo. Nossos pais aprenderam, não foi? Teremos a mesma sorte.

— Nosso pai não é um beberrão cheio de bastardos! — Retruca ela, colocando a flor nos cabelos.

— Não seja tão dura, dê a Robert a chance de conquistá-la. Enquanto ficar vociferando coisas contra ele, seu coração nunca se permitirá amá-lo. Conheço os defeitos de meu amigo, mas também suas qualidades. Sei que ele poderá ser um bom esposo para ti. A bastarda no vale foi um erro, todos nós estamos sujeitos a cometer insanidades. Prometa-me que vai fazer um esforço para gostar dele, sim?

— E eu tenho escolha? — Ela responde e Ned afaga sua mão.

—Ah! E da próxima vez que brigar com Brandon, tente acertar o joelho esquerdo, ele não tem muita firmeza nele. — Diz o irmão com um sorriso — Que tal irmos almoçar nas barracas? Soube que estão preparando cozido de carneiro com batatas em uma delas.

A caminho de Porto Real, Jaime Lannister cavalgava triste. Por mais honrada que fosse sua nova função como manto dourado, saber que não era uma recompensa por sua habilidade ou bravura e sim por uma rixa entre o rei e seu pai o deixava profundamente decepcionado. No entanto, talvez ainda assim fosse melhor ficar longe do Rochedo, longe de Cersei. A garota que um dia sonhou casar — se com o príncipe Rhaegar e teve suas ilusões destruídas quando fora rechaçada por Aerys, agora não saia de seus pensamentos e de sua cama. Estava cada vez mais difícil manter aquela relação pecaminosa longe dos olhos e ouvidos de todos. Mas por mais doentio e repugnante que ele soubesse que todos veriam o amor dos dois, para ele, não havia algo mais belo e puro. Tinham uma cumplicidade e simetria tão grandes que podiam entender o que se passava na mente do outro apenas com um olhar, eram sangue no mesmo sangue, carne da mesma carne, foram concebidos juntos e diziam que morreriam abraçados. Seria difícil ficar longe dela, mas era o melhor para todos e de qualquer forma, mesmo que quisesse, não haveria mais volta. Sua vida agora pertencia ao reino.

Em sua tenda depois da segunda noite em claro, Cersei decidiu que viveria em Porto Real, seu pai negou o cargo de mão do rei e não mostrava nenhuma vontade de voltar a servir a Aerys. Mesmo assim, a garota encontraria uma forma de ficar ao lado de Jaime, não suportaria viver no Rochedo ao lado do pai e do monstrinho deformado que ceifou a vida da mãe, o qual o pai insistia em criar. Vestiu seu melhor vestido, perfumou-se e penteou seus cabelos. A família Lannister estava instalada no castelo de Harenhall, e decidiu subir a torre onde a família real fora instalada. Ao ser barrada pelo guarda usou de seu charme e poder de persuasão para que pudesse adentrar aquela área restrita. Conversou com servos e agradeceu aos deuses pela informação de que Elia saiu mais cedo, sabia que a única forma de voltarem a porto Real, era se casando com o príncipe. Seu pai não aceitaria menos que isso. A bruxa profetizara que ela se casaria com um rei, teria o torneio para conquistar Rhaegar, depois disso livrar-se da dornesa seria questão de tempo. Homens apaixonados eram capazes de qualquer loucura e ela confiava na sua beleza e astúcia para deixar qualquer um aos seus pés.

Foi até a cozinha do andar e preparou uma bandeja com frutas, carne, pães, suco e vinho, se confundindo entre tantas mulheres apressadas que se preparavam para servir o almoço dos tantos convidados ilustres. Sentiu um frio na barriga ao se aproximar da porta dos aposentos do príncipe, era arriscado ela sabia, porém não tinha tempo para ser sutil. Bateu duas vezes e entrou, causando estranheza no príncipe que parecia ter acabado de despertar.

— Quem é você? Onde está minha esposa?

— Não se lembra de mim? Sou Cersei, filha de Tywin Lannister.

