A Pessoa Que Eu Quero.
6 Seis
Notas iniciais
Voltamos até a frente da casa aonde vimos sua mãe. Uma mulher baixa com um coque alto mas algumas mechas bem cacheadas atrás da orelha. Ela não é nem magra nem gorda mas é baixinha o que faz ela parecer acima do peso. Ela tem olhos verdes como os meus, mas com um tom mais verde enquanto os meus são puxados para o azul.
– Aonde está o pai? — Nathan pergunta para a mão assustando-a que não havia nos visto.
– Ele foi resolver umas coisas na cidade. Foi cedo, achei que já sabia. — respondeu ela com sua voz fina e meiga.
– Não. Bom, que milagre. Ele nunca perde nenhuma viagem há o Campus Grewen. — Nathan diz sem parecer chateado por seu pai não ir.
– Campus Grewen ? — pergunto sem nenhuma educação pelo excesso de curiosidade.
A mãe de Nathan me olha como se fosse a primeira vez que tivesse me reparado no cenário. E talvez fosse.
– Ah, mãe. — Nathan diz. — Este é Peeter. Ele vai com a gente para o I.C.
Ela se aproxima de mim e me da um abraço leve. E diz:
– É um prazer finalmente conhecer vizinhos. Prazer, sou Elena.
– O prazer é todo meu Sra. Stark.
Ela dá um sorriso largo. E diz.
– Ok, ok, garotos. Entrem no carro e vamos pegar estrada antes que nos atrasemos.
***
A meia hora da viagem foi a Sra. Stark perguntando sobre minha vida, o colégio, aonde nos conhecemos, que aulas fazemos juntos e blá blá blá. Nunca fui muito bom com conversas assim, mas fiz o melhor que pude.
Quase na metade da viagem veio minha salvação. A mãe de Nathan decidiu dar carona para um estranha na rua. O que lhe desviou a atenção de mim. E jogou Nathan do banco do carona para o meu lado.
Nathan colocou os fones o que me fez me sentir meio desconfortável pelo fato de estar ali sobrando.
Mas não demora 2 minutos e ele vem falar comigo. Eu estava lendo.
–Escuta essa música. — Diz ele colocando os fones em mim de um jeito bem delicado.
I do not know what motivates you
But what motivates me is love
Do not say that my love is wrong
Do not say what motivates me is evil
why no love is evil
just kiss me
and let me love you
A música era incrível. Eu não diria a ele se fosse ruim obviamente mas era realmente boa. Fiquei de boca aberta.
– O que achou? — ele perguntou rindo.
– In-incrivel. — disse ainda sem palavras. — Que música é essa? Como eu não a conhecia?
– Calma. Você não a conhecia porquê somos os primeiros a ouvi-las. Meu primo distante tem uma banda. Ele gravou faz alguns dias e me mandou pedindo minha opinião.
– Isso é incrível. Ele precisa mostrar isso para alguém. Essa letra essa melodia. É-é-é incrível. — eu disse agitado.
– Eu sei. Mas só vou poder falar com ele depois do Invecamp.
Eu dou um leve aceno com a cabeça e lhe entrego o fone. Ele pega e coloca um em minha orelha e outra na dele. Ficamos ouvindo música o restante da viagem. Algumas médias outras boas e umas incríveis. Nas incríveis a gente olhava um para o outro ao mesmo tempo e se comunicava sem trocar uma única palavra.
***
– Chegamos!
É o que ouvimos no silêncio entre o intervalo de um música para outra.
Retiro o fone e olho pela janela. Há árvores grandes, médias e pequenas ao redor de uma enorme casa com uma arquitetura antiga porém muito bem conservada. Como aquelas casas de campo que vemos em filmes.
Ela é tão larga e alta que não se vê nada que há atrás dela. Mas na frente já e uma coisa de impressionar multidões: A parede de pedras lisas, três andares e mais janelas que se consegue contar.
O carro para e descemos. O local está cheio. Por mais que a casa seja grande não haveria lugar para todos.
– Nossa aqui está cheio. — digo para Nathan enquanto fecho a porta e tento me encontrar em meio a tanta gente.
– Relaxa. — diz ele atrás de mim me assustando. — A maioria são pais ou parentes.
– Ok, vamos nos escrever antes que lote. — Ele diz me puxando.
Andamos até aonde algumas pessoas estavam sentadas em mesas com pranchetas e canetas. Entremos em uma fila. Nathan assina seu nome e eu assino logo abaixo.
– Nathan, como está seu pai? Não o vi hoje para a colaboração da organização.
– É ele teve que resolver algumas coisas no trabalho.
– É uma pena. Ele não perde nenhum evento deste que se formou.
Andamos para longe da multidão. Nathan parece tranquilo mas eu estou ansioso. Ele se senta em um banco e eu me sento ao lado. Fico o encarando para ver se ele vai falar algo ele me olha e sorri. (Mesmo nesse momento seu sorriso me faz sentir cócegas na barriga.).
– O que fazemos agora? — pergunto.
– Agora esperamos.
