Ela está vindo em nossa direção, cada vez mais perto, Ed pega o machado e arromba a porta e no momento em que ela cai nós saímos e a possuída está bem atrás de nós então levantamos bem rapidamente a porta tentando fecha-la para aquela coisa não sair.

-Kate ainda tem água benta?- pergunto já desesperada.

-Sim, toma aqui- ela me entrega o frasco.

Abro o frasco e jogo tudinho na garota que geme de dor e diz:

-Vocês estão mortos seus vagabundos!

Saímos correndo o mais rápido que podemos sem parar e sem olhar para trás, umas duas quadras depois ouso dar uma olhada, a porta parece estar no lugar e a casa parece só mais uma casa comum sem ninguém morando.

Entramos em uma lanchonete e sentamos em uma mesa, coloco o diário de Joe em cima da mesa e guardo o frasco vazio no bolço da minha jaqueta.

-O que foi aquilo?- Kate inicia uma conversa.

-Possessão- Ed fala.

-Temos que ajudar aquela menina, ou pelo menos tentar!- digo.

-Mas a cabeça dela está decepada! Ela não pode sobreviver e só está “viva” ainda por causa do demônio... Certo?- Mark diz.

-Talvez sim, talvez não, temos que fazer alguma coisa! E se alguém entrar naquela casa?- observo.

Um silêncio toma conta da mesa então abro o diário de Joe enquanto Ed faz sinal para um garçom, ele pede quatro latas de refrigerante e duas porções de batata frita.

-Será que esse diário vai servir de alguma coisa mesmo?- Kate questiona.

-Sinceramente eu não sei, mas quanto mais informações eu conseguir dessa Joe é melhor para entender essa história.

O garçom trás em uma bandeja as latas de refrigerantes e as batatas fritas, ele coloca as batatas no centro da mesa e distribui os refrigerantes.

-Qualquer coisa é só chamar- ele diz.

-Ok, valeu!- Mark diz.

-O que tem ai?- Ed pergunta enquanto eu leio a primeira página do diário.

-Nada demais, só ela falando que eles se mudaram pra cá e que ela está sentindo falta da irmã Emily- respondo.

Fecho o diário, pego o saleiro e começo a despejar o necessário nas batatas, em seguida abro a minha latinha e tomo um gole. Comemos umas batatas em silêncio até que finalmente alguém fala.

-O que vamos fazer?- Kate pergunta.

-Temos que mandar aquele demônio para o lugar dele!- digo.

-Será que é um demônio mesmo?- Mark diz.

-Claro que é você não viu a menina sentir uma dor que pareceu insuportável quando eu taquei água benta nela?- digo.

-Será que aquela menina não é a Emily?- Kate pergunta.

-Acho que não, eu vi o corpo de Emily, ela já morreu a um tempinho- digo.

-E se agente for até o hospício onde o pai delas está internado?- Ed fala- meu pai trabalha lá, nós podemos ir fazer uma visita e tentar arrancar a história dele.

-Até que essa ideia foi boa!- Mark observa.

-Onde é esse hospício- pergunto.

-Não é muito longe de lá de casa, meu pai disse que são umas cinco quadras de lá de casa até o trabalho.

-Que tal irmos amanhã- digo.

-Por mim tudo bem- Mark fala.

-Eu estou junto- Kate fala.

-Está bem, amanhã eu peço o endereço do trabalho do meu pai e agente vai depois da aula- Ed confirma.

No outro dia acordo e me levanto rapidamente, mas algo me chama a atenção, certa visão que tive, a que eu seguia um rastro de sangue em meu quarto, parece que veio a realidade, pois lá está o rastro e então eu abro o meu guarda roupa e vejo a mesma mala, eu abro.

Uma faca média e bastante afiada suja de sangue, um braço em decomposição e um espelho que está escrito, “culpada!” com sangue.

-O quê é isso?- pergunto pra mim mesma.

O braço que estava lá puxa uma seringa escondida e me aplica rapidamente, fico meio zonza e eu apago naquele chão sujo com sangue.

Estou jogada no chão até que a porta do meu quarto se abre, uma garotinha entra no meu quarto e me ajuda a me levantar.

-Quem é você?- pergunto.

-Você saberá!- ela fala ainda me ajudando.

Quando eu me ponho em pé ela segura a minha mão e me puxa para fora do meu quarto, aparentemente ela quer me mostrar alguma coisa então eu sigo ela, mesmo pensando que pode não ser uma boa ideia.

-Cadê a sua mãe?- eu pergunto.

-Ela precisa de você! E eu também!- ela diz ainda me levando para um lugar.

Estamos atravessando um corredor escuro que sei que não é o corredor de casa, entramos rápido em uma sala e ela nos deixa em um lugar escondido, ela aponta para um sujeito o qual não consigo ver o rosto porque ele está de costa e ela diz:

-É ele! O homem mau!- ela fala.

-Como é o nome dele ele?- sussurro de volta.

-Não ei! Ele não diz!- ela continua- tem umas pessoas mortais que ele prende.

O sujeito que está com uma capa preta se vira atira uma faca em minha direção, ela me atinge na barriga e então eu acordo.