A Pianista

Por Pikenna betada por Lizzie

One-shot

Para viajar basta existir.- Fernando Pessoa


Tarde de primavera, o sol se punha encobrindo o céu com o seu tom alaranjado, as nuvens passeavam tranquilamente e uma pequena garotinha de apenas 10 anos estava sentada sob as mais diversas flores do jardim. Margaridas, ela sempre gostou de margaridas, principalmente porque seu nome era Margarida.

Seus pequenos cabelos loiros escuros balançando de acordo com a movimentação do vento brando. Os olhos verdes focados nas singelas flores. Sorria, um enorme e contagioso sorriso. Estava perdida em seus próprios devaneios, se encontrava longe daquele mundo conturbado pelas guerras. Subitamente, é puxada de volta para a realidade com brusquidão por sua criada.

_ Margarida, entres criança, vossa mãe solicita tua presença. – disse a criada, ajudando a pequena a se levantar.

Margarida sorriu e junto da criada caminhou para dentro da enorme casa, correndo para os braços da mãe. Entretanto, a pequena parou ao receber um olhar de repreensão da mesma.

_ Não deves ficar correndo pela casa como um animal, comporte-se Margarida. Cumprimente teu pai e venhas comigo, quero te mostrar algo. – a mãe falou. Trajava um belíssimo vestido, ornamentado com os mais diversos detalhes, de cor azul, realçando seus olhos claros. Começava fino e depois tornava-se redondo, dando uma enorme elegância.

Margarida encaminhou-se em direção ao seu pai, que vestia trajes elegantes, dignos da nobreza, a classe a que pertencia sua família. Curvou-se lentamente e beijou-lhe a mão. Depois foi para perto de sua mãe, sorrindo para a mesma, indagou:

_ O que desejas mostrar-me mamãe?

_ Verás. Acompanhe-me. – respondeu a nobre duquesa de Portugal.

A pequena não ousou desobedecer, tratando logo de acompanhar a mãe. Seguiram por um extenso corredor, o qual era todo decorado com antigas tapeçarias e quadros. Depararam com uma porta de madeira, a qual a duquesa abriu e logo em seguida sumiu por detrás da mesma. A filha apenas foi compelida a imitá-la.

Quando olhou para o objeto à sua frente, sua primeira reação foi se deslumbrar. Os olhos brilhavam com uma intensidade jamais vista. Ela correu e abraçou a mãe em forma de agradecimento. Era o presente mais belo que já ganhara em toda a sua vida.

_ O que é isso, Margarida? Vamos, deixe disso criança. Só desejo que se aperfeiçoe e toque com maestria, afinal, tenho grandes planos para tu. – sua mãe falou, fazendo a pequenina soltá-la e correr para o tão cobiçado objeto.

Tratava-se de um piano, um luxuoso, feito de madeira brilhante. A criança sentou-se no pequeno banco e percorreu com seus finos dedinhos as teclas, cada uma com distinta nota. Foi então que, ao prestar atenção aos detalhes, olhando ao seu redor, percebeu a presença do bispo Castiel, o qual a olhava com ternura e graça.

_ Quanta arrogância Margarida, não vais cumprimentar o bispo Castiel como se deve? Parece que não dei educação a senhorita. Apresse-se. – a mãe falou. Margarida, relutante, deixou o piano com pesar e foi em direção ao bispo. Segurou cada ponta de seu vestido com uma mão, cruzou as pernas e fez uma leve reverência, depois beijou a mão do padre, cuja pele era flácida e continha leves cicatrizes.

_ Eu serei o teu professor, pequena Giatti. Aprenderás tudo sobre este maravilhoso instrumento e tocarás com a alma. – disse-lhe o padre já idoso. Vestia um traje preto que lhe cobria todo o corpo. Continha nos lábios um sorriso de satisfação.

_ Serei grata. – respondeu Margarida – Quando começamos? – ela indagou, ansiosa para aprender o mais rápido possível sobre o piano, instrumento que lhe causava sensações estranhas, porém boas.

