Depois da lanchonete fomos para a escola, depois de levarmos várias faltas nós voltamos para não sermos reprovados, claro que eu não consigo me concentrar na aula pensando no aviso que acabei de receber.

Serei a próxima do quê? Por quê? Essas perguntas não saem da minha cabeça, também não consigo imaginar de quem seria essa mensagem, afinal eu nunca fiz nada pra ninguém... Claro que de vez em quando sai um ”vá se ferrar”, um “medo do meio” e às vezes umas pancadas quando me zango de verdade.

Na hora do recreio fico só mexendo na comida, Kate está na biblioteca com o seu grupo do livro, Mark na detenção por mandar um professor enjoado ir à merda e Ed está treitando basquete com o seu time.

Pego meu celular, ponho pra tocar a primeira música da lista de reprodução e tento esvaziar a mente me concentrando apenas na música da minha banda favorita.

Vejo uma menina de baixo de uma árvore de cabeça baixa, não vejo o rosto dela, ela parece triste, pego a maçã que eu trouxe para comer e levo pra ela. Quando eu chego perto dela eu digo:

-Ei menininha!

Ela levanta a cabeça e quase eu caio pra trás, ela é a mesma menina que estava no meu sonho.

-Oi- ela fala com a mesma voz do meu sonho.

-Qual é o seu nome?- pergunto.

-É Joe- ela diz.

-O que você está fazendo aqui?- pergunto.

-Eu consegui fugir do homem mal!- ela fala abaixando um pouco a cabeça.

-Ei Marina!- escuto Kate me chamar.

Eu me viro e digo que já vou falar com ela, quando eu me viro para falar com Joe não tem ninguém mais lá.

-Estava falando sozinha?- Kate me pergunta.

-Não... Eu vi a garotinha do meu sonho, Joe, ela estava lá sentada- falo apontando o lugar onde eu a vi.

-Mas não tinha ninguém ali Marina, eu vi você falando sozinha- Kate continua- Por isso que eu te chamei.

-Mas era ela, eu ainda não fiquei doida- digo.

-Será mesmo?- ela fala rindo.

Joe deve mesmo estar pedindo ajuda, mas se ela conseguiu escapar porque ela não foge de uma vez? Isso está estranho, só se tem mais alguém que ela queira que eu ajude.

Depois da aula nós vamos ao hospital psiquiátrico para tentarmos falar com o pai de Joe, tentar esclarecer logo isso, tomara que isso acabe logo.

Ed, Kate, Mark e Eu estamos na recepção do hospital esperando o pai de Ed, depois de um tempo lá vem ele.

-Oi pessoal, é com o Thomas que vocês querem falar né?- ele pergunta.

-Sim, é ele- Ed fala.

-De onde vocês o conhecem?- o pai de Ed parece em dúvida se deixa nós falarmos com ele.

-Ele é o pai de uma amiga da minha irmã- digo inventando até uma irmã.

Ele não pergunta mais nada e faz um gesto para nós seguirmos ele, quando chegamos a frente à porta do quarto dele o pai de Ed diz que nós todos não podemos entrar, só dois de nós.

-Eu vou com a Marina- Kate passa na frente de Ed e Mark.

-Ok- o pai de Ed abre a porta e avisa que tem visita.

Kate e Eu entramos e Thomas diz:

-Quem são vocês?

-Estamos aqui por causa da Joe- ele arregalou os olhos.

-Do que vocês estão falando?

-Sei que parece loucura- digo- mas eu tem acontecido umas coisas estranhas ultimamente comigo e todas essas coisas estão relacionadas a sua filha.

-Vocês só podem estar malucas, ela morreu- ele diz.

-Ela está pedindo ajuda- Kate diz.

-Vocês tem certeza que não deveriam estar aqui no meu lugar? Entenda logo, ela morreu- ele fala aumentando o tom da voz.

-Então porque você está aqui?- digo.

-Isso não interessa- ele fala.

-Se não interessasse eu não estaria aqui, eu só estou querendo saber qual é ou qual foi o problema com a sua filha para poder ajudar ela-digo.

-Ela não precisa de ajuda- ele continua- Vocês é que precisam.

-Como assim?- pergunto.

Antes de ele responder o pai de Ed abre a porta e diz que o tempo de visita já acabou antes de sair da sala ele segura meu braço e diz com a voz baixa:

-Cuidado!