— Ah sim Cersei, Perdoe-me fazem anos que não a vejo. Mas, o que faz aqui?

— Na verdade meu príncipe, vim clamar por sua ajuda. Meu irmão Jaime, foi nomeado manto dourado por seu pai, tenho grande apreço por ele, somos gêmeos. Sei o quanto os treinos e vida de um manto dourado pode ser dura e perigosa e ele ainda é tão jovem e está longe de casa. Queria pedir, se puder é claro, mantê — lo sob sua proteção, todos dizem que é um homem bom e justo seria um grande espelho para meu irmão. — Diz a garota em tom de súplica.

— Entendo seus temores lady Cersei e me alegro em ver suas preocupações com seu irmão, família é o nosso maior bem. Mas os mantos dourados são homens honrados e gentis, tratarão seu irmão com todo o respeito que merece. De qualquer forma, fico lisonjeado com os elogios e quando estiver em Porto Real tratarei de deixar claro que seu irmão está sob minha proteção, certo?

— Obrigada meu príncipe nem sei como lhe agradecer — Diz a jovem curvando-se sobre a mão de Rhaegar e depositando alguns beijos rápidos no dorso.

— Ora, não precisa disto, levante-se. Venha.

— Obrigada majestade, serei eternamente grata. — Fala encarando os olhos púrpura com melodia na voz — Bom, trouxe seu almoço, não sabia do que gostava então tomei a liberdade de trazer um pouco de tudo. Diz voltando a pegar a bandeja.

— Pode deixar sobre a mesinha — fala ele se afastando para uma das janelas.

— Bem acho melhor eu ir, aproveite a comida parece deliciosa! Na torre onde estamos instalados as cozinheiras não parecem ter o mesmo talento culinário.

— Pois então almoçamos juntos, e você poderá julgar. Mas não aqui, seria um tanto inapropriado.

— Ah sim é claro, perdoe-me por ter vindo, mas foi o único momento que encontrei oportunidade de falar com vossa majestade.

— Vou me trocar, espere-me no corredor certo? — Fala o príncipe indicando a porta.

A loura, caminha vagarosamente embalando as ancas volumosas que contrastavam com a pequena cintura estruturada pelo corselet. Ela dá uma última olhada antes de sair e se irrita ao perceber que o príncipe se quer notou sua silhueta.

Alguns minutos mais tarde Rhaegar vestido com uma camisa branca, calças de montaria e colete de couro negro, botas e a fina diadema sobre os cabelos longos, arrancaram um suspiro da jovem Cersei. Desde muito pequena achava o príncipe encantador, na verdade era o único homem além de Jaime que lhe despertava interesse. Caminharam juntos até a cozinha, mas em pouco tempo Cersei se deu conta que aquele bando de mulheres munidas dos mais diversos pratos, bebidas e quitutes não permitiriam que ela tomasse a atenção do príncipe somente para si.

— Pelo jeito estava enganada, não há nada de impressionante aqui. —fala com certo desdém.

— Tem um gosto muito exigente Lady Cersei. Pois estou satisfeito com os sabores.

— Oh não quis dizer que não está gostoso, mas sim que nada foge ao habitual, já comeu nas bancas do mercado? Há culinária exótica de todas as partes do reino e também de terras estrangeiras! Podíamos dar uma passada por lá quem sabe não encontramos sua esposa. Queria tanto revê-la.

— Bom eu tenho uma disputa a tarde, me empanturrar de comida não seria muito inteligente da minha parte.

— Ora príncipe é de longe o melhor cavaleiro, este torneio já é seu! Vamos, ontem provei um doce de passas do norte que é verdadeiramente divino! A menos que minha companhia não o agrade, não quero ser importuna, mas meu irmão se foi e como não conheço ninguém, este torneio está sendo muito enfadonho para mim.

— Imagina sua companhia é muito agradável. E é uma pena que Tywin tenha deixado o cargo de mão do rei, ele tem feito muita falta ao reino. Pois bem, te apresentarei minha esposa e sua dama Ashara, assim terá companhia para os dias que ainda virão do torneio — fala Rhaegar com simpatia.

