Notas iniciais
Desculpem a demora, estava sem internet em casa

Parte III


O coração do platinado disparou ao ouvir o bater de patas de cavalo e depois visualizar a jovem Stark com os cabelos dançando ao vento, enquanto seu corpo acompanhava o ritmo da égua ao se aproximar da árvore oca. Apeou do cavalo e encarou o príncipe por instantes. Tinta frases feitas na cabeça de como tudo aquilo era insano, porém não conseguia dizer nenhuma delas os olhos púrpura se aproximaram lentamente e sentiu os dedos longos e quentes do dragão tocar a lateral do seu rosto com suavidade.

— Você veio — falou em tom baixo com um leve sorriso nos lábios.

— Apenas para dizer que… — antes que pudesse terminar a frase, Rhaegar juntou seus lábios aos dela, sua resistência não durou mais que um segundo. A Stark deixou envolver-se pelo macio e quente dos lábios do dragão, sentiu seus braços fortes enredarem a sua cintura, trazendo o calor dele contra o corpo ligeiramente frio dela.

— Pare — sussurrou o afastando — Não podemos — falou com a voz entre cortada.

— Não deveríamos, eu não deveria. E eu sei que parece loucura, mas não consigo parar de pensar em você. Eu te amo, Lyanna Stark. E sei que também tem sentimentos por mim, sei que me deseja tanto quanto eu a desejo — falou segurando gentilmente seu rosto entre suas mãos — Não quer se casar com Robert, e sei que não posso lhe oferecer meu nome, mas te garant, que dedicarei cada dia da minha vida para que seja feliz ao meu lado.

— E sua esposa?

— Estou preso a Elia, a meu título e eu a amo, mas ela não tem meu coração. E ela entende, talvez melhor do que eu. Venha comigo para Pedra do Dragão, terá meu amor e minha proteção.

— Eu não posso, envergonharia minha família e Robert ele… Ele iria acabar te desafiando para um duelo, não quero que ninguém se machuque por minha causa.

— Eu não me importo de enfrentar Robert, não gosto de matar. Mas eu o faria por você, eu não me perdoaria se deixasse você se casar com ele, e ver ele apagar sua alma vibrante e selvagem. Venha comigo — implorou tomando suas mãos.

— Eu preciso pensar — falou desvencilhando suas mãos e voltando o olhar para a árvore oca.

— Eu entendo.

— Pretendia fugir, não serei esposa de Robert de maneira nenhuma.Terão de me matar para que eu suba ao altar com ele, mas… Se eu fugir sozinha serei apenas uma garota tola assustada com o casamento, se fugir com você, serei renegada por minha família, pela sociedade, o mesmo que uma prostituta, cujo o ventre só nascerão bastardos.

— Não… Infelizmente a lei dos sete me impede de tomar outra esposa, mas eu jamais deixaria que nossos filhos fossem criados como bastardos. Seriam legitimados, educados e criados como príncipes e princesas, você será tão bem tratada quanto Elia. Construiremos uma linda casa em Solarestival, com animais e cavalos — falou a abraçando por trás — cavalgaremos todos os dias ao por do sol e eu nunca mais teria motivos para chorar naquele lugar — virou -a para ele.

— Suas palavras são belas, mas é apenas eu quem estaria arriscando. Os homens amam e deixam de amar conforme o vento. Eu preciso ir — falou recuando um passo.

— Eu jamais iria te propor algo, se não tivesse plena certeza do que sinto. Eu te amo. Te amo agora, e ainda te amarei quando nada mais restar de nós — a moça sentiu o peito acelerar e desta vez foi ela quem buscou os lábios do príncipe. O beijo iniciou de forma lenta, mas logo deixou-se levar pelo furor da juventude dos dois apaixonados. O príncipe a recostou sob a árvore oca e afundou seu rosto na curva de seu pescoço. Lyana arfou e por mais que tentasse resistir tudo que queria era os lábios dele em sua pele. Ele se afastou um pouco e recobraram o fôlego.

