POV Harry:

Eu peguei na mão dela, e por um momento acreditei que com este gesto fiz com que todos os problemas dela desaparecessem, ela mostrou um leve sorriso, mas este logo desapareceu.

- Eu não sei por onde hei-de começar

- Começa por onde quiseres

- Os meus pais, eles tinham ido trabalhar, como sempre, e eu e o meu… o meu irmão ficamos sozinhos em casa. Havia uma festa, e eu queria ir, tinha que ir, mas o meu irmão… ele não podia ficar sozinho em casa… Mas havia a festa, então eu fui para o carro e levei-o, mas … nós estávamos quase a chegar e … um… e um… camião veio na nossa direção… E eu não pude fazer nada, eu juro que não pude… e ele bateu em nós. O meu irmão ficou cheio de sangue… e eu não conseguia falar e depois levaram-me e … e ele… e eu fui salva…mas ele… ele… morreu. Ele morreu e a culpa é minha, porque eu não fiquei em casa, e o pior é que… eu devia ter morrido em vez dele. Eu não ele. Os meus pais culparam-me, e eles…têm razão, eu sou um monstro, eu matei-o, eu, que devia de protege-lo. Os meus pais deixaram de me falar, e eu compreendo-os, quem é que quer falar comigo. Hoje era o funeral dele, e foi hoje que eu percebi… que nunca mais iria falar com ele,… nunca mais. Ele não realizou o seu sonho… por minha culpa.

Ela começou a chorar ainda mais que antes, ela tremia, eu olhei em seus olhos e vi sofrimento, vi dor e medo. E aquilo causou-me um aperto no coração, como se eu estivesse ligado a ela, e o que sentisse eu também sentia, eu queria chorar, mas não à frente dela, não para ela se achar culpada de mais sofrimento. Eu abracei-a e senti lágrimas caírem na minha camisa, senti as mãos dela a agarrarem-me com força nas costas, como se tivesse medo que eu partisse, mas eu não vou.

- Harry, desculpa, eu vou-me embora tu não precisavas de mim na tua vida, não precisas de um monstro, desculpa- e ela levantou-se

Eu não aguentei, ela precisava de mim tanto quanto eu precisava dela, não a ia deixar partir, não ela. Eu puxei-a de volta para a cama, talvez com força demais pois fiz com que ela caísse em cima de mim.

- Não vás, promete que ficas comigo enquanto der – falei com os lábios quase a tocar-lhe nos dela.

- Prometo – ela disse olhando fundo nos meus olhos

Aqueles olhos, aquela boca, aquele rosto, eu queria-a e não consegui parar a tempo, quando me apercebi já a estava a beijar, mas o melhor foi que ela correspondeu. Começou calmo, lento, eu ia fazendo carinhos na face dela e senti as suas mãos irem lentamente de encontro ao meu cabelo, logo depois tornou-se mais intenso, as nossas línguas lutavam por domínio, começou a ficar quente e eu desci as mãos de encontro Às suas coxas. Ela tinha a pele macia, quente, logo subi e ia a levantar a camisola, mas ela parou-me:

- Harry, desculpa, mas eu não, desculpa

- Quem tem que pedir desculpa sou eu – eu confesso que fiquei envergonhado, o que ela iria pensar de mim. Deitamo-nos lado a lado e permanecemos em silencio, até que ao fim de algum tempo ele o quebrou.

- Harry – ela sussurrou

Eu olhei para ela para que ela continuasse

- Eu sinto-me segura À tua beira

Eu não pude deixar de sorrir e abracei-a, queria a ter o mais próximo de mim possível, a cabeça dela encontrava-se no meu peito assim como uma das suas mãos a outra encontrava-se no meu abdómen. Comecei a fazer carinhos no seu cabelo até que ela adormeceu. Estava com um aspeto mais sereno, alias parecia um anjo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.