O piano lhe instigava, lhe parecia misterioso. Margarida simplesmente estava maravilhada com o novo objeto. As músicas melódicas, que às vezes começavam calmas e depois se agitavam, e as quais levavam a pequena criança para um mundo totalmente diferente, um mundo somente dela, onde só existia paz e alegria. Nada de guerras... Todas essas músicas eram tocadas no piano. Aprenderia milhares.

_ Podemos começar agora se quiseres, criança. – respondeu o padre, dando-lhe um sorriso amigável.

Margarida devolveu o sorriso. Voltou a se sentar no banquinho e o padre caminhou a passos morosos até ela. E então começou a lhe dar as primeiras lições, seguidas por outras tantas, todos os fins de tarde que Margarida tinha livre ao retornar de suas obrigações diárias.

Contava as horas, os minutos e os segundos, esperando o tempo passar logo para que pudesse correr para casa a fim de aprender um pouco mais sobre o piano e a arte de tocar. Assim, os anos foram se passando... Rapidamente, Margarida deixou de ser criança, entrando em uma fase totalmente nova, denominada de época da rebeldia.

Entretanto, a jovem garota, agora com seus 14 anos, não demonstrou nenhuma mudança em seu comportamento rebuscado. Continuava alegre, educada, persistente. Nunca faltava às aulas de piano e passava horas tocando algumas músicas que já havia aprendido.

Entretanto, um belo dia de inverno, onde o chão daquele país regido por um rei mesquinho e egoísta, transmutava-se em um manto branco, realçando o cenário daquela estação implacável, Margarida acordou com muita dor de cabeça, as vistas embaçadas, dores no corpo todo. Parecia que iria desfalecer a qualquer momento.

Contudo, levantou-se mesmo assim e silenciosamente se dirigiu ao local onde guardava-se o piano. Não contaria nada a sua mãe, desejava poupá-la de mais uma preocupação. Tocaria uma música e seria curada em seguida. E foi que fez... Com perfeição passou a apertar e soltar com fineza as teclas do piano, dando vida a cada nota. Entretanto, a sua debilidade era enorme, encontrava-se muito derribada. Não suportou e esmoreceu em cima do piano...

Acordou com fortes dores de cabeça, sua visão ainda estava meio embaçada. Havia médicos para todos os lados, percebeu que se encontrava em seu quarto, tinham-na separado de seu piano. Queria voltar para ele, continuar a tocar, porém, não havia forças. Parecia que seu estado de saúde não era um dos melhores, precisaria protelar as aulas se quisesse melhorar.

_ Mamãe? – a jovem chamou por sua mãe, a qual, ao ouvir a voz da filha, deixou o que estava fazendo e foi atender ao seu chamado.

_ Como se sentes, Margarida? – a mãe indagou preocupada, quase esmagando a filha em seu forte abraço.

_ Bem. – mentiu a pequena – O que os médicos disseram à senhora? – ela perguntou curiosa. Gostaria de saber se o que tinha tratava-se de apenas uma enfermidade comum, nada grave. Estava aflita para voltar a tocar novamente.

_ Nada, eles não sabem o que tens, querida. Pediram para que ficasses de repouso durante a semana. – respondeu a duquesa.

_ Não posso mamãe, tenho as aulas de piano. – disse Margarida, a voz afônica. Estava aterrorizada com a ideia cogitada por sua mãe de permanecer uma semana longe de seu precioso piano.

_ Não tens outra escolha querida, ficarás aqui até que melhores. – respondeu a mãe, dando sua fala como a última.

Enfadonha, a jovem não teve outra opção, foi compelida a esperar. Contudo, os dias foram se passando e ela não melhorava, ao contrário, só piorava. Sua visão cada vez mais tornava-se turva e aos poucos foi tendo dificuldades para ver os detalhes à sua volta. Seu campo de visão tornou-se pequeno e a medida que o tempo avançava, o campo diminuía mais e mais.

