Quando eu piso na calçada da frente da casa já sinto algo ruim, um pressentimento ruim, mas mesmo assim eu entro na casa, de repente fica de dia e a casa fica bonita e cheia de vida.

Duas garotinhas correm pela casa, acho que são Emily e Joe brincando entre si, a mãe delas está na cozinha preparando um bolo e pai está sentado no sofá jogando uma corrida no vídeo game considerado antigo se colocarmos ao lado de um vídeo game de hoje.

As duas meninas na correria acabam quebrando o vídeo game, o pai chama atenção e manda-as pararem de correr, a menina que vi no meu closet de repente cria cicatrizes e seu olho fica negro.

-Vou te matar desgraçado!- ela fala com uma voz grossa que nem parece a dela mesma.

Ela pula no ombro dele e começa a arranhar a rosto dele, ele tenta tirá-la do ombro, mas não consegue.

-Vamos ver quem é mais forte!- a menina fala enquanto arranha a cara do pai.

A mãe que está na cozinha vem correndo com uma fala e mata a filha possuída com a faca salvando o seu marido, mas o que estava dentro da menina agora passou para dentro dela, ela levanta a faca, encrava no pescoço e depois na barriga.

Ela cai de bruços e parece que ela está morta, o homem a cutuca dizendo:

- Jane... Está viva ainda?

Ela encrava a faca na perna dele e disse com uma voz que não era dela:

-Sua vez!

Ele dá um chute na cara dela, com a força do chute ela bate a costa na parede a uns cinco centímetros atrás dela então em pouquíssimo tempo ela sobe pela parede, passa pelo teto e já na mesma parede que a porta da frente ela fecha a porta com um forte golpe.

Ele pega a filha viva e corre para os fundos, ainda no teto a mulher se arrasta e em segundos alcança os fundos, isso não deixa que o pai e a filha não consigam fugir a tempo.

-Sai de perto de mim!- ele grita.

-Quem vai ser o primeiro?- ela fala.

Ele pega um vaso de flores que está em uma mesinha perto, a mulher ataca e ele se defende quebrando o vaso na cabeça dela, ela só se afasta um pouco e mesmo sangrando volta a atacar o homem. Ele pega a menina no colo e corre em direção às escadas, a possuída o segue, ele corre com a menina até o final do corredor e entra no quarto dela que por acaso agora é o meu quarto.

Ela esmurra a porta que aos poucos vai ganhando rachaduras até ser quebrada pela mulher, o pai e a filha estão escondidos no meu closet, porque a janela tem grade e não tem como sair, A mulher silencia para tentar ouvi-los.

Ao mexer-se dentro do closet o pai da menina acha um pedaço de barra de ferro preso na parede, ele fazendo um mínimo barulho tira o pedaço da parede e nesse momento a mulher arranca a porta do closet e ele pula em cima dela e encravou o ferro no pescoço da mulher, o atravessando de um lado para outro.

A filha corre para fora do quarto e em seguida o homem corre tentando fugir junto da filha, quando ele está quase saindo do quarto a mulher segura a perna dele e diz.

-Minha vez!

O puxa para dentro do quarto e eu acordo no meio da noite depois desse sonho, pesadelo, na verdade nem sei como classificar esse meu sonho.

Será que Joe está querendo me mostrar alguma coisa? Começo a pensar que se trata com o que aconteceu com ela e com a irmã dela, mas se aqueles eram os pais deles como que o pai dela venceu aquela possuída de meu sonho.

Essa história está cada vez mais despertando curiosidade minha e cada vez mais eu penso que Joe foi a real vítima desse mal que acabou com a sua vida.

Pra mim Joe é a garota que fugiu do quarto e Emily a que morreu com as facadas dadas pela mãe. Como que ela morreu então? Preciso ir mais fundo nessa história, então decido visitar mais uma vez o suposto pai de Joe e desta vez arrancar dele o necessário para resolver essa história.

Mesmo sendo três da manhã eu ligo para Kate.

-Marina? Sabe que horas são?- ela atende com uma voz cansada.

-Sei, mas você tem que saber uma coisa, Joe me mostrou o que aconteceu com a mãe e com a irmã dela em meu sonho- digo.

Conto pra ela daquela cena, que foi a mais sangrenta que já vi fora de uma tela de uma televisão passando meus filmes de terror.

-Que horrível!- ela fala com uma voz mais acordada.

-Precisamos voltar para aquele hospital psiquiátrico e tentar conseguir mais informações a respeito.

-Quando?

-Que tal amanhã?- digo.

-Está bem! Depois da escola?

-Sim- confirmo com ela.

Depois dessa conversa digo “tchau” e desligo, me levanto da cama e vou para a cozinha beber um copo d’água quando eu escuto um barulho e acho que vem do quarto de meu pai, eu corro para lá.

Quando abro a porta vejo que todos os móveis do quarto dele estão no teto, como se alguém virasse a casa de cabeça para baixo e o teto virasse o chão, meu pai está na cama dormindo como se aquilo fosse normal de acontecer.

-Pai, acorde!- digo.

Então os móveis caem com toda a força no chão, uns quebram, o que mais me chama a atenção é que a cama caiu setinha no chão, como se ela estivesse daquele jeito a noite toda.

Meu pai levanta da cama com os olhos negros, mas logo clareiam o que me alivia em parte.

-Que bagunça é essa?- ele pergunta.

-O senhor não sabe?

-Claro que não, foi você que fez isso?- ele pergunta já com um tom diferente que o normal.

-Não, eu escutei um barulho vindo do seu quarto e quando eu vim já estava tudo assim- digo.

-Deve ter sido ladrão!- ele fala se levantando e depois corre pela casa para ver se acha o ladrão.

Aproximo-me da cama dele e vejo a marca de uma mão... suja de sangue no lençol dele.