A Polísfetrin & O Sequestro da Chave
3 Capítulo 2
Állex
Não era possível acreditar naquilo tudo.
Rainha Marie, enquanto viva, havia nos fornecido toda proteção necessária para mantê-lo longe dela. E agora ela simplesmente exige que o filho tenha herdeiro? Nada está claro nessa história toda. E com todos os esforços que Alice e eu fizemos ele ainda conseguiu nos encontrar?
— Tudo que penso agora é em pegar vocês e correr para o mais longe dessa cidade que conseguir, mas isso é extremamente imprudente, não adianta apenas fugirmos. Nos encontraram uma vez, nos encontrarão de novo, precisamos de um plano! – falei, desejando que alguém propusesse um, invés disso elas me olharam esperando que eu o fizesse. – Anny, apenas nos explique o que foi usado para nos encontrar?
— Estamos perdendo tempo Állex! Agora não é hora, fujam! Para qualquer lugar, mas saiam daqui!
Era desnecessário qualquer desentendimento no momento, só que eu não confiava em Anny, precisava explorar mais um pouco a situação para arrancar algum detalhe que nos ajudasse. Então continuei:
— Não preciso da sua opinião, apenas diga como eles nos encontraram.
— Não sei Állex, não sei. Eu e meus agentes não participamos disso ou de qualquer reunião relacionada à busca. — ela respondeu um pouco desconsertada.
— Como eles pediriam para você e seu Círculo virem atrás dela, se não participaram das investigações? – Alice perguntou.
E estava certa. A SlyX sempre designa uma missão completa a um Circulo, jamais mandariam eles apenas terminarem uma missão. É contra as regras.
Estávamos chegando exatamente onde eu queria.
Ela respondeu:
— Eles têm feito isso ultimamente. Dão-nos as coordenadas e orientam para fazermos o aprisionamento. Mas não investigamos junto com os Esvort. O Círculo foi subdividido. Investigadores, Intermediários, Primeiro Agente e os agentes civis.
Tudo vai contra o regimento interno da SlyX. Não engoliria essa história fácil.
— Ótimo! Não temos nada a nosso favor! – Alice se irritou. – Precisamos sair dessa cidade mais rápido possível.
— Devo lembrá-los que eles não descansarão até encontrar Nicollie. Terão que encontrar outra forma, mais cedo ou mais tarde de compensá-lo.
— Compensá-lo? O que você sugere? – gritei. Eu estava com muita raiva, não conseguia me controlar. Mas aquilo não era motivo para tudo aquilo. Eu estava mal, contudo não era capaz admitir para mim mesmo. Minha Energia estava acabando.
Continuei, cético:
— Quer que entreguemos Nicollie a ele?
— Não é exatamente isso Állex…
— Depois da coroação ele entregará ela ao Charlie, não se torne uma estúpida por sua fidúcia a ele.
Ela reflete um pouco.
Sei que ela ainda o ama, afinal ele sempre a bajulou, sempre a protegeu e nunca o vi se quer aumentar a voz com ela. Ser a filha privilegiada, o fez ter a lealdade dela por anos. Ou… talvez ainda a tenha.
— Príncipe Carlos sempre viu Nicollie como uma ameaça ao seu reinado, e os tiranos sempre foram contra a realeza. Charlie tem noção que seria usado ou até mesmo morto por seus próprios súditos se soubessem que a neta é herdeira do trono que tanto lutam para ter. Com o acordo certo os dois lados ganham, parcialmente, e eles sabem disso.
Anny continuava sem esboçar reação.
— Carlos não quer ter herdeiros por que sabe que os clãs não o suportam, sendo assim, se ele tiver um herdeiro, podem querer matá-lo, e assim a realeza e clãs continuaram com Nicollie. Ela sendo apenas uma garota conseguiriam retirá-la facilmente do poder.
Ela continuou calada, e pelo que parecia não pretendia se contrapor. Dirigi meu olhar para Alice e esperança de receber um sim, pergunto:
— Algum plano em mente?
Alice demora um pouco para responder. Possivelmente analisando as opções das quais eu não fazia ideia. Estávamos a tanto tempo sob a proteção da Rainha Marie que baixamos a guarda, eu, completamente. Mas minha irmã era esperta, sabia que ela teria sempre um plano b que ao menos nos daria tempo.
Averiguei por alguns segundos seu semblante. Se não a conhecesse diria facilmente que sua calma é aterrorizante. Contudo a conheço, sei que está resistindo ao medo, vejo a preocupação por trás de toda aquela tranquilidade.
— Acho que sei de um lugar – parei de andar de um lado para o outro para observar e a encarei – Lembra da casa abandonada no meio da floresta perto de Nova Florença que eu e Carlos nos escondíamos? – Alice pergunta se levantando e caminhando em direção ao mapa decorativo na parede lateral.
— Mais é 37 km até lá, talvez não dê tempo de chegar até lá. – respondo. – A bastante tempo, em uma das nossas temporadas de fugas, ele me contou que lá tem um dos quase inexistentes túneis teletransportadores.
Os túneis estavam desativados há anos, provavelmente está repleto de energia adormecida. Reativá-la seria uma contingência, tendo em vista que não tenho energia suficiente. Apesar de saber disso — mesmo sem eu ter contado — ela propôs. Então eu confiaria em minha irmã.
Fale com o autor