Margarida passava dias e dias na cama, debilitada e colérica consigo mesma, afinal, ela não conseguia se auto curar. Já vira tantas crianças enfermas melhorarem em menos de dois dias. Diferente delas, Margarida continuava ali, sem poder tocar em seu piano, o que a deixava deprimida, uma vez que não conseguia divagar mais em seu mundo feliz que outrora estivera.

Diariamente era obrigada a presenciar o real mundo, cuja base era apenas guerras e guerras. Estava farta de brigas, mas era inevitável, sem o piano para lhe separar daquele mundo em que vivia fisicamente, seus ouvidos, mesmo contra sua vontade, escutavam as notícias que, ou os empregados traziam, ou os próprios médicos que cuidavam de sua saúde.

Então, um ano se passou desde aquele fatídico dia de inverno. Margarida acordou, já aguardando por mais um dia monótono e nostálgico. Morreria em breve, sabia que morreria, não a deixavam se aproximar daquilo que lhe dava vida, que lhe alegrava. Entretanto, não tivera nada de semelhante ao acordar... Ao abrir os olhos, a jovem apenas enxergava a cor preta.

Talvez ainda estivesse dormindo... Beliscou-se com força para conferir se realmente ainda se encontrava no mundo dos sonhos. Contudo, teve uma terrível e aterradora noticia. Ela tinha acordado sim, mas perdera sua visão. Será que havia ficado cega? A jovem não podia aceitar, não acreditava... Ficaria para sempre longe de seu amado piano? Foi então que, em um impulso impensado, ela gritou, gritou de agonia, de dor, de melancolia.

Sua mãe veio correndo ao seu encontro, junto com seu pai. Os médicos já se preparavam para examiná-la. Tudo aconteceu de maneira rápida, não deram nem tempo para que ela respirasse. Ao fim do exame, um dos doutores deu a terrível notícia trágica. Margarida estava cega e nunca mais voltaria a enxergar.

_ Não vou poder tocar mais piano? – ela indagou, as lágrimas correndo de seus olhos sem vida, apagados por uma doença que jamais imaginaria ter tamanho poder de tirar-lhe a vida. Sim, porque o piano era sua vida. Agora que não o teria mais, sua morte era certa.

Ninguém a respondeu, todos se encontravam em choque. A mãe chorava silenciosamente e o pai parecia consolá-la. Aquele fato era difícil de aceitar e perdurou por longos dias. A duquesa estava irredutível, não queria, não podia aceitar o fato de ter seus planos arruinados. Sonhara com um futuro tão perfeito e certo para a filha, agora via seus sonhos se desmoronarem à sua frente, tijolo por tijolo era retirado e tudo desabava em seus pés.

Margarida não comia, não bebia, não fazia mais nada a não ser permanecer na cama, dormindo e aguardando em silêncio a chegada de sua morte. Infelizmente, ela ainda tinha muito para viver e sua hora não era aquela, mas sim de uma pessoa que possuía importância sem fim para a jovem. Seu pai viera a falecer em seis meses depois de ter descoberto a cegueira da filha. Morreu de tristeza, de desgosto.

Mais um choque para mãe, tijolo por tijolo novamente era retirado, logo quando estava aceitando a tragédia que encobriu sua preciosa filha. Era muito para a duquesa... Ela não resistiu, caiu em depressão poucos dias depois. Seu estado de saúde tornou-se pior que o de Margarida e a mãe, não podendo suportar mais, caiu na insanidade.

Margarida fora compelida a escutar toda a notícia, provinda de uma das criadas, a mais rude, a que tratava a jovem com desprezo e crueldade, ferindo-lhe o ego com palavras torturantes. Queria morrer logo, mas não compreendia o porquê da morte não levá-la. Por que ela insistia em deixá-la viver naquele mundo de dor? Uma dor sem fim? Não encontrava respostas plausíveis para suas indagações.

