O sol já estava alto, e tudo indicava que já se passava do meio-dia. O tempo parecia estar relativamente se passando mais rápido desde que Elric e seu grupo tinham chegado à pequena cidade. “Tolice.” murmurou para si antes dos devaneios se delongarem. Muitas coisas aconteceram talvez ele tivesse perdido a noção do tempo enquanto estava dentro do tempietto.

— Disse alguma coisa?— Disse a voz de Hysteria entre chiados do outro lado do headset, arrancando o filho de Belona de seus pensamentos. – Elric, responda.

— Eu não disse nada. – Triplicou em um tom mais rígido enquanto pilotava sua motocicleta pelas vielas da cidade. – Encontrou alguma coisa?

— Nada, nenhuma pista a oeste. E você?

— Não. – Disse em resposta. – Me encontre no centro da cidade.

Após concordarem em se encontrar, Elric continuou o trajeto pelas ruas turvas da cidadezinha até o centro. Parecia que nada estava para lhe ajudar a encontrar Zolf, pois o trânsito nas ruas principais estava grande demais para uma cidade do interior como aquela, e as ruas secundárias, pelas quais ele optou a prosseguir, estavam lotadas de turistas e moradores empertigados em feiras de artesanato. Ele voltou duas ruas para trás, deixando sua moto estacionada em um beco sem saída e resolveu ir até uma das ruas principais, onde um bonde levava direto para o centro, de lá, iria junto com Hysteria procurar seu companheiro.

A ansiedade e a urgência em encontrar Zolf, somada à falta de velocidade do bonde fizeram os dez minutos parecerem horas. Elric logo chegou ao centro da cidade, onde mais pessoas se aglomeravam em praças e lojas em grandes grupos. Algo grande estava acontecendo na região, onde crianças corriam sem se importar com os carros e motos que passavam buzinando nas ruas. Senhoras idosas passavam com grandes bandejas nas mãos, servindo a todos que quisessem biscoitos e doces caseiros.

Não demorou muito e logo Hysteria alcançou Elric, também desacompanhada de seu veiculo.

— Deixei a moto estacionada há algumas ruas daqui, não é muito longe. – Ela disse antes mesmo dele pensar em perguntar sobre. – Parece que está tendo algum festival na cidade, o trânsito está uma loucura.

— Nem me diga. – Ele triplicou. – Vamos até a sua moto, vou tentar localizar o headset do Zolf.

— Eu já tentei. Nada aparece.

— Talvez tenha procurado errado, — ele puxou do bolso o seu palm phone, e logo começou a apertar algumas teclas. – Vou procurar pela última localização, foi quando ele te falou que o encontraram, não foi?

—Sim, mas... – Ela ponderou.

— NÃO FOI?! – ele insistiu.

— Foi. Foi! – Ela o encarou nos olhos. – Elric, e se... E se Garrie realmente estiver por trás disso?

Ela parecia hesitante.

— Vamos descobrir quando chegarmos lá. – Ele continuou a caminhar, decidido.

— Elric, — ela o puxou pelo ombro, o forçando a virar novamente para ela. – Estamos falando do Garrie. Se ele realmente armou tudo isso, ele também planejou alguma coisa para nos pegar lá.

— Vamos matar qualquer um que esteja lá e esteja envolvido nisso. E vamos salvar o Zolf. – Ele ditou, antes de girar nos calcanhares, e voltar a caminhar.

— Você se escuta quando fala isso? – Hysteria correu alguns centímetros, passando pelo semideus e colocando-se em sua frente, mostrando-se mais amedrontada que preocupada.

Elric parou, encarando-a novamente, dessa vez seus olhos brilhavam, refletindo seu nervosismo.

— E o quer que eu faça? Deixe Zolf morrer?! Ele jamais faria isso se fosse o contrário! Sei o que Garrie fez por você. Mas lembre-se que ele tentou te matar algumas horas atrás lá em cima! – Elric gritava enquanto, por extinto, pousava a mão em sua espada presa ao cinto. – Ele pode significar algo para você, mas não sei se é recíproco da parte dele.

— Não! – Ela discordou. – Garrie não significa nada para mim, idiota! Ele é tanto para mim o que é para você!

Elric bufou em escárnio.

— Ele pode ter te ensinado muitas coisas, mas mentir não foi uma delas. – Decidido, ele desviou o caminho e seguiu até onde, a essa altura já visível, o veiculo estava. Mais uma vez, ele se virou para Hysteria, olhando a garota, inerte no outro lado da calçada, hesitante. – Você decide se vem comigo ou fica aqui. Mas se for comigo e tentar fazer algo, você morre junto com Garrie, eu juro.

Elric subiu na moto, e mais uma vez, acionou o dispositivo de rastreamento. Enquanto ele trabalhava em localizar o filho de Mercúrio, Hysteria se aproximava, sentando na parte de trás da moto.

O barulho do festival ficava para trás à medida que iam deixando a cidade rumo aos montes esverdeados além das plantações e pequenas fazendas do campo. O silêncio era rompido apenas pela voz baixa de Hysteria que indicava as direções enquanto Elric pilotava em silêncio.

Após dirigirem por estradas de terras e contornarem fazendas e campos verdes, eles chegaram a poucos metros da possível localização de Zolf. Elric empunhou sua espada e entregou a chave da moto para a filha do deus da morte.

— Garrie pode ter te tirado do pesadelo que vivia e ter dado uma vida melhor, mas isso não significa que você é propriedade dele.

Hysteria apanhou as chaves e as guardou no bolso, enquanto apanhava sua própria arma. Por alguns segundos, Elric pensou que ela não iria responder e avançou na frente antes do barulho dos passos dela se somarem aos seus. Então ela finalmente respondeu:

— Você não sabe de nada, Badley.

Ele virou para argumentar, mas a agilidade inesperada em girar sua foice, e o acertar na têmpora esquerda com a parte achatada de sua foice, fazendo-o desabar no chão e perder a consciência.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.