— Eu preciso ir — falou ainda desconcertada.

— Fique mais um pouco — falou tomando sua mão — O banquete ainda vai perpetuar por horas, gostaria de te levar a um lugar. Sua égua é rápida?

— Rosa é a égua mais rápida dos sete reinos, se pensa em uma disputa, comeria poeira — Desafia ela e Rhaegar sorri.

Subiram em seus cavalos e dispararam em alta velocidade em direção ao Olho de Deus, um lago de águas quentes e esverdeadas que impunha uma pequena ilha recheada de represeiros a qual chamavam de ilhas das caras. Lyanna chegou a margem com alguns segundos de vantagem e impôs um sorriso triunfante ao príncipe logo atrás dela.

— Comeu muita poeira, príncipe Rhaegar? — provocou.

— É, ela é rápida — falou olhando para o animal.

— O seu também, mas você é mais pesado e não sabe distribuir o peso com o galope — falou sorrindo — Este é o olho de Deus?

— Sim, aqui os filhos da floresta e os primeiros homens assinaram o tratado de paz.

— Eu conheço a história.

— Quer nadar até lá?— O platinado perguntou mirando a ilha.

— Melhor não — respondeu se lembrando da sensação agonizante de estar no corpo da ratazana mais cedo. O príncipe desceu do cavalo e a ajudou a descer de sua égua, sentiu vontade de beijá-la novamente, mas apenas tomou sua mão e a conduziu até o limite da água.

— Tem uma coisa que eu preciso de contar Lyanna, quando te vi assustando aqueles garotos com a espada, não foi sua beleza ou coragem que me paralisou. Eu já a tinha a visto antes.

— Eu nunca sai de Winterfell e não me lembro de termos sido visitados pela família real.

— Eu te vi, quando eu tinha sete anos. Você estava em perigo e eu devia protegê-la, não sei dizer o porquê ou do que. No dia seguinte li num pergaminho que um homem que não sabe segurar uma espada, não era digno do amor de uma mulher e por você me tornei um guerreiro. — falou e Lyanna ruborizou.

—És mesmo um galanteador príncipe Rhaegar — falou envergonhada.

— Estou falando a verdade, bom acho que deve saber logo… Eu tenho sonhos, às vezes eles acontecem, às vezes não, nem sempre sei o que significam, mas sei que não são apenas sonhos. É por isso que sou tão devoto de profecias, elas são prelúdios do que está por vir, um presente dos Deuses para que possamos nos preparar. E você Lyanna faz parte do meu futuro — falou e a Stark enrijeceu. Embora não fosse uma descrente como Brandon, fora naquele mesmo dia que percebeu que havia muito mais do que a vontade dos homens reagindo a vida que conhecia. Estar no corpo do rato e ouvir o que ele ouviu, pode preparar Rhaegar para enfrentar o pai, e agora, ele estava a sua frente falando como se soubesse do que havia acontecido mais cedo e dizendo que ele também estava sendo afetado por aquela magia desconhecida. Seria amor o que ele sentia? O que ela mesma sentia? Ou apenas uma proximidade por conta do segredo extraordinário que partilhavam? Ele sabia que ela era uma troca-peles? Seria esse o interesse dele?

— Eu preciso ir — falou sentindo um nó formar-se em sua garganta.

— Lyanna por favor, espere — pediu Rhaegar ao ver a moça subindo ao cavalo.

— Não consegue enxergar a loucura que estamos fazendo? Sou prometida ao Lorde Baratheon e Elia está a lhe esperar, se o destino nos quisesse juntos não seria um homem casado e nem eu uma Lady prestes a se casar. Somos proibidos um pro outro, essa é a realidade, e mesmo que não quisermos acreditar nela, ainda assim seria errado. E se me ama como diz, não iria querer condenar-me a uma vida de desonra como sua amante. Se eu ir com você, ainda será o príncipe de Pedra do Dragão, Elia, ainda será sua amada esposa e eu serei apenas mais uma moça que caiu em desgraça. Adeus príncipe e por favor, não volte a me procurar — falou esporeando o cavalo e saindo em disparada.

