A Preceptora
37 Epílogo
Notas iniciais
Cinco anos depois
— Eu não vou conseguir mamãe – choramingou para uma Sakura risonha que beliscava as maçãs de Sarada, tentando corá-las.
As marcas da idade começavam a despontar no rosto da mais velha, mas o sorriso permanecia imutável. O mesmo sorriso que Sarada viu quando há anos foi receber o pai, mas diferente das outras vezes – onde a decepção permeava pai e filha – ela viu Sasuke ajudar sua antiga preceptora a descer da carruagem.
Eles riam cúmplices antes de verem a estática garota de onze anos correr para as saias de Sakura.
— É o seu baile de apresentação para a sociedade, minha querida.
— Não podemos adiar?
— E o que diríamos aos convidados que a aguardam? – Sasuke questionou entrando no quarto de sua filha já moça, enquanto admirava a beleza da sua esposa e filha.
O homem depositou um beijo na testa de Sarada, um costume para acalmá-la.
— Podemos ir?
Sarada inspirou fundo antes de assentir, sendo guiada pelos pais para o salão.
Estava em pânico por dentro diante de todos os olhares em sua direção, mas com a educação recebida por Sakura durante todos aqueles anos, ela foi uma verdadeira dama.
Dançou com seu pai, com familiares e amigos do seu pai. Assim que terminou a dança com Juugo, se viu esbarrando no moçoilo loiro que estendia a mão para si em um pedido inadequado, mas, os mais atentos veriam o tom vermelho desenhando as bochechas abaixo dos olhos desviados.
Sarada o reconheceu como o recém-descoberto filho ilegítimo de Naruto com uma falecida camponesa, mas apesar da amizade dos pais, ela recusou o convite deixando-o para trás.
A risada de Karin ecoou alto na roda de amigos que admiravam Sarada de longe.
— Foi assim que eu e o Conde nos conhecemos.
— Lembro-me que foi mais mordaz, querida – Suigetsu comentou rindo.
Sasuke aparentou insatisfação com a situação.
— Nunca!
— Por ele ser ilegítimo, Sasuke? – Questionou Naruto bebendo do seu espumante.
— Sasuke se apaixonou por uma preceptora. Um genro ilegítimo não seria um grande problema – Sakura brincou sabendo que o motivo de tudo era ciúme paterno. Todos riram, menos Sasuke.
— Se eu não arrumar um filho legítimo logo, irei proclamar Boruto como único herdeiro legítimo da família Uzumaki. Então não se preocupe meu amigo, nada faltará para minha nora e nossos netos.
A carranca de Sasuke acentuou, mas ele nada disse ao ver sua esposa grávida rindo tão espontaneamente com os amigos.
— Olhem! – Karin apontou. – Por que minha filha está pisando no pé do filho de vocês!?
— Satoshi! – Sasuke e Sakura falaram ao mesmo tempo ao ver o filho pequeno se encolhendo pela dor do pisão.
— Seremos uma grande família pelo visto – o Conde Hozuki riu satisfeito.
Sakura conhecia o marido o suficiente para saber que ele pedia por paciência a noite inteira.
Apenas quando estavam sozinhos em seus aposentos, prontos para se deitar e Sakura o abraçou por trás na cama, os ombros masculinos relaxarem diante do beijo casto depositado na sua nuca.
— Ela é muito nova. Tem apenas 16 anos – admitiu vendo sua esposa sentar ao seu lado na borda da cama, entrelaçando os dedos de ambos.
— Não somos donos do nosso coração – sussurrou apoiando a cabeça no ombro do marido.
— Eu sei – admitiu.
— Tenho certeza que Sarada será sábia igual a mãe – vangloriou-se.
— Melhor assim. Se ela fugir dos pretendentes igual a mãe, se casará só depois dos trinta – sorriu prepotente recebendo de Sakura a menção de se afastar, mas ele foi rápido em contornar a cintura feminina com um braço e depositar um beijo cálido na testa da mulher que amava. – Espero que sejam dois meninos – acariciou com a outra mão a barriga grande demais para ser apenas de um bebê.
— Sei que adoraria ter duas meninas – murmurou fechando os olhos ao aceitar o abraço de Sasuke como todas as noites.
— Meninas dão trabalho demais.
Sakura riu e foi acompanhada pelo marido.
Sasuke reencontrou sua paz até o alumbramento do dia seguinte onde perdeu uma aposta no croquet, e como penitência, teria que aceitar Boruto como seu discípulo, pois o jovem desejava ser pintor e entrar na faculdade de Artes.
Ele viu a troca de olhares desgostosos entre Sarada e Boruto e Sasuke compreendeu que aquilo não daria certo.
Uma moça prendada com um discípulo ilegítimo, talvez fosse uma história muito mais complicada do que a de um senhor e uma preceptora...
FIM!
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