Prólogo

Faltando muito pouco para eu completar meu décimo sexto dia de vida meu irmão Jellal afirmou que eu estava pronta para um dia perfeito de união e paz entre a família. E eu achei a ideia muito chata, pois eu vivo em casa relendo livros, comendo e bebendo ou vendo e-mails no meu laptop. E, é claro, passo horas na cama mexendo no meu iPhone, o que eu acho uma maravilha.

Quando alguém vê a família Fernandes, todos veem como eles são bonitos, com aqueles cabelos azuis e aqueles olhos negros como a escuridão perpétua que todos não se cansam de olhar...

Porém, eu sou diferente. Não tenho cabelos azuis tampouco olhos pretos. Tenho cabelos parecidos com a cor do sol. "Loiros como ouro", diz Wendy, a minha irmã caçula. E ainda por cima, tenho olhos marrons levemente para o chocolate. E é isto que me diferencia muito à eles, e eu fico meio perturbada por causa disso. Sempre caio me perguntando porque eu fui a única diferente. A minha mãe, Ultear, me disse que nossa avó era igualzinha a mim, só que ela morreu, infelizmente... Eu nunca a conheci, para falar a verdade, nem Jellal, meu irmão mais velho. Mas a mamãe diz que ela foi uma pessoa muito adorável.

Apesar desta diferença na aparência, ninguém nunca tocou no assunto, o que me deixa um pouco aliviada. Porém sei que eles também não tocam por causa do nosso pai. Ele era um sujeito horrível que traiu a mamãe com outras mulheres e, sem deixar nenhum rastro, saiu de casa e nunca mais voltou.

Muitas dificuldades ocorreram na família Fernandes, parece até tradição os problemas que ela tem. Eu ainda não tive nenhum, mas sempre estou pronta para o pior.

De repente ouço o grito da Wendy, e eu tive que repentinamente sair da cama e correr até a sala, que foi de onde o grito veio. "Eu acho que não estava pronta para isto", pensei. Vi que Jellal também saiu de seu quarto, que aparentemente era do lado esquerdo do meu e, juntos, descemos as escadas que dava para a entrada principal, viramos a cabeça para ver o local onde nossa irmã estava.

A cena era bizarra. Wendy estava no sofá, deitada, mas não sozinha. Plue, nosso labrador branquinho estava em cima dela, lambendo sua cara. Jellal suspirou, aliviado, e reclamou com Wendy.

- Poxa, Wendy! Que susto que você nos deu! — Jellal respirou fundo e caiu bruscamente no outro sofá e colocou seus pés na mesinha de centro.

A caçula ria sem parar, e balbuciava o tempo inteiro de que lambidas eram nojentas. Quando Plue quis parar e saiu de cima dela, ela disse:

- Ah, *onii-chan. Não tenho culpa se esse cachorro quer me estuprar!

Eu comecei a rir, e o Jellal fez cara feia tanto para mim quanto para Wendy. Ele nos deu um sermão, dizendo que aquilo não era engraçado e que a nossa *imouto-chan não deveria estar falando palavras tão inapropriadas.

Coisa de Jellal.

Logo após aquela confusão com Plue, nós três nos dirigimos até a cozinha preparar nosso café da manhã. Ultear ainda não estava acordada, infelizmente. Ela faz as melhores torradas do mundo. Mas ela passa o dia trabalhando, então todos a entendem.

Comemos pão com geléia e tomamos leite achocolatado e fomos planejar o evento de hoje. Faltava muito pouco para o meu dia, só que neste mesmo dia eu estaria viajando com as minhas amigas para o exterior (sim, foi o presente que eu pedi) e infelizmente aqueles dois não estavam incluídos.

- E então? O que você quer fazer, Lu-chan? — falou Jellal, com boca cheia. Saiu pedaços de pão na boca dele, e Wendy fez uma cara de nojo.

- Sinceramente? Preferia ficar em casa jogando video-game com vocês. — Os dois fizeram cara de tédio e ficaram dando várias opções.

- Podíamos ir no cinema! — exclamou Wendy. — Eu estou afim de ver aquele filme "Os Únicórnios Saltitantes"!

Jellal negou rapidamente.

- Nós deveríamos ir para um parque de diversões! A pipoca de lá é a melhor do mundo, e os simuladores de terror melhores ainda. — Ele falou olhando para mim, com os olhos brilhando, cheios de esperança. Wendy assentiu com a cabeça, também gostando da ideia.

Eu sou muito preguiçosa, acho que nem conseguiria trocar de roupa se não fossem por aqueles dois. Só por causa deles, senão eu não iria aceitar.

- Combinado, vamos que horas? Porque quanto mais cedo melhor! — eu disse, saindo da cadeira e estalando meus dedos.

Meus irmãos ficaram boquiabertos com a minha escolha. Eu até imaginava que eles iam ficar assim, porque eles já sabiam que eu era difícil quando eu tinha 13 anos, minha tia perguntou se eu queria ir pra Disney com ela e eu me recusei só porque eu tinha que andar duas ou três quadras até o aeroporto.

Wendy começou a dar pulinhos de alegria e a bater palmas, e Jellal deu um sorriso e pegou um papel e uma caneta e começou a escrever alguma coisa, provavelmente para a mamãe.

- Ok, então. Porque vamos agora! — Ele disse, com um sorriso ainda maior que o outro.

Notas finais
*onii-chan: Irmão mais velho
*imouto-chan: Irmã mais nova
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.