Rhaegar a observou partir com lágrimas nos olhos e depois voltou o olhar para ilha das caras, respirou fundo e voltou a subir em seu cavalo negro.

O dia seguinte amanheceu em festa em Harrenhal, seria o último dia de disputas e depois dos campeões de cada modalidade serem conhecidos, os festejos seguiriam por mais dois dias.

Lyanna levantou de sua cama exausta, passou a noite em claro pensando nas palavras do príncipe dragã e tentando controlar a ânsia, que seu coração tinha de dizer sim a ele. Tudo que queria naquele momento era ter alguém com quem conversar, mas estava proibida de falar com as Mormont e Ned tinha Robert como seu melhor amigo, ela sabia o que ele ia dizer caso mencionasse o que estava acontecendo em seu coração. Levantou-se, lavou o rosto em uma baixela, pegou algumas roupas, sabão e toalhas e se pôs em direção a casa de banho, construída para as moças se banharem durante o torneio. O lugar era visitado por poucas corajosas senhoras e suas filhas e filhos pequenos, a maioria preferia lavar-se em uma bacia dentro das próprias. tendas temerosas por serem avistadas por algum rapazote espertinho, mas a maioria apenas tratava de trocar os vestidos e usar perfumes

Ela se preparava para retirar o vestido quando Lyra se aproximou com um sorriso amarelo. Lyanna prontamente a abraçou e a Mormont não conseguiu segurar as lágrimas.

— Eu juro que não tive culpa, ele disse que queria falar sobre você, queria saber como conquistar seu coração.

— Está tudo bem Lyra, teria que ser muito burra para acreditar na conversa de Robert. Mas preciso de sua ajuda. Fugirei de casa e preciso de um lugar para me esconder, até que minha família desista de me procurar e eu possa fugir de Westeros.

— Tem certeza? Lyanna, sei o quanto ama sua família, seus irmãos…

— Sim eu os amo, mas nem mesmo Ned está ao meu lado. Prefiro a morte do que ter de me casar com o lorde de Ponta Tempestade. Vai me ajudar?

— Sabe que sempre poderá contar conosco, Lyanna — falou Lyra voltando a abraçar a amiga.

Combinaram tudo e Lyanna não resistiu contar sobre o príncipe. A jovem Mormont bateu palmas e pulou de alegria ao saber que a amiga havia beijado Rhaegar.

— Parece uma daquelas músicas românticas que ouvimos — falou a garota — Se ele lhe ofereceu amor e proteção, porque diabos vai fugir sozinha?

— Ele é casado, mesmo gostando um do outro, adultério é um pecado — falou Lyanna.

— Não pelos antigos deuses, eles nos dizem para sermos leais ao nosso coração e deixemos que eles nos guiem pelo caminho da paz e do amor. Se estão apaixonados, devem ficar juntos.

— E os Deuses também ensinam a não fazermos aos outros o que jao desejamos para nós. Ele pertence a outra mulher, eu vou esquecê-lo.

— Uma mulher que ele não ama, ele ama você, Lyanna.

— Não há como saber, ele apenas pode estar interessado porque eu posso ser uma… uma warg.— confessou e Lyra arqueou as sobrancelhas assustada.

Explicou a amiga que não resistiu em obrigar a amiga a fazer ela tentar entrar na mente de sua égua. A Stark tentou por várias vezes, no entanto não teve sucesso algum.

— Eu juro que aconteceu, talvez só funcione perto do represeiro, não sei.

— Então, vamos até lá.

— Eu já me demorei por demais. Daqui a pouco meu pai vem me buscar pelos cabelos.

— Bom, mas se puder fazer isso, pode ouvir os segredos de todos, inclusive do príncipe Rhaegar.

— Isso seria espionar!

