Notas iniciais
fica mais fácil de entender a leitura dessa fic lendo as fics anteriores da série de Primavera. nas sinopses está indicado a ordem certa
espero que gostem e comentem
boa leitura
Sereny Kyle

Eu estava deitado em minha cama, confortavelmente e o quarto estava bastante fresco com a brisa que entrava pelas janelas abertas, quando senti Arya estremecer em meus braços. Eu sempre tive o sono leve e não era difícil de me acordar.

— Arya? – a virei gentilmente em meus braços e ela abriu os olhos espantada, se apertando em meus braços, parecendo aliviada. – Teve um pesadelo, meu amor? – ela sacudiu a cabeça veemente, dizendo que “sim”, derramando algumas lágrimas silenciosas e eu beijei o topo de sua cabeça.

Ela nunca se mostrava assim vulnerável a não ser que estivéssemos sozinhos, desde que nos conhecemos, na Estrada do Rei. Todos tinham sua imagem forte e guerreira, de Rainha Indomável, mas ela sempre mostrara sua face adorável apenas para mim.

— Quer falar sobre ele? – perguntei, gentilmente, acariciando seus cabelos.

— Eu estava sem poder ver novamente... Sozinha em Bravos... – ela começou a contar com a voz embargada, entre soluços e eu trouxe seu rostinho até o meu e beijei as lágrimas em suas faces e seus lábios. – Eu chamava por você, tateava no escuro a sua procura, mas você não estava lá...

— Está tudo bem agora, meu amor! Estamos juntos agora e nunca mais vamos nos separar, eu prometo! Que os deuses sejam bons, nem pensar que você vai dormir num quarto separado do meu! Não importa o que o Conselho diga! O quarto da rainha pode até guardar suas coisas, mas você não vai dormir lá sozinha, de jeito nenhum!

Arya deu risada e levou meu rosto até o dela para unir nossos lábios, gentilmente. Eu amava ter sua boca na minha, mais do que tudo, amava a maciez dos lábios dela se colando aos meus e amava sua doçura que se espalhava entre nossas bocas naquele contato, me embriagando ternamente. Amava a textura acetinada de sua pele branca e cheirosa sob as palmas de minhas mãos. Amava envolvê-la inteira em meus braços, prendê-la contra o meu peito e tê-la tão presa a mim como se fosse uma extensão de meu próprio ser!

Quando separamos nossos lábios, suas mãos continuaram em meu rosto, acompanhando com as pontas dos dedos cada um de meus contornos, como se estivesse me desenhando. Eu sorria calmamente, encarando-a sem desviar meus olhos nenhum segundo dos seus e ela também sorria lindamente.

— Está mais calma? – beijei a ponta de seu dedo que deslizava por minha boca e ela sorriu com os olhos acinzentados e assentiu minimamente.

— Eu não pensava em você quando estava em Bravos exatamente por esse motivo – ela disse, baixinho, ainda desenhando meu rosto e descendo lentamente suas mãos por meu pescoço e meus ombros.

— Não pensava em mim? – eu perguntei, curioso, num tom de voz baixo também, me ajeitando deitado para ficarmos mais próximos.

— Não – ela respondeu, mordendo o lábio inferior de sua boquinha perfeita. – Eu me proibi pensar em você, de me lembrar do seu nome... Eu queria esquecer tudo o que tinha acontecido, todos os que eu tinha perdido e deixar de ser Arya Stark... E pensar em você era o oposto... Pensar em você me dava vontade de voltar... Pensar em você me dilacerava de saudade... – ela confessou e eu sorri, selando brevemente nossos lábios.

— Que bom que era por saudade! Achei que não queria se lembrar de mim porque estava brava – dei risada, mas eu realmente sentira esse medo.

— Eu fiquei brava! – ela respondeu, enfática, suas mãos descendo pelos contornos de meu peito lentamente e seus olhos se desviaram dos meus pela primeira vez para acompanhar apaixonadamente os desenhos que seus dedos faziam, arranhando e arrepiando minha pele, enlouquecedoramente. – Mas é mais difícil sentir raiva quando se está tão longe! Mesmo a raiva dava saudades... Eu pensava que podíamos estar juntos... Que eu podia cuidar de você... Afastar as garotas que iriam se aproximar de você... As Alyces, as Bellas...

Eu gargalhei gostosamente. Antes de ser rei, eu era apenas um ferreiro, órfão de pai e mãe, bastardo do rei, sem ter o mínimo conhecimento disso e ninguém ligava para minha existência. Arya, por outro lado, tinha um nascimento nobre, uma Casa respeitada por sua tradição, antepassados que foram reis por linhagem, morava em um castelo... Se tivesse alguém que devia se preocupar com cada um dos candidatos que ameaçavam nossa união era eu! E, no entanto, ela morria de ciúmes de mim como se existisse a possibilidade de aparecer alguém que roubaria minha atenção dela.

— Eu só tenho olhos pra você, desde o início! Sabe disso, amor! – selei nossos lábios mais uma vez. – Mesmo quando estávamos longe um do outro, mesmo quando disseram que você tinha se casado no Norte com o Bastardo Sanguinário, eu não conseguia tirar você da cabeça!

Ela sorriu acanhada e me beijou na boca.

— Você podia preferir uma dama de verdade... Uma garota que saiba costurar e bordar, cantar e dançar... Eu sempre lhe disse que tinha pouco de lady em mim, além do nome! Eu gosto de lutar de espada ao invés de bordar!

— Arya, eu sou um ferreiro! Uma mulher com uma espada realmente me deixa louco! – eu dei risada, abraçando-a com força e beijando o topo de sua cabeça. – É você que eu amo! Que eu sempre amei desde o começo! Eu não trocaria você por nenhuma vida simples, com uma esposa normal! Não trocaria você por nenhuma outra garota, dos Sete Reinos ou das Cidades Livres!

Ela deitou em meu peito, retribuindo meu abraço e beijando minha pele muitas vezes de uma maneira deliciosa.

— Eu não tinha ninguém antes de você aparecer, amor! – sussurrei contra seus cabelos e ela ergueu os olhos para me encarar, com um sorriso mínimo enfeitando aquela expressão serena e apaixonada.

— Eu nunca mais vou te deixar sozinho – ela uniu nossos lábios e eu sorri, acariciando seu rosto pequeno e delicado, puxando-a anda mais contra mim, para que não se separasse rápido demais.

— Eu nunca mais vou perder você de vista!

Notas finais
mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!