Agora era cuidada por sua tia, uma pessoa humilde, esperançosa e de uma paz jamais vista. Devido a perda da visão, Margarida apurou a audição e foi com a ajuda desta que conseguiu escutar uma conversa da tia, uma que tocou-lhe profundamente e lhe deu força para seguir em frente. A tutora falou para uma das empregadas que por mais tortuosos sejam os caminhos, jamais podemos desistir no meio deles, nos rendendo ao medo, porque no final sempre há uma luz, uma paz serena e plena.

Devido a essa única frase, Margarida teve uma certeza, não abandonaria o piano, mesmo que não pudesse mais ver. Ela tinha perdido a visão, mas não a audição. Ainda seria capaz de escutar as melodias, mesmo que levasse um longo tempo para isso. Desde então, a jovem passou a comer com vontade, a viver com coragem e a não se importar com as palavras ácidas que algumas pessoas lhe lançavam.

Aproveitava o cair da noite, quando sua mãe tinha suas crises de loucuras e sua tia corria para cuidar dela, para se encaminhar ao local que se encontrava sua vida, sua essência, o piano... E lá, dedicava-se horas e horas e escutar as notas e a gravar suas posições. Apenas com a audição, ela se completava, sentia-se novamente feliz, uma enxurrada de sentimentos se apoderava dela.

Os anos foram se passando dessa forma, Margarida lutando para sobreviver e continuando com as práticas de piano que foram interrompidas bruscamente por um destino fatídico. Mesmo que a dificuldade tenha triplicado, ela não desistia. Permanecia forte e essa força lhe acendia a chama da esperança, a qual a fazia acreditar a todo o momento, que um dia tocaria uma música com maestria para um enorme público, assim como sua mãe sonhou...

Com seus 21 anos, a jovem que agora tornou-se uma adulta, encontrava-se na pequena sala. Passeava as mãos pelo piano e assim conseguia vê-lo em sua imaginação. Era chegada a hora, sim, aquele era o momento que tanto sonhou. Com muita dificuldade e muita luta, finalmente ela estava pronta. Era até difícil de acreditar... Margarida compôs uma música, cuja cada nota tocada representava um momento de sua vida.

Sentou-se no banquinho, respirou profundamente e percorreu rapidamente com fineza cada tecla de seu piano, e então, deu início a música que conseguira terminar. A melodia começava tranquila, serena e depois se tornava alegre, parecia que se divertia. Depois foi transmutando-se para algo forte, agitado, que transbordava dor e pura melancolia, mas ao chegar no fim, a música foi mudando para um leve tom suave e assim se encerrou.

Margarida chorava, dessa vez de felicidade. Escutou um soluço a mais, havia alguém ali na sala além dela. Prestou atenção no choro baixinho que provinha de um dos cantos do local. Descobriu que se tratava de sua tutora. Assustou-se, levantando-se do banco em que antes estava sentada.

_ O que houve com minha mãe? Ela se encontra bem? – Margarida perguntou, tateando a parede até encontrar os ombros de outra pessoa. Tudo estava negro, para ela era sempre noite... Mas sentia que aquela era especial, não pelo fato de ter concluído uma música, mas outra coisa que não conseguia distinguir sobre o que se tratava.

_ Vossa mãe estás partindo. – responde a tia com pesar, o choro se intensificando. Margarida abraçou a tia, procurando consolá-la. Muito contraditório esta cena, uma vez que deveria ser sua tutora a ajudá-la com este momento.

_ Tia, desejo tocar para minha mãe esta música que criei. – Margarida pediu, sorrindo para a tia.

Era a primeira vez que abria um sorriso desde o dia em que se descobriu enferma. O último que dera possuía 10 anos e foi no momento em que se enlevou com o piano. Agora, este sorriso era de felicidade, mesmo que mesclado pela tristeza e dor de saber que sua mãe, tão amada e tão querida, estava morrendo. Mas, tinha certeza que poderia fazer algo por ela, como amenizar sua dor na hora da partida, colocá-la para ir em paz. Faria isso tocando piano.