(...)

Lyanna estava na sua segunda porção a qual devorava com a mesma ânsia da primeira, afundando um pedaço o pão no caldo, e se lambuzando com os pedaços de carneiro como uma criança faminta. Ao perceber a aproximação de Robert pisou no pé de Eddard em baixo da mesa, notando no mesmo instante que não se tratava apenas de um almoço de irmãos.

Ela volta a atenção para a cumbuca e solicita mais uma porção. Assim que Robert os encontra cumprimenta o amigo e beija a mão de sua prometida que percebe estar encharcada de caldo.

— Oh, perdoe-me — fala limpando as mãos na saia do vestido fazendo Ned revirar os olhos com suas gafes propositais a frente do noivo.

— Ora não se desculpe, sempre acabo por sujar minhas mãos e a barba quando a comida é boa. O que houve no seu rosto? — fala ele com um sorriso branco e um hálito ácido de vinho.

— Bom o desastre me acompanha, acredita que cai de cara no chão? Tenho medo quando tiver filhos vou matá-los sem querer antes do primeiro ano.

—Precisa ter mais cuidado minha querida, aliás como vou me gabar de ter a noiva mais linda do torneio se ela está com um hematoma na face? E no mais acho que podemos contratar boas amas pros nossos rebentos.Bem, vou pedir uma porção.

— Peça pois está uma delícia, estou na terceira e pensando na quarta e em algum doce de sobremesa também.

— Que belo apetite tem minha prometida! Mas aposto, que posso vencê-la. — Diz Robert com um sorriso sentando ao lado dela e arrancando um sorriso de Ned, ao perceber que a estratégia da irmã em assustar o noivo deu muito errado.

Quando Lyanna se deu por vencida sentia seu estômago arder de tão cheio, foram seis cumbucas de caldo e seis pãezinhos. Robert no oitavo, ainda bebia uma caneca de cerveja para acompanhar.

— Ora minha amada, não fique entristecida pela derrota, quando nos casarmos teremos muito para você treinar uma revanche. Além do mais ninguém nunca me venceu numa disputa assim, não é Ned?

— Lyanna não gosta de perder em nada. — Fala Ned.

— Então, que tal uma disputa em algo que meu estômago muito maior que o seu, não me dê vantagens enh? Eddard disse que é muito boa com arco e flecha… É verdade?

— Sim! Melhor que ele com certeza — Diz a garota com os olhos brilhantes — mas, meu pai me proibiu de tocar em uma arma novamente. Ele acha que não é coisa para uma dama.

— Bem, ele não precisa saber não é Eddard?

— Não me coloque em situações comprometedoras, Robert.

— Ora será divertido, lembra quando fazíamos isso no ninho? Anda vamos!? Não seja tão ranzinza. — Diz voltando o olhar para ruela, quando percebe o príncipe dragão na companhia de sua esposa, Ashara e a bela Lannister. — Vejam só, não é não é a moça que Brandon diz ter se deitado na noite do banquete? — Fala em tom baixo.

— Não dê ouvidos as conversas de meu irmão, E é desrespeitosos com a moça sendo ou não verdade.

— Ora, meu amigo não diga que ainda tem interesse na Dayne?

— Não… De onde tirou isso? Só acho que se fosse verdade, Arthur teria o desafiado para um duelo.

— Sim e você seria o novo herdeiro de Winterfell, afinal, ninguém pode vencer a espada da manhã.

— Ele nem é tão bom assim — Se intromete Lyanna.

— Já o viu lutar?

— Não, mas já aprendi que o povo adora contar gabolas sobre homens importantes.— Diz Lyanna desviando o olhar.

— Mais uma vez está certa, minha amada. Podemos tirar a prova não acha? — Questiona olhando pro grupo e se levantando logo em seguida. — Hei príncipe Rhaegar, venha junte-se a nós, tenho uma proposta para vossa graça. — Grita levantado a caneca e Lyanna olha pros lados procurando um meio de escapar dali.

