A Pista de Boliche
1 Capítulo 1
A Pista de Boliche
Mais uma noite pensando naquela garota da pista de boliche. Aconteceu assim: uma noite de sábado, a galera toda reunida e lá estava ela: cabelos negros longos e belos lábios vermelhos que causariam inveja na Branca de Neve. Isso sem mencionar seus olhos verdes claros.
Graças a Deus é sexta-feira a noite, ou seja, em menos de 24 horas irei ao boliche e verei se ela estará lá novamente, e então perguntarei seu nome.
No dia seguinte acordo as 10 horas da manhã e vou para o meu banho, afinal , é sábado.
Saindo do banho, me olho no espelho e reparo nas olheiras em volta de meus olhos castanhos. Meu cabelo está razoavelmente bom, mas todo estranho desde que fiz as benditas luzes, cujas quais me arrependo. Visto minha camiseta de Hogwarts,coloco uma calça jeans escura e calço meu All Star Chucky Taylors ,de longe meu visual favorito para ir ao cinema, pois hoje tem X-Man: Dias de um futuro esquecido e Juntos e Misturados, filmes que estou ansioso para assistir.
Depois do cinema e de uma passada ao Burguer King, já são 19 horas. Vou até o terminal do metrô, e pego o trem que para na estação mais próxima do boliche.
Finalmente no boliche, pago minha entrada, calço os sapatos e espero por pelo menos meia hora, quando ela entra: cabelos presos em um coque e os olhos realçados com lápis, mas percebo que ela está com algumas amigas. Será que elas não se cansam de andar em bando?
Após jogar sozinho e fazer cinco strikes seguidos, para minha surpresa, ela vem até mim e diz com uma voz tão encantadora, que se ela dissesse ser uma sereia, eu acreditaria:
–Olá. Me chamo Clarisse. É fã de Harry Potter também?
–Be...be...bem...eu so..sou.- como posso gaguejar nesse momento?- De longe,é...é minha sa...sa...saga favorita. Meu nome é Caisa.
–Nome diferente.
–Desculpe. É Isaac.- que constrangedor. Por que toda menina linda me deixa assim?
–Bem, Isaac, gostaria de sair comigo depois da aula segunda-feira?
–Bem, eu não posso te confirmar nada agora, mas me passa seu número que eu te mando um sms confirmando até amanhã a noite.
–Aqui está- ela pega uma caneta no bolso e escreve em um papel o seu número.- Espero que você possa ir. Agora tenho que ir pra casa.- Ela me abraça e sinto seu cheiro. É um cheiro que não é possível descrever, mas que te marca.
Domingo. Aula de teatro. Ninguém merece.
Vou ao banheiro e faço minhas necessidades. Vou à cozinha onde preparo meu café da manhã. E quando já estou alimentado, vou para a aula.
A aula até que foi divertida, mas não tirava Clarisse da cabeça.
Após falar com meu pai, ele diz que é bom que eu esteja saindo, então fala para eu confirmar com ela.
Mando uma mensagem pra Clarisse:
“OE. TD BEM? ENTÃO,
ESTOU TE MANDANDO ESSA MSG
SÓ PRA AVISAR QUE TE ENCONTRO AMANHÃ EM FRENTE AO SHOPPING. BJUS”
Não se passam 2 minutos quando ela responde:
“OE. TD BEM SIM.
OK. TE ENCONTRO LÁ.”
2 MESES DEPOIS
–Sabe, Isaac- diz Clarisse em meu ouvido- esses dois meses em que estamos juntos tem sido os melhores de minha vida. Acho que já podemos dar um passo adiante.
–Eu...-ela me interrompe beijando meus lábios docemente como tem feito desde aquele dia no shopping, onde nos beijamos pela primeira vez.
Hoje ela está linda (mas ela sempre está linda), com o cabelo cacheado e com as pontas do cabelo vermelhas e eu amei isso.
–Vamos pra minha casa. Até o dia de amanhã estou sozinha. –diz ela.
–Acha uma boa ideia?
–Relaxa, querido. Eu não mordo, a não ser que você peça.
Dou um sorriso e concordo. Vamos até o carro de Clarisse, e como ela já tem 19 anos e eu ainda tenho 17, ela quem dirige.
Clarisse mora numa rua pequena, mas bem bonita. Sua casa é a maior, com uma pintura rústica muito bonita.
Ao entrarmos na casa, está escuro, pois as cortinas estão fechadas. Seguimos por um corredor reto e entramos à direita em um cômodo vermelho e preto. Pelos pôsteres de bandas, sei que é o quarto de Clarisse.
–Gostei. Muito legal seu quarto.- digo, mas não recebo resposta.
Olho em volta, mas não a vejo. Antes que eu possa chama-la, sinto um dor horrível nas costas e ouço uma voz áspera dizendo:
–Muito obrigada, bonitinho. Mas se você não se comportar, nunca mais terá esse privilégio.
Olho para trás e Clarisse não é mais uma bela garota, e sim um monstro: seus olhos não tinham mais o brilho pelo qual me apaixonei, seus dentes não eram mais dentes, mas presas afiadas. A dor que eu estava sentindo eram suas garras me penetrando.
–SOCORRO!-grito.
–Ninguém vai te ouvir, querido. Agora você é meu e está destinado a passar o resto da vida aqui.
A dor em minhas costas vai aumentando a medida que suas garras vão penetrantes em minha espinha. Solto um grito grave e Clarisse me diz:
–Se você for um bom menino, deixo você vivo e não-paraplégico. Eu sou uma das dracanae mais bondosas que você vai conhecer.
–Tudo bem.- digo com lágrimas escorrendo em meu rosto- Eu serei seu prisioneiro, mas por favor, me deixe em paz.
Depois de me fazer umas bandagens, Clarisse volta a ficar em sua forma de moça linda, me coloca em uma cela que fica no porão e sai, provavelmente para atrair mais gente para sua armadilha. Eu não posso permitir isso.
Dois dias inteiros com ela me trazendo um simples prato de sopa e eu realmente estava precisando de alguma coisa para conseguir detê-la. Mas como se detém uma dracaenae? Para mim elas eram simplesmente personagens de mitologia greco-romana.
No terceiro dia ouço gritos, e sei que ela matou alguém em seu quarto.
No quarto dia, Clarisse aparece em sua forma real e lança dois corpos no porão e diz:
–Tome. São para te fazer companhia.
O quinto dia nesta prisão infernal...por que ela não me mata logo? Até a morte deve ser menos dolorosa.
Ouço um ronco...Tudo que eu queria ouvir. Pego um clips de papel que não sabia que estava em meu bolso e o entorto até que dê para usá-lo pra abrir o cadeado. Girando de um lado pro outro, finalmente consigo e subo as escadas do porão. Cambaleante, vou até a sala de estar onde Clarisse dorme sossegadamente em sua forma horrenda.
Vou até a cozinha com o máximo de cuidado que posso e pego um facão e quando me viro, Clarisse está me encarando. Ela enfia as garras em meu peito. A dor é horrível, mas ainda assim, enfio a faca o mais profundamente em sua garganta e a desço até onde deve estar seu coração.
–Agora o mundo está livre de você para sempre. -digo para Clarisse.
–Meu querido, você realmente acha que sou a única? Você me matando não fará a menor diferença. Te vejo no inferno.
Nessa última frase, despenco no chão e simplesmente sinto a vida sendo retirada de meu corpo.
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