A Place Called Wonderland

5 Capítulo 5 - O avião, o bilhete e a luz.


Notas iniciais
Bom, é o último. Acabou por aqui ):
Agradecimentos à Sali e à Cami! Duas lindas que me incentivaram a postar, de um jeito ou de outro! *-*

A neve caia suavemente sobre o parque no centro de Londres. O mesmo em que haviam se conhecido. Já era um fim de tarde quando Tom olhou para o alto, a fim de ver se a lua já havia aparecido. Conseguiu localizar o que queria, a lua. Mas ao lembrar-se do ocorrido há um ano, queria ter visto outra coisa, algo que o deixasse mais próximo da garota que amava, mas só o que localizou foi o imenso vazio em seu peito, nada mais fazia sentido desde a vez em que viu o que, na verdade, poderia não ver.

Flashback on.

10 de Dezembro de 2008

Tom andava agarrado ao seu casaco, abraçando o próprio corpo, devido ao frio que fazia. Era dia 10 de dezembro, fazia exatamente dois anos que se conheceram, ali naquele mesmo parque. E hoje ele estava ali sozinho, com ela apenas em pensamento e coração, ela estava muito fraca, e por isso ele já não sentia mais a ligação de mentes entre os dois. Ela ainda existia, só não estava intacta. Ele sentia que algo estava faltando. Naquela manhã ele havia acordado diferente, estranho, sentia algo errado.

E ali, caminhando pelo parque naquele fim de tarde, algo o impulsionou a olhar para o céu, talvez para procurar a lua que apareceria em alguns minutos. Procurou, procurou e nada. De repente, um barulho não muito alto atravessou os céus, juntamente com um avião, uma tonalidade de azul quase branco, com detalhes vermelhos nas asas. E então, o vazio enorme invadiu seu peito. Deixou as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Estremeceu com o contato da lágrima quente com o seu rosto gelado. Procurou o banco mais próximo, se sentou e então, com o rosto enterrado nas mãos, chorou, como nunca antes. Mas algo vibrou em seu bolso, pegou o celular e viu o número do hospital. Já havia decorado o número, depois de tantas ligações recebidas de lá, sentiu que aquela poderia ser a última, a última de todas. Hesitou um pouco, mas atendeu.

— Alô? – Ele atendeu, sua voz vacilante denunciava seu choro.

— Senhor Thomas Fletcher? – uma moça falava do outro lado da linha.

- Sim. Posso ajudar em algo? – Não se sabe como o loiro conseguiu segurar o choro por tanto tempo, algo o estava corroendo por dentro.

- Precisamos que venha até o hospital imediatamente, é sobre a paciente Izabela Schmidt. – Ela fez uma pausa, provavelmente para checar o nome da paciente.

Um soco no estômago teria doído menos do que essa solicitação, deveras.

- Tudo bem, estarei aí em menos de três minutos, ela está bem? Por favor, diga-me que sim. – Houve uma pausa. A mulher nada falou por aproximadamente dez segundos.

- Por favor, venha até aqui, o Dr. McKinnon conversará com você. Até mais, senhor Fletcher. – a mulher desligou. Nada mais se ouviu do outro lado da linha.

Tom não sabia o que fazer, já não havia mais brilho em seu olhar. A única saída era ir até o hospital e esperar pelo melhor. Correu até seu carro e dirigiu o mais rápido possível até o hospital St. Caddmus, no qual já havia estado tantas vezes.

Chegou e foi diretamente à recepção, completamente desnorteado, solicitou o médico.

Ao chegar ao consultório do médico, a família toda de Izabela estava lá. Thomas teria de ser forte, ele sabia disso. Sra. Schmidt estava com os olhos vermelhos, aparentemente, ela havia chorado muito.

- Bom, agora que todos estão presentes, já posso informar a vocês, que o caso de Izabela era completamente complicado. O médico pausou ao ver a Sra. Schmidt começar a chorar descontroladamente. A senhora era consolada pelo marido. A sala branca só trazia uma atmosfera mais fria ao ambiente. Thomas estava sentado ao lado da irmã de Izabela. O médico, sentado atrás da grande mesa branca prosseguiu.

— Quero que saibam que fizemos de tudo, tudo o possível. Izabela foi forte, muito forte na verdade. Casos como o dela costumam durar de quatro a seis meses. O dela durou dez meses e quinze dias. Ela foi realmente forte, mas infelizmente, o tumor chegou até o ponto que comanda os batimentos cardíacos. Ele estava num estágio em que já não havia mais nada a fazer, se retirássemos, certamente ela não resistiria. Dou-te os parabéns senhor e senhora Schmidt, sua filha foi extremamente forte e corajosa. Meus pêsames a todos. E você Thomas, ela pediu que entrasse primeiro na sala. Ela disse algo sobre um avião e um bilhete. Por favor, queiram me acompanhar. – Ele foi saindo da sala, acompanhado pela família da menina.