Rhaegar abre um sorriso amarelo, toma o braço da esposa e caminha até o pequeno grupo. Eddard estranha a irmã que de cabeça baixa permanece olhando para mesa.

— Robert Baratheon, estou certo? —Diz o príncipe ao se aproximar.

— Sim eu mesmo. Creio que já conheça meu amigo Ned e minha noiva Lyanna, da outra vez que nos encontramos. — Diz o rapaz tomando a mão da noiva forçando-a a se levantar.

— Essas são minha esposa, princesa Elia, sua dama Ashara, meu cunhado o príncipe Oberyn e nossa convidada Cersei Lannister — apresenta Rhaegar voltando a atenção para o rosto machucado de Lyanna.

Elia não tardou a perceber que a jovem a sua frente era a mesma que atraiu a atenção do esposo durante o banquete de abertura e olhar dele sobre ela causava lhe muito incomodo.

— Pois veja príncipe, estávamos agora mesmo combinando um desafio de arco e flecha. E até o de sei, é o melhor arqueiro do reino. Não gostaria de agraciar nosso torneio particular com sua ilustre presença?

— Na verdade o povo me dá mais crédito do que realmente mereço, lorde Baratheon.

— Foi exatamente o que Lyanna acabou de comentar — fala o rapaz e é fulminado pelo olhar da loba. — Quero dizer, não falávamos do senhor e sim de homens de grande prestígio em geral.

—De fato não está errada senhora Lyanna… O que houve com seu rosto? — Questiona Rhaegar sem conseguir disfarçar a preocupação na voz.

— Um acidente doméstico. — Responde Lyanna sem levantar o olhar.

— Pois eu adoraria participar, sou melhor com lanças, mas minha pontaria é certeira . — Comenta o príncipe de Dorne olhando de forma insinuante para Cersei, que desvia o olhar com certo desprezo.

— Podemos fazer um duelo de duplas? Que tal, minha Lyana e e eu o príncipe e sua esposa, Ned e Ashara e Cersei e o príncipe Oberyn. Que acham? Seria divertido.

— Não toco num arco há anos! — Diz a princesa Elia.

— Bom, nunca se quer toquei, mas adoro desafios. — Fala a Lannister.

— Então está acertado príncipe Rhaegar? — Insiste o lorde de Ponta Tempestade.

— Infelizmente tenho alguns compromissos mais tarde.

— Será divertido, precisamos nos distrair um pouco, querido. — Fala a princesa sem tirar os olhos da loba que parecia fugir de qualquer contato visual.

— Eu já disse que temos outro compromisso, Elia — fala o príncipe com seriedade.

— É claro, nos perdoe não poderemos aceitar. — Concorda a mulher vendo o incômodo do marido.

Despediram-se cordialmente e retornaram a torre, Elia entrou nos aposentos a passos largos visivelmente irritada, questionou o marido sobre a Lannister, apenas como uma forma de chegar onde ela realmente queria, Lyanna Stark. Desde o grande banquete que os olhares entre os dois a incomodava, não seria a primeira vez que percebia os olhos de cobiça de uma jovem sobre seu galante esposo, mas o que não sabia lidar, era com a reciprocidade contida no olhar dele.

—Está dormindo com ela? — questiona sem rodeios.

— Não. Lyanna é uma moça de família e eu sou teu marido, se já terminou estou atrasado para a justa — Redargue o príncipe irritado.

— Está mentindo, nunca te proibi de se deitar com outras mulheres, eu nasci em Dorne, fidelidade não é algo tão imaculado assim. São apenas prazeres, corpos, a confiança está em nossos olhos e em nossas palavras. Olhe para mim e me diga que não sente nada por aquela menina — ela fala segurando o rosto do marido entre suas mãos. Apesar de sua fala macia e gesto gentil, Elia era uma dornesa, o veneno de serpente corria em suas veias e aquecia seu sangue quando sentia-se ameaçada. Desejou que o marido dissesse que havia se deitado com Lyanna, que os olhares entre eles não passasse de uma aventura de primavera, mas não foi isso que ouviu da boca do marido.

