-Quem é Emily?- Kate pergunta.

-Era uma garotinha, o corpo dela estava nessa casa, mas aparentemente não está mais.

Vasculho mais o cômodo, mas nada de importante acho. Ed e Mark levantam.

-Que dor de cabeça!- diz Mark.

-O que é isso?- Ed pergunta, apontando para a foto em minha mão.

-Uma foto de Joe e uma tal de Emily- digo, dando a foto para eles verem.

-Espera um minuto... Essa é Emily, a irmã de Joe. –Mark diz.

-Sério que elas são irmãs?- pergunto.

Eu guardo a foto e ficamos vasculhando aquela casa por pelo menos uns cinco minutos, depois resolvemos ir embora, mas ai está o problema! Por onde se trancaram agente? Vejo um machado em um cantinho e eu o pego.

Percebo que é o mesmo machado que eu achei sujo de sangue certa vez, e é o mesmo que meu pai usa para cortar lenha para a lareira. Por um instante penso que Jose está por traz disso, mas logo deixo esse pensamento se perder na minha mente.

Bem ao fundo de um pequeno corredor vejo uma passagem para uma espécie de porão, mas ignoro, afinal tenho que me concentrar em sair daqui. Vejo uma janela de madeira, ela está trancada e fizeram questão de pregá-la.

Levanto o machado e bato com toda a força na janela, eu consigo quebrar ela com quatro golpes. Nós saímos de lá correndo sem olhar para o que estava atrás de nós. Eu largo o machado lá perto e continuo a correr.

De repente sinto uma dor chata de cabeça, eu paro de correr, me ajoelho, percebo que estou ficando zonza e então eu apago.

Acordo e estou na cama de um hospital, eu estou um pouco tonta. Vejo o meu pai sentado ao meu lado.

-Pai- digo.

-Filha? Que bom que você acordou!

-Há quanto tempo eu estou aqui?

-Cinco dias.

Um estrondo vem do lado de fora do quarto. Meu pai me olha como se um maníaco estivesse prestes a invadir aquele quarto. Uma enfermeira entra no quarto e tranca a porta atrás de si.

-Olha quem acordou!- ela diz.

Assim que ela termina a frase, meu pai corre pra cima dela e tenta dar um soco na cara dela, mas ela o segura usando apenas uma das mãos. Ela quebra o braço do meu pai e depois o joga contra a parede com força.

Então ela de repente começa a se transformar em algo que nem sei explicar, parece uma criança com olhos negros, cicatrizes no rosto e uma boca monstruosa que vai de uma orelha a outra com trezentos dentes afiados. Suas mãos começam a crescer e ter garras como unhas.

Eu pego um vaso de flor que está ao meu lado e jogo na direção dela com toda a minha força. Ela o desvia e pula em cima de mim, quando estou prestes a morrer... Eu acordo.

Meu pai e meus amigos vêm correndo até a ponta da cama onde estou. Eu percebo que é a mesma cama em que eu estava em meu sonho.

-Você está bem?- meu pai pergunta.

-Estou eu acho.

-O que aconteceu com você?- Kate pergunta.

-Não sei, mas estou me sentindo bem!- declaro.

Noite passada eu não devo ter dormido bem, estou me sentindo quebrada e antes de dormir achava que eu estava bem.

Arrumo-me para cair fora daquele hospital, uma mochila onde estão as minhas coisas está em um móvel bem a frente da cama onde eu estava. Quando eu levando ela eu vejo uma câmera, ela parece com a câmera de Mark e está descarregada, mas parece que estava gravando alguma coisa, eu a enfio na mochila junto com as minhas roupas e fecho a mochila.

Meu pai entra no quarto e diz:

-Está pronta?

-Estou, ei na volta me deixe na casa de Mark, está bem?

-Mas pra que?- ele me questiona.

-Quero falar com ele e com a Kate, por quê?

-Tem certeza que você está bem pra isso?

-Claro que tenho!

Meu pai para o carro bem em frente a casa de Mark e diz pra mim ter juízo e que ele quer me ver em casa antes da meia noite, senão vai chamar a polícia. Concordo com a cabeça o que ele diz, mesmo não querendo.

Eu toco a campainha enquanto escuto o barulho do carro indo embora. O pai de Mark e Kate abre a porta.

-Sim?

-Oi, sou Marina, amiga de Mark e Kate.

-Ah sim, pode entrar!

-Mark, Kate desçam aqui!

-Não precisa eu subo- digo.

Chego em cima e vejo os dois no último cômodo do corredor, vou até lá e quando chego e digo:

-O que é isso?- digo mostrando a câmera.

-Uma câmera?- Mark sacaneia.

-Deixa de graça, o que a sua câmera estava fazendo no hospital?

-Foi apenas um teste, manda ela pra cá!

Ele conecta a câmera com o notebook e transfere um arquivo, ele dá o player. Sou eu dormindo. Ficamos umas vinte e cinco minutos vendo o vídeo até que eu me levanto voando para cima da câmera, e eu a desligo.

-O que foi isso?- Kate pergunta assustada.

-Eu sei lá- digo.

-Isso explica os arranhões na minha câmera!- Mark diz.

-Como foi que você fez isso? Como você pôs a câmera lá?- pergunto.

-Eu paguei uma enfermeira!- Mark explica- Tem outro vídeo, querem ver?

-Coloca!- digo.