Bufo e me estico no banco. De longe avisto Priscila e Noah. Estava tão concentrado em estar aqui com Nathan que me esqueço que eles estariam aqui.
– Vai lá falar com eles. — Nathan diz ao reparar que estou sorrindo ao olhar para eles.
Aceno com a cabeça para ele e vou correndo até eles em meio a multidão. Mas antes de eu entender algo estou no chão. Tropecei em alguma coisa. Abro os olhos e depois que me olhar se foca vejo um garoto. Lindo por sinal. Olhando para mim de cima. Então percebo que não tropecei em algo e sim em alguém. Em um garoto com um sorriso branco e um topete alto de cabelos negros e olhos incrivelmente azuis.
Passa pela minha mente fingir um desmaio para não ter que encarar a vergonha mas isso daria trabalho demais. Decido aceitar a mão estendida do garoto que me puxa e me levanta. Ele ainda sorri para mim e diz:
– Desculpa.
– Fui eu quem me joguei em cima de você. Desculpa. Não te vi.
– Não me viu porquê eu me virei do nada. Você está bem? Machucou algo?
– Só a minha dignidade. E você?
– Não. Eu sou bem mais difícil de se derrubar que você.
Então me do que pretendia fazer antes de fazer cover de morto no chão. Meus amigos.
– Olha eu tenho que ir. A gente se vê por ai.
Ele fala algo mas já sai longe demais para ouvir.
Avisto Priscila e Noah nas mesas escrevendo seus nomes.
Vou até eles e digo:
– Saudações!
Eles me olham como se tivessem visto um fantasma.
Priscila pula em meus braços e eu a abraço.
Começamos a nos afastar para dar espaço para a vila GIGANTE que vai se escrever. Mas antes de a pessoa atrás assinar seu nome o monitor pega um mega fone e diz:
– AS INSCRIÇÕES ESTÃO ENCERRADAS. OS ALUNOS QUE AINDA NÃO SE ESCREVERAM PODEM VOLTAR A SUAS CASA JUNTOS COM OS RESTANTES DOS PARENTES. SOMENTE FIQUE OS PARTICIPANTES QUE JÁ SE INSCREVERAM.
Nisso um múrmuro misturado com vaias são ditas em meio as pessoas da fila. Vejo Nathan se despedindo de sua mãe e lembro que minhas coisas ainda estão no carro. Vou até lá e Nathan me entrega as coisas sorrindo.
– Se divirtam garotos. — diz a Sra. Stark. — Vejo vocês em três semanas.
Então ela entra no carro e vai.
Nathan e eu rimos por algum motivo desconhecido.
Nós quatro sentamos em um banco e conversamos. Em cinco minutos não restou em 1/3 da multidão de antes. Até mesmo os monitores sumiram.
Logo em seguida o grande portão principal que dá acesso a grande casa é aberto. Vamos andando por um caminho de pedras que leva até a entrada da grande casa.
Na escadaria aonde fica a porta de entrada há um homem que deve ter uns 50 anos. Está vestindo uma roupa social-esportiva. Está com uma postura severa e seu olhar igualmente duro. Ele anuncia com uma voz nem alta nem baixa. Que prende a atenção de todos:
– Mais um ano se começa. Não se esqueçam que estão aqui para tornar as férias de vocês em algo útil e que agrega algo que vocês possam usar para a vida. As coisas ainda não mudaram. Os alunos que já sabem suas casa já podem se dirigir a ela. Qualquer alunos fora de sua casa sorteada será expulso do Imvecamp.
"Já os alunos que ainda não tem casa esperem alguns minutos que serão sorteados para suas devidas casas."
Há algumas pessoas que continuavam ali. Nem todas sem casa já que Nathan e Pris continuavam ali. Noah decidiu ir para sua casa para desfazer as malas. Um monitor chega com algum tipo de ir urna e para em nossa frente.
– Lembrando que são três casas. Singa, Kucing e Hantu. Vou vou chamar o nome de vocês, vocês vem e peguem algum dos papéis dentro da urna. As casas estão divididas entre vocês para que não haja desequilíbrio.
– Amanda Fleur.
Uma menina da um passo a frente e enfia a mão dentro da urna. Tira de lá um cartão Laranja.
– Singa! — O monitor diz e lhe entrega um uniforme. ela entra junto com algumas amigas.
Algumas pessoas vão antes de mim.
Natham sussurra:
– Acho que não é dessa vez que ficaremos na mesma casa. De acordo co a minha conta só resta um cartão de Singa e três dos outros. As chances de você pegar esse único é quase zero.
Por mais que eu não me importaria em ficar na Hantu com Noah e Priscila, desejo do fundo do meu coração que eu saia na casa de Nathan. Ou pelo menos não seja na Kucing. Sozinho. De novo.
– Peeter Torres.
Dou um passo a frente. Olho para o monitor. Olho para Nathan. Olho para Priscila e Noah que estão sorrindo de orelha a orelha mais que esperançosos.
Enfio a mão dentro da urna. Fecho os olhos e puxo.
Apenas ouço:
– Singa!
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