Os empregados da casa com muito zelo levaram o objeto para o quarto da louca duquesa, no qual a filha, sentada ao lado da cama da mãe, se encontrava. Passava as mãos finas e sedosas pelos cabelos loiros da senhora que devia aparentar 40 anos, sua idade verdadeira, contudo, pelo o que a tia lhe contara, parecia que a mesma beirava os 70. Triste fim que sua mãe teve, não desejaria isso nem para seu pior inimigo.

Assim que o piano foi colocado perto da cama, Margarida se separou da mãe, a qual sentindo a filha se afastar começou a se debater loucamente na cama. Os empregados a seguraram a força, já estavam acostumados com estes ataques. Sabiam o que fazer, precisavam apenas segurá-la até que se acalme. Contudo, assim que Margarida começou a tocar sua melodia no piano, a mãe foi se acalmando e os criados aos poucos foram soltando-a.

A música era tocada e a mãe parecia estar atenta a cada nota. Todos estavam em puro silêncio, como se estivessem segurando a respiração, tamanho o medo de interromperem a belíssima música que ecoava no quarto. Qualquer barulho e o encanto se quebraria... Quando a música chegou ao fim, a respiração pesada da mãe sumira, era o sinal de que ela havia partido. Margarida sabia que a duquesa foi em paz, sem dor alguma, apenas escutando a melodia e levando-a com ela para o outro mundo.

Deixou algumas lágrimas rolarem silenciosamente, indo de encontro a madeira do piano. Eram lágrimas de felicidade mesclada com tristeza, felicidade esta por ter conseguido algo que parecia impossível – voltar a tocar piano –, tristeza esta por ter perdido um ente que amava muito.

Prometera a si mesma que jamais desistiria, conseguiria tocar ainda em um grande concerto para muitas pessoas, todas da alta nobreza. Seria reconhecida mundialmente por seu feito milagroso. Esse era um de seus sonhos que precisava realizar antes de poder também deixar este mundo cruel e doloroso...

Ao escutar os aplausos da plateia, Margarida, a pianista, saiu de sua morbidez momentânea, sua divagação por um passado que jamais esqueceria. No fim, ela realmente foi capaz de realizar todos os seus sonhos e no momento sorria vitoriosa. Os aplausos da nobreza ecoavam pelo teatro. Tinha terminado de tocar a música que havia composto há três anos. Todos pareciam enlevados com a melodia e isso a deixava orgulhosa de si.

Levantou-se, cumprimentou a plateia e depois desapareceu por detrás da imensa cortina vermelha. Não parecia que vivia a realidade... Queria, mas não conseguia acreditar. Então era isso? Essa era a sensação de um sonho que se cumpriu? Margarida sentia-se leve, uma calmaria a preenchia, seria capaz de flutuar.

Subitamente sentiu alguém abraçá-la. Sabia de quem se tratava somente pela fragrância do perfume. Correspondeu àquele gesto, abraçando de volta sua tia. Devia a ela muito ainda e não tinha certeza de quando pagaria toda esta dívida. Abraçada a tutora, lançou um olhar para os céus, lembrando-se de sua mãe e seu pai, agradecendo-os mentalmente. Logo em seguida, voltou sua atenção a mulher que ainda continuava abraçada a ela.

_ Tia, obrigada pela ajuda. Se não fosse por ti, jamais tocaria piano novamente. – disse Margarida.

_ Não te preocupes criança. Fiz com gosto. Sempre soube que tinhas talento. Tocastes hoje com maestria, como um dia vossa mãe sonhou. Estás de parabéns, tu és merecedora. – falou a nobre tutora.

Margarida nada mais disse, continuou abraçada à tia. Aquele gesto lhe trazia conforto, proteção, paz... Demonstrava o mais puro amor. Finalmente sentia-se completa, poderia agora descansar o coração e o corpo. Estava de volta ao seu mundo particular, ao mundo que criara, a música a levou até ele e de lá jamais sairia...

Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível.- Charles Chaplin

Notas finais
Eu sei, triste e dramática, mas o que posso fazer? É minha marca. :) Espero que tenham gostado, críticas construtivas sempre bem vindas, destrutivas não.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!