— Não vai gostar da resposta — ele fala mirando firmemente em seus olhos — Eu, não me deitei com Lyanna, nem pretendo fazer isto, mas desde que a conheci, por mais que eu tenha tentado, não consigo tirá — lá de meus pensamentos e cada vez que a vejo, a desejo como jamais desejei outra. Eu sinto muito — ele conclui com os olhos lacrimejando e Elia permanece estática enquanto ele pega sua espada e a deixa só nos aposentos.

Elia chorou por algum tempo e depois se recompôs, passou um kajal nos olhos, vestiu um fino e bem torneado vestido a moda dornesa. Colocou brincos, pulseiras, e uma tiara sobre a cabeça. Insubmissos, não curvados, não quebrados, este era o lema da casa Martell, e ela era princesa de Dorne, não permitiria que aquela menina com gelo nas veias roubasse o coração de seu homem.

Chamou sua dama e juntas foram apreciar o torneio de justas. Oberyn já apostava com alguns cavaleiros sobre quem seria o vencedor do próximo combate, quando viu a irmã, tão bela quanto o sol radiante da terra natal subir ao camarote.

— Se não é a flor mais bela de Dorne! — Ele proclama a plenos pulmões.

— Tem um tempo para sua irmã?

Os irmãos se afastaram um pouco e curvaram — se sob o beiral do camarote. Oberyn e Elia eram inseparáveis desde criança, mesmo depois do casamento com o príncipe Rhaegar, e da partida do dele de Dorne para aventuras além de Westeros, mantinham contato por cartas e corvos. Nunca deixaram de saber onde cada um estava, o que fazia e o que estavam sentindo. Elia contou sobre a conversa que teve com o marido e Oberyn ouviu atentamente cada palavra.

— Acho que está se preocupando demais, Rhaegar é homem e as vezes a necessidade que nosso brinquedinho tem de desbravar terras desconhecidas, é mais forte que nossa honra. Deixe que se divirta com essa menina, quando o torneio terminar será apenas uma lembrança.

— Não acho que ela seja apenas um passa — tempo, se visse a maneira com que ele falou, entenderia.

— Bom e te encomoda se ele a tomar como uma concubina? O que foi? Não me diga que aderiu ao puritanismo mentiroso dos moradores de Porto Real.

— Ela não é qualquer uma, é Lady de Winterfell e parece que está prometida a Lorde Baratheon. Toma — lá como como amante ofenderia duas casas importantes e no momento ele precisa de apoio e não de inimigos. E tem outra coisa.

— O que?

— Eu o amo, mas eu não posso mais dar filhos a ele. Aerys, ele já disse muitas vezes que uma mulher que não pode parir, não serve para nada.

— Eu duvido que Rhaegar pense assim.

— Ele não pensa, mas ele acha que tem que ter outro filho, e ele só tem um filho homem, sabe que uma menina não conta para sucessão. Aerys fez de tudo para dar um segundo herdeiro porque sempre foi pressionado para isso, acha que não farão o mesmo com ele? Acha que não darão um jeito de se livrar de uma rainha que não pode dar filhos ao rei. Rhaegar é um homem maravilhoso, mas a paixão transforma o preto em branco, e ele está apaixonado por aquela garota eu vi isso nos olhos dele.

— O que quer que eu faça? É só dizer e lorde Baratheon terá de encontrar uma nova noiva.

— Não! Está louco, não quero que a mate, onde está com a cabeça?! Quero que fique de olho neles, esse torneio acabará em alguns dias e depois disso, eles nunca mais se encontrarão e com tempo, ele nem lembrará do nome dela.

— Que assim seja — concorda o príncipe voltando o olhar para a arena, onde Rhaegar tomava posição para o combate.



Notas finais
E aí pessoas? Que acharam do nosso príncipe Oberyn? Bom, sobre Elia, eu não concordo com a versão resignada dela, acho que qualquer mulher lutaria por seu amor, pelo menos de início. Espero que tenhá muito gostado, deixem seus comentários. ...