— Não, seria apenas confirmar uma suspeita.

— Não farei isso, além do mais já disse a ele que é loucura e que não há esperança para nós, agora melhor eu ir. Cuide-se minha amiga, e muito obrigada a você e Alysanne por me acolherem.

Rhaegar havia passado o resto da noite em companhia de sua harpa na sacada de seu quarto, dedilhando acordes tristes e refletindo sobre as palavras da loba. Lyanna era tão jovem, mas tinha mais juízo que ele, constatou, ou talvez não compartilhasse a mesma intensidade do sentimento que ele nutria por ela. Elia, respeitou seu silêncio e sua melancolia. Aprendeu já nos primeiros meses de casada, que nada que dissesse ou fizesse podia tira — lo daquele estado. Nada além de sua música era capaz amenizar os seus anseios Ela o espiou pela enorme porta de vitrais azuis e sentiu o peito apertar, em tristeza, ela o amava e embora doesse fundo em sua alma saber que o coração dele não era seu, vê — lo sofrer era ainda mais desolador.

Aproximou-se e abraçou seu pescoço por trás dando um beijo no topo da cabeça platinada e ele continuou a olhar para as cordas da harpa.

— O que houve? Ela não aceitou

— Não…

—Bom, é o que se espera de uma moça honrada.

— Eu sei… ela é uma boa moça, e acredita que minhas palavras, sejam passageiras como o vento. Ela não crê no meu amor por ela, o risível é que nunca fui tão sincero com meus sentimentos como estou sendo agora.

— Mulheres inteligentes não se deixam levar por palavras, precisa mostrar a ela que ela não é apenas uma diversão de primavera — falou retirando a harpa de suas mãos e sentando em seu colo. Rhaegar a enredou num abraço carinhoso pousando a cabeça sob suas costas. .

— Porque está tentando me ajudar? Eu não tenho orgulho do que sinto por Lyanna.

— Eu te amo , e não tem do que se envergonhar, amor é algo incontrolável. Ainda serei sua melhor amiga — falou entristecida e Rhaegar a abraçou com força.

— Como poderei provar a ela? Se ela me pediu para não voltar a lhe dirigir a palavra?

— Você saberá como, se não se importa preciso ir, prometi a jovenzinha Lannister que faríamos compras juntas hoje. Acho que ela está tentando ser minha dama. — revirou os olhos —

— E vai aceitá-la como tal? Não creio que agradará a Tywin e para ser sincero, a mim também não, algo nela me incomoda.

— Oh não jamais, a pobrezinha acha que gatinhos podem brincar com serpentes e dragões. Estou apenas, sendo cordial, sei que ter os Lannisters ao nosso lado é um grande trunfo. — falou e Rhaegar tomou seu queixo gentilmente a forçando a olhar para ele.

— Você será uma grande rainha— falou e beijou sua testa — Obrigado por fazer parte da minha vida, pelos nossos filhos por toda a alegria que tem me dado ao longo desses anos meu sol de Dorne. E eu sei que parece insano, mas eu amo você tanto quanto amo Lyanna, mas de maneiras diferentes — acariciou seu rosto levemente — Me perdoe por te fazer sofrer.

— Vamos ficar bem — disse limpando uma lágrima solitária do rosto pálido do marido — Agora tente dormir de novo, no fim da tarde são as finais e não pode deixar Sor Arthur lhe vencer de novo.

— Farei o possível.