Tom estava em choque, as lágrimas caiam desesperadamente, e ele nada fazia, não se movia. Não podia acreditar, não acreditaria até ver a sua menina. E então, ele decidiu confirmar. Alcançou o médico e entrou no quarto sendo acompanhado pelo Dr. McKinnon.

- Ela te amava muito Thomas, é um garoto de sorte. Vou deixar que fiquem a sós. – E se retirou do recinto.

Os balões que Tom havia comprado três dias atrás ainda permaneciam no quarto, assim como a boneca entregue há seis meses. Mesmo com tantas cores, tudo estava frio e sem cor, nada mais havia sentido.

Ele se aproximou da menina deitada na maca, sentou ao seu lado, e aos prantos, segurou sua mão acariciando-a.

- Eu sei que ainda pode me ouvir, princesa. Eu sei que pode. Você é forte, sobreviva. Não faz sentido eu viver assim. Sem você. – Enquanto acariciava a mão da menina, sentiu algo na palma de sua mão. O bilhete. Pegou o bilhete com cuidado a abriu-o. O bilhete trazia uma mensagem, mas a letra não era da menina deitada ali ao seu lado. Talvez houvesse pedido à sua mãe ou sua irmã.

“TALVEZ NÃO CONSIGA EXPRESSAR EM PALAVRAS A MINHA GRATIDÃO E O MEU AMOR POR VOCÊ. TALVEZ QUANDO VOCÊ LER ESSE BILHETE, O AVIÃO JÁ TENHA VINDO ME BUSCAR. TALVEZ VOCÊ NÃO SAIBA O QUANTO EU TE AMEI. NA VERDADE, NEM EU SABIA, NEM EU SOUBE. EU ACABEI ME PERDENDO NA IMENSIDÃO DO AMOR QUE AQUI HAVIA. NÃO HÁ MAIS PALAVRAS A SEREM DITAS, NÃO HÁ NADA QUE POSSAMOS FAZER. APENAS PEÇO QUE SIGA EM FRENTE, E SEJA FORTE, ASSIM COMO EU FUI. APENAS PEÇO QUE SAIBA QUE MORRI AMANDO VOCÊ, MORRI PENSANDO NA LUZ DO SEU SORRISO. EU AINDA TE AMO, EU SEMPRE VOU TE AMAR, NEM MESMO A MORTE VAI TE TIRAR DE MIM. ATÉ O WONDERLAND TOM, ESPERO POR VOCÊ. ASSIM QUE PUDER, OLHAREI POR VOCÊ. LOGO ESTAREMOS MAIS PERTO DO QUE IMAGINA. COM AMOR, IZABELA SCHMIDT. P.S: APENAS UMA PESSOA PRÓXIMA AO PASSAGEIRO PODE VER O AVIÃO. ESPERO QUE VOCÊ O VEJA, EU ESTAREI LÁ, SORRINDO PARA VOCÊ.”

Ele não sabia aonde havia espaço dentro de si, para acumular tantas lágrimas. Deixou que elas lavassem seus olhos, apenas chorou, ali parado na frente dela, sem dar a mínima para o tempo, para o que estaria lá fora.

- Eu te amo, minha pequena, eu te amarei por toda a eternidade. Serei forte assim como você foi. Eu prometo. – Entre soluços selou os lábios com o dela pela ultima vez. Guardou o bilhete no bolso e olhou através da janela.

O tempo estava frio, a noite já havia caído, e as estrelas eram a única fonte de luz naquele ambiente frio e escuro. Ele havia perdido a noção do tempo lá dentro. E então olhando para a janela avistou o avião novamente. O avião que antes havia parado na janela, e buscado a alma de Izabela. Uma luz acendeu e apagou rapidamente na direção de Fletcher. E então ele reconheceu, era a mesma luz, a luz que sempre se fazia presente no sorriso de Izabela, nos momentos de alegria que haviam vivido juntos. Nada o separaria dela. Nada mais. E nada mais faria sentido dali em diante também, ele só sabia que seguiria em frente, e faria tudo que ela lhe pedira. Ele agora vivia em função da menina estrela que um dia pertenceu a ele.

- Eu te amo.

E foi sua ultima palavra dita olhando diretamente pra ela. Sua vida seria diferente. Diferente o bastante para satisfazer apenas a vontade da única garota que realmente importava.

Flashback off

Sentou-se no banco, assim como havia feito há um ano, ainda chorando passou os olhos pelo céu, e viu o avião, o mesmo de um ano atrás. Ignorou achando que era alucinação. Correu os olhos pelas árvores atrás de si e viu um vulto, e em seguida a luz, a luz que tanto o iluminava. Quando a luz desapareceu, ela já não estava mais ali, mas um sorriso imensamente grande havia surgido no rosto pálido e triste de Tom. Ele sabia que aquela não seria a primeira e ultima vez, seria a primeira de muitas.

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Notas finais
A fic foi escrita por mim, e ela é dedicada à Izabela Schmidt, uma garota que um dia foi uma grande, grande amiga minha.
Muito obrigado por terem lido e espero que tenham gostado e que tenham chorado bastante! *-* hahaha
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!