Elia ajudou o marido a retirar as roupas, fechou as cortinas e o deixou descansando. Rhaegar adormeceu olhando para o estandarte de sua família, o dragão vermelho de três cabeças, e quando despertou viu o Stark ao seu lado. Olhou para os lados confuso, o lugar era desconhecido para ele, no entanto, viu um berço aos pés da cama e ele mesmo com os cabelos presos para trás uma camisa velha, rosto suado a entalhar a madeira entendeu estar numa de suas visões. Visão verde, era assim que o pai a chamou quando ele ainda era um menino, disse que devia ignorar e seguir a vida ou ia acabar enlouquecendo e ele fingiu fazer isso. Levantou-se e caminhou lentamente, olhou o berço vazio e sorriu ao ver o entalhe que ele tentava gravar na madeira. O lobo já estava pronto e ele terminava a última cabeça do dragão. Se viu sorrir na última batida de martelo e se afastar um pouco e admirar a obra e depois cobri la com um lençol branco. Se viu sair apressado pela porta e Rhaegar caminhou até uma das janelas. O solo vermelho coberto por rochas, o sol escaldante, tudo denunciava Dorne.

Despertou dessa vez em Harrenhal sentou-se a cama e admirou o estandarte.

Sua terceira cabeça do dragão seria trazida ao mundo por uma Stark.

Lyanna passou o dia tentando distrair-se com seus bordados, Rickard achou que finalmente a filha havia entendido que não podia medir forças com ele, mas Ned estranhava a quietude da irmãzinha.

— O que está aprojtando?

— Eu, nada.

— Ora Lyanna eu te conheço, você não desiste.

— E do que adianta bater pé com o lorde de Winterfell, ele vai acabar é me casando ainda mais rápido com aquele violador de mulheres.

— Robert está muito arrependido,:ele não é esse tipo de homem.

— Nunca vai cansar de defendê-lo não é? Esse seu coração mole com relação a Robert, vai acabar te colocando em alguma enrascada algum dia.

— Ele é meu amigo, e sei que ele a ama, ele só precisa que o ensine a se comportar, sei que é boa nisso. O amor talvez não mude o homem, mas uma mulher forte como você com certeza pode.

— Eu não sou a mãe dele.

— Lyanna — ouviu a voz rouca de lorde Rickard— vá se arrumar e ponha um vestido bonito, seu noivo quer lhe cortejar durante o encerramento do torneio — falou o pai e a jovem bufou de raiva e revirou os olhos.

— Como quiser meu pai.

A jovem vestiu um vestido azul bem acinturado com uma fileira de pequenas rosas que se estendiam pelo decote e alças que caiam abaixo dos ombros. A saia bufante, ornamentadada com bordados e fios de ouro, contrastavam com sua cintura esguia por onde uma trama de fitas subia até os seios. Fez uma trança nos cabelos e os deixou soltos. Procurou entre os vidrinhos da cozinha e sorriu ao encontrar um vidro marrom com um óleo fétido dentro dele. Quando chegaram ao camarote reservado aos Starks, Robert os esperava com um sorriso galante e um caneco de vinho nas mãos. Cumprimentou a todos e beijou a mão de sua prometida demoradamente, também lhe presenteou com uma linda pulseira de ouro e pequenas pedras amarelas.

— Gostou? — perguntou ansioso e Lyanna sorriu sem humor.

— Ainda não percebeu que prefiro azul? Azul é a cor do Norte, dos Starks.

— Mas em breve será uma Baratheon, vai gostar de Ponta Tempestade.

— Eu duvido muito.

— Lyanna! — protestou o pai.

— Desculpe, podemos nos sentar?

Nas quartas de finais Rhaegar Targaryen derrubou Arthur Dayne na segunda passagem e assim garantiu seu nome na última disputa contra Sor Barristan Selmy.

O príncipe se postou ao seu lado da arena e a plateia gritava em fervorosa enquanto ele cavalgou até o camarote de Elia,onde ela amarrou uma fita na ponta de sua lança.

Rhaegar levantou a lança de disputa e regressou a sua marca. Do outro lado, Sor Barristan permanecia concentrado ao lado de seu escudeiro. A filha de lorde que usava uma coroa de rosas azuis daria a largada assim que seu lencinho branco tocasse o chão, os combatentes deveriam realizar a primeira passagem.

Lyanna observava atenta de seu camarote, ao seu lado Robert tagarelava sobre as disputas em estilo antigo serem muito mais intensas e exigiam muito mais dos cavaleiros do que o estilo tradicional e toda a sua pompa. A jovem porém, mal conseguia escutar o que o noivo dizia, tamanha era a sua atenção para a arena.

Na primeira passagem, ambos os cavaleiros tocaram um ao outro com a ponta das lanças. Sor Barristan teve um leve desequilíbrio e Rhaegar curvou as costas para trás tirando o fôlego dos espectadores que acharam que ele cairia. Trocaram de posições e se prepararam para segundo passagem, Richard, o escudeiro do príncipe ajustou a armadura ao ombro dele e se mostrou preocupado com o deslocamento de seu ombro.

— Está machucado, meu princípe. Talvez seja melhor desistir.

— Agradeço a preocupação, mas não foi nada sério — tranquilizou seu escudeiro.

Postaram-se um de cada lado e quando o lenço da jovem tocou o chão mais uma vez, ambos esporearam seus cavalos. Rhaegar soltou as rédeas do alazão negro e tombou o tronco para a frente. Quando a ponta de sua lança chocou-se ao ombro de Sor Barristan, não houve o que ele pudesse fazer. O solavanco levou o cavaleiro para trás e depois ao chão. O príncipe puxou as rédeas fazendo o cavalo parar e observou o cavaleiro levantar-se irritado do chão. Cavalgou até ele e o cumprimentou com um aceno de cabeça, enquanto o povo gritava com fervor seu nome. Lorde Whent, imediatamente desceu a arena na companhia da filha que trazia entre outros prêmios a coroa de rosas azuis de inverno.

— E o grande vencedor do Torneio de Harrenhal é Rhaegar Targaryen — Anunciou o anfitrião e o príncipe levantou sua lança que ainda impunha a fita de cabelo da dornesa que aplaudia com alegria a vitória do marido. Do outro lado, Lyanna tentava controlar a alegria por vê-lo vencer o torneio, e aproveitou-se da distração do noivo para colocar o óleo em seu vinho.

Na arena, a donzela da casa Whent colocou a girlanda de flores na ponta da lança de Rhaegar. O povo sorria e aplaudia a vitória de seu príncipe adorado, quando o lorde de Harrenhal anunciou que agora, o príncipe deveria coroar uma mulher como rainha do amor e da beleza do maior torneio de todos o s tempos.

Sem dizer nada o príncipe se pôs a cavalgar na direção dos camarotes, olhou para a esposa com um sorriso enorme no beiral de madeira e do outro lado Lyanna que desviou o olhar assim que percebeu a atenção dele. Ele sorriu para Elia e assentiu com a cabeça, esporeou levemente o cavalo os sorrisos de todos esmoreceram, quando ele passou pelo camarote de Elia e continuou a cavalgar, parando em frente a jovem Stark.

O príncipe estendeu a ponta de sua lança coroada de flores a ela que permaneceu estática sem qualquer reação. Robert ao seu lado sentiu o peito disparar de raiva, queria jogar a taça de vinho no rosto branco de Rhaegar e atravessar uma espada em seu peito tamanho a insolência. Olhou para os lados e viu a expressão de incógnita pairar no rosto de todos, menos nos de Rhaegar e Lyanna, os dois trocavam um olhar profundo como se não houvesse nada mais ali além deles e daquela coroa de rosas azuis.

Robert a cutucou e pegou a coroa de rosas da ponta da lança e soltou uma gargalhada sonora. Colocou-a na cabeça de lyanna e beijou-lhe a testa com carinho

— O príncipe tem toda a razão, não há mulher mais bela e mais amorosa que minha amada Lyanna. Disse tomando a mão da moça e depositando outro beijo, seguido de um agradecimento ao príncipe em alto e bom tom.

Rhaegar assentiu com a cabeça para ele e depois para Lyanna que continuava sem dizer qualquer palavra.

Notas finais
E a treta se armou.... Próximo capítulo vai estar no presente e tbm tem treta pra